TESTEMUNHOS
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DEUS LHE PAGUE |
Impressionante, como alguns
corações ainda encontram-se “duros”.
Impressionante,
como alguns católicos ainda não se deixaram ser tocados por Deus.
Impressionante,
como ainda somos regidos somente por preceitos materialistas.
Impressionante,
como muitos esquecem da espiritualidade e dos menos
favorecidos.
Certa
noite, marquei em sair com a Pastoral dos Moradores de
Rua, a fim de registrar algumas fotos para nosso site.
Mas
antes disso, por que não saber quem eram os envolvidos na preparação que
antecede a entrega?
Tive
então a oportunidade de conhecer um grupo de 11 pessoas, grupo este oriundo de
vários locais de São Paulo, que uma vez por mês, em plena união do Espírito
Santo, se cotizam, no mais profundo amor e dedicação, para dar de seu melhor na
preparação de 150 refeições.
Aquelas horas de união, fazem o ambiente descontraído,
formatado sob uma organização adquirida com muitos anos de experiência. Até
parecia uma linha de produção industrial.
Sabem
qual a maior preocupação? Fazer uma refeição de qualidade e que chegue
quentinha aos necessitados.
Após o
acondicionamento em caixas de isopor, verificada as embalagens, os sucos as
sobremesas e, até um sabonete lindamente acondicionado em papel celofane, chega
o outro grupo para completar a segunda etapa da missão.
Todos
em união encerram a primeira etapa com uma belíssima oração, que objetiva
amenizar o cansaço do dia e, plantar a semente da esperança para prosseguirem
em direção à próxima missão, já marcada para o próximo mês.
Ainda
sob a chuva da noite, segue a caravana para mais uma “visita”
Chegou
à hora da verdade.
O
primeiro grupo a ser contatado, nos recebe com carinho e esperança.
Crianças,
adolescentes, velhos, aleijados, paralíticos, grávidas, drogados, formam o batalhão
anônimo dos rejeitados e excluídos por nossa sociedade.
A
primeira palavra que escutamos na acolhida, é: “DEUS LHE PAGUE”.
Quem
imaginaria que debaixo daqueles papelões e carroças, havia tantos?
As
condições são sub humanas, falta higiene, mas mesmo
com o sofrimento estampado em cada rosto e, nas cicatrizes da dor, existe um
brilho em seus olhos que retratam a busca da esperança.
Em
especial, um casal de idosos, me toca profundamente.
Aquele
senhor de 85 anos ao lado de sua esposa, ajoelhado a minha frente, tira o
chapéu e, em forma de gratidão e respeito me diz:
“Meu
filho, obrigado
Vejo
todas as formas de agradecimento, seja representado por um dedo em sinal de
positivo, um balançar de cabeça, uma palavra de agradecimento, ou até mesmo uma
autorização para ser fotografado, deixando-se registrar naquela dor.
Recordo-me
também, que uma jovem de 23 anos, vendedora de “amendoim quentinho”, após
receber sua refeição, oferece em “troca” seus amendoins.
Inacreditável,
como alguém sem nada, ainda se dispõe a dividir o quase nada que tem!!!
A
noite segue adentro, vários locais são visitados e, próximo à meia noite, a
missão vai chegando ao seu final.
Voltamos
ao convívio dos nossos, cheios de alegria, espiritualmente leves e conscientes
de termos feito nossa parte.
O
nosso presente ao término, foi ter contabilizado
milhares de “DEUS LHE PAGUE”.
Irmãos,
como seria importante nos conscientizarmos do quanto ainda podemos fazer.
Quem
sabe, poderíamos despertar em nossos corações, um espaço para a formação de
novos grupos, que depusessem prestar esse mesmo serviço uma vez por mês a
exemplo dos demais, abrindo novas fileiras em nossa Comunidade.
No
silêncio da noite, em minhas orações, me fiz perguntar: será que o meu
problema, é o maior problema???
Ricardo Monteiro - (Publicação Autorizada – FEV/2006)