BÍBLIA ON LINE (EM PORTUGUÊS)
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HISTÓRIA DA
BÍBLIA SAGRADA |
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1.
PRÓLOGO |
A
Bíblia é um livro difícil. Difícil porque é antigo, foi escrito por orientais,
que têm uma mentalidade bem diferente da greco-romana, da qual nós descendemos.
Diversos foram os seus escritores, que viveram entre os anos
Outra
razão para se considerar a Bíblia um livro difícil é que ela foi escrita por
muitas pessoas, ás vezes até desconhecidas e em situações concretas as mais
diversas. Por isso, para bem entendê-la é necessário colocar-se dentro das
situações vividas pelo escritor, o que é de todo impraticável. Quando muito,
consegue-se uma aproximação metodológica deste entendimento.
Além
do mais, a Bíblia é um livro inspirado e é muito importante saber entender esta
inspiração, para haurir com proveito a mensagem subjacente
Entre
os católicos, o interesse por conhecer a Bíblia praticamente começou após o
Concílio Vaticano II, ou seja, a partir dos anos '60, enquanto os Protestantes
há muito se interessam por estudá-la. Não quero adentrar aqui na histórica
polêmica religiosa que cerca a leitura e a interpretação da Bíblia,
ressuscitando vetustas divergências. Apenas vale salientar que uma série de enganos podem advir de uma interpretação
bíblica literal, porque uma interpretação ao "pé da letra" não revela
o sentido mais adequado de todas as palavras.
Para
que não aconteça conosco incidir neste equívoco, devemos aprender a nos colocar
na situação histórica de cada escritor em cada livro, conhecer a situação
social concreta da sociedade em que ele viveu,
procurar entender o que aquilo significou no seu tempo e só então tentar
aplicar a sua mensagem ás nossas circunstâncias atuais.
1. O que é a Bíblia?
Definição
do Concilio Vaticano II:
"A
Bíblia é o conjunto de livros que, tendo sido escritos sob a inspiração do Espirito Santo, têm Deus como autor, e como tais foram
entregues à Igreja".
TESTAMENTO
(novo ou antigo): é a tradução da palavra hebraica "berite"
que significa a aliança de Deus com o povo por Moisés. Na tradução dos
OBS:
A 'tradução dos 70' é uma das versões mais antigas da Bíblia. Segundo a
tradição, este trabalho teria sido realizado por 70 sábios da antiguidade.
2. Quais as partes que compõem a Bíblia?
A
Bíblia se divide em duas partes principais: o Antigo Testamento e o Novo
Testamento. O Antigo refere-se ao período anterior a Jesus Cristo e o Novo se
refere ao período cristão. Cada uma destas partes se compõe de diversos
'livros', escritos em épocas históricas diferentes. A seguir, a relação dos
livros com uma breve referência ao conteúdo deles.
LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO
1.
Pentateuco
(cinco primeiros livros: Gênesis, Êxodo, Levitico,
Números, Deuteronômio)
2.
Josué
(narra a entrada do povo de Deus na Palestina)
3.
Juizes (narra a conquista da Palestina)
4.
I
e II de Samuel (relatos da época de Saul e Davi, continuação da conquista)
5.
I
e II dos Reis (relatos sobre Salomão e seus sucessores)
6.
I
e II das Crônicas (continuação dos relatos sobre os outros Reis)
7.
I
e II dos Macabeus (continuação do período dos Reis)
8.
Livro
de Rute (faz alusão ao universalismo. Noemi era pagã e se inseriu no povo de
Deus).
9.
Livro
de Tobias, Livro de Judite, Livro de Ester (pertencem
ao gênero de contos. São livros do tempo do exílio, quando se apresentavam
exemplos de abnegação ao povo oprimido, convidando-os a suportar o sofrimento).
10. Livro de Isaías (cap.l a 39 são do próprio escritor; cap.
11. Livro de Jeremias (ditado por este
a Baruc, seu secretário)
12. Livro de Ezequiel (um dos profetas
maiores)
13. Livro de Daniel (tem um conteúdo
apocalíptico )
14. Livro de Jó
(do gênero conto, procura demonstrar que não só os bons são felizes. Tem por
objetivo combater uma idéia comum de que só os ricos eram os abençoados por
Deus).
15. Livros Sapienciais (Eclesiastes ou
Qohelet; Eclesiástico ou Siráside;
Provérbios, Sabedoria e Cântico dos Cânticos). São reflexões de cunho
acentuadamente humanístico, aproveitamento do saber oriental.
16. Livro dos Salmos (coleção de
cantos litúrgicos).
17. Profetas Menores: Oséias, Joel,
Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu,
Zacarias, Malaquias (chamados menores não com relação
à sua importância, mas ao tamanho de seus escritos).
LIVROS DO NOVO TESTAMENTO
1.
Evangelhos
sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas - têm muitas semelhanças entre si ).
2.
Evangelho
de João (maior desenvolvimento teórico, influência filosófica de época)
3.
Atos
dos Apóstolos (narram a missão dos apóstolos após a Ressurreição de Cristo)
1.
Epístolas
de Paulo (historicamente, os primeiros escritos do NT)
2.
Epístolas
Católicas (Pedro, Tiago, Judas): dirigidas a todos os fiéis, por isso,
universais.
3.
Apocalipse
(escrito por João, na base de códigos, símbolos).
4.
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2.
INSPIRAÇÃO |
Um
dos principais conceitos a ser examinado para uma melhor compreensão da Bíblia é
o de inspiração. O que significa dizer que os livros bíblicos são inspirados,
de onde vem esta inspiração, até que ponto o que é escrito representa a
mensagem de Deus ou do hagiógrafo (escritor sagrado)? Ao longo da história, os
estudiosos procuraram esclarecer este conceito básico e, é claro, sempre houve
divergências entre eles. Apresentamos aqui algumas reflexões sobre este
importante conceito.
Na
inspiração distinguimos dois aspectos: dogmático e especulativo.
O
dogmático pode ser expresso como resposta à pergunta: por que acreditamos que a
Bíblia é um livro inspirado? Isto não se pode provar pela própria Bíblia.
Busca-se então provar pelo fundamento histórico. Os evangelhos, por exemplo,
são históricos. Há uma tradição desde os tempos dos Apóstolos que cita a
Escritura como autoridade divina ( Mt
1, 22; Mt 22, 31; Mc 7,10; Jo
10, 35; At 1,16; Lc 22, 37;
Heb 3, 7; 10,15 ). Em 2Tim
3,16, aparece pela primeira vez a palavra 'theopneustos',
ou seja, inspirada por Deus.
O
especulativo pode ser expresso como resposta à pergunta: em que consiste a
inspiração? Este é mais complicado e será exposto com mais detalhes.
a) Modo da inspiração
É
muito discutido o modo como se dá a inspiração do escritor sagrado. Bañez afirmou que era um ditado. Mas em II Mac 2, 19-23, o autor se refere a um resumo de 5 livros em um
só, cujo resumo lhe custou "suores e noites de vigília". Como é que
foi um ditado se houve o esforço dele para elaborar a síntese? Do mesmo modo
Lucas (Lc l,1) escreve:
"depois de haver diligentemente investigado tudo desde o principio,
resolvi escrever... ", logo não foi simplesmente um 'ditado' da parte de
Deus.
Em
reação à teoria do ditado veio outra que disse o contrário: a inspiração é a
aprovação que a Igreja dá ao livro. O fato estar colocado no cânon é a garantia
da própria inspiração. Esta tese foi defendida por poucos e não teve grande
aceitação nos meios católicos.
O
Cardeal Franzelin propôs uma nova fórmula: nem tudo é
de Deus nem tudo é do homem, mas as idéias são de Deus e as palavras são do
homem. Obteve um certo sucesso, mas ainda não explicou
de todo. Sto. Tomás de Aquino propusera a teoria da
"causa instrumental": são os dois ao mesmo tempo - Deus e o Homem.
Ambos estão presentes em toda a obra, Um é o autor principal e o outro o autor secundário.
A inspiração eleva, sublima as faculdades do autor. Pode até ser admitida esta
teoria, entretanto, convém lembrar que tudo que está na Bíblia é inspirado,
embora nem tudo seja revelado.
b) Funcionamento psicológico da inspiração
Em
II Mac, conforme mencionado acima, o autor se refere a um resumo do livro que um certo Jazão escreveu. De 5 volumes ele reduziu a um só. Como dizer que isto é palavra
inspirada por Deus, como se explica aí a inspiração divina?
Comecemos
por analisar as operações do intelecto: apreensão, juízo e raciocínio. Elas
seguem um grau de aprofundamento e refinamento do saber. Pode-se ter uma
inspiração de Deus logo no primeiro momento (na apreensão), como se pode ter
depois, no juízo ou também nos dois. Quando a inspiração é logo na apreensão,
se diz 'revelação'. Quando, como no caso do II Mac, a apreensão é do autor, a
inspiração se dá no segundo momento, ou seja, no juízo, enquanto na apreciação
que ele faz da obra está sendo iluminado pelo Espírito Santo. Na confecção destes
livros, a questão da inspiração é que o autor estava iluminado pelo Espirito Santo para dizer o fato corretamente, sem poder
errar no julgamento. Embora ele não esteja consciente disso, a ação do Espírito
Santo está sendo exercida no seu intelecto.
Mas,
pode-se questionar: como se sabe se ele foi ou não inspirado quando nem ele
mesmo pode perceber isso? Aí passa a ser uma questão de fé. Tenta-se explicar o
fato, mas não se afirma que seja assim. 0 discernir se
o livro é ou não inspirado, dado o que acontece com o autor, é alçada da
Igreja, que também é inspirada pelo Espírito Santo. É uma questão
fundamentalmente de fé.
Por
isso, para a definição do livros autênticos,
reconhecidos pela Igreja Católica, os Cânones foram aprovados em Concílios, nos
quais se discutiram certas dúvidas a respeito de alguns livros, se eram ou não
inspirados. Nas discussões, procurou-se ver na historia da Igreja, desde os
cristãos primitivos até aquela época, quais os livros que durante os séculos
sempre foram lidos nas Igrejas e, baseada no consenso, ela constituiu o cânon.
Sem dúvida, a tradição antiga é mais fidedigna, pois está mais próxima dos
tempos apostólicos.
Mas,
voltando ao conceito do juízo, ele pode ser especulativo ou prático.
Especulativo quando tem por fim o verdadeiro; prático guando tem por fim o bem.
No caso de Jonas, por exemplo, o juízo do autor não foi especulativo, mas
prático. Jonas teve o sonho em que Deus o mandava pregar em Nínive. Ora,
raciocinou ele, Javé é Deus de Israel, e não deve ser falado aos pagãos. Então
tomou o navio para outro lugar, e aí entra a história da baleia... A finalidade
do autor era convencer a todos que Javé era o Deus universal, contra uma certa corrente judia que negava fato, ou melhor, não
gostava da idéia.
Para
se entender cada página da Bíblia deve-se ter em mente a finalidade, a intenção
do autor ao escrever cada parte do livro. Não se pode abrir o livro em qualquer
parte e ler tudo com o mesmo espirito. Na antiga
concepção de inspiração (ditado) não se considerava este problema. Tudo que lá
estava se acreditava "ao pé da letra". Não se podia duvidar. Mas esta
é hoje uma prática mais comum em algumas igrejas protestantes,
geralmente praticada por pessoas com conhecimentos teológicos limitados e
reducionistas.
Uma
conseqüência direta da inspiração é o dom da inerrância.
Se o livro é inspirado, logo o que contém é verdade. Porém esta verdade não
está ali imediatamente evidente, ela precisa ser alcançada pela reflexão
animada pela fé, ou seja, a razão e a fé ajudando-se mutuamente.
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3.
ORIGEM E FORMAÇÃO DA BÍBLIA |
1. Indícios e evidências históricas
O
período histórico da formação da Bíblia situa-se entre
Quando
os hebreus chegaram a Canaã, já havia na terra um certo
desenvolvimento literário, como por exemplo, o alfabeto fenício (do qual se
derivou o hebraico), que já existia no século XIV a. C. Os judeus chegaram lá
por volta do século XIII a.C. Outro documento desta época é o calendário de Gezér, que data mais ou menos do ano
Além
destes, há outros documentos provando que já havia uma escrita na Palestina,
antes dos hebreus chegarem lá. A inscrição do túmulo de Siloé
(
A
parte mais antiga da Bíblia remonta justamente deste tempo (
Como
dissemos, estas histórias iam sendo passadas oralmente de pai a filho, nos
santuários. Acontece que nem todos iam para os mesmos santuários, o que motivou
a existência de pequenas diferenças na catequese do norte e na do sul. A
tradição do sul foi chamada de JAVISTA (J), pois Deus era tratado sempre por
Javé; a do norte se chamou ELOISTA (E), porque Deus era tratado como Eloi.
A
tradição oral existiu até os tempos de Daví, quando foi
escrita a tradição javista; meio século depois, foi
escrita também a eloista. Por volta de
Falamos
das duas tradições: uma do norte e outra do sul. Mas não existiam apenas estas
duas, que são as principais. Há ainda a DEUTERONOMICA (D), encontrada
casualmente em
A
partir de Josué, a tradição continuou oral, para ser escrita somente por volta
de
3. Os Intérpretes - Profetas e Sábios
Durante
muito tempo, os profetas foram os orientadores do povo de Deus. Os livros
proféticos resumem os seus ensinamentos, e na sua maioria foram escritos só mais tarde, por seus seguidores. Somente por volta do ano
O
NT não foi escrito com a finalidade de ser acrescentado à Bíblia. No tempo de
Cristo e dos Apóstolos, o livro sagrado era apenas o AT. O próprio Jesus Cristo
se baseava nele
Mas
veio a necessidade de congregar outras pessoas para o anúncio, em vista do
grande número de comunidades existentes. Então, começaram a escrever. Mais
tarde, com a aceitação também de cidadãos estrangeiros nas comunidades, a
mensagem precisou ser traduzida e adaptada. Além disso, o próprio povo
necessitava de uma escrita (doutrina escrita) para se conservar una, após a
morte dos Apóstolos. Esta redação, no início, era apenas de alguns escritos
esparsos, que só depois de algum tempo foram juntos em livros. Exemplo disso
está em Mc 2, uma série de disputas de JC com os
Judeus, onde se vê claramente que foi recolhida de escritos separados. Também
em João se lê: "Muitas outras coisas Jesus fez que não foram
escritas..." (Jo 21,24) Isto significa que só
foram escritas aquelas mensagens que teriam utilidade, conforme as necessidades
momentâneas.
O
evangelho de Marcos, o primeiro a ser escrito, data dos anos 60 ou 70 d.C.; os
de Lucas e Mateus, são de 70 ou 80, o que significa
que somente após uns 40 anos da morte de JC sua palavra começou a ser escrita. 0 Evangelho de João só foi escrito em torno do ano 100 d.C.
Antigamente, se acreditava ser Mateus o autor do primeiro Evangelho. Mas a critica histórica mostra que o de Marcos foi anterior.
Aliás, a respeito deste evangelho de Mateus, não se sabe ao certo quem é o seu
autor. Foi atribuído a Mateus, apenas por uma tradição e também por uma praxe
da época de se atribuir um escrito a alguém mais conhecido e famoso, para que a
obra tivesse mais autoridade.
5. Entendendo algumas dificuldades concretas
Durante
o tempo anterior á escrita dos Evangelhos, havia apenas a pregação dos
Apóstolos, recordando os fatos da vida de Cristo, todavia eram fatos esparsos,
sem nenhuma preocupação com seqüência ou unidade. Por isso os Evangelhos, que
foram esta pregação escrita, se contradizem em algumas datas, o que mostra a
pouca importância dada à cronologia. Os fatos eram recordados e aplicados,
conforme as necessidades. Assim, até entre os Evangelhos sinóticos, que
seguiram a mesma fonte, há diversificações. Por exemplo, no Sermão da Montanha,
em Lucas fala "bem aventurados os pobres"; e em Mateus, "bem
aventurados os pobres de espírito". A diferença consiste no seguinte:
Lucas deu um sentido social, mais importante para as comunidades gregas, para
as quais escrevia. Mas o de Mateus destinava-se às comunidades judias e queria
combater uma doutrina dos judeus que tinham uma idéia falsa de pobreza. Para
eles, o próprio fato de a pessoa ser pobre, já lhe garantia a salvação,
enquanto outra pessoa, pelo simples fato de ser rica, já estava condenada. Por
causa disso ele escreveu "pobres de espírito".
Outro
ponto de discordância é o caso da cura de um cego. Mateus diz "um cego, na
saída de Jericó"; e Lucas "dois cegos, na entrada de Jericó". 0 fato da 'entrada' e 'saída' pode ser explicado pela
existência de duas cidades chamadas Jericó. 0 fato de
serem um ou mais cegos explica-se pelo seguinte: era comum naquele tempo os
cegos formarem grupos em torno de um cego-lider; e o
nome deste geralmente era o do grupo. No entanto, estes detalhes pouco importam
ao evangelho. 0 seu interesse é a apresentação da
mensagem (evangélion = boa nova).
Os
Evangelistas sinóticos se basearam no Evangelho de Marcos e noutra fonte,
convencionada por fonte "Q", simbolizando os inúmeros escritos
esparsos de que já tratamos. Espalharam cópias destes por outras partes do
mundo. Lucas, Mateus, cada um em lugares diferentes, se inspiraram nos escritos
disponíveis e inclusive no evangelho de Marcos, que na época já havia sido
escrito. O fato do primeiro Evangelho ser atribuído
anteriormente a Mateus se deve a uma afirmação de Eusébio de que Mateus
escrevera a "logia" do Senhor em aramaico.
Mas a crítica histórica provou que o Evangelho que conhecemos não traz apenas a
"logia" do Senhor e não foi escrito em
aramaico, e sim em grego. Portanto a noticia de Eusébio se refere a outro escrito,
e não a este evangelho. Nada impede, porém, que tenha sido escrito por
discípulos de Mateus e atribuído ao Mestre. Aliás, a respeito de
"Evangelho", o primeiro a usar esta palavra para indicar as memórias
dos Apóstolos foi S. Justino, em 130 d.C.
7. As Cartas
As
cartas de Paulo foram enviadas para serem lidas
As
Epistolas Católicas (universais) são chamadas assim por se destinarem à Igreja
em geral, e não a tal ou qual comunidade, como fizera Paulo. Elas também se
originaram da necessidade pastoral, e já no começo do II século estavam
incorporadas aos outros escritos do NT. Os Atos dos Apóstolos podem ser
considerados a continuação do terceiro Evangelho, pois também foi escrito por
Lucas. E o Apocalipse de S.João, livro profético, foi
acrescentado por último.
Nos
escritos do NT, freqüentemente se encontram citações do AT. É que muitas vezes
os Apóstolos queriam tirar dúvidas sobre certas passagens, que tinham falsa
interpretação. Nas assembléias, eram lidos escritos do AT e do NT, para
explicá-los. Exemplo disto temos em I Tes 4,15; I Cor 7,10.25.40; At
15, 28; I Tim 5,18; Lc
10,7.
8. O Cânon Sagrado
No
século IV, a Igreja se reuniu
|
4.
HERMENÊUTICA |
1. Conceito
A
palavra 'hermenêutica' vem do verbo 'hermenêuein'
(interpretar). E esta interpretação foi entendida diversamente através dos
tempos. Por isso, temos três tipos de exegese: l. rabínica; 2.
protestante; 3. católica.
2. Exegese Rabínica
Os
judeus interpretavam a escritura ao pé da letra, por causa da noção de
inspiração que tinham. Se uma palavra não tinha sentido perceptível
imediatamente, eles usavam artifícios intelectuais, para lhes dar um sentido,
porque todas as palavras da Bíblia tinham que ter uma explicação. O exemplo do
paralítico é antológico: ele passara 38 anos doente.
Por que 38? Ora, 40 é um número perfeito, usado várias vezes na vida de Cristo
(antes da ressurreição, no jejum) ou também no AT (deserto,
Sinai). Dois é outro número perfeito, porque os mandamentos (vontade) de
Deus se resumem em "2": amar Deus e ao próximo. Portanto, tirando um
número perfeito de outro, isto é, tirando 2 de 40 deve
dar um número imperfeito (38) que é número de doença...
Alegoria
pura: neste sentido se entende a condenação de certas teorias que apareceram e
eram contrárias à Bíblia (caso de Galileu). Assim era a exegese antiga. No
século XVIII, o racionalismo fez o extremo oposto desta doutrina: negaram tudo
que tinha alguma aspecto de sobrenatural e mistério, e
procuravam explicações naturais para os fatos incompreensíveis, assim por
exemplo, dizendo que Cristo hipnotizava os ouvintes e os iludia dizendo que era
milagre. JC não ressuscitou, mas ele apenas havia desmaiado na cruz, e quando
tornou a si saiu do sepulcro... Talvez não o fizessem por maldade. Era por
principio filosófico.
A
Igreja primitiva herdou muito do rabinismo, no
início, mas depois se libertou. Começaram por ver na Bíblia vários sentidos:
literal, pleno e acomodatício. Literal: sentido inerente ás palavras, expressão
pura e simples da idéia do autor; Pleno: fundado no literal, mas que tem um
aprofundamento talvez nem previsto pelo autor. Deus pode ter colocado em certas
palavras um significado mais profundo que o autor não percebeu, mas que depois
se descobre. Deus, como autor, fez assim. A palavra do profeta se refere a uma
situação histórica; a palavra de Deus se refere ao futuro. Acomodatício: é a
acomodação a um sentido à parte que combina com as palavras. É a Bíblia
aplicada à realidade apenas pela coincidência dos textos. Por exemplo, em Mt se lê "do Egito chamei meu
filho"... para que se cumprisse a Escritura. Mas
o sentido, ou seja, a aplicação original deste trecho não se referia à volta da
Sagrada Família, mas sim à saída do Povo do Egito. Esta acomodação foi
explorada demasiadamente pelos pregadores, que até abusaram disto. Outro
exemplo de acomodação é a aplicação a Maria dos textos do livro da Sabedoria.
Estes são mais literatura que Escritura. Todavia, crendo-se na inspiração, aceita-se que as palavras do autor podem ter uma
significação mais profunda que a original.
3. Exegese Protestante
Surgiu
do protesto de alguns cristãos contra a autoridade da Igreja como intérprete
fiel da Bíblia. Lutero instituiu o princípio da "scritura
sola" (traduzindo, a escritura sozinha), sem tradição, sem autoridade, sem
outra prova que não a própria Bíblia. A partir daquele instante, os
Protestantes se dedicaram a um estudo mais acentuado e profundo da Bíblia,
antecipando-se mesmo aos católicos. Mas o princípio posto por Lutero contribuiu
para um desastre hermenêutico, pois ele mesmo disse que cada um interpretasse a
Bíblia como entendesse, isto é, como o Espirito Santo
o iluminasse.
Isto
fez surgir várias correntes de interpretação, que podem se resumir em duas: a
conservadora e a racionalista. A conservadora parte daquele principio da
inspiração = ditado, em que se consideram até os pontos massoréticos
como inspirados. Não se deve aplicar qualquer método cientifico para entender o
que está escrito. É só ler e, do modo que Deus quiser, se compreende. A
racionalista foi influenciada pelo iluminismo e começou a negar os milagres.
Daí passou à negação de certos fatos, como os referentes a Abraão. Afirmam que
as narrações descritas, como provam o vocabulário, os costumes, são coisas de
uma época posterior, atribuído àquela por ignorância. Esta,
teoria teve muito sucesso e começaram a surgir várias 'vidas' de Jesus
em que ele era apresentado como um pregador popular, frustrado, fracassado...
Outros
ainda interpretavam o Cristianismo dentro da lógica hegeliana:
São Paulo, entusiasmado, teria feito uma doutrina, que atribuiu a JC (tese);
depois São João, com seu Evangelho constituiu a antítese; finalmente São Marcos
fez a síntese. Hoje, porém, se sabe que Marcos é o mais antigo. Estes
intérpretes se contradizem entre si, o que provocou uma certa
desconfiança. Por fim, a própria arqueologia,
4. Exegese Católica
Inicialmente,
apegou-se muito aos métodos tradicionais: usava mais a tradição e menos a
Bíblia. Mesmo no século XIX, a tendência era ainda conservar a apologética, a
defesa da fé. Foi o Padre Lagrange quem iniciou o
movimento de restauração da exegese católica. Começou a comentar o AT com base
na critica histórica. Mas foi alvo tantos protestos
que não teve coragem de continuar. Em seguida, comentou o NT, e ainda hoje é
autoridade no assunto. A Igreja Católica custou muito a perceber o seu atraso
no estudo bíblico, e até bem pouco tempo ainda afirmava ser Moisés o autor do
Pentateuco, quando os protestantes há mais de um século já descobriram que não.
O
primeiro passo da nova exegese da Igreja Católica foi dado por Pio XII, em 1943,
com a encíclica DIVINO AFFLANTE SPIRITU, na qual
aprovou a teoria dos vários gêneros literários da Bíblia. Depois, em 1964, Paulo VI aprovou um estudo de uma comissão bíblica a
respeito da história das formas (formgeschichte). E
hoje em dia, tanto os exegetas católicos como os protestantes são a favor
desta, e qualquer livro sério sobre o assunto traz este aspecto. Protestantes
citam católicos e vice versa, sem nenhuma restrição.
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5.
HISTÓRIA DAS FORMAS E GÊNEROS LETERÁRIOS |
1. HISTÓRIA DAS FORMAS ("FORMGESCHICHTE")
É
o padrão da exegese moderna. Em geral todo método exegético moderno aborda os
seguintes tópicos:
a)
critica textual - se os manuscritos originais desapareceram ou nunca foram
encontrados, como se sabe se o texto atual corresponde ao original? Até que
ponto é fiel? Em 1008, foi encontrado um manuscrito básico para a edição da
melhor bíblia hebraica que se tem hoje. Está no museu de Leningrado.
Mas, questiona-se: por quanto tempo o livro foi sendo recopiado,
e foi adquirindo erros de escrita? Muitas vezes, vários manuscritos (cópias) de
um mesmo livro trazem palavras diferentes. E por que tanta fé neste manuscrito?
O
manuscrito mais antigo (até pouco tempo) do AT era composto de fragmentos de um
papiro do I ou II século a.C. Os beduínos acharam às margens do Mar Morto
vários manuscritos datando do II século a.C. e há alguns, como o livro de
Isaías, cujo texto é quase completamente igual ao que temos. A Bíblia original
(copiada) data do século II d.C. Os rabinos tinham muito cuidado em transmitir
a doutrina, e procuravam unificar os textos. Os textos velhos eram colocados em
lugares onde ninguém podia mais usá-los, chamados gezidas.
Numa destas gezidas foi encontrado um documento do
ano 800, aproximadamente, do qual aquele de 1008 é cópia. A diferença entre
ambos é pouquíssima. Ora, se a nossa Bíblia é a tradução daquele manuscrito,
considerado autentico, aquela Bíblia é a melhor.
b)
'sitz in leben'- Há livros
que antes de serem escritos, foram passados oralmente por várias gerações. Cada
manuscrito que serviu para a composição de um texto tem uma história diferente.
Por isso eles dividem as perícopas e estudam as
tradições e fontes delas. E como o manuscrito chegou a esta fonte? Deste estudo
se deduz a 'sitz in leben'
(situação na vida) deste manuscrito no gênero literário. A 'sitz
in leben' que este gênero literário tem na
comunidade; a 'sitz in leben'
desta comunidade na história.
c)
história da redação - Por que há certas palavras a mais ou a menos nos
Evangelhos? Isto varia com a 'sitz in leben' do manuscrito. Quem determina isto é a critica literária. Tudo isto dentro do estudo da história
das formas.
2. PRINCIPAIS GENEROS LITERÁRIOS DA BÍBLIA
Dividem-se
assim os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia:
a)
Narrativo: histórico e didático
b)
Legislativo
c)
Sapiencial
d)
Profético
e)
Cânticos
a) narrativo-didático: mito, saga, legenda, conto, fábula, alegoria,
parábola
l. mito - conto que se passa com deuses, ou cujos personagens são os
deuses. Têm tonalidade solene e são originários de círculos politeístas. A
mitologia babilônica, por exemplo, muito influenciou no povo de Israel, que
sempre foi monoteista. Isto se vê nos salmos 103,
6-9; 17, 8-16; 88, ll e nos
proféticos: Job 26, l2. Nos livros históricos, a
influência é mais velada. Mas a árvore da vida do Gênesis já existe num poema
de Gilgames (de origem Babilônica): um herói
perguntou a um seu antepassado que era deus, onde ficava a árvore da vida. Ele
a encontrou no fundo do mar, e levou um ramo para plantar. Tendo sede, foi
beber num poço e uma serpente levou o seu ramo. A história do dilúvio tem uma
similar na cultura babilônica. É o caso de uma deusa que era amada ao mesmo
tempo por um deus e por um homem. Então para matar o homem, o deus mandou o
dilúvio.
O
importante a se notar nisso tudo é que, ao ser transcrita para o livro sagrado,
o autor purifica a lenda, tirando as características politeístas e servindo-se
da cultura popular para levar uma mensagem. A árvore da vida, na bíblia,
significa que o homem foi criado para não morrer. Na sabedoria babilônica,
explicam que o mundo nasceu de uma briga dos deuses. O deus vencido foi partido
ao meio. De uma metade fez o deus vencedor o céu; de outra fez a terra. Depois
pediu a um deus artista que fizesse o homem com o sangue apodrecido do deus
vencido. Por isso, o homem e o mundo são maus do principio. O autor sagrado
aproveita-se destes elementos, mas purificando-os e adaptando-os. A tradicional
briga dos anjos com Lucifer existe num mito fenício
sob a forma de uma briga de deuses. A linguagem mítica da bíblia, o
antropomorfismo de Deus... tudo isto tem origem desta
inspiração na literatura exterior a Israel.
2.
saga - contos que se ligam a lugares, pessoas,
costumes, modos de vida dos quais se quer explicar a origem, o valor, o caráter
sagrado de qualquer fenômeno que chama a atenção. A saga se chama etiológica
quando procura a causa de um fenômeno. Por exemplo, para explicar a existencia de uma vegetação pobre e espinhosa na região sul
ocidental do Mar Morto, surgiu a lenda de Sodoma e Gomorra, a chuva de enxofre... A origem de várias estátuas
de pedra, formadas pela erosão é explicada pela história da mulher de Ló, que foi transformada em estátua. A narrativa de Caim e
Abel é outra, para explicar a origem de uma tribo cujos integrantes tinham um
sinal na testa. Explicavam que Deus colocara um sinal em Caim para que ninguém
o matasse, e daí este sinal ficou para a descendência. O próprio nome de Caim é
inventado, porque a tribo tinha o nome de cainitas e
eles deduziram que seu fundador devia chamar-se Caim.
A
saga se chama etimológica quando é para explicar um nome. Existe na Palestina
uma Ramat Leqi (montanha da
queixada). Para explicar a origem deste nome eles inventaram a estória de
Sansão, um homem muito forte, que lutara contra muitos inimigos usando uma
queixada, e os vencera. Depois ele jogou a queixada naquele monte, que ficou c
conhecido como monte da queixada. 0 caso das filhas de
Ló (Gen, 19) é uma história
difamatória contra os amonitas e moabitas,
tradicionais inimigos de Israel. (Amon e Moab
significam 'do pai'). Outras sagas da Bíblia: a de Noé embriagado; a briga de Labão com Jacó (Gen 31). A saga
se chama heróica quando tem por finalidade engrandecer a vida dos heróis do
passado. O valor da saga está na riqueza popular (folclórica) que ela traz. Nem
sempre há lição
3.
legenda - distingue-se da saga porque se refere a pessoas
ou objetos sagrados e querem demonstrar a santidade destes por meio de um fato
maravilhoso. Legendas na Bíblia há em Num 16,1 - 17,15: histórias a respeito de
Moisés; Dan l, 2, 3, 4: sonhos de Daniel; Os milagres de Elias contra os
sacerdotes de Baal; Gen
28,10: Jacó sonha com os anjos (pedra de Betel). É
comum nas legendas referir-se à lei ou objeto de culto. A imolação de Isaac,
que não deu certo, é para reprimir um costume dos cananeus
de imolar crianças, costume proibido pela lei de Moisés. A serpente de bronze (Num 21) se refere a uma serpente de bronze mandada fazer
pelo rei Manassés, que foi destruída por Javé. A
circuncisão (Gen 17) é explicada assim: Deus apareceu
a Abraão para fazer aliança com ele e o pacto era a circuncisão de todos os meninos
no oitavo dia. Jos 5, 9 e Ex 12 e 13 falam da origem
da Páscoa.
4.
parábolas, fábulas, alegorias - parábola é uma
história comparativa, de sentido global (ex: II Sam 12, 1-4); fábula é a
narrativa que faz os seres inanimados ou os animais falarem (ex: Juízes, 9,7);
alegoria é uma história comparativa em que cada elemento tem um significado
particular (ex: Is 5, 1-7). Há ainda o apólogo, quando se trata da animação de
objetos.
b) narrativo-histórico
Difere
do didático porque pretende contar um fato acontecido realmente. Há três tipos:
1.
popular, onde ninguém sabe o fim da lenda e o começo
da história. É uma história primitiva, baseada em histórias que corriam na boca
do povo, um misto de elementos verídicos e legendários acrescentados. Os livros
Josué e Juízes (
2.
epopéia (nacional-religiosa) são histórias retiradas
da catequese do povo. Se bem que tenham elementos acrescentados, todavia a
mensagem pode ser considerada autêntica. O exemplo mais típico deste gênero é a
narração epopéica da passagem do mar vermelho (Ex. 14 ). A fuga de Israel do Egito está ligada a um fato
acontecido no tempo de Ramsés II. Ele foi um faraó que empreendeu grandes
conquistas, principalmente à procura de escravos para trabalhar. Entre os povos
submetidos havia um grupo de judeus. Mais tarde, fraquejou a vigilância, e
muitos fugiram, inclusive muitos judeus. Então eles
empreenderam a fuga pelo deserto e se aproveitaram de uma região onde havia um
braço de mar que secava durante a maré baixa para sair do território egípcio.
Esta
narrativa na Bíblia é contada com todos aqueles retoques conhecidos. Mas se
analisarmos bem, veremos que na própria Bíblia, há duas citações do mesmo fato,
e cada uma conta diferente. São as duas tradições: a javista,
mais antiga e mais verdadeira, afirma que o vento soprou durante toda a noite e
fez o mar recuar; a sacerdotal, mais recente, modificou a narração para a
divisão das águas em duas muralhas por onde todos passaram em seco. Há uma certa contradição nestas duas. Mas o que se deve
concluir daí é que os soldados os perseguiram na fuga e eles passaram na maré
baixa. Quando os soldados chegaram, a maré já subira e não dava passagem.
Enquanto isso, eles se adiantaram ainda mais. Ao transcrever isto na Bíblia, o autor
sagrado quer mostrar o fato da presença de Deus em ajuda de seu povo, através
dos elementos da natureza.
3.
historiográfico - é o trabalho dos escribas
encarregados de escrever as crônicas dos anais dos reis. A partir destas
crônicas vários livros foram escritos. 0 I Reis, cap.
11, vers.41 cita os anais de Salomão; em 14, 19 afirma que o restante está nos
livros das crônicas dos Reis de Israel. São documentos de maior credibilidade,
porque são mais históricos. Somente a partir do livro dos Reis, é que são
usados documentos escritos na época. Antes era apenas história popular.
c) Legislativo
É
representado na Bíblia principalmente no Pentateuco. Tem muito em comum com os
outros povos vizinhos e herdou muito deles. Há passagens na Bíblia que são
repetições do código de Hamurábi. Os povos orientais
são muito ricos neste tipo de literatura. Quanto aos tipos de leis, há três: 1. leis causídicas:
pormenorizadas conforme as situações; 2. leis apodíticas: universais; 3. leis
rituais.
d) Sapiencial
Originou-se
também dos povos vizinhos, principalmente a partir do Exilio.
São de origem profana e não religiosa, pois as suas fontes também não eram
religiosas. 0 povo oriental é pensador por natureza e
a sabedoria é uma virtude muito difundida e apreciada. A sabedoria bíblica não
difere muito da sabedoria oriental em geral.
e) Profético
Também
tem origem fora de Israel. Os povos da época tinham seus profetas. Eles moravam
nos palácios dos reis e eram os que dialogavam com os deuses. É preciso notar
que naquela época profeta não era sinônimo de adivinho, como às vezes se
identifica. Eles·manifestavam ao povo a vontade de Deus com sermões, com
sinais, exortações e oráculos.
f) Salmos
Também
tem influência externa (fora de Israel). Não são todos de Davi. Apareceram conforme
as necessidades. Foram compostos sem sequência ou
cronologia. São cantos de louvor, de súplica.
PRINCIPAIS ETAPAS DA HISTÓRIA DE ISRAEL
O
primeiro marco importante na história politica·de
Israel foi o exílio. Sua finalidade politica era para
evitar a rebelião. Em geral, quando era conquistado um povo muito numeroso, os
conquistadores achavam perigoso deixá-los em suas terras de origem, porque isso
lhes facilitava um trabalho oculto de rebelião para expulsar os invasores.
Então, longe de suas terras e sem uma liderança, eles não podiam se movimentar.
Os judeus foram assim exilados para a Babilônia. 0
exílio teve início no ano 587 e foi concluído com o edito de Ciro que, em 538
conquistou a Babilónia e libertou os judeus.
Dizem
os historiadores que a rivalidade entre judeus e samaritanos começou na volta
do exílio. O povo no exilio ficou muito tempo em
contado com vários povos estrangeiros e adquiriu com isto um sincretismo
religioso que levaram para a Pátria. Ao retornarem à patria,
logo eles empreenderam a reconstrução de Jerusalém (casas, templo...), mas não
se livraram completamente das influências politeístas, causando assim várias
brigas internas.
O
Sinédrio era a cúpula religiosa da nação, composta de
70 membros sob a presidencia do Sumo Sacerdote, que
tinha autoridade suprema. Os fariseus e saduceus eram
partidos politicos, mas com inspiração religiosa. Os
primeiros eram da oposição e os outros, da situação. No ano
CRONOLOGIA BÍBLICA
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séc.XIX (
*
séc.XIII - libertação do Egito; êxodo (
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séc X - (
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séc VIII (
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séc VII (
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séc III (300) - tradução dos 70.