TESTEMUNHOS

 

EU PRECISO DO AMOR DE DEUS

Um dia desses, me perguntaram por qual motivo eu havia me tornado Ministro Extraordinário da Eucaristia, e aduziram maldosamente a pergunta, se foi porque eu era amiga do Pe.Moacir, nosso antigo pároco. Eu respondi com um não retumbante. Eu era e ainda sou amiga do Pe. Moacir, mas uma coisa não tem nada com a outra. Sou amiga dele, como sou amiga do grupo com o qual me reúno para rezar o terço, ou como ainda sou amiga de minhas antigas companheiras de escola. Mas, de certa forma, o convite partiu dele quando meu marido, o Mariano, se tornou Ministro Extraordinário da Eucaristia. Naquela época, respondi ao convite com aquela “conversa mole” de que eu não era digna, mas fui para casa com o convite martelando em minha cabeça, “caraminholando” como dizia a minha avó. Pensei, pensei, pensei até a exaustão e cheguei à conclusão que realmente não sou digna, mas quem o é? Decidi aceitar porque fiz uma série de descobertas enquanto pensava tanto, e acredito até que isso já era o Espírito Santo agindo na minha vida, e dirigindo o meu pensamento. Foi então que aceitei o convite por puro interesse. Isso mesmo: INTERESSE.

 

Descobri que precisava muito do amor de Deus, porque só tinha conseguido superar dificuldades, dores e situações difíceis da minha vida, porque nesses momentos, o Senhor estava comigo. Daí o interesse. Eu precisava ficar mais perto, ter essa intimidade maior com a Eucaristia, porque EU PRECISAVA E AINDA PRECISO desse AMOR DE DEUS materializado na hóstia consagrada.

 

Sempre fui uma pessoa alegre e otimista, mas muito tímida e tinha vergonha até de distribuir um folheto da missa na porta da Igreja e por isso, preciso do amor de Deus para sorrir para as pessoas da comunidade, entregar um folheto, dirigir a palavra a elas e superar essa timidez boba e sem sentido. Preciso do amor de Deus para fazer um comentário na missa de domingo porque tenho verdadeiro pavor de falar para um grupo muito grande de pessoas, principalmente quando não conheço a maioria delas.

 

Preciso do amor de Deus para, “depois de velha” como dizem meus filhos, voltar a estudar todos os dias para exercer minha profissão de um modo diferente e poder tentar ajudar pessoas que sofrem por causa de um casamento falido. Preciso do amor de Deus para ter coragem de, ao levar comunhão a um doente numa residência ou num hospital, na frente de todos, vestir minha bata branca, colocar o crucifixo no pescoço e fazer uma celebração com todo mundo olhando!

 

Precisei do amor de Deus quando afirmei categoricamente que jamais faria uma celebração de exéquias e, as duas primeiras que fiz, foram exatamente de duas pessoas muito queridas e próximas, meus padrinhos de casamento. Preciso do amor de Deus para finalmente entender que não é a minha vontade que deve prevalecer, mas a Dele. Preciso desse amor para, nos momentos de adoração e de contemplação ficar simplesmente em frente ao sacrário, em silêncio, meditando, esperando para ouvir o que Ele tem a me dizer, pois são momentos preciosos, já que sou uma pessoa muito agitada e não paro nunca. Preciso do amor de Deus para parar um pouco e deixar que Ele governe a minha vida.

 

Resumindo, preciso do amor de Deus para me abastecer de forças para o meu dia a dia e, a melhor forma de fazê-lo é estando perto da Eucaristia, pois quando tudo parece não ter mais conserto, quando o desânimo quer atacar, o único remédio é estar próxima Dele, recebê-lo na comunhão mais íntima e profunda e sair renovada, abastecida, fortalecida.

 

Enfim, preciso do amor de Deus, da Eucaristia, porque sem Ele não sou nada. Preciso desse Amor para amar, para respirar, para viver, para as coisas pequenas e grandes, para os bons e os maus momentos. Preciso desse Amor para tudo, para sempre!

 

Estamos no ano da Eucaristia, mas mesmo que não estivéssemos, segue aqui a minha proposta: aproxime-se da Eucaristia, procure-a deixe que Deus, através da comunhão, entre em seu corpo, entre em sua vida. Abra seu coração e deixe-se amar. Se entregue a essa dependência do amor de Deus, que é a única dependência saudável que conheço. Faça a experiência e depois, se tiver coragem (conseguida através do amor de Deus), me conte.

 

Ana Lucia Simões Salgado Treccalli - (Publicação Autorizada – DEZ/2005)