LITURGIA DAS HORAS
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CAPÍTULO II SANTIFICAÇÃO DO DIA: AS DIVERSAS HORAS
LITÚRGICAS |
I.
INTRODUÇÃO A TODO O OFÍCIO
todos os dias aos fiéis
para que celebrem os louvores de Deus e escutem a sua voz, e ao mesmo tempo uma
exortação a esperarem «o repouso do Senhor»1.
Se parecer bem, o salmo 94 pode ser
substituído pelos salmos 99, 66 ou 23.
O salmo invitatório
deve ser recitado, como se indica no lugar próprio, em forma responsorial, quer dizer, acompanhado da respectiva
antífona. Esta é enunciada e repetida no princípio, e retomada após cada
estrofe.
35. O Invitatório
tem o seu lugar próprio no princípio de todo o ciclo da oração quotidiana; isto
é, ou antes das Laudes ou
antes do Ofício das Leituras, conforme o dia se iniciar com uma ou outra destas
duas ações litúrgicas. No caso de se dever antepor a Laudes,
pode-se omitir eventualmente o salmo com a respectiva antífona.
36. As antífonas do Invitatório variam conforme os dias litúrgicos, como é indicado em seu lugar próprio.
II. LAUDES
E VÉSPERAS
37. «As Laudes, como oração da manhã, e o as Vésperas, como oração da
tarde, constituem segundo uma venerável tradição da Igreja universal, como que
os dois pólos do Ofício quotidiano; por isso, devem considerar-se como Horas
principais, e como tais se devem celebrar»2.
38. As Laudes
destina-se a santificar o tempo da manhã; e, como se
pode ver por muitos dos seus elementos, neste sentido estão estruturados. O seu
caráter de oração da manhã está belamente expresso nestas palavras de S.
Basílio Magno: «O louvor da manhã têm por fim consagrar a Deus os primeiros
movimentos da nossa alma e do nosso espírito, de modo a nada empreendermos
antes de nos alegrarmos com o pensamento de Deus, segundo o que está escrito:
«Lembrei-me de Deus, e enchi-me de alegria» (Salmo 76,4); e ainda para que o
corpo não se entregue ao trabalho antes de fazermos o que está escrito: «Eu Vos
invoco, Senhor, pela manhã, e ouvis a minha voz: de manhã vou à vossa presença
e espero confiado» (Salmo 5,4-5).3
Esta Hora, recitada ao despontar da luz de um
novo dia, evoca também a Ressurreição do Senhor Jesus, a Luz verdadeira que
ilumina todos os homens (cf. Jo 1,9), o «Sol de
Justiça» (Mal 4,2), o «Sol nascente que vem do alto» (Lc
1,78). Neste sentido, compreende-se perfeitamente a
recomendação de S. Cipriano: «Devemos orar logo de manhã para celebrar, na
oração matinal, a Ressurreição do Senhor»4.
39. As Vésperas
celebram-se à tarde, ao declinar do dia «a fim de agradecermos tudo quanto
neste dia nos foi dado e ainda o bem que nós próprios tenhamos feito»5.
Com esta oração, que fazemos subir «como incenso na presença do Senhor» e em
que o «erguer das nossas mãos é como o sacrifício vespertino»6,
recordamos também a obra da Redenção. E, «num sentido mais sagrado, pode ainda
evocar aquele verdadeiro sacrifício vespertino que o nosso Salvador confiou aos
Apóstolos na última Ceia, ao inaugurar os sacrossantos mistérios da Igreja,
quer aquele sacrifício vespertino que, no dia seguinte, no fim dos tempos, Ele
ofereceu ao Pai, erguendo as mãos para a salvação do mundo inteiro»7.
Finalmente, no sentido de orientar a nossa esperança para a luz sem crepúsculo,
«oramos e pedimos que sobre nós brilhe de novo a luz,
imploramos a vinda de Cristo, que nos virá trazer a graça da luz eterna»8. Nesta
hora, unimos as nossas vozes às das Igrejas orientais, cantando: «Luz
esplendente da santa glória do Pai celeste e imortal, santo e glorioso Jesus
Cristo! Chegada a hora do sol poente, contemplando a
estrela vespertina, cantamos
ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...».
40. Dar-se-á, portanto, a
estas duas Horas de Laudes e Vésperas a máxima
importância como oração da comunidade cristã. Promover-se-á a sua celebração
pública e comunitária, principalmente entre as pessoas que vivem em comunidade.
Recomenda-se mesmo a sua recitação a todos os fiéis que não possam tomar parte na
celebração comunitária.
41. As Laudes
e as Vésperas começam pelo versículo — Vinde, ó Deus,
42. Segue-se o hino
respectivo. A função do hino é dar a cada hora do Ofício ou a cada festa como
que a sua tonalidade própria; e ainda, de modo particular nas celebrações com o
povo, tornar mais fácil e agradável o começo da
oração.
A salmodia das
Vésperas consta de dois salmos (ou de duas seções de um salmo mais longo)
adequados a esta Hora e à celebração com o povo, mais
um cântico tirado das Epístolas ou do Apocalipse.
44. Terminada a salmodia, segue-se uma leitura, breve ou longa.
46. Em vez da leitura
breve, pode-se escolher, mormente na celebração com o povo, uma leitura bíblica
mais longa tirada quer do Ofício das Leituras quer das leituras da Missa,
devendo-se escolher de preferência aqueles textos que, por qualquer razão, não
tenham podido ser lidos. Nada impede também que, uma vez por outra, se escolha
uma leitura mais apropriada, segundo as normas dos nn.
248-249 e 251.
47. Na celebração com o
povo, se parecer bem, pode-se ajuntar uma breve homilia, de comentário à
leitura precedente.
48. Após a leitura ou a
homilia, se for oportuno, pode-se guardar um momento de silêncio.
49. Como resposta à
palavra de Deus, segue-se um canto responsorial ou
responsório breve, que eventualmente se pode omitir.
Também pode ser substituído por outro canto de
função e características idênticas, desde que esteja devidamente aprovado pela
Conferência Episcopal.
50. Seguidamente, diz-se o
cântico evangélico com sua antífona: nas Laudes, o
cântico de Zacarias, Benedictus; nas Vésperas, o cântico da B. Virgem Maria, Magnificat. Estes cânticos, cujo
uso radica numa tradição secular e popular da
Igreja Romana, são um
hino de louvor e acção de graças pela redenção. As
antífonas de Benedictus e de Magnificat variam conforme o dia, o tempo litúrgico ou a festa.
51. Terminado o cântico,
seguem-se: nas Laudes, as preces, a
consagrar o dia ao Senhor; nas Vésperas, as súplicas de intercessão (cf. nn. 179-193).
52. Às preces ou às
súplicas segue-se o Pai Nosso, recitado por todos.
53. Depois do Pai Nosso, diz-se a oração
conclusiva. Esta, para os dias de semana do Tempo Comum, vem no Saltério; para os
restantes dias, no Próprio.
54. Seguidamente, no caso
de presidir à celebração um sacerdote ou diácono, este faz a despedida do povo,
com a saudação O Senhor esteja convosco e a bênção, como na Missa, e o convite Vamos
celebração com O Senhor nos abençoe, etc.
III.
OFÍCIO DAS LEITURAS
55. O Ofício das Leituras
visa proporcionar ao povo, e muito especialmente àqueles que de modo peculiar
estão consagrados ao Senhor, uma meditação mais rica da Sagrada Escritura e das
mais belas páginas dos autores espirituais. Embora as leituras que hoje se
fazem na Missa, todos os dias, formem já um ciclo bastante completo dos textos
bíblicos, todavia, o tesouro da revelação e da tradição contido no Ofício das
Leituras pode ser de grande proveito espiritual. São os sacerdotes os primeiros
que devem procurar aproveitar-se destas riquezas, de modo que, recebendo eles
mesmos a palavra de Deus, a possam dispensar a todos e façam do seu ensino
«alimento do povo de Deus»9.
56. «A leitura da
Escritura sagrada deve ser acompanhada da oração, para que seja um diálogo
entre Deus e o homem: «a Ele falamos quando oramos, a Ele ouvimos quando lemos
os divinos oráculos»10. E é por
isso que o Ofício de Leitura se compõe também de salmos, hino, oração e outras
fórmulas, que lhe dão um caráter de verdadeira oração.
57. Segundo a Constituição
Sacrosanctum Concilium, o
Ofício das Leituras, «embora, quando recitado no coro, conserve o seu caráter
de louvor noturno, deve ser reformado no sentido de se poder recitar a qualquer
hora do dia; o número dos salmos deve também ser reduzido, e as leituras mais
longas»11.
58. Neste sentido, aqueles
que por direito particular estão obrigados a manter este Ofício com o seu
caráter de louvor noturno, ou aqueles que louvavelmente
assim o queiram fazer, quer o recitem de noite quer de madrugada, antes de Laudes, devem escolher, no Tempo Comum, o hino dentro da
série destinada a este fim. Além disso, para os domingos, solenidades e certas
festas, ter-se-á em conta o que se diz nos nn. 70-
59. Salva a disposição do
número precedente, o Ofício da Leitura pode-se recitar a qualquer hora do dia,
ou até no dia anterior, à noite, depois de recitadas as Vésperas.
60. No caso de o Ofício
das Leituras se recitar antes de Laudes,
será precedido do Invitatório, como acima ficou dito
(nn. 34-36). Aliás, começará pelo versículo Vinde, ó Deus, em meu
auxílio... com Glória ao Pai, Como era, e (fora do tempo da Quaresma) Aleluia.
62. Vem depois a salmodia, constituída por três salmos (ou três secções, no
caso de os salmos correntes serem mais longos). No Tríduo
Pascal, nos dias dentro das oitavas da Páscoa e do Natal, bem como nas
solenidades e festas, os salmos, com as respectivas antífonas, são próprios.
Nos domingos e dias de semana, os salmos, com
as respectivas antífonas, tomam-se da série corrente do Saltério. Tomam--se
igualmente da série corrente do Saltério nas memórias dos Santos, a não ser que
estas tenham salmos e antífona próprias (cf. nn. 218 ss.).
63. Depois dos salmos,
diz-se normalmente, o versículo, a servir de transição entre a salmodia e as leituras.
as leituras: a primeira,
tirada da Bíblia; a segunda, das obras dos Padres ou dos Escritores
eclesiásticos, ou então uma leitura hagiográfica.
65. Após cada leitura,
diz-se um responsório (cf. nn. 169-172).
66. Normalmente, a leitura
bíblica é a indicada no Próprio do Tempo, segundo as normas dadas mais adiante,
nn. 140-155. Nas solenidades e festas, a leitura
bíblica toma-se do respectivo Próprio ou Comum.
Nas solenidades e nas festas dos Santos,
diz-se uma leitura hagiográfica própria ou, na falta desta, a segunda leitura
do respectivo Comum dos Santos. Nas memórias dos Santos cuja celebração não
seja impedida, diz-se a leitura hagiográfica em vez da segunda leitura corrente
(cf. nn. 166 e 235).
68. Nos domingos fora da
Quaresma, nos dias dentro das oitavas da Páscoa e do Natal, nas solenidades e
festas, após a segunda leitura com seu responsório, diz-se o hino Te Deum
(o qual
se omite nas memórias e nos dias de semana). Querendo, pode-se omitir a última
parte deste hino, desde o verso Salvai, Senhor, o vosso povo até ao fim.
69. O Ofício das Leituras
termina com a oração própria do dia, seguida, pelo menos na recitação
comunitária, da aclamação Bendigamos ao Senhor. R. Graças a Deus.
IV.
VIGÍLIAS
com Ele numa vida sem
fim” 13.
71. À semelhança da
Vigília pascal, introduziu-se em diversas igrejas o costume de iniciar
igualmente com uma vigília diversas solenidades. Entre estas, destacam-se o
Natal do Senhor e o dia do Pentecostes. Este costume deve-se conservar e
promover, segundo o uso de cada Igreja. Onde, eventualmente, convenha realçar
com uma vigília outras solenidades ou peregrinações, seguir-se-ão as normas
respeitantes às celebrações da palavra divina.
72. Os Padres e os autores
espirituais exortam com muita frequência os fiéis,
sobretudo os que levam vida contemplativa, à prática da oração noturna. Ela
exprime e aviva a espera do Senhor que vem: «À meia-noite, ouve-se um clamor:
Aí vem o esposo, ide ao seu encontro» (Mt
25,6). «Estai vigilantes, pois não sabeis a hora
73. O Ofício das Leituras,
no Rito Romano, continua a ser muito breve, por causa daqueles que se dedicam
ao apostolado. No entanto, aqueles que, seguindo a tradição, desejarem prolongar
um tanto mais a celebração da vigília
dominical, das solenidades ou
das festas, procederão do seguinte modo:
Primeiramente, celebra-se o Ofício das
Leituras tal como vem no livro da Liturgia das Horas, até às
leituras inclusive. Depois das leituras, antes do Te Deum, dizem-se os cânticos
que para esse efeito vêm indicados no Apêndice do referido livro. Seguidamente,
lê-se o Evangelho, sobre o qual, eventualmente, se pode fazer uma homilia. Por
último, canta-se o hino Te Deum e recita-se a oração.
O Evangelho, nas solenidades e festas,
tomar-se-á do Lecionário da Missa; aos domingos, da
série de leituras referentes ao mistério pascal, como vem indicado no Apêndice
do livro da Liturgia das Horas.
V. TERÇA
(ORAÇÃO DAS NOVE), SEXTA (ORAÇÃO DAS DOZE) E NONA (ORAÇÃO DAS QUINZE HORAS):
HORA MÉDIA
74. Segundo a mais antiga
tradição, e a exemplo do que se fazia na Igreja Apostólica, costumavam os
cristãos, por devoção privada, orar a certas horas do dia, mesmo no meio do
trabalho. Com o decorrer dos tempos, esta tradição veio a revestir diversas
formas de celebração litúrgica.
75. O uso litúrgico, tanto
do Oriente como do Ocidente conservou a Oração das Nove, das Doze e das Quinze
Horas, sobretudo por lhes andar ligada a memória de certos acontecimentos da Paixão
do Senhor e da primeira propagação do Evangelho.
76. O Concilio Vaticano II
ordenou que, no coro, se mantivessem a Oração das Nove, das Doze e das Quinze Horas.14 Salvo direito
particular, devem igualmente manter o uso litúrgico de recitar estas três Horas
os que professam vida contemplativa. Aliás, a todos é recomendado, mormente
àqueles que tomam parte em retiros espirituais ou em reuniões de caráter
pastoral.
77. Fora do coro, salvo o
direito particular, é permitido escolher uma só destas três Horas, a que mais
convier à hora do dia, a fim de manter a tradição de orar durante o dia, a meio
do trabalho.
78. Na estrutura da Oração
das Nove, das Doze e das Quinze Horas, atendeu-se tanto aos que recitam uma só
destas Horas, ou seja, a “Hora Média”, como aos que, por obrigação ou devoção,
recitam as três.
80. Para cada uma destas
Horas, estão indicados hinos e orações diferentes, a condizer, segundo a
tradição, com o tempo verdadeiro, no sentido de melhor se obter a santificação
das horas do dia. Por isso, quem recitar uma Hora somente deverá escolher os
elementos correspondentes a essa Hora. Leituras breves
e orações variam também consoante o dia, o tempo
litúrgico ou a festa.
81. Apresenta-se um duplo
esquema de salmodia: uma corrente, outra
complementar. Quem recitar só uma Hora escolherá a salmodia
corrente. Quem recitar mais do que uma Hora, dirá numa delas a salmodia corrente e nas outras a complementar.
Nas solenidades, no Tríduo
Pascal e nos dias dentro das oitavas da Páscoa e do Natal, dizem-se antífonas
próprias com os três salmos da salmodia complementar,
salvo se houver salmos especiais ou a celebração duma solenidade ocorrer ao
domingo; neste último caso, tomam-se os salmos do domingo,
correspondentes à 1ª semana.
VI.
COMPLETAS
84. As Completas são a
última oração do dia. Rezam-se antes de iniciar o descanso noturno, ainda que,
eventualmente, já passe da meia-noite.
85. As
Completas começa, do mesmo modo que as restantes Horas, pelo versículo Vinde, ó Deus, em meu
auxílio...,
com Glória,
Como era e
(fora do tempo da Quaresma) Aleluia.
87. Depois diz-se o hino respectivo.
É, porém, facultada a substituição destes
salmos pelos do domingo, para comodidade, principalmente, daqueles que desejem
porventura rezar Completas de cor.
89. Depois da salmodia, há uma leitura breve, seguida do responsório
91. Depois da oração,
diz-se, mesmo na recitação individual, O Senhor nos conceda...
92. E termina-se com uma
das antífonas de Nossa Senhora. No tempo pascal, diz-se sempre Regina caeli. Além das antífonas que vêm no livro da Liturgia das Horas, podem
as Conferências Episcopais aprovar outras.15
VII.
LIGAÇÃO OCASIONAL DAS HORAS DO OFÍCIO
COM A
MISSA OU ENTRE SI
93. Em casos particulares,
quando as circunstâncias o pedirem, na celebração pública ou comunitária,
pode-se fazer uma ligação mais estreita da Missa com uma Hora do Ofício, dentro
das normas a seguir indicadas, contanto que a Missa e a Hora pertençam ao mesmo
Ofício. Evitar-se-á, porém, que isto redunde em prejuízo do bem pastoral,
mormente aos domingos.
94. Quando a Missa é
precedida imediatamente das Laudes, celebradas no
coro ou em comum, a ação litúrgica pode começar ou pelo versículo introdutório
e o hino das Laudes, sobretudo nos dias feriais, ou pelo
canto e procissão de entrada e saudação do celebrante, principalmente nos dias
festivos. Num e noutro caso, omitir-se-á um destes dois ritos iniciais.
Segue-se a salmodia
das Laudes, na forma habitual, até à
leitura breve exclusive. Terminada a salmodia,
omitido o ato penitencial e eventualmente o Kýrie, diz-se o Gloria, segundo as
rubricas, e o celebrante recita a oração da Missa. Segue-se a Liturgia da
palavra, como de costume.
A oração universal faz-se na devida altura e na
forma acostumada para a Missa. Contudo, nos dias feriais, na Missa matutina, em
vez dos formulários quotidianos da oração universal, podem-se dizer as preces
matinais próprias de Laudes.
Depois da comunhão, com o respectivo cântico,
diz-se o Benedictus
com sua
antífona das Laudes. Segue-se a oração depois da
comunhão, e tudo o mais como de costume.
95. No caso de a Missa ser
precedida imediatamente da celebração pública da Hora Média, quer dizer, Oração
das Nove, das Doze e das Quinze Horas, a ação litúrgica pode igualmente começar
ou pelo versículo introdutório e o hino da respectiva Hora, sobretudo nos dias
feriais, ou pelo canto e procissão de entrada e saudação do celebrante,
mormente nos dias festivos. Num e noutro caso, omitir-se-á um destes dois ritos
iniciais.
Segue-se a salmodia
da respectiva Hora, como de costume, até à leitura
breve exclusive. Terminada a salmodia, omitido o ato
penitencial e eventualmente o Kýrie, diz-se o Gloria, segundo as
rubricas, e o celebrante recita a oração da Missa.
96. Quando a Missa é
precedida imediatamente das Vésperas, estas ligam-se à
Missa da mesma forma que Laudes. Note-se, porém, que
não se podem celebrar as primeiras Vésperas das solenidades, domingos e festas do
Senhor que ocorram ao domingo, senão depois de celebrada a Missa do dia
anterior ou sábado.
97. No caso de a Hora
Média, quer dizer, Oração das Nove, das Doze e das Quinze Horas, ou as
Vésperas, se seguirem à Missa, esta será celebrada na forma habitual até à oração depois da comunhão inclusive.
Dita a oração depois da comunhão, começa
imediatamente a salmodia da respectiva Hora. Na Hora
Média, terminada a salmodia, omite-se a leitura breve
e diz-se logo a oração; e faz-se a despedida tal e qual como na Missa. Nas
Vésperas, terminada a salmodia, omite-se a leitura e
diz-se logo o cântico Magnificat com a respectiva antífona; e, omitidas as preces e a oração
dominical, diz-se a oração conclusiva e dá-se a bênção ao povo.
98. Com exceção do Natal
do Senhor, não é permitido, regra geral, juntar a Missa com o Ofício das
Leituras, pois a Missa tem já o seu ciclo de leituras que se deve distinguir do
Ofício. Todavia, nalgum caso excepcional, se se vir
que pode haver nisso vantagem, então, logo depois da segunda leitura do Ofício,
com seu responsório, omitindo tudo o mais, inicia-se a Missa com o hino Gloria, caso se deva dizer;
aliás, com a oração.
99. No caso de o Ofício
das Leituras se rezar imediatamente antes de outra
Hora, pode-se dizer o hino da respectiva Hora a iniciar o Ofício das Leituras.
No fim do Ofício da Leitura, omite-se a oração e a conclusão; e, na Hora que
vier a seguir, omite-se o
versículo introdutório e o Glória ao Pai.
NOTAS DE RODAPÉ
1 Hebr
3, 7-4, 16.
2 Conc. Vat. II, Const.
Sacrosanctum Concilium,
n. 89 s.; cf. Ibid., n. 100.
3 S. Basílio M., Regulae fusius tractatae, Resp. 37,
3: PG 31, 1014.
4 S. Cipriano, De oratione dominica 35: PL 4, 561.
5 S. Basílio, o. c.: PG 31, 1015.
6 Cf. Salmo 140, 2.
7 Cassiano, De Institutione coenob., L. 3, c. 3: PL 49, 124. 125.
8 S. Cipriano, De Oratione dominica, 35: PL 4, 560.
9 Pontificale
Romanum, De Ordinat. Presbyterorum,
n. 14.
10 S. Ambrósio, De Officiis ministrorum
1, 20, 88: PL 16, 50: Conc. Vat. II, Const. Dei Verbum,
n. 25.
11 Conc. Vat. II. Const. Sacrosanctum Concilium,
n. 89 c.
12 Sermo Guelferbytanus 5: PLS 2, 550.
13 Ibid.,
PLS 2, 552.
14 Cf. Conc. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium,
n. 89 e.
15 Cf. Conc. Vat II,
Const. Sacrosanctum Concilium. n. 38.