TÍTULOS DE NOSSA SENHORA

 

NOSSA SENHORA NO VIDRO

De alguns meses para cá fomos informados de vários fenômenos ligados a desenhos de Nossa Senhora em vidraças, esse tipo de fenômeno que atrai tanta atenção popular, como é o caso presente das imagens no vidro, é sempre polêmico, mas por que fazer querelas e teorizar tanto sobre todas as coisas que motivam aa fé popular? Sim é certo que mistificadores e espertalhões de todo o tipo valem-se dessa busca quase desesperada dos humildes por sinais da presença de Deus e de seus mensageiros para a buscar a fama e lucros vis, mas será este o caso presente?

Nada autoriza a crer, salvo prova em contrário. Não há fraudes nas imagens e ninguém pensa em construção deliberada da semelhança dessas manchas para atrair curiosos. É, no mínimo mesmo uma coincidência extraordinária de forma das manchas com as formas tradicionais de iconografia Mariana.

Das manchas com as formas tradicionais da iconografia Mariana, essa é uma questão de fé. E de fé apenas. A fé popular muitas vezes é ingênua e deixa-se seduzir por supostos milagres. Esse é um modo possível de analisar o fenômeno dos vidros. Outro, que particularmente prefiro, enxerga aqui mais um dos muitos modos de Nossa Senhora fazer-se presente entre nós. A ingenuidade da fé popular é expressão exata da Bem Venturança que promete aos pobres em espírito serem aqueles que, de fato, verão a Deus.

Quanto às alegações de Pe. Quevedo, abaixo transcrita, bem, Pe. Quevedo é o mesmo que se presta a aparecer em programas de TV, de provedor de internet em cena que explora a lado cômico do parapsicólogo, suposto cientista já tão explorado nas noites de domingo com voz sensacionalista por Cid Moreira durante o Fantástico.

Pe. Quevedo que tem por companheira na mesma campanha publicitária a elevada senhora Derci Gonçalves. Nada mais a dizer para esclarecer o que pensamos de sua seriedade e rigor científico! Pouco deve importar-se se esse é um milagre autêntico, testemunhável por doutores da igreja.

Os milagres não são os mesmos para os doutores. São para os pobres, para as crianças como as de Fátima e para os humildes. Alguém disse que existe aqueles que acreditam em milagres e aqueles para que tudo é um milagre! Um maravilhoso milagre de viver e repartir o universo de Deus com irmãos e com os representantes dessa divindade. Seja o vento, seja um profeta, seja Maria! Os doutores precisam afetar essa seriedade profissional e clínica que em tudo logra menosprezar o fato vivido da fé, acima de qualquer necessidade de comprovação. São como aqueles espertos de aldeia que diante do coelho retirado da cartola para diversões dos adultos e delírio das crianças, gritam lá de trás da platéia: Não engana, é truque! Brilhante conclusão! Perdem a mágica e seu prazer pelo prazer equívoco do respeito dúbio de outros tolos pretensiosos.

EM VERDADE VOS DIGO QUE JÁ RECEBERAM SEU GALARDÃO".
Baste-nos a nós, que vemos além do óbvio, da prosaica coincidência de um defeito no vidro, que esse fenômeno afinal talvez seja se visto sem poesia, que este fato tenha servido para lembrar momentaneamente aos homens que vivem em um mundo cada vez mais desesperançado, descrente, torpe, agressivo e violento que existe acima de nossa fragilidade vítrea de meros humanos, uma repentina, transparente e doce realidade de fé, que permite ver (ainda que enevoadamente, esboçadamente) um pouco de Deus e de seus veneráveis agentes do mundo! Isso já é milagre para mim.

Autor: MARCO ANTUNES

NOSSA SENHORA NO VIDRO EM PINDAMONHANGABA
Um clima de mistério e fé envolveu a cidade na última semana, quando surgiram os primeiros boatos sobre a aparição da imagem de Nossa Senhora no vidro da porta da escola “Prof. João Martins de Almeida”, em Pindamonhangaba. Uma grande multidão compareceu ao local para ver o fenômeno e conferir de perto a imagem na vidraça. Segundo a diretora da escola, Maria Inês Romeiro Guimarães, a imagem foi descoberta por duas alunas na tarde do dia 28 de julo de 2002. Antes disso, ninguém teria notado qualquer mancha ou vestígio no vidro. “Nós passamos álcool e constatamos que a imagem some momentaneamente e depois reaparece”, disse.
A silhueta no vidro é colorida e tem o mesmo formato das demais que apareceram pelo Brasil, Maria Inês, que é católica, falou também que ficou muito contente porque a imagem apareceu em sua escola“ Se isso está acontecendo é porque o mundo está precisando dessas boas aparições para abençoar este povo brasileiro”, disse a diretora.

NOSSA SENHORA NO VIDRO EM FERRAZ DE VASCONCELOS
"Tenho certeza absoluta que não é milagre", a frase é do Pe. Oscar Quevedo, doutor em teologia e professor universitário de parapsicologia. A imagem de Nossa Senhora que fiéis católicos enxergam em Ferraz de Vasconcelos é mais um caso de "simulacrum" (plural "simulacra"). Um padrão abstrato que produz uma impressão nas pessoas que o vêem em forma reconhecível. Trata-se de um fenômeno observado em todas as épocas e em todo o mundo, conhecido pelos especialistas sob esse nome em latim.

O Pe. Quevedo, em 18 de julho, passou o dia no local, e deu uma entrevista coletiva a emissoras de TV e Rádio e a Jornais. Segundo ele, trata-se simplesmente de um "simulacrum": "o ser humano vê imagens/figuras nas nuvens, no asfalto, na estrutura da madeira, nas ondas do mar e em muitos outros locais. As pessoas são movidas, não só mais especialmente, por um imaginário religioso, este desejo profundo leva as pessoas a enxergarem Nossa Senhora".

Perante a imagem em Ferraz de Vasconcelos Pe. Quevedo a comparou com fotos de outros "simulacra" semelhantes que levava consigo. Após conversa com os moradores, e pessoas do numeroso público, sentenciou: "A Igreja respeita e admira a devoção, mas não podemos dizer que isso é milagre".

No caso da figura da vidraça "trata-se de uma mancha claramente natural, provocada pela umidade, calor ou frio e a mistura de ácidos em reação com os ingredientes usados na fabricação do vidro. A figura não tem olhos, nem boca, nem ombro nem braço direito. O que seria cabelo, esta sob o que seria a túnica. Não tem traços definidos. Dizer que é milagre seria falta de respeito a Deus. Seria reduzir o milagre, assinatura de Deus e mostra do seu poder, a um simples simulacrum", afirma o parapsicólogo.

A Igreja só reconheceria o culto a Nossa Senhora sob essa invocação, se surgisse algum milagre em atenção à devoção e oração do povo. "Somente pela confirmação do milagre a Igreja aprovaria o culto", concluiu o Pe. Quevedo. Em relação a este tema deve destacar-se o caso de Nossa Senhora de Guadalupe. O Pe. Quevedo exibe um vídeo muito bonito com toda a história da Padroeira da América Latina. Em dezembro de 1531, a imagem da Santa ficou estampada, até hoje, no cobertor do índio Juan Diego (canonizado este ano, dia 31 de julho). Pe. Quevedo relacionou o caso de Ferraz de Vasconcelos com o ocorrido num prédio comercial nos E.U.A.. Em Clearwater, Flórida, formou-se uma suposta imagem da Virgem Maria ao longo das janelas em quatro andares no prédio da "Seminole Finance Corporation". Pe. Quevedo mostrou à imprensa a foto do prédio em Clearwater, e disse que aquilo se deveu à reação de um produto de limpeza e outros fatores com os elementos usados na fabricação do vidro.

O que o Jornalismo Científico pode aprender com a Santa da Janela
Wilson da Costa Bueno*

Domingo, dia 21 de julho de 2002,   não foi um dia comum. Pelo menos para a população de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Ali, diante de uma casa da rua Antonio Bernardino Correia, milhares de pessoas formaram fila, durante dia e noite,  para observar uma imagem no vidro da janela, descoberta, por acaso, uma semana antes. Uma imagem comum? Para aquelas pessoas, não. Tratava-se da imagem de Nossa Senhora, que desde que foi "vista", tem atraído curiosos e devotos da santa.

Embora a ciência já tenha possíveis explicações para o fato, não há ainda um resultado definitivo sobre a maneira pela qual aquela imagem, que , efetivamente, pode ser confundida com a de Nossa Senhora, tenha aparecido no vidro.  Enquanto isso, a mídia tem se ocupado do "fenômeno", destacando, sobretudo, a fé das pessoas que para lá acorrem em busca de uma graça salvadora.

Enxergar santos e personalidades em paredes e vidros não é novidade. Na Flórida, já foram observadas imagens de Virgem Maria em janelas de um prédio e numa parede e, como explica Ricardo Bonalume Neto, em artigo publicado na Folha de São Paulo, no dia 19 de julho, página C-3, "houve o caso de uma criança de Mallala, na Austrália, que enxergou a princesa Diana em uma mancha de umidade na varanda da casa dos avôs, no dia em que Diana foi enterrada".

É possível ver rostos humanos (ou não humanos) conhecidos em nuvens (onde tudo parece mais "divino") e  em rolos de fumaça, como divulgado durante o incêndio que destruiu as torres do World Trade Center, em setembro de 2001, no atentado terrorista atribuído aos "comparsas de Bin Laden".

A fé e a vontade de querer ver favorecem a descoberta das aparições, mas é difícil convencer as pessoas de que não se trata de um milagre (os ambulantes que vendem água, imagens de santas, salgadinhos etc. acreditam que, efetivamente, foi um milagre para eles, já que têm vendido como nunca) ou coisa aparecida, mas de uma    ilusão visual, um "simulacrum", como explica Ricardo Bonalume. Por este motivo, os fiéis e curiosos continuarão a desfilar, por algum tempo, diante da janela em Ferraz de Vasconcelos.

Ainda que os jornalistas científicos não acreditem que se trate de um milagre (o que, efetivamente, se espera), o caso não é desprovido de interesse, inclusive científico. E deveria merecer a atenção de todos aqueles que estão ou pretendem divulgar a ciência.

As pessoas, desde sempre, acreditam em fenômenos não reconhecidos cientificamente, mesmo porque, em geral, se constituem em algo parecido ao que está ocorrendo em Ferraz de Vasconcelos. O ser humano, feliz ou infelizmente, não é só razão e, até porque a ciência não consegue decifrar todos os enigmas, há espaço para outros saberes (melhor dizendo, crenças).

Por este motivo, empresários e executivos (e até governantes como  ex-presidentes dos Estados Unidos e da França) não abrem mão de "ler" os astros. A consulta aos signos, em muitas empresas, vem contribuindo para o recrutamento de talentos, o que, no mínimo, pode atestar a incerteza que tem tomado conta do mundo dos negócios. Adeptos do Feng Shui fazem malabarismos para afastar os maus espíritos  e muitos outros se apegam aos seus arcanjos, tentando, a partir de mapas detalhados, descobrirem a que horas do dia eles passarão por perto, para melhor invocá-los e obter seus favores.

Outros, mais radicais, bebem urina para combater os males ou queimam velas coloridas para trazer sorte, saúde e ( quem sabe?) fisgar a Ana Paula Arósio ou o Rodrigo Santoro.

Aos céticos, isso soa ridículo e não há como considerar de outra forma, sob a perspectiva de quem busca sempre a razão das coisas. Mas, parafraseando uma máxima respaldada na religião, "cuidado com o andor que o santo é de barro".
O divulgador da ciência deve pressupor, sempre, que o processo de comunicação é permeado por fatores culturais e que a religião, a credulidade e mesmo o analfabetismo científico são ruídos importantes na interação com o chamado público leigo. Essas barreiras  para a boa divulgação científica se manifestam tanto aqui como nos Estados Unidos ou no Japão, indicando que o cidadão comum tem um perfil parecido, independente de sua localização no planeta.

Isso significa que é necessário, na divulgação científica, considerar estes fatores e administrá-los, buscando não apenas alardear as novidades da ciência e da tecnologia, mas cumprir um papel pedagógico, ressaltando, sobretudo, as características do método científico e do processo de produção da ciência. Ser cético, suspeitar das coisas não provadas, ser crítico para não ser manipulado pelos "picaretas" da ciência, pelos que pregam a anti-ciência ou praticam a pseudociência. É bom acrescentar: ser crítico, também, em relação aos que, travestidos de cientistas ou pesquisadores comprometidos com a sociedade, faz o jogo dos grandes interesses, acumulando lucros para empresas inescrupulosas e, planetariamente, não cidadãs.

O jornalista científico não pode simplesmente fechar os olhos à realidade e sair por aí, como muitos cientistas têm feito, proclamando aos quatro ventos que não adianta divulgar a ciência porque a população não tem condições de entendê-la.

Pelo contrário, deve como missão, buscar torná-la suficientemente clara, com o objetivo de democratizar o conhecimento e permitir, gradativamente, que as pessoas comuns participem do processo de tomada de decisões com respeito aos grandes temas de ciência e tecnologia.

As barreiras (culturais, políticas, ideológicas, econômicas etc.) existem e precisam ser enfrentadas, com competência, pelo jornalista científico, na sua humildade e perseverança para cumprir um papel que, certamente, não é fácil. É importante frisar, mais uma vez, que, na maioria dos casos, este papel não tem sido facilitado pelos que produzem C & T ou pelos que estão interessados em valer-se dela para obter vantagens individuais ou empresariais.

A Santa da Janela não deve ser exorcizada pelos divulgadores da ciência, mas entendida em seu contexto. Ela, ainda que seja apenas uma imagem que apareceu aleatoriamente no vidro de uma janela, uma simples ilusão visual, ensina-nos muita coisa. O verdadeiro milagre, na divulgação científica,  é conseguir, com paciência, profissionalismo e inteligência, contribuir para que a população compreenda as vantagens e os riscos do progresso técnico e saiba avaliar positivamente a importância do investimento em ciência e  tecnologia.

As pessoas têm o direito de acreditar em santos e duendes, se isso lhes faz bem, mas também têm o direito de serem esclarecidas sobre a verdade dos fatos. Com isso, estarão melhor preparadas para se livrarem do charlatanismo  e dos pseudo-cientistas. E para, com tranqüilidade e devoção, continuarem praticando a sua fé. Da nossa parte, com muito respeito aos que pensam de outra maneira, continuamos acreditando que a ciência é a melhor expressão da inteligência humana e que vale a pena desconfiar sempre. A Santa não está, certamente, na janela, mas na cabeça das pessoas. Talvez isso não seja razoável para os céticos, mas  a história está aí para confirmar de que as coisas têm sido assim. Empenhar-se para mudá-las, fazendo prevalecer à razão, continuará sendo a missão inegociável do jornalismo científico.