PASTORAIS – MOVIMENTOS – SERVIÇOS

 

PASTORAL SOCIAL

SOCIAL

social@paroquiasaojoaodebrito.com.br

RESPONSÁVEL:

Lucia Bandeira - (11) 5506-8153 res.

OBJETIVOS:

Seguir o exemplo de Maria, como se Ela estivesse aqui e vivesse com as mesmas dores, sofrimentos, preocupações e até alegrias de uma família que não tem como se sustentar. Assim, procura-se levar a estas famílias assistência médica, roupas, alimentos e atendimento às necessidades básicas das crianças.

ATIVIDADES:

Atualmente são 97 famílias cadastradas, que recebem atendimento material e de saúde, através da marcação de consultas médicas. Aos sábados recebem, ainda, ensino religioso, distrações e um lanche.

FUNCIONAMENTO:

São realizadas reuniões às quartas-feiras das 9h00 às 11h00 e aos sábados das 8h00 às 11h00.

NECESSIDADES:

Pessoas que possam colaborar no atendimento psicológico e/ou material. Além dos adultos, as crianças e jovens são bem vindos ao trabalho.

MAIS INFORMAÇÕES

O QUE É PASTORAL SOCIAL?

 

Estamos nos propondo neste informativo a conhecer um pouco mais do que a Igreja Católica, particularmente pela experiência pastoral no Brasil, entende por pastoral social. Traremos ao longo desse informativo, também as inúmeras experiências que acumulamos pela ação evangelizadora de várias pastorais de nossa Comunidade Paroquial de São João de Brito.

 

Entendemos por Pastoral Social, no singular, a solicitude de toda a Igreja para com as questões sociais. Trata-se de uma sensibilidade que deve estar presente em cada diocese, paróquia; em cada dimensão, setor e pastoral; na catequese, na liturgia e nas iniciativas ecumênicas; enfim, deve estar presente nas comunidades eclesiais de base, nos movimentos... Em outras palavras, deve ser preocupação inerente a toda ação evangelizadora.

 

Pastorais Sociais, no plural, são serviços específicos a categorias de pessoas e/ou situações também específicas da realidade social. Constituem ações voltadas concretamente para os diferentes grupos ou diferentes facetas da exclusão social, tais como, por exemplo, a realidade do campo, da rua, do mundo do trabalho, da mobilidade humana, e assim por diante.

 

O trabalho de evangelização da Igreja possui uma dimensão sócio-transformadora da realidade, da sociedade, do mundo em que vivemos.

 

Mas o que é dimensão sócio-transformadora?

 

Para responder a esta pergunta, podemos começar com dois exemplos. Um tirado do Evangelho, outro de um provérbio chinês. Sobre o primeiro exemplo convido a abrir o Evangelho em Mt 9,35-38, texto que constitui um resumo das atividades de Jesus.

 

Diz o texto que Jesus “percorria todas as cidades e aldeias”. No caminho, encontrava as “multidões cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”. Diante delas, Jesus sentia “compaixão”.

 

Aqui está o espírito de toda a ação social. Hoje, como no tempo de Jesus, as multidões dos pobres encontram-se “cansadas e abatidas”. Cansadas de tantas promessas não cumpridas, de tanta corrupção e de tanto lutar em vão; abatidas pelo peso da exclusão e da miséria, da fome e da doença, do abandono e do descaso. Hoje, como ontem, a injustiça e a desigualdade social gera milhares de empobrecidos que se tornam excluídos, quando não exterminados. Geram, ainda, desemprego, violência, dependência química, prostituição, racismo e destruição do meio ambiente. Esta situação atinge todo planeta, porém, de forma mais brutal os países subdesenvolvidos.

 

Nesse contexto social, o que significa a compaixão? Palavra composta de outras duas: com-paixão. Estar com na paixão do outro, na cruz do seu sofrimento. Sentir a dor do outro e, juntos, buscar soluções alternativas. Estar com, não significa dar coisas, mas dar-se. Dar o próprio tempo, colocar-se à disposição. Em síntese, significa caminhar junto com aquele que sofre. Assumir sua dor e tentar encontrar saídas para superar os momentos difíceis.

 

Vamos agora ao segundo exemplo. Diz um provérbio chinês que perguntaram a determinada mulher a qual dos filhos ela mais amava. Ela, como mãe, respondeu: ao mais triste até que sorria, ao mais doente até que sare, ao mais distante até que volte, ao menor até que cresça.

 

Combinando os dois exemplos, podemos dizer que Deus tem nome de Pai e coração de Mãe. O amor de Deus se estende a todos seus filhos e filhas. Todos e todas têm lugar em seu coração misericordioso e compassivo. Mas esse mesmo coração tem uma predileção especial pelos que sofrem. Aqueles que, por circunstâncias várias, encontram-se debilitados e abandonados terão um lugar especial no coração do pai e da mãe. Assim, as multidões “cansadas e abatidas” do Evangelho, como também a “ovelha perdida”, terão preferência no Reino de Deus.

 

“Os últimos serão os primeiros” diz Jesus. Onde a vida encontra-se mais ameaçada, é aí que a presença de Deus adquire significação mais profunda. Pai e Mãe voltam seu rosto, antes de tudo, para aqueles que, pelos motivos mais diversos, se vêm fragilizados e impossibilitados de seguir viagem.

 

É função da Pastoral Social procurar respostas para esse tipo de situação. Isto significa que as respostas não estão prontas. Não há receitas acabadas. Em cada momento e em cada local, é preciso iniciar um processo em que o maior número de pessoas se envolvam na busca de soluções concretas. A partir da conscientização, da organização e da mobilização, abrem-se caminhos alternativos. O importante é chamar a atenção da Igreja e da sociedade para esse quadro de injustiças cada vez mais grave. Importante também, envolver o maior número de atores sociais e de parceiros na luta pela transformação social.

 

A Pastoral Social tem como finalidade concretizar em ações sociais e específicas a solicitude da Igreja diante de situações reais de marginalização. No momento, queremos alertar para a tarefa de identificar, entre os filhos e filhas de Deus, os rostos mais sofridos, com vistas a dedicar-lhes uma solicitude pastoral específica.

 

Os textos bíblicos destacam em suas páginas alguns rostos que têm a predileção do amor de Deus. No Antigo Testamento sobressaem “o órfão, a viúva e o estrangeiro”. No livro do Êxodo, Deus “vê, ouve e sente” o clamor dos oprimidos escravizados no Egito (Ex 3,7-10). Os profetas não se cansam de chamar a atenção sobre o direito e a justiça para com os pobres.

 

Nos Evangelhos, novos rostos desfilam diante de nós. Freqüentes vezes Jesus enumera uma lista em que descreve aqueles que se encontram mais perto do carinho do Pai. Exemplos: o texto do juízo final, em Mt 25, 31ss; as bem-aventuranças, em Mt 5, 1-12; o programa de Jesus, em Lc 4,16-20 o episódio do Bom Samaritano, em Lc 10,25-35. Por outro lado, os doentes, as mulheres marginalizadas, os pequenos e fracos, as crianças, enfim, uma multidão de gente ferida disputa espaço aos pés do Mestre.

 

Os Atos dos Apóstolos, as Cartas e o Apocalipse revelam igualmente a atenção das primeiras comunidades para com os pobres. Desde cedo, os cristãos se organizam para suprir as necessidades básicas de seus irmãos. Como mostra São Pedro em sua primeira carta, as comunidades eram “uma casa para quem não tinha lar”.

 

Uma rápida olhada pelos escritos dos Santos Padres dos primeiros séculos da era cristã e pelos documentos da Doutrina Social da Igreja nos revelará, por sua vez, uma preocupação constante com os setores mais pobres da sociedade.

 

São rostos anônimos, os quais, em função do trabalho pastoral, vão recuperando o nome e a história na medida em que são assumidos com amor, pois o amor, diante de um ser humano à margem da vida, é capaz de fazer alguém capaz também de amar e viver!

 

Neste sentido, a Pastoral social procura integrar em suas atividades a fé e o compromisso social, a oração e a ação, a religião e a prática do dia a dia, a ética e a política. Aqui é preciso superar as dicotomias entre “os que só rezam” e “os que só lutam”, “os que louvam e celebram” e “os que fazem política”. Na verdade, a verdadeira fé desdobra-se naturalmente em compromisso diante dos pobres. A ação social é condição indispensável da vivência cristã. O compromisso sócio-político não é um apêndice da fé. Ao contrário, faz parte inerente de suas exigências. A fé cristã tem, necessariamente, uma dimensão social. Não é isso o que nos ensina o episódio do Bom Samaritano? Ou seja, entrar ou não entrar na vida eterna é uma alternativa que está condicionada à atitude frente ao irmão caído e ferido na beira da estrada. Tal condição se torna ainda mais clara no texto do Juízo Final: “Vinde benditos de meu Pai, porque estava com fome e me deste de comer...”.

 

Evidente que a Pastoral Social não tem o monopólio da transformação social e da busca de alternativas. Outras pastorais e dimensões da Igreja também trabalham na mesma direção. Mas, no caso da Pastoral Social, essa é sua missão específica, intransferível. É a razão de sua existência. Constitui sua identidade. Vale sublinhar, ainda, que sequer a Igreja detém semelhante monopólio. Outras Igrejas, cristãs ou não, preocupam-se pela transformação das estruturas injustas da sociedade. O mesmo se pode dizer de inúmeras e variadas instituições civis, entidades, movimentos sociais, organizações de base, associações, pessoas, enfim, milhares de iniciativas em curso. O Reino de Deus, como sabemos, ultrapassa as fronteiras da Igreja e exige fé e pé na caminhada.

 

Na contramão das estruturas sociais injustas, o povo se mobiliza. Movimentos sociais, pastorais, organizações de base, entidades, ONG’s, associações populares são, entre outros, protagonistas de um novo tempo. Diferentes atores que procuram, em parceria, abrir caminhos alternativos para o país. Contribuem também com a construção conjunta de uma nova ordem mundial, alicerçada em fundamentos éticos.

 

Irmãos e irmãs, o refletimos acima, é o fruto da ação e da história da nossa Igreja. É Jesus gritando o seu evangelho de Amor, Verdade e Justiça: “Amai-vos”. Leiam com carinho e atenção o nosso informativo, vamos conhecer um pouco mais a nossa comunidade paroquial.

 

Deus abençoe, paz e saúde para todos.

 

Pe. Oswaldo Gerolin Filho - Pároco