Em 1430,
os hussitas invadiram o mosteiro e o Santuário onde estava o milagroso quadro
de Nossa Senhora de Czestochowska, de modo que se perdeu o arquivo do mosteiro,
e por isso não há mais documentos escritos sobre a primitiva história desse
retrato sagrado.
Conta-se
que o quadro foi pintado por São Lucas, já no tempo de Maria Santíssima, no
tampo de uma mesa de madeira feita por São José e no qual a sagrada família
fazia suas refeições. A pedido do evangelista, Maria sentou-se para que ele
pudesse retrata-la, terminado Maria ficou satisfeita, e disse: "Minha
graça acompanhá-lo-á". Assim, começou a história deste milagroso quadro.
O retrato
foi descoberto por Santa Helena, que visitava a Terra Santa na procura da
verdadeira cruz de Cristo. Ela presenteou com a pintura seu filho, o imperador
Constantino, que a colocou numa das salas do palácio, onde ficou até o ano de
431. Após, foi levada para a igreja que o imperador edificou para a pintura e lá
ela permaneceu por 5 séculos.
Sempre
que exposto, o quadro atraiu numerosos peregrinos. E muitos milagres foram
atribuídos à intercessão de Maria, por pessoas que oravam junto à pintura.
No decorrer dos anos muitos inimigos invadiram Constantinopla, e a igreja onde
estava o retrato transformou-se em um centro de esperança para o povo da
cidade. Durante um ataque, a cidade parecia que seria totalmente destruída, mas
as pessoas reuniram-se em oração junto ao quadro e a cidade foi conservada. Em
outra invasão a Igreja pegou fogo e tudo foi destruído, exceto uma pequena
parte da parede onde estava o retrato de Maria e de Jesus.
Mais
tarde o sagrado quadro alcançou o sul da Polônia, foi eventualmente dado como
parte de um dote (pela união das famílias reais de Constantinopla e Kiev). Em
Kiev, foi instalado no palácio real de Belz e permaneceu lá por 579 anos.
Em 1382 houve a invasão dos Tartars, uma seta perfurou o retrato na garganta de
Nossa Senhora e deixou uma cicatriz que ainda é visível.
O príncipe Ladislaus Opolski, encontrou o sagrado quadro no castelo de Belz.
Determinado a salvar a imagem das invasões dos Tartars, o príncipe fez um
minucioso exame da cidade mais segura para onde levaria o retrato, Olsztyn.
Durante a viagem parou para descansar, e no alto de um monte chamado Jasna Gora
(Morro Brilhante), próximo a Czestochowska, a pintura foi colocada em uma
pequena igreja de madeira, a Igreja da Assunção. Na manhã seguinte, o retrato
foi cuidadosamente reposto em seu vagão, mas os cavalos recusaram a se mover e
não houve força humana que os fizesse caminhar; porém, assim que tiraram o
quadro do carro, por terem resolvido deixa-lo naquele lugar, puderam os
animais, no mesmo instante, pôr-se em movimento.
A
milagrosa imagem, foi colocada na Igreja da Assunção e dada aos cuidados dos
monges. Desta pequena igreja, foi construído o Mosteiro, o Santuário de Nossa
Senhora de Czestoshowska e o príncipe Ladislaus confiou a guarda aos Eremitas
de São Paulo.
Ficando o
quadro em Czestochowska, por vontade de Maria Santíssima, deram-lhe um novo
título: Nossa Senhora de Czestochowska.
Em 1430,
os hussitas saquearam o mosteiro e carregaram todos os tesouros de Jasna Gora
em vagões. Mas, os cavalos que puxavam o vagão onde estava a pintura não se
moviam. Os hussitas então jogaram a pintura fora do vagão, e os cavalos
moveram-se. Um dos incursores cortou duas vezes com a espada a pintura no
mordente direito de Maria, e quando foi golpear pela terceira vez caiu à terra
agonizando até morrer. Ao verem o que ocorreu, os demais incursores fugiram com
medo.
Apesar da
destruição, o santuário foi em pouco tempo restaurado (conta-se que em 15
dias). Inúmeras foram as tentativas de reparar os dois cortes no mordente da Virgem
Maria e no ferimento da garganta, mas estes reapareciam sempre. Acredita-se que
por vontade de Maria as cicatrizes devem permanecer. Assim, o milagroso quadro
não escapou da desecração e da mutilação, bem como de sensíveis alterações,
tanto que é chamado de "Madonna Preta", pois a pintura original foi
escurecida pelo resíduo acumulado das velas e pelas flamas do fogo no incêndio
ocorrido.
O
mosteiro, transformou-se em uma fortaleza e em um ponto de referência do
nacionalismo polonês. Suportou o ataque do poderoso exército sueco, em 1655. No
ano seguinte, o rei Casimiro proclamou Nossa Senhora de Czestoshowska a Rainha
da Polônia e o Santuário de Jasna Gora capital espiritual da Polônia. Em 1683,
resistiu aos ataques dos Turts. Em 1920, os Boshevids foram dispersados através
de uma aparição de Nossa Senhora de Czestoshowska no rio Vistula. Durante os
anos de divisão da Polônia (1772 – 1918), o Santuário de Jasna Gora
transformou-se em um local de união para os povos poloneses. A sagrada pintura
irradia como um farol de esperança durante os dolorosos anos de sofrimento e
derrotas nacionais. Com a restauração da independência nacional em 1918, os
peregrinos no Santuário polonês eram milhares em um culto constante e
fervoroso. E quando a segunda guerra terminou, a nação devastada pelo
sofrimento da guerra encontrou força e coragem no Santuário.
O papa
Pio X concedeu favores espirituais aos peregrinos que visitam o Santuário,
enriquecendo-os com muitos privilégios. Anualmente afluem ao santuário nacional
mais de um milhão de peregrinos.
Cópias do milagroso quadro espalharam-se por toda a cristandade, e em muitas
igrejas de outros países ficaram expostas e foram veneradas.
A reputação internacional da imagem foi consideravelmente alcançada em razão da
devoção pessoal do atual Pontífice Romano. O papa João Paulo II, um filho
nativo da Polônia, que visitou o Santuário em Jasna Gora e orou junto ao
milagroso quadro de Nossa Senhora de Czestochowska durante sua histórica visita
em 1979, meses depois de sua eleição à cadeira de Pedro, e em visita no ano de
1983 e em outra no ano de 1991. No presente, uma pintura de Nossa Senhora de
Czestoshowska, adorna o local de reza do Santo Padre.
Oremos à
Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora de Czestochowska, que rogue por nós junto ao
seu Filho. Que nossa fé seja rica e amadurecida, a fim de podermos irradiá-la e
testemunhá-la; uma fé viva que se expressa na vida e no cotidiano; uma fé
criativa, capaz de transformar a nós mesmos e ao mundo em que vivemos. Que
seja completa com o amor e a torne sensível aos sinais dos tempos e às
necessidades dos irmãos.
Imploremos
à Mãe do Filho de Deus e nossa Mãe, que nos conceda a graça da fidelidade a
Deus, à Cruz, ao Evangelho e à Igreja. Confiamo-nos à sua proteção, a fim de
podermos conservar por todos os séculos o tesouro da santa fé.