TESTEMUNHOS

 

NO PAPEL DE CAIFÁS....

Não teria como descrever a leveza com a qual voltei a minha casa depois da encenação, uma sensação indescritível e creio que passaria horas tentando colocar no papel e mesmo assim não conseguiria passar com perfeição. Só digo que foi muito boa!!!

Desde o primeiro contato do JOB comigo para oferecer o papel de Caifás um sentimento diferente e muito forte tomou conta de mim, a princípio um certo medo pelo peso do personagem, principalmente pelas conseqüências que ele causa na historia, ele praticamente leva Jesus à cruz e isso me aterrorizava.

Todos os ensaios do ano passado terminavam no sacrário, comigo ajoelhado e pedindo perdão pelo que estava encenando. E no final então!? Desabei no choro, pois por mais que a gente saiba que é uma atuação, na hora tudo é tão real, a gente sente a presença forte “dele”, como se estivesse assistindo e satisfeito pela emoção que o trabalho causa nas pessoas.

Na atuação deste ano foi muito diferente pra mim, pois só no final da atuação do ano passado que eu realmente pude absorver o verdadeiro objetivo da encenação e não precisei mais ir ao sacrário nos finais dos ensaios, mas confesso que no último ensaio que foi no dia da apresentação eu ainda sentia aquele peso, aquela angústia.

Eu estava com minhas falas impressas num papel dobrado que se encontrava na fita que ficava em volta da minha roupa e segundos antes de eu entrar eu peguei aquele papel que era toda a minha segurança e o coloquei em baixo dos pés da imagem de Maria que estava lá nos bastidores, na hora senti que era o certo a se fazer e que ela de alguma forma estaria ali comigo, e assim foi.

Creio que de alguma forma eu esteja me aprofundando cada vez mais no personagem e isso acabe afetando nas sensações tornando tudo tão real!

Mas no final deu tudo certo, as pessoas se emocionaram novamente, eu desabei no choro de novo pra variar.

Tanto Matheus como João Vitor foram sensacionais. Matheus com seu jeito sereno conseguiu a atenção e a emoção de todos no ano passado, já João surpreendeu a todos quebrando sua timidez e conduzindo de uma forma muito suave e segura toda a atuação.

A produção estava impecável, a direção nem se fale. Um parabéns muito especial aos contra-regras que fizeram tudo acontecer, eles não usaram nenhuma roupa da época, não apareceram, eram como sombras na escuridão, mas sem eles, com certeza nada teria acontecido.

Adoro e muito estar contribuindo com o mínimo que seja para algo que toque tanto as pessoas e do fundo do coração, só tenho duas coisa a dizer:

Obrigado e contem comigo sempre, pro que der e vier!

Abraço forte no coração de todos!

 

Rodrigo Guillermo Renan Hohagen