NOSSO PÁROCO

 

PE. OSWALDO GEROLIN FILHO

Pe.Oswaldo nasceu em Assis, cidade do interior paulista com cerca de 80.000 habitantes. Pertencia a uma paróquia onde havia os missionários do PIME-Pontifício Instituto das Missões Exteriores, uma comunidade de padres italianos. Pe.Oswaldo cresceu em contato com o trabalho dinâmico, entusiasta e ardoroso desses missionários. Recebeu a influência direta de seu pároco, padre missionário que trabalhou ininterruptamente durante 50 anos em Assis. Quando tinha 16 anos, Pe.Oswaldo conheceu de perto o trabalho pastoral voltado para a juventude.

 

ReligiaoCatolica.com – Pe. Oswaldo, sua formação religiosa se deu em torno dos padres do PIME. Poderia nos contar como foi seu envolvimento ?

Pe.Oswaldo Meu pároco, como já disse, permaneceu 50 anos na cidade; era uma pessoa que não tinha rotina, um empreendedor que ia resolvendo os problemas à medida em que apareciam. Realizou trabalhos na área cultural e social, tinha uma mentalidade aberta. Para que se tenha uma idéia, fez o primeiro cinema da cidade e também a primeira escola de samba, isso quando já estava com mais de 70 anos de idade. Fundou também o primeiro time de futebol, que existe até hoje. Quando vieram outros padres, comecei e me envolver com o trabalho voltado aos jovens. Havia uma grande preocupação com a formação da juventude e participei de inúmeros encontros, retiros, passeios.

 

ReligiaoCatolica.comComo surgiu sua vocação ?

Pe.Oswaldo – Os padres do PIME sempre colocaram o Espírito Santo como o centro da vida espiritual do cristão. Não da maneira como é enfocada pela Renovação Carismática, mas a vivência dos dons do Espírito Santo e dos carismas. Posso dizer que foi ali que começou a aflorar minha vocação. Eu já sentia dentro de mim uma voz que me dizia claramente: “você vai ser padre, vai ser padre”.

 

ReligiaoCatolica.comA influência dos padres do PIME foi sem dúvida importante, como o senhor mesmo disse. Mas como foi que, mais precisamente, tomou a decisão de ser padre ?

Pe.OswaldoEu levava a vida normal de um jovem de minha idade, participava das atividades da Igreja nos fins-de-semana, mas a presença dos padres em minha casa era muito grande. Sem dúvida isso começou a mexer dentro de mim, comecei a sentir o chamado ... Durante oito anos participei do chamado “Oásis”, um movimento para um mundo melhor, trazido da Itália. O movimento, inicialmente pequeno e organizado nos moldes dos focolarinos, foi crescendo e chegou a reunir 5.000 pessoas em toda a Diocese. Dele participavam moças, rapazes e casais. A Diocese abrangia 23 cidades, aprendi a tocar violão e fui percorrendo as cidades, envolvi-me, trabalhei até com o Bispo, cantava e ensinava as músicas da Campanha da Fraternidade. Além disso, estudava, cursei Contabilidade e Administração de Empresas. Estudei piano e namorei. Mas quando terminei a faculdade pensei: “Agora está na hora de decidir”. Mas foi difícil decidir.

 

ReligiaoCatolica.comPor quê foi difícil? E qual foi à reação de sua família?

Pe.Oswaldo – Ás vezes eu achava que era importante ficar perto da minha família, mas às vezes eu sentia que “precisava de espaço”.  Resolvi então afastar-me um pouco e vir para São Paulo em companhia de um diácono do PIME, que vinha aqui para estudar. Na época recebi o apoio de D.Mauro Morelli e do Pe. José Pegoraro, este último doutor em Direito Canônico. Fiz uma experiência, gostei, D.Mauro me aceitou e comecei a estudar Teologia. Minha família no começo sofreu bastante, mas nunca me disse não. Eu sou o filho mais velho de uma família descendente de italianos. Meu pai tinha uma marmoraria que estava praticamente na minha mão, mas tive que deixar tudo. Um irmão e uma irmã tomaram meu lugar e sem o apoio deles não poderia ter vindo a São Paulo.

 

ReligiaoCatolica.comQual foi a sua trajetória em São Paulo?

Pe.Oswaldo – Cheguei em São Paulo no dia 23 de janeiro de 1980 para fazer a Faculdade. Fui ordenado sacerdote no Largo 13 de maio onde fiquei meu primeiro ano. Isso foi em 1985. Em 1986 fui para o Jardim Miriam, onde tive minha primeira paróquia. Depois de um ano fui chamado para trabalhar no Seminário de Filosofia da Arquidiocese, onde fiquei dois anos e meio. Em 1989, com a divisão da Arquidiocese vim para Santo Amaro, trouxe os seminaristas e fundamos o Seminário com os cursos de Filosofia e Teologia. Depois fui fazer um trabalho pastoral em Parelheiros, comecei a trabalhar como administrador da Cúria, trabalhei com D.Fernando por quase nove anos. Nesse período estava também com a Paróquia de Santana. Em seguida fui diretor do Colégio Meninópolis, ajudei nas paróquias que precisavam de mim, como, por exemplo, a de Parelheiros, a de São João de Brito, entre outras. Há dois anos e meio estou na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Tenho quase dezesseis anos de padre. Sem dúvida foi um trabalho diversificado pois fiquei na formação, na administração e também na comunicação.

 

ReligiaoCatolica.com – E por falar em comunicação, o que o Senhor acha da religião na Internet? Se Jesus estivesse aqui Ele usaria esse meio de comunicação?

Pe.OswaldoBem, eu tive a graça de ir ao morro das Bem-Aventuranças, na Terra Santa, e fiquei imaginando Jesus falando a uma multidão de 15 ou 20 mil pessoas. Sem microfone, sem nada. Mas a presença dEle já tocava os corações pois as palavras chegaram aos ouvidos de todos. E se Ele disse “ide pelo mundo e anunciai o Evangelho”, eu acho que a coisa mais importante é anunciar o Evangelho. Portanto, todos os meios são viáveis, são bem-vindos, são válidos. Estamos vivendo um momento de modernidade e a Igreja sempre foi pioneira nessas coisas: colocou os sinos, colocou a cruz bem no alto, sempre chamou a atenção. Hoje temos outros meios, como o rádio, a televisão e agora a Internet. Quando pensamos em rádio, pensamos em distância; quando pensamos em televisão, também pensamos em distância; mas quando pensamos em internet, não. Embora espalhadas pelo mundo, as pessoas estão ao alcance de um clic do  “mouse”. E com quantas pessoas se pode conversar! Pessoas que estão necessitadas de uma palavra, carentes, sozinhas, seja no Brasil seja em qualquer outro lugar do mundo. A internet nos dá essa possibilidade.

 

ReligiaoCatolica.com - A evangelização pela internet é algo sério, importante e de responsabilidade. Pode ser encarado como uma missão cuja força e realização estão na oração?

Pe.Oswaldo – Existe uma coisa muito importante: quando eu tinha 21, 22 anos e estava nessa dúvida, pensava: como é ser padre? Porque a idéia assusta num primeiro momento: deixar a família, os amigos, a cidade onde nasci... sempre se tem uma idéia de perda, quando na realidade é o contrário, só se ganha quando você se entrega. E Ele diz: toda vez que você quiser ser forte, tem que ser fraco, se você permitir, se você deixar, Eu te faço forte. Mas o conflito existe. Certa vez tive a certeza de que encontraria a resposta na Bíblia. E eu a encontrei num trecho do Evangelho no qual Jesus dizia: “Se vocês não anunciarem, se vocês se calarem, as pedras vão gritar”. Daí eu pensei: então eu falo. Se é isso que Ele quer, tenho certeza de que Ele vai cuidar. E meu pai sempre me ensinou a confiar na Providência Divina e isso ficou sempre em mim, a confiança, a certeza de que a Providência está em primeiro lugar. Se é dEle, não temos porque nos preocupar.

 

ReligiaoCatolica.com - E um dia, seremos cobrados por Deus pela realização da missão que Ele nos confiou?

Pe.Oswaldo – Eu tenho certeza de que Ele um dia vai nos perguntar: - “e então, você cuidou direitinho?” Esse trabalho é interessante, é extremamente urgente, vejo a Igreja se envolvendo. Vejo isso na Diocese, D.Fernando também muito interessado. Quero dizer que, no que for necessário, estou à disposição de vocês.