BÍBLIA ON LINE (EM PORTUGUÊS)
|
ARTIGOS
SOBRE A BÍBLIA SAGRADA |
|
1. O QUE É À BÍBLIA? |
Ao contrário do que parece à primeira vista, a Bíblia não
é um livro único e independente, mas uma coleção de 73 livros, uma mini-biblioteca
que destaca o a aliança e plano de salvação de Deus para com a humanidade. É
interessante observar que alguns livros possuem poucas ou até mesmo uma única
página escrita, mas mesmo assim são considerados como livros.
A própria palavra Bíblia provém do grego biblos e significa livros, o que bem
demonstra não ser a Bíblia um livro único. Assim, quando usamos hoje a palavra
"Bíblia" nos referimos a esse conjunto de 73 livros.
Às vezes, também a chamamos de Sagradas Escrituras ou tão somente Escrituras e
tratam de diversos assuntos: orações, rituais, história, sabedoria, exortações
e até mesmo poesia... tudo em grande harmonia - já que inspirada por Deus -
relacionando o homem com o único e verdadeiro Deus, e vice-versa.
A Bíblia é muito antiga: sua redação começou por volta do séc. XV a.C. e
somente se encerrou no final do séc. I d.C.. Esse é, aliás, o motivo pelo qual
muitas passagens são difíceis de serem compreendidas, obrigando-nos, às vezes,
a recorrer a cursos bíblicos ou outros livros de apoio.
|
2. INTRODUÇÃO A BÍBLIA |
1. - A BÍBLIA É ÚNICA
A Bíblia Sagrada, por tudo o que encerra, pela maneira como foi escrita, e da
forma como tem sido preservada por tantos séculos, só pode ser definida numa
palavra: "única"
O dicionário define "único", como: 1. Que é um só; 2. De cuja espécie
não existe outro; 3. exclusivo; excepcional;
M. Monteiro Williams, antigo professor de sânscrito, que passou 42 anos
estudando livros orientais e comparando-os com a Bíblia, afirmou: "Se você
quiser, empilhe-os no lado esquerdo de sua escrivaninha; mas coloque a sua
Bíblia do lado direito - apenas ela, só ela - e que haja uma boa distancia
entre a pilha de Livros e a Bíblia. Pois existe uma grande distancia entre ela
e os chamados livros sagrados do Oriente, de modo que estes se opõem àquela,
total, completa e definitivamente; um abismo real que nenhuma ciência do
pensamento religioso conseguirá transpor" (J.Mc Dowell, "Evidencia
que Exige um Veredicto", pg.19,20).
2. ÚNICA NA SUA COERÊNCIA:
É livro "diferente de todos os demais" nos seguintes aspectos (além
de muitos outros):
1.
Escrito
durante um período de aproximadamente 1600 anos;
2.
Escrito
durante mais de 40 gerações;
3.
Escrito
por cerca de 40 autores, das mais diferentes atividades, tais como: reis,
camponeses, filósofos, pescadores, poetas, estadistas, estudiosos, etc.:
Moisés, um líder político, que estudou nas universidades do Egito; Pedro, um
pescador; Amós, um boiadeiro; Josué, um general; Neemias um copeiro; Daniel, um
diplomata; Lucas, um médico; Salomão e Davi (reis e poetas); Mateus (cobrador
de impostos); Paulo (rabino); Esdras (escriba e sacerdote).
4.
Escrito
em diferentes lugares: no deserto; numa masmorra; nos palácios de Susã, na
Pérsia; nas prisões; em viagens; numa ilha, exilado;
5.
Escrito
em diferentes condições e circunstâncias: em tempos de paz e em tempos de
guerra; em tempos de alegria, e em tempos de profunda tristeza; em tempos de
liberdade, e sob o cativeiro;
6.
Escrito
em três continentes: Ásia, África e Europa;
7.
Escrito
em três idiomas:
Hebraico (a língua do Antigo Testamento) Em 2Reis 18:26-28 essa língua é
chamada de "judaica"; Em Is. 19:18 é chamada de "língua de
Canaã");
Aramaico (a língua "franca" do Oriente Próximo até à época de
Alexandre, o grande (século VI ao século IV a.C., tendo permanecido em uso,
paralelamente ao grego, por judeus e palestinos até à época de Cristo);
Grego, a língua do Novo Testamento. Era o idioma de uso internacional à época
de Cristo.
8.
A
Bíblia trata de centenas de temas controversos (aqueles que podem gerar
opiniões divergentes, quando mencionado ou discutido). Os autores bíblicos
falaram de centenas de temas controversos, com harmonia e coerência, desde
Gênesis a Apocalipse, revelando uma única história: - "A redenção do homem
por parte de Deus". Assim, o "Paraíso Perdido" de Gênesis, se
torna o "Paraíso Recuperado" do Livro de Apocalipse. Enquanto que o
acesso à árvore da vida está fechado em Gênesis, encontra-se aberto para todo o
sempre em Apocalipse. A grande diversidade dos escritos da Bíblia tratam de:
lei (civil, criminal, ética, ritual, sanitária), história, poesia religiosa e
lírica, textos didáticos, parábolas e alegorias, biografia correspondência
pessoal, reminiscências pessoais, diários, alem de estilos caracteristicamente
bíblicos de literaturas proféticas e apocalípticas". Por tudo isso a
Bíblia não é uma simples antologia. Existe uma unidade que dá coesão ao todo.
Uma antologia é compilada por um antologista, mas nenhum antologista compilou a
Bíblia.
3. ÚNICA
A Bíblia
O primeiro grande livro a ser impresso foi a "Vulgata" (versão da
Bíblia em latim), impressa por Gutemberg.
4. ÚNICA
A Bíblia
5. ÚNICA
a. Através
Ser escrita em material perecível, tendo que ser copiada e recopiada durante
centenas de anos, antes da invenção da imprensa, não prejudicou seu estilo,
exatidão ou existência. Comparada com outros escritos antigos, a Bíblia possui
mais provas em termos de manuscritos do que, juntos, possuem os dez textos de
literatura clássica com maior número de manuscritos. Os judeus a preservaram
como nenhum outro manuscrito foi jamais preservado. Com a
"massora"(parva, magna e finalis) eles verificavam atentamente cada
letra, sílaba, palavra e parágrafo. Dentro de sua cultura, eles dispunham de
grupos de homens com funções específicas, cuja única responsabilidade era
preservar e transmitir esses documentos com uma fidelidade praticamente
perfeita, eram "escribas, copistas e massoretas". Quem alguma vez contou
as letras, sílabas e palavras dos textos de Aristóteles ou Platão? de Cícero ou
de Sêneca?
b. Em meio a perseguições.
Como nenhum outro livro, a Bíblia tem suportado os ataques malévolos de seus
inimigos. Muitos tem procurado queimá-la, proibi-la e torná-la ilegal, desde os
dias dos imperadores romanos até os dias de hoje, nos países dominados pelo
comunismo, islamismo, ou pagãos radicais. Voltaire, o renomado francês,
incrédulo, que morreu em 1778, afirmou que, cem anos depois dele o cristianismo
estaria varrido da face da terra e teria passado à história. Mas aconteceu que,
Voltaire passou à história, ao passo que a circulação da Bíblia continua a
aumentar em quase todas as partes do mundo, levando bênçãos aonde quer que vá.
Em
c. Em meio às críticas
Durante dezoito séculos os incrédulos tem refutado e atacado esse livro, e, no
entanto, ele está hoje firme como uma rocha. Aumenta sua circulação, é mais
amado, apreciado e lido do que em qualquer outra época. Por mais de mil vezes badalaram
os "sinos" anunciando a morte da Bíblia, formou-se o cortejo fúnebre,
talhou-se a inscrição na lápide e fez-se a leitura da elegia fúnebre. Mas por
alguma maneira o cadáver nunca permaneceu sepultado. Nenhum outro livro tem
sido tão atacado, retalhado, vasculhado, examinado e difamado. Que livro de
filosofia, religião, psicologia ou literatura do período clássico ou moderno,
sofreu um ataque tão maciço como a Bíblia? Apesar de todos os ataques, a Bíblia
é amada por milhões, lida e estudada por milhões. Críticas, como por exemplo da
"hipótese documental", que argumenta que o Pentateuco não poderia ter
sido por Moisés, pois, segundo esses críticos, à época de Moisés não havia
escrita, ruem por terra, pois a arqueologia descobriram o "obelisco
negro". Tinha caracteres uniformes e continha as leis de Hamurabi. Era um
texto pós-Mosaico? Não! era pré-Mosaico. E não apenas isso, mas era pelo menos
três séculos anteriores a Moisés, o qual supunham que era um homem primitivo e
não dispunha de alfabeto. Também falharam os defensores da "hipótese
documental" quando asseveravam que não existiam heteus à época de Abraão,
pois não existiam outros registros sobre esse povo. Deviam ser um mito. Estavam
errados mais uma vez. Fruto da pesquisa arqueológica, hoje existem centenas de
referencias se sobrepondo umas às outras e cobrindo mais de 1200 anos da
civilização dos heteus.
6. Única nos Ensinos.
a.
Profecia.
Wilbor Smith, que formou uma biblioteca pessoal de 25.000 volumes, chegou à
conclusão de que "não importa o que alguém pense sobre a autoridade do
livro que chamamos de Bíblia e sobre a mensagem que ele apresenta; o fato é que
existe uma aceitação generalizada de que, por inúmeras razões, esse é o livro
mais notável que já foi produzido nestes aproximadamente cinco mil anos em que
a raça humana domina a escrita". "É o único volume já produzido pelo
homem, ou por um grupo de homens, em que se encontra um grande corpo de
profecias a respeito de nações,
b.
História.
Nos livros bíblicos de 1ª Samuel até 2ª Crônicas encontra-se a história de
Israel, cobrindo cerca de cinco séculos. Certamente o povo de Israel manifesta
uma capacidade excepcional para a interpretação da história, e o Antigo
Testamento representa a descrição da história mais antiga que existe. "A
tradição nacional hebraica supera todas as outras na maneira clara como
descreve a origem tribal e familiar. No Egito e na Babilônia, na Assíria e na
Fenícia, na Grécia e em Roma, procuramos em vão por qualquer coisa parecida.
Nada há de semelhante na tradição dos povos germânicos.
A Índia e a China também não tem algo parecido para apresentar, visto que suas
lembranças históricas mais antigas são registros literários de tradições
dinásticas distorcidas, sem que haja menção a criadores de animais ou
lavradores que tivessem antecedido o semideus ou rei, com quem esses registros
iniciam. Nem nos mais antigos escritos históricos indianos (os Puranas) nem nos
primeiros historiadores gregos existe qualquer alusão ao fato de que tanto os
indo-arianos como os helenos outrora haviam sido nômades que, vindos do norte,
imigraram para as regiões onde se instalaram. A bem da verdade, os assírios se
lembravam vagamente de seus primeiros lideres, cujos nomes recordavam sem
quaisquer detalhes sobre seus feitos, e que haviam habitado em tendas; mas já
fazia muito tempo que os assírios tinham se esquecido de onde vieram.
A "Tabela das Nações", de Gênesis Cap.10, é um relato histórico
surpreendentemente exato. "É algo absolutamente único na literatura
antiga, sem qualquer paralelo mesmo entre os gregos... 'A Tabela das Nações'
permanece sendo um documento surpreendentemente exato... Revela, apesar de toda
a complexidade, uma compreensão tão notavelmente moderna da situação étnica e
lingüística do mundo moderno, que os estudiosos jamais deixam de ficar
impressionados com o conhecimento do autor sobre o assunto.
c.
As
pessoas descritas. "A Bíblia não é o tipo de livro que um homem escreveria
caso pudesse, nem poderia escrever, caso quisesse". Ela trata com muita
franqueza a respeito dos pecados de suas personagens. Leia as biografias
escritas hoje em dia e repare como elas tentam esconder, deixar de lado ou ignorar
o lado pouco recomendável das pessoas. Veja os maiores gênios da literatura: em
sua maioria são descritos como santos. A Bíblia não procede dessa maneira. Ela
simplesmente conta a verdade.
d.
Denunciando
os pecados do povo (Deut. 9:24); e os pecados dos patriarcas (Gen.12:11-13;
49:5-7); os evangelistas descrevem suas próprias faltas e as dos apóstolos
(Mat.8:10-26; 26:31-56; Mc.6:52; 8:18; Luc. 8:24, 25; 9:40-45; João 10:6;
16:32) e a desordem nas igrejas (1Cor.1:11; 15:12; 2Cor. 2:4, etc.). Muitos indagarão:
"Por que tinham que colocar aquele capítulo sobre Davi e Bate-Seba"?
Bem, a Bíblia tem o costume de contar a verdade.
7. Única na influência sobre a literatura
"Se todas as Bíblias de uma cidade grande fossem destruídas, seria
possível restaurar o Livro em suas partes essenciais, a partir das citações
dele feitas existentes nos livros da biblioteca pública municipal. Existem
livros cobrindo quase todos os grandes autores literários, escritos
especificamente para mostrar o quanto a Bíblia os influenciou".
O historiador Philip Schaff descreve de maneira brilhante a singularidade da
Bíblia ao apresentar a singularidade do Salvador: "Esse Jesus de Nazaré,
sem dinheiro nem armas, conquistou milhões de pessoas em número muito maior do
que Alexandre, César, Maomé e Napoleão; sem o conhecimento e a pesquisa
científica ele despejou mais luz sobre assuntos materiais e espirituais do que
todos os filósofos e cientistas reunidos; sem a eloqüência aprendida nos bancos
escolares, ele pronunciou palavras de vida como nunca antes, nem depois foram
ditas e provocou resultados que o orador e o poeta não conseguem alcançar; sem
ter escrito uma linha, ele pôs em ação mais canetas, e forneceu temas para mais
sermões, discursos, livros profundos, obras de arte e música de louvor do que
todo o contingente de grandes homens da antigüidade e da atualidade".
"Existem questões complexas no estudo da Bíblia, que não tem paralelo com
qualquer outra ciência ou ramo do conhecimento humano. A partir dos "pais
apostólicos", em
"É prova da importância dEle, do efeito que Ele tem causado na história e,
presumivelmente, do mistério desconcertante, provocado por Ele, que nenhuma
outra pessoa que viveu neste planeta tenha sido a razão de um volume tão grande
de literatura entre tão grande número de povos e línguas e que, longe de
terminar, o nível da inundação continua subindo".
A Conclusão é óbvia. "A Bíblia é única. A ela, nada é comparável. A Bíblia
é o primeiro livro religioso a ser levado para o espaço sideral (ela foi em
forma de microfilme). É o primeiro livro lido que descreve a origem da terra
(os astronautas leram Gênesis 1:1 - "No princípio criou Deus os céus e a
terra").
É também um dos livros mais caros (senão o mais caro) A Bíblia Vulgata Latina
de Gutenberg custa 100.000 dólares. Os russos venderam o Códice Sinaítico (uma
antiga cópia da Bíblia) à Inglaterra por 510.000 dólares (em 1933). E,
finalmente, o mais longo telegrama do mundo foi o Novo Testamento na Edição
Revista, enviado de New York a Chicago, duas cidades norte-americanas.
|
3. QUEM ESCREVEU A BÍBLIA? |
Já dissemos em nosso artigo "O que é a Bíblia?",
que ela foi totalmente inspirada por Deus. Para definirmos inspiração, preferimos
seguir o conceito descrito por São Tomás de Aquino:
"É a ação de Deus, movendo e dirigindo o autor na produção do livro,
preservando-o de erros, de forma que é Deus o autor e o homem mero instrumento
usado para escrever" (2Quodlibetales, VII,14,5)
Vemos, assim, que os livros da Bíblia foram escritos por homens movidos pela
ação direta de Deus, de forma a prevenir erros, fazendo que aceitemos Deus como
autor principal e o homem como autor secundário. O homem é instrumento de Deus
e é movido e dirigido por Ele.
Porém, não devemos confundir inspiração com revelação: a revelação ocorre
quando Deus mostra ou descobre ao homem verdades de fé; a inspiração, como
vimos, é o ato de Deus mover o homem a escrever verdades de fé, assistindo e
preservando seus escritos do erro.
O fato de Deus de ter inspirado homens, não significa, contudo, que tenha
anulado a inteligência e a liberdade do ser humano. Sobre isso, ensina-nos o
Magistério da Igreja:
"Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu
fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades a fim de que, agindo Ele
próprio neles e por eles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só
aquilo que Ele próprio quisesse" (Dei Verbum, 11).
Mas por que Deus inspiraria seres humanos para elaborar a Bíblia??
Ora, Deus é nosso Criador e nos criou por amor! Inspirando alguns santos homens
a escrever tais livros, deu à religião uma base divina, absolutamente correta,
já que, por serem inspirados, os livros da Bíblia são a própria Palavra de
Deus, em toda a sua essência e força.
Já que foram escritos por homens, de forma que podemos entender seu conteúdo,
foram usadas linguagens humanas. Quase todas as Bíblias modernas trazem logo na
primeira folha as três linguagens que foram usadas para compô-la: o hebraico, o
aramaico e o grego. O hebraico foi usado para a redação de quase todo o Antigo
Testamento; o aramaico (língua falada na Palestina na época de Jesus) foi usado
para alguns pequenos trechos do Antigo Testamento e, segundo alguns estudiosos,
para o original do Evangelho de Mateus; o grego comum (koiné), por fim, foi
utilizado para escrever alguns poucos livros do Antigo Testamento e para todo o
Novo Testamento.
|
4. COMO SÃO FEITAS AS CITAÇÕES BÍBLICAS? |
É comum abreviarmos os nomes dos livros da Bíblia para
facilitar a citação de certas passagens. Em geral, os católicos adotam o
seguinte elenco de abreviaturas:
|
ANTIGO
TESTAMENTO |
Pentateuco |
Gn |
Livro
da Gênese |
|
|
|
Ex |
Livro
do Êxodo |
|
|
|
Lv |
Livro
do Levítico |
|
|
|
Nm |
Livro
dos Números |
|
|
|
Dt |
Livro
do Deuteronômio |
|
|
Históricos |
Js |
Livro
de Josué |
|
|
|
Jz |
Livro
dos Juízes |
|
|
|
Rt |
Livro
de Rute |
|
|
|
1Sm |
1º
Livro de Samuel |
|
|
|
2Sm |
2º
Livro de Samuel |
|
|
|
1Rs |
1º
Livro dos Reis |
|
|
|
2Rs |
2º
Livro dos Reis |
|
|
|
1Cr |
1º
Livro das Crônicas |
|
|
|
2Cr |
2º
Livro das Crônicas |
|
|
|
Esd |
Livro
de Esdras |
|
|
|
Ne |
Livro
de Neemias |
|
|
|
Tb |
Livro de
Tobias |
|
|
|
Jud |
Livro
de Judite |
|
|
|
Est |
Livro
de Ester |
|
|
|
1Mc |
1º
Livro dos Macabeus |
|
|
|
2Mc |
2º
Livro dos Macabeus |
|
|
Sapienciais |
Jó |
Livro
de Jó |
|
|
|
Sl |
Livro
dos Salmos |
|
|
|
Pr |
Livro dos
Provérbios |
|
|
|
Ecl |
Livro
do Eclesiastes |
|
|
|
Ct |
Cântico
dos Cânticos |
|
|
|
Sb |
Livro
da Sabedoria |
|
|
|
Eclo |
Livro
do Eclesiástico |
|
|
Proféticos |
Is |
Livro
de Isaías |
|
|
|
Jr |
Livro
de Jeremias |
|
|
|
Lm |
Livro
das Lamentações |
|
|
|
Br |
Livro
de Baruc |
|
|
|
Ez |
Livro
de Ezequiel |
|
|
|
Dn |
Livro
de Daniel |
|
|
|
Os |
Livro
de Oséias |
|
|
|
Jl |
Livro
de Joel |
|
|
|
Am |
Livro
de Amós |
|
|
|
Ab |
Livro
de Abdias |
|
|
|
Jn |
Livro
de Jonas |
|
|
|
Mq |
Livro
de Miquéias |
|
|
|
Na |
Livro
de Naum |
|
|
|
Hab |
Livro
de Habacuc |
|
|
|
Sf |
Livro
de Sofonias |
|
|
|
Ag |
Livro
de Ageu |
|
|
|
Zc |
Livro
de Zacarias |
|
|
|
Ml |
Livro
de Malaquias |
|
NOVO
TESTAMENTO |
Evangelhos |
Mt |
Evangelho
segundo Mateus |
|
|
|
Mc |
Evangelho
segundo Marcos |
|
|
|
Lc |
Evangelho
segundo Lucas |
|
|
|
Jo |
Evangelho
segundo João |
|
|
Atos |
At |
Atos
dos Apóstolos |
|
|
Epístolas |
Rm |
Epístola
aos Romanos |
|
|
|
1Cor |
1ª
Epístola aos Coríntios |
|
|
|
2Cor |
2ª
Epístola aos Coríntios |
|
|
|
Gl |
Epístola
aos Gálatas |
|
|
|
Ef |
Epístola
aos Efésios |
|
|
|
Fl |
Epístola
aos Filipenses |
|
|
|
Cl |
Epístola
aos Colossenses |
|
|
|
1Ts |
1ª
Epístola aos Tessalonicenses |
|
|
|
2Ts |
2ª
Epístola aos Tessalonicenses |
|
|
|
1Tm |
1ª
Epístola a Timóteo |
|
|
|
2Tm |
2ª
Epístola a Timóteo |
|
|
|
Tt |
Epístola
a Tito |
|
|
|
Fm |
Epístola
a Filemon |
|
|
|
Hb |
Epístola
aos Hebreus |
|
|
|
Tg |
Epístola
de Tiago |
|
|
|
1Pd |
1ª
Epístola de Pedro |
|
|
|
2Pd |
2ª
Epístola de Pedro |
|
|
|
1Jo |
1ª
Epístola de João |
|
|
|
2Jo |
2ª
Epístola de João |
|
|
|
3Jo |
3ª
Epístola de João |
|
|
|
Jd |
Epístola
de Judas |
|
|
Profético |
Ap |
Apocalipse
de João |
Assim, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta
escrever 1Ts.
A seguir, informamos o capítulo. Assim, 1Ts
2 significa Primeira Epístola aos Tessalonicenses, capítulo dois.
Para fazermos citações mais completas, usamos alguns sinais de pontuação:
·
A
vírgula separa os versículos do capítulo.
Ex.: Mt 16,18 significa Evangelho segundo Mateus, capítulo 16, versículo 18.
·
O
hifen apresenta uma sequência de capítulos ou versículos.
Ex.: At 1-2 significa Atos dos Apóstolos, capítulos 1 e 2 (integrais).
Ex 15,2-5 significa Livro do Êxodo, capítulo 15, versículos 2 à 5.
·
O
ponto apresenta capítulos e/ou versículos citados isoladamente.
Ex.: 1Cr 1.3 significa Primeiro Livro das Crônicas, capítulos 1 e 3.
Is 32,1.4.6 significa Livro do Profeta Isaías, capítulo 32, versículos 1, 4 e
6.
·
O
ponto e vírgula dispõe capítulos e versículos isolados, mas pertencentes ao
mesmo livro.
Ex.: Jo 3,23-25; 6,1-4 significa Evangelho segundo João, capítulo 3, versículos
de 23 à 25 e capítulo 6, versículos de 1 à 4.
Algumas Bíblias podem usar "s" e "ss"
a seguir do número do capítulo e/ou versículo. "s" significa seguinte
e "ss", seguintes. São usados para simplificar - ainda mais - a
citação, respectivamente, de dois ou três capítulos e/ou versículos.
Ex.: Rm 2,5s significa Epístola aos Romanos, capítulo 2, versículos 5 e 6 (isto
é, o versículo 5 e o seguinte).
Ap 6,7ss significa Livro do Apocalipse, capítulo 6, versículos de 7 à 9 (isto
é, o versículo 7 e os dois seguintes).
Tg 1s significa Epístola de Tiago, capítulos 1 e 2 (isto é, o capítulo 1 e o
seguinte).
Com todas essas abreviações e sinais podemos montar e citar, de forma bem
resumida, qualquer passagem Bíblica. Ex.: Lv 1,12-15.20; 3,2s; Mc 1,3ss.10;
2Cor 3-5 significa, respectivamente:
- Livro do Levítico, capítulo 1, versículos de 12 à 15 e o versículo 20; no
mesmo Livro do Levítico, capítulo 3, versículos 2 e 3.
- Evangelho segundo Marcos, capítulo 1, versículos de 3 à 5 e o versículo 10.
- Segunda Epístola aos Coríntios, capítulos de 3 à 5.
|
5. COMO ESTÁ DIVIDIDA A BÍBLIA? QUAIS LIVROS A COMPÕEM? |
A Bíblia está dividida em duas grandes partes:
1.
Antigo Testamento: Que são todos os livros escritos a partir do séc. XV a.C. até o
nascimento de Cristo. Contém a Lei de Deus dada a Moisés, a história do povo de
Israel e suas reflexões, bem como a previsão da vinda do Messias, que se deu
com a vinda de Jesus Cristo.
2.
Novo Testamento: Que são todos os livros escritos após a vinda de Jesus até o final do
séc. I d.C.. Traz a vida e as obras de Jesus, a criação e a expansão da Igreja,
além de documentos de formação do povo cristão.
Essas duas grandes divisões estão, ainda, subdivididas de
acordo com o conteúdo dos livros. Temos assim, para o Antigo Testamento:
1.
Livros da Lei: também chamados de Pentateuco, isto é, os "cinco livros" de
Moisés, que abrem a Bíblia, e falam da Criação de Deus e da formação de seu
Povo Eleito: Israel.
2.
Livros Históricos: são os livros que descrevem as guerras de Israel, bem como a história
de seus reinos.
3.
Livros Didáticos: ou sapienciais, apresentam a sabedoria e poesia dos hebreus.
4.
Livros Proféticos: foram escritos por profetas que pregavam o arrependimento e
preparavam o povo eleito para a chegada do Messias Salvador.
enquanto que, para o Novo Testamento, temos:
1.
Livros do Evangelho: narram a vida, os ensinamentos, os milagres e a obras do
Messias Jesus Cristo.
2.
Livro Histórico: apresenta a instituição e expansão da Igreja Cristã, primeiro na
Palestina e, a seguir, no mundo até então conhecido.
3.
Epístolas:
são as doutrinas e exortações escritas por alguns Apóstolos de Cristo e encaminhadas
a comunidades ou fiéis cristãos.
4.
Livro Profético: traz a vitória de Cristo e sua Igreja sobre as forças do mal e o
juízo final.
Os livros que compõem a Bíblia são 73, sendo 46 do Antigo
Testamento e 27 do Novo Testamento. São eles:
1.
Gênese
2.
Êxodo
3.
Levítico
4.
Números
5.
Deuteronômio
6.
Josué
7.
Juízes
8.
Rute
9.
Samuel
- Livro I
10. Samuel - Livro II
11. Reis - Livro I
12. Reis - Livro II
13. Crônicas - Livro I
14. Crônicas - Livro II
15. Esdras
16. Neemias
17. Tobias
18. Judite
19. Ester
20. Macabeus - Livro I
21. Macabeus - Livro II
22. Jó
23. Salmos
24. Provérbios
25. Eclesiastes
26. Cântico dos Cânticos
27. Sabedoria
28. Eclesiástico
29. Isaías
30. Jeremias
31. Lamentações de Jeremias
32. Baruc
33. Ezequiel
34. Daniel
35. Oséias
36. Joel
37. Amós
38. Abdias
39. Jonas
40. Miquéias
41. Naum
42. Habacuc
43. Sofonias
44. Ageu
45. Zacarias
46. Malaquias
47. Evangelho de Mateus
48. Evangelho de Marcos
49. Evangelho de Lucas
50. Evangelho de João
51. Atos dos Apóstolos
52. Epístola aos Romanos
53. 1ª Epístola aos Coríntios
54. 2ª Epístola aos Coríntios
55. Epístola aos Gálatas
56. Epístola aos Efésios
57. Epístola aos Filipenses
58. Epístola aos Colossenses
59. 1ª Epístola aos Tessalonicenses
60. 2ª Epístola aos Tessalonicenses
61. 1ª Epístola a Timóteo
62. 2ª Epístola a Timóteo
63. Epístola a Tito
64. Epístola a Filemôn
65. Epístola aos Hebreus
66. Epístola de Tiago
67. 1ª Epístola de Pedro
68. 2ª Epístola de Pedro
69. 1ª Epístola de João
70. 2ª Epístola de João
71. 3ª Epístola de João
72. Epístola de Judas
73. Apocalipse de João
|
6. COMO LER COM PROVEITO A BÍBLIA? |
·
Dedique
um tempo diário para estudar e meditar a Bíblia: pode ser pela manhã, logo após
acordar; ou, depois do almoço ou da janta; ou antes de dormir; ou, ainda,
qualquer outro horário que se adapte ao seu tempo livre. A quantidade de tempo
também pode ser livremente estabelecida: 10, 30, 60 minutos ou mais. Quanto
mais tempo você tiver, melhor! Porém, divida o tempo total para as duas
atividades que devem ser feitas: leitura
e estudo. O ideal é dividir na ordem de 1/3 e 2/3, respectivamente.
Assim, se você resolver dedicar 15 minutos diários, use 5 minutos para leitura
e 10 minutos para o estudo.
·
Após
estabelecer o horário que melhor o satisfaça, cumpra-o rigorosamente, não
esquecendo nem adiando nenhum dia, mesmo que se sinta cansado. Lembre-se:
devemos amar a Deus sobre todas as coisas!
·
Se
você não tiver uma Bíblia, adquira uma. Compre, entretanto, em livrarias
católicas pois as versões comercializadas por livrarias evangélicas são
incompletas quanto ao Antigo Testamento (faltam 7 livros e alguns trechos de
Ester e Daniel). Existem Bíblias com uma linguagem mais simples (ex.:
"Bíblia Ave Maria") e outras mais técnicas (ex: "Bíblia de
Jerusalém"); leve aquela que esteja dentro da sua linguagem e das suas
condições. Além disso, compre um caderno e também um comentário bíblico. As
editoras católicas disponibilizam diversos comentários, dos mais simples aos
mais completos. Folheie-os com calma e encontre um que atenda seus requisitos
de linguagem e complexidade.
·
Adquirido
o material e chegada a hora do estudo, com a Bíblia nas mãos, inicie com uma
oração ao Espírito Santo, pedindo para que o ilumine. Pode ser a seguinte ou
uma outra semelhante e espontânea:
"Espírito Santo: Tu inspiraste
estas palavras. Ilumina a minha mente para que eu possa compreendê-las. Vem,
Espírito Santo, ilumina o meu coração e o meu entendimento. Ajuda-me a
reconhecer a Verdade eterna que preciso para agradar a Deus. Amém."
·
Selecione
a leitura. Há várias formas de se fazer isto... Você pode seguir a sugestão da
Igreja e ler as leituras selecionadas para o tempo litúrgico em que estiver
(algumas Bíblias trazem essa seleção de textos em apêndice no final do volume;
caso sua Bíblia não possua essa indicação, imprima as páginas das Leituras
Dominicas e Semanais que disponibilizamos neste Site) ou ler a Bíblia na forma
sequencial, a partir do primeiro livro (neste caso, particularmente sugiro que
se inicie pelo Novo Testamento - por ser mais dinâmico - para só depois se
passar para o Antigo Testamento).
·
Leia
com atenção - sem pressa e meditativamente - cada versículo. Não se incomode de
precisar voltar a ler alguma passagem não muito clara. Releia todo o texto mais
uma ou duas vezes, pois sempre acabamos percebendo algo que deixamos escapar na
leitura anterior...
·
Identifique-se
com os personagens
·
Termine
a leitura também com uma oração ao Espírito Santo, como, por exemplo: "Fala, Senhor: teu servo está te
ouvindo. Aqui estou, Senhor!", ou "Senhor: aqui estamos, Tu e eu, juntos agora. Fala-me, pois eu te
escuto!". Faça, então, um breve silêncio.
·
Inicie
o estudo lendo com calma e atenção o comentário sobre o texto lido. Leia também
todas as notas de rodapé existentes na sua Bíblia: elas são importantes
principalmente para os pontos mais obscuros.
·
Prossiga
o estudo tomando nota das passagens que mais o tocam. Neste ponto, sugiro que
se utilize o método do pe. Jonas Abib, dividindo as citações em cinco pontos:
1.
Promessas: é tudo
aquilo que Deus promete àqueles que cumprem (ouvem e praticam) a Sua Palavra. São
promessas em que podemos seguramente confiar. Ex.: "Onde dois ou três
estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles" (Mt 18,20); v.tb.: Jo
1,12; Lc 11,13; Ef 6,8.
2.
Ordens: são os mandamentos que
devemos obedecer durante a nossa vida, onde demonstramos a nossa fidelidade a
Deus. Ex.: "Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado" (Jo
13,34); v.tb.: Mt 5,37; Mc 16,15; Lc 6,27-28.
3.
Princípios Eternos: são as
leis que regem o Reino de Deus e não devem ser confundidos com as ordens. São
os segredos do funcionamento do Reino. Ex.: "Para os puros, todas as
coisas são puras. Para os corruptos e descrentes, nada é puro; até sua mente e
consciência são corrompidas" (Tt 1,15); v.tb.: Lc 6,36; 18,14; 1Tm 6,7.
4.
Mensagem de Deus para Hoje:
certamente Deus tem uma mensagem para você. Faça de maneira pessoal, com suas
próprias palavras.
5.
Como Aplicar a Leitura na Vida: é a
parte mais pessoal e mais concreta. Anote e coloque em prática tudo o que
descobrir. É a maneira decisiva para mudar o comportamento (ser e agir) e o
relacionamento com Deus.
·
Para
terminar o estudo, releia o comentário bíblico e as suas anotações. Observe,
então, a incrível unidade que existe entre eles. Se você quiser - e é altamente
recomendado!! - tente relembrar a leitura do dia anterior; se possível,
memorize o versículo principal, o núcleo da mensagem.
·
Termine
o seu "dever de casa" com uma oração espontânea agradecendo a Deus
pelas descobertas do dia e certo de ter aumentado a sua intimidade com Ele.
Lembre-se sempre: Não caia no erro de querer ler somente a Bíblia sem a ajuda
da Igreja, achando que pode interpretá-la de forma particular. Essa tese é
protestante e anti-bíblica. Foi por causa disso que o sectarismo se instalou no
mundo cristão, existindo hoje mais de 20.000 denominações - todas elas com
mensagens "muito particulares" e distintas umas das outras.
|
|
1. MENTALIDADE HEBRAICA E LINGUAGEM BÍBLICA
Vamos, pois estudar inícialmente um pouco da mentalidade dos judeus e do seu
jeito de se exprimir.
No salmo 62, versículo 6, lemos: "Minha
alma será saciada de gordura e de tutano, de meus lábios alegres ressoará o teu
louvor". Nós poderíamos dizer: O que é isso? A alma não come! É
verdade. Mas, para o judeu, um bom almoço era aquele com muita carne gorda. Um
bom almoço alegra. Por isso o salmista, em vez de dizer: "Minha alma estará feliz junto de
Deus", diz: "Junto de
Deus minha alma será alimentada com carnes gordas e tutano". Pode
não parecer piedoso. Mas assim é que rezavam.
No salmo 118,109, encontramos: "Minha
vida está sempre em minhas mãos". Ter alguma coisa nas mãos, é
estar pronto a entregar, a perder. "Ter
a vida nas mãos" queria dizer: estou pronto a perder a minha vida,
estou quase morrendo, estou
Com
Esses exemplos bastam para mostrar como os judeus usavam uma linguagem muito
concreta, quase sem termos abstratos. Aliás, hoje ainda usamos linguagem
semelhante. Se alguém nos diz que "está
na fossa", "foi para
o brejo", "foi para o
buraco", entendemos logo o que quer dizer e não perguntamos qual a
fundura do buraco nem onde é o brejo.
Como os orientais em geral, os judeus gostavam de falar de um modo teatral.
Assim, sem muitas explicações, a idéia se tornava clara, quase palpável. Usavam
expressões que, analisadas friamente, são exageros. Um rei, para dizer que seu
exército era numeroso, dizia que a poeira da Samaria não seria bastante para
encher as mãos de seus soldados (1º Livro dos Reis 20,10). Em vez de dizer: "houve fome em muitos países",
diziam: "houve fome na terra
inteira". Há uma passagem do Evangelho (Lc 14,26) em que Jesus diz:
"Quem não odiar pai, mãe... não
pode ser meu discípulo". Odiar, no caso, significa amar menos do
que ao Cristo.
A língua hebraica não tinha os mesmos recursos das línguas modernas. Nós temos
palavras que indicam claramente a comparação entre os termos. Nós dizemos
claramente: "É maior o número dos
chamados e menor o número dos escolhidos". "Deus quer mais a misericórdia do que o sacrifício".
Os judeus diziam: "Muitos são os
chamados e poucos os escolhidos" (Mt 22,14). "Quero a misericórdia e não o sacrifício"
(Mt 9,13).
Usavam comparações e imaqens que não podem ser tomadas ao pé da letra. As
idéias abstratas estavam ligadas a coisas materiais. Por exemplo:
·
Fraqueza:
carne, cinza, poeira, flor que murcha, cera derretida.
·
Força:
montanha, rochedo, bronze, tempestade, exército.
·
Glória:
luz, brilho, relâmpago.
·
Fartura:
leite, mel, água, azeite.
Esse modo concreto de pensar e de falar é que levava os
judeus a falarem das coisas e de Deus usando expressões que realmente só de
aplicam aos homens. Por exemplo:
·
As
cisternas, os montes, as árvores devem bater palmas e gritar de alegria;
·
O
sangue inocente pede vingança divina;
·
Deus
tem rosto, nariz, ouvidos, boca, lábios, olhos, voz, braços, mãos e pés. Está
revestido de um manto, senta-se num trono de rei. Tem desgosto, ódio,
sentimentos de agrado, alegria, arrependimento. Tem até um nome próprio.
Na linguagem da Bíblia os números não têm a mesma
importância nem o mesmo significado que têm para nós. Quando damos um número,
procuramos ser matematicamente exatos; interessa-nos a quantidade real. Para os
judeus os números tinham todo um significado simbólico, indicava o sentido dos
acontecimentos ou as qualidades das pessoas. A idade dos patriarcas, cem ou
mais anos, não era contada em razão dos anos realmente vividos, mas em razão da
veneração que mereciam, do quanto eram queridos por Deus. No capítulo quinto do
Gênesis encontramos uma série de dez gerações desde Adão até o patriarca Noé.
Dez era apenas o número que indicava uma série completa e final. Falando de dez
patriarcas, o hagiógrafo queria abarcar todos os acontecimentos, todas as
gerações entre Adão e Noé, fossem lá quais e quantos fossem. Não estava, de
modo algum, querendo ensinar que de fato tinha havido apenas uma série de dez
gerações. De modo semelhante Jesus fala das "dez virgens"; S. Paulo menciona os "dez adversários" que nos
tentam separar do Cristo (Rom 8,38s), e os "dez vícios" que nos podem excluir do Reino de Deus
(1Cor 6,9s). Os meses do ano são doze. Por isso esse número também significava
a perfeição, a totalidade.
Quando damos um número, estamos de fato excluindo qualquer quantidade maior ou
menor, a não ser que digamos claramente o contrário. Os judeus indicavam o
número que interessava no momento. Podemos dar alguns exemplos: Mc 11,2; Lc
19,30; Jo 12,14, dizem que Jesus entrou em Jerusalém montado
Bastam esses exemplos para percebermos o cuidado necessário para termos uma
correta compreensão dos textos bíblicos.
2. GÊNEROS LITERÁRIOS
Há ainda um outro fator que devemos levar em conta: o gênero literário, isto é,
o tipo de com posição que temos diante de nós. Isso vai determinar o sentido e
o alcance que lhe podemos dar.
Se você ouve alguém contar uma história para crianças, uma dessas histórias em
que os animais falam, aparecem fadas e bruxas, você não vai entender essa
história do mesmo modo como entende as palavras de alguém que lhe está contando
um fato real. Há muita diferença entre uma poesia, ou a letra de uma canção, e
um trecho de um livro de ciências. Uma carta é bem diferente de uma reportagem
ou uma notícia no jornal. Um discurso político não é a mesma coisa que um
sermão. Aí estão exemplos de alguns "gêneros
literários".
A poesia, a anedota, a narrativa histórica, cada gênero literário afinal tem
suas regras próprias de composição. Tem a sua linguagem própria, suas palavras
apropriadas, seu estilo. Escrevemos ou falamos de um jeito quando queremos
ensinar; de outro, quando queremos divertir, ou agradar, ou informar, ou
amedrontar, e assim por diante.
E mais. Cada "gênero
literário" olha para a realidade de um lado diferente. Alguns,
querem apresentar um fato real, enquanto outros falam de fatos imaginários.
Alguns podem aprofundar o assunto até aos mínimos detalhes, outros ficam só em
generalidades. E podemos ainda notar que essas formas de expressao variam
conforme o povo, o tempo e o lugar.
Também na Bíblia podemos encontrar muitos gêneros literários bem
característicos. Há narrativas, históricas ou não, há poesia, parábola,
alegoria, profecia. apocalipse. E temos que levar isso em conta ou, então,
vamos interpretar mal o que foi escrito. O que lemos no Apocalipse ou nos
Profetas não pode ser compreendido do mesmo modo como se estivéssemos lendo os
Evangelhos. Vamos entender mal as Epístolas de S. Paulo se esquecermos que são
cartas, escritas em circunstâncias bem concretas. Precisamos conhecer e levar em
conta as regras próprias de cada gênero literário para não lermos o que não foi
pensado nem escrito pelos autores da Bíblia.
3. A BÍBLIA E A HISTÓRIA
Lendo a Bíblia encontramos narrativas que nos levam a perguntar: - Isso
aconteceu mesmo? Tanto mais que, muitas vezes, os dados fornecidos parecem não
coincidir com o que atualmente conhecemos da História do antigo oriente.
No livro de Daniel, por exemplo, está escrito que o rei Baltasar da Babilônia
era filho de Nabucodonosor. Ora, pelos documentos babilônicos, conservados em
tabuinhas de argila, sabemos que Baltasar era de fato filho de Nabonide, quarto
sucessor de Nabucodonosor. E o livro de Jonas, será que quer apresentar um fato
histórico, ou seria apenas uma narrativa com finalidade edificante? A mesma
pergunta podemos levantar quanto aos livros de Jó, de Judite, de Tobias e
outros.
Não vem ao caso um exame detalhado de todos os problemas que se apresentam.
Vamos ver apenas alguns princípios que nos aludem a compreender o modelo
literário de História usado em algumas partes da Escritura.
Em primeiro lugar é preciso saber que a Bíblia se interessa pela História na
medida em que os acontecimentos têm uma importância religiosa. O que interessa
ao hagiógrafo é apresentar o que Deus fez pela salvação dos homens e qual a
resposta que os indivíduos, o povo e a humanidade deram à proposta divina. São
mencionados, por isso, apenas os fatos realmente significativos sob esse
aspecto. E mesmo esses fatos são narrados de forma a dar relevo ao seu
significado religioso. Dados de menor importância são omitidos ou apresentados
de um modo aproximativo, sem que se procure a exatidâo que estamos acostumados
a encontrar na História cientificamente escrita.
Não podemos, porém, esquecer que a Bíblia se apresenta como o relato do que
Deus realmente fez para a nossa salvação. Não quer apresentar lendas e mitos.
Afirma fatos: e a fé cristã é possível somente se aceitamos a realidade desses
fatos fundamentais.
Por outro lado, é bom lembrar que as descobertas arqueológicas dos últimos
tempos vêm confirmando dados até agora conhecidos apenas através das
informações bíblicas. O que nos dá, mesmo do ponto de vista da ciência
histórica, uma garantia bastante grande pelo menos quando a exatidão dos fatos
centrais.
Finalmente, há na Bíblia muitas narrativas que não precisam nem podem ser
tomadas como apresentação de fatos realmente acontecidos. São "histórias" contadas com a
finalidade de ensinar, exortar, animar.
Concluindo: A Bíblia não erra nem pode errar quando o hagiógrafo quer de fato
apresentar o que realmente aconteceu. Nem tão pouco pode errar ao nos dar o
sentido, a significação religiosa dos fatos.
4. A BÍBLIA E A CIÊNCIA
A nossa visão atual do mundo, dos seres vivos e da humanidade é muito diferente
da que encontramos na Bíblia. Essa nossa visão é formada por conhecimentos
certos, adquiridos através das descobertas científicas, ou se baseia em
hipóteses, tentativas de explicação coerente para os fenómenos que ainda não
chegamos a compreender perfeitamente. Na Bíblia, encontramos uma concepção do
mundo bastante poética e ao mesmo tempo simplista. A terra era considerada como
uma grande planície, cercada de altas montanhas (onde moravam o sol e a lua).
Sobre essas montanhas, como se fossem imensos pilares, estaria apoiado o céu,
imaginado como imensa cúpula de cristal onde estariam incrustadas as estrelas.
A terra estaria flutuando sobre o mar imenso, sob o qual estava a habitação dos
mortos. Acima dos céus, havia o grande mar superior, e mais alto ainda o céu,
habitação de Deus. A origem do mundo e da humanidade era imaginada como
acontecimento bem recente. A uma palavra de Deus a criação teria surgido como
um todo perfeito e definitivo. Os fenômenos naturais (ventos, raios, chuvas)
eram atribuidos a uma intervenção direta de Deus. As doenças, eram causadas por
forças misteriosas. Baste isso para nos fazer compreender a dificuldade de
alguns em conciliar as afirmações da Bíblia com os dados científicos agora
conhecidos.
Houve tempo em que se tomaram atitudes extremas. Alguns, partindo dos
conhecimentos atuais, viam a Bíblia cheia de erros e tentavam explicar tudo,
até os milagres, de um modo natural. Outros tentavam colocar a Bíblia como
critério para o nosso conhecimento científico da natureza; ou, então, queriam a
todo o custo fazer uma acomodação entre suas afirmações e as da ciéncia.
Tentativas que não serviam nem à verdade da Biblia nem à verdade da ciência.
Para evitar mal-entendidos podemos seguir estes princípios:
1.
A
Escritura não quer ensinar "ciência".
Quer apresentar-nos Deus, suas obras e seus planos para a nossa salvação. Como
dizia um escritor antigo: "A
Escritura ensina-nos como ir ao céu e não como vai indo o céu". É
claro, porém, que falando sobre Deus e suas obras, a Bíblia faz afirmaçôes que
têm conseqüências para a ciência. Por exemplo, quando afirma que tudo quanto
existe não surgiu por si mesmo mas foi criado por livre decisão de Deus.
2.
A
Bíblia, quando fala dos fenômenos e realidades da natureza, fala ao modo do
povo, fala segundo as aparências: o sol que nasce e se põe etc. E muitas vezes
os hagiógrafos usam uma linguagem poética que personifica as forças da
natureza.
Quem lê o Antigo Testamento poderia ficar chocado com certos costumes, mais ou
menos tolerados, ou com certos episódios mais ou menos escabrosos. Como é
possível isso num livro escrito sob a inspiração divina?
A Bíblia fala sobre o homem. Fala, pois, do que há de bom e mau, mesmo em
homens que deviam desempenhar um importante papel nos planos de Deus. Não
simplesmente para falar do mal, nem muito menos para o ensinar. Quer mostrar
até que ponto pode chegar a fraqueza humana, quer ensinar-nos a evitar todo
pecado. Justamente essa presença do mal nos mostra como Deus foi pacientemente
educando a humanidade para que pudesse afinal aceitar e viver o Evangelho de
Cristo. Não impunha exigências maiores do que as assimiláveis por homens ainda
presos a uma situação precária. Não estava interessado apenas em fazer cumprir
um código moral; queria levar as pessoas a um crescimento interior. Sabia
esperar o momento de mandar o seu Cristo que, diante das tolerâncias da lei
antiga, iria anunciar: "...eu,
porém, vos digo...!"
Neste ponto podemos concluir:
A Biblia não erra nem pode errar
em nenhuma das afirmações que Deus e o hagiágrafo quiseram de fato fazer e no
sentido em que a fizeram.
|
|
Conseqüências de um princípio funesto: a Sola Scriptura
"Então o Diabo lhe disse: 'Se és o filho de Deus,
atira-te para baixo, porque está escrito..." (Mateus 4,5).
A Sagrada Escritura é uma lâmpada que ilumina o nosso caminho para a Casa do
Pai (Salmo 119,105), porém, quando mal utilizada, pode nos levar a danos
físicos e morais e até mesmo à perdição eterna. O próprio Diabo se valeu desta
técnica para inutilmente tentar derrubar Jesus.
O profeta Amós anunciou (8,11): "Chegará o dia em que Deus mandará fome
sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra de
YHWH" . Como esta fome de ouvir a Palavra de Deus é inerente à natureza
humana, que deseja conhecer o seu Criador, devemos, nesta busca, estar atentos
às infinidades de doutrinas errôneas inventadas pelo homem, que tenta baseá-las
na Bíblia mal-interpretada. Já o apóstolo Pedro advertia em 2Pedro 3,16, que
haveria quem viesse a torcer o seu ensino para sua própria perdição.
Alguém disse: "Da Bíblia mal-intepretada pode se extrair até
petróleo"...
Joseph Smith, fundador dos mórmons, baseando-se na ordem divina de Gênese 1,22
e 35,11 ("crescei e multiplicai-vos"), aprovou a poligamia.
Joseph F. Rutherford, 2º líder mundial dos Testemunhas de Jeová, apoiou a já
conhecida recusa às transfusões de sangue, que tantas mortes causou entre eles,
a partir do texto de Atos 15,20, quando a Igreja proclamou uma ordem
transitória e circunstancial de vir a abster-se do sangue.
Os líderes dos Adventistas do 7º Dia, utilizando Êxodo-20,8 ("recorda-te
do dia de sábado para santificá-lo"), obrigam os seus adeptos a observá-lo
como faziam os judeus do Antigo Testamento e rejeitam o domingo, o "Dia do
Senhor", próprio dos cristãos.
Os cristãos fundamentalistas (Igreja da Fé em Cristo Jesus e outras da mesma
linha doutrinária), lendo Atos 8,16 ("unicamente tendo sido batizados
A grande maioria das Igrejas Cristãs Evangélicas, citando Romanos 3,28 ("concluímos
que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei"), proclama que a
justificação (salvação) é obtida somente pela fé sem obras, em oposição ao que
diz Tiago 2,26.
Entre os pentecostais, têm surgido casos de pessoas virem à falecer - principalmente
crianças - em razão de seus pais não recorrerem ao médico para tratar das suas
doenças, já que crêem que, segundo Lucas 8,48, tudo pode ser curado apenas pela
fé e as orações. No entanto, os judeus - o povo da Bíblia - recorriam aos
médicos (Eclesiástico 39); e entre os apóstolos, havia um médico eminente: São
Lucas (Colossenses 4,14).
Os seguidores da urinoterapia (=beber da própria urina), justificam esta
prática no texto de Provérbios 5,15 ("toma a água da tua própria
fonte")!
As práticas mais absurdas podem ter apoio na Bíblia mal-interpretada; citar
todas seria interminável. Para evitarmos ser vítimas destes e de outros danos
tão terríveis, leiamos a Sagrada Escritura sempre seguindo a interpretação do
Magistério da Igreja Católica, a quem Jesus conferiu esse ministério (Lucas
10,16) e não o que é proclamado à margem deste.
|
|
O conceito de inspiração implica na inerrância bíblica,
Todas as coisas possuem limites: não é diferente para a Bíblia!
Não poucas vezes, nos defrontamos com pessoas que querem "provar" a
todo custo que a Bíblia está cheia de erros científicos, não possui harmonia
entre seus vários livros, cai diversas vezes em contradição e tem diversas
passagens lendárias. E chegam a exemplificar:
·
Ao
abandonar seus pais, com quem Caim se casou, já que não havia mulheres filhas
de Adão e Eva? (Gn 4,17);
·
Quantos
soldados havia em Israel e em Judá? 800 mil e 500 mil, respectivamente, segundo
2Sm 24 ou 1100 e 470 mil, respectivamente, segundo 1Cr 21?;
·
Mateus
atribui ao profeta Jeremias uma profecia de Zacarias (Mt 27,9);
·
Judas
se suicidou por enforcamento (Mt 27,5) ou por pular em um precipício (At 1,18)?
e os exemplos se multiplicam...
Tais argumentos fazem aparecer pessoas "iluminadas" que, crendo na
total infalibilidade da Bíblia, encontram respostas inúteis, tais como defender
que Judas se enforcou numa árvore próxima de um abismo, tendo caído neste assim
que a corda se rompeu!!! Da mesma forma, Galileu Galilei quase foi queimado
pela Inquisição por defender que a terra girava em torno do sol e não o
contrário, como todos até então acreditavam; isso porque parecia contradizer a
passagem de Js 10,12-13, que afirma que o sol parou por ordem de Josué.
Vemos, assim, que tais discussões são inúteis e extremadas! Tudo por causa do
conceito de inerrância ou infalibilidade da Bíblia que não é visto de acordo
com a verdade. E qual é a verdade? É que a Bíblia é um livro de fé e não um
livro de ciências! É infalível para doutrinas da religião, mas não o é para a
ciência.
Deus, quando inspirou os homens que escreveram a Bíblia, esmerou-se por se
fazer entender pela humanidade e, para isso, comunicou as verdades da fé usando
a linguagem simples da época, que ainda era muito pobre
Para nós que cremos em Deus, não interessa saber se a ordem da Criação está
certa ou errada, se a princípio foi criado somente um casal de cada espécie ou
não... para nós, o que nos interessa mesmo é saber - e ter a certeza - de que
Deus criou tudo no universo: os astros, as estrelas, a terra, os animais e o
gênero humano; interessa-nos saber que Deus nos ama, apesar de termos pecado
contra Ele (pouco importando se foi porque comemos o fruto de uma árvore, mas
porque de alguma forma o desobedecemos). Devemos saber que, por Seu Amor, Deus
nos mandou seu Filho único, verdadeiro Deus feito homem, que nos libertou de
uma vez por todas do pecado e nos alcançou a salvação... e por aí vai.
Concluímos afirmando que a Bíblia é, portanto, infalível nos assuntos de fé,
como sempre foi e sempre será, não devendo invadir o campo da ciência, da mesma
forma como esta também não deve se intrometer nos assuntos de fé, para os quais
permanece incompetente.
|
|
Um argumento pouco bíblico
Os reformadores protestantes diziam que a Bíblia era a
única fonte das verdades da fé e que, para entender sua mensagem, dever-se-ia
tão somente ler as palavras do texto. É o que se chama de "teoria
protestante da sola scriptura"
ou, em português, "somente a
Bíblia". Segundo esta teoria, nenhuma autoridade fora da Bíblia
pode impor uma interpretação e nenhuma instituição extrabíblica - por exemplo,
a Igreja - foi estabelecida por Jesus Cristo para fazer as vezes de árbitra em
caso de conflitos de interpretação.
Como bons herdeiros dos reformadores, as seitas fundamentalistas trabalham
sobre a base desta teoria e não perdem oportunidade para demonstrar seu
princípio que, por outro lado, pareceria ser sua arma mais poderosa, algo que
eles aceitam como o fundamento indiscutível dos seus pontos de vista.
Contudo, não existe coisa mais difícil no diálogo com os fundamentalistas que
fazê-los provar o porquê crêem no princípio do "somente a Bíblia",
separada de qualquer outra fonte de autoridade, e que esta (a Bíblia) seja
suficiente nas questões de fé. A questão se resume em saber qual o motivo que
faz um fundamentalista crer que a Bíblia seja um livro inspirado, já que é
óbvio que ela pode tornar-se regra de fé apenas no caso de se comprovar sua
inspiração e, também, sua inerrância.
Claro que essa questão não preocupa por demais a maioria dos cristãos e,
certamente, são poucos os que tenham se atentado para isto alguma vez. Em
geral, se crê na Bíblia porque é o livro aceito por todos os cristãos, cuja
autoridade não se discute, eis que ainda vivemos em tempos em que os princípios
cristãos têm influência na cultura e no modo de vida da maioria das pessoas.
Um cristão humilde, que não daria a mínima credibilidade para o Alcorão,
pensaria duas vezes antes de falar mal da Bíblia, já que esta goza de certo
prestígio, mesmo quando não pudesse explicá-la ou entendê-la bem. Poderia
dizer-se que essa pessoa aceita a Bíblia como inspirada - qualquer que seja seu
entendimento quanto à inspiração - por razões de tipo cultural, razões que, sem
dúvida, são de escasso ou nenhum valor, já que pelas mesmas razões o Alcorão é
tido por inspirado em países de cultura muçulmana.
"PARA MIM, É MOTIVO SUFICIENTE"
Diga-se o mesmo perante quem sustenta que a família pela qual veio ao mundo
sempre considerou a Bíblia como livro inspirado e "para mim, isso basta". Seria um bom motivo somente
para aquele que não pode fazer um trabalho de reflexão sério (e não devemos
nunca desprezar uma fé simples, sustentada sobre fundamentos bem mais débeis).
Porém, seja como for, o mero costume familiar ou local não pode estabelecer-se
como base para a crença na inspiração divina da Sagrada Escritura.
Alguns sectários dizem que a Bíblia é um livro inspirado porque "é um livro que inspira".
Porém, a palavra "inspiração"
é precisamente o que se quer provar e observemos que há muitos escritos
religiosos antigos que certamente são muito mais "inspirativos" ou
"emotivos" do que muitos textos e até livros inteiros do Antigo
Testamento. Não é falta de respeito afirmar que certas passagens dos escritos
sagrados são tão secos quanto as estatísticas militares... e algumas partes da
Bíblia (Antigo Testamento) são compostas realmente por isso: estatísticas
militares!
Por isso, concluímos que não é suficiente crer na Sagrada Escritura por motivos
culturais ou de costume, nem tampouco por seus textos emotivos ou sua beleza
espiritual: há outros livros, alguns totalmente mundanos, que ultrapassam em
beleza poética muitas passagens da Escritura.
QUE DIZ A BÍBLIA DE SI MESMA?
E que dizer do que a própria Bíblia ensina sobre sua inspiração? Notemos que
são muito poucas as passagens onde a própria Bíblia ensina sua inspiração -
mesmo que de modo indireto - e a maioria dos livros do Antigo e do Novo Testamento
não dizem absolutamente nada sobre sua particular inspiração. De fato, nenhum autor dos livros do Novo Testamento
diz estar escrevendo sob o impulso do Espírito Santo, exceto São João,
ao escrever o Apocalipse.
Ademais, ainda que cada livro da Bíblia começasse com a frase: "Este livro é inspirado por Deus",
semelhante frase não provaria nada: o Alcorão diz ser inspirado, assim como o
Livro do Mórmon e vários livros de algumas religiões orientais. Mais: os livros
de Mary Baker Eddy (a fundadora da Ciência Cristã) e de Ellen G. White
(fundadora do Adventismo do Sétimo Dia) se auto-proclamam inspirados. Pode-se
concluir - com grande senso comum - que o fato de um escrito atribuir a si
qualidades de inspiração divina não quer dizer que assim o seja na realidade.
Ao dizer estes argumentos, muitos fundamentalistas recuam e nos afirmam que "o Espírito Santo me diz claramente que
a Bíblia é inspirada", uma noção bastante subjetiva - para se dizer
o mínimo - muito semelhante com aquela outra, tão comum entre os sectários, de
que "o Espírito Santo os guia
para interpretar as Escrituras". É, assim, que o autor anônimo do
artigo "Como posso compreender a
Bíblia?", um folheto distribuído pela organização evangélica
"Radio Bible Class", apresenta doze regras para o estudo da Bíblia. A
primeira é: "Busca a ajuda do
Espírito Santo. O Espírito Santo foi dado para iluminar as Escrituras e
fazê-las reviver para ti quando a estudas; deixa Ele te guiar".
Se com esta regra se entende que qualquer pessoa que pedir a Deus para o guiar
na interpretação da Bíblia receberá essa condução do alto - e neste sentido
entendem a maioria dos fundamentalistas - então o imenso número de
interpretações contrárias e contraditórias, mesmo entre os próprios
fundamentalistas, nos apresentaria a preocupante sensação de que o Espírito
Santo não tem trabalhado direito...
NÃO COM SILOGISMOS
Grande parte dos fundamentalistas não dizem diretamente que o Espírito Santo
lhes falou, assegurando-lhes que a Bíblia é um livro inspirado. Ao menos, não
falam desse modo. Melhor, agem assim: ao ler a Bíblia, o Espírito "os
convencem" que essa é a Palavra de Deus, recebem certa sensação interior
de que é uma palavra divina e ponto.
De qualquer modo que se veja, a postura fundamentalista não resiste a um raciocínio
sério. Conta-se nos dedos de uma mão os fundamentalistas que num primeiro
momento se aproximaram da Bíblia como um livro "neutro" e, após sua
leitura, a reconheceram como inspirado, segundo um raciocínio lógico. De fato,
os fundamentalistas começam pressupondo o fato da inspiração - tal como recebem
outras doutrinas das suas seitas - sem raciocinar sobre elas e, então,
encontram partes da Sagrada Escritura que parecem fundamentar a inspiração,
caindo assim num círculo vicioso, confirmando com a Bíblia o que eles já
acreditavam de antemão.
A pessoa que quer refletir seriamente sobre o tema se defraudará com a posição
fundamentalista da inspiração bíblica, percebendo que esta não possui uma base
sólida para manter tal teoria. A posição católica é a única que, no final, pode
dar uma resposta intelectualmente satisfatória.
A maneira católica de raciocinar, para demonstrar que a Bíblia é inspirada, é a
seguinte: em um primeiro passo, consideramos a Bíblia como qualquer outro livro
histórico, sem presumir que seja inspirado. Estudando o texto bíblico com os
instrumentos da ciência moderna, chegamos à conclusão de que se trata de uma
obra confiável, de grande precisão histórica, sendo que referida precisão
ultrapassa em muito a de qualquer outro texto histórico.
UM TEXTO PRECISO
Frederic Kenyon, em "A História da Bíblia", faz notar o seguinte: "Para todas as obras da antigüidade
clássica, nos vemos obrigados a nos socorrer de manuscritos redigidos muito
depois do original. O autor que leva vantagem neste sentido é Virgílio, visto
que o manuscrito mais antigo que dele possuímos foi escrito 350 anos depois da
sua morte. Para todas as demais obras clássicas, o intervalo que existe entre a
data do escrito original e a do manuscrito mais antigo que dele se conserva é
muito maior: para Lívio, é de uns 500 anos; para Horácio, 900; para a maioria
das obras de Platão, 1300; para Eurípedes, 1600". Mesmo assim,
ninguém pode seriamente duvidar de que realmente possuímos cópias fiéis das
obras desses autores.
Não somente possuímos manuscritos bíblicos mais próximos aos originais que os
da antigüidade clássica, como também possuímos um número muito maior que
aqueles. Alguns destes manuscritos são livros inteiros; outros são fragmentos;
outros, tão somente algumas palavras; mas todos eles juntos somam milhares de
manuscritos em hebraico, grego, latim, copta, siríaco e outras línguas. Tudo
isso significa que possuímos um texto rigorosamente fiel, que pode ser usado
com toda confiança.
TOMADO
HISTORICAMENTE
Em um segundo momento, dirigimos nossa atenção para o que a Bíblia -
considerada somente como um livro histórico - nos ensina, particularmente no
Novo Testamento e nos Evangelhos. Examinemos o relato da vida de Jesus, sua
morte e sua ressurreição.
Usando o que nos transmitem os Evangelhos, o que lemos em outros escritos
extrabíblicos dos primeiros séculos e o que nos ensina nossa própria natureza -
e o que de Deus podemos conhecer pela luz da razão - concluímos que Jesus ou
era o que dizia ser (Deus) ou era louco. (Sabemos que não pode ter sido apenas
um bom homem e ao mesmo tempo não ser Deus, já que nenhum bom homem poderia
atribuir para si a divindade se realmente não fosse Deus).
Também podemos negar que era um louco, não apenas pelo que disse e ensinou -
nenhum louco jamais falou como ele, da mesma forma que nenhum homem sábio
tampouco já tenha falado assim... - mas ainda pelo que seus discípulos fizeram
após a sua morte. Uma fraude (o túmulo supostamente vazio) poderia ter
ocorrido, mas ninguém daria a vida por uma fraude, ao menos por uma fraude sem
perspectiva de proveito. Logo, devemos afirmar que Jesus verdadeiramente
ressuscitou e, portanto, era Deus como dizia ser e cumpriu o que prometeu
fazer.
Outra coisa que Ele disse que faria seria fundar a sua Igreja; e tanto a Bíblia
(ainda que tomada como simples livro histórico e não como livro inspirado por
Deus) como outras fontes históricas antigas nos fazem saber que Cristo
estabeleceu uma Igreja com as características que vemos hoje na Igreja
Católica: papado, hierarquia, sacerdócio, sacramentos, autoridade para ensinar
e, como conseqüência desta última, infalibilidade. A Igreja de Cristo deveria
gozar da infalibilidade de ensinamento se fosse cumprir aquilo para o qual
Cristo a fundou.
Tomando material meramente histórico, concluímos que existe uma Igreja - a
Igreja Católica - protegida pelo Espírito Santo para que possa ensinar, sem
erro, até o fim dos tempos. Vejamos agora a última parte do argumento.
Essa Igreja nos diz que a Bíblia é inspirada e podemos confiar em seu ensino
porque se trata de um ensinamento autorizado, infalível. Só após sermos
ensinados por uma autoridade propriamente constituída por Deus para nos
transmitir as verdades necessárias para a nossa fé - tal como a inspiração da
Bíblia - só então é que podemos usar as Escrituras como um livro inspirado.
UM ARGUMENTO EM ESPIRAL
Há que se notar que o nosso argumento não cai em um círculo vicioso: não
estamos baseando a inspiração da Bíblia na infalibilidade da Igreja e a
infalibilidade da Igreja na palavra inspirada da Bíblia; isso seria
precisamente um círculo vicioso. O que temos feito se chama "argumento em
espiral": por um lado, argumentamos sobre a confiabilidade da Bíblia como
texto meramente histórico; dali sabemos que Jesus fundou uma Igreja infalível e
só então tomamos a palavra dessa Igreja infalível que nos ensina que a Palavra
transmitida pela Bíblia é uma Palavra inspirada, Palavra de Deus. Não se trata
de um círculo vicioso, já que a conclusão final (a Bíblia é a Palavra de Deus) não é o enunciado do qual partimos (a
Bíblia é um livro historicamente confiável), e este enunciado inicial não está
baseado, em absoluto, na conclusão final. O que demonstramos é que, se
excluirmos a Igreja, não teremos suficientes motivos para afirmar que a Bíblia
é a Palavra de Deus.
É certo que o que acabamos de discutir não é precisamente o raciocínio que a
gente habitualmente faz ao se aproximar da Bíblia, mas é a única maneira
razoável de fazê-lo na hora em que se nos perguntam por que cremos na Bíblia.
Qualquer outro raciocínio é insuficiente; talvez haja argumentos mais próximos
da gente sob o ponto de vista psicológico, porém, são estritamente argumentos
não convincentes. Na matemática aceitamos "por fé" (não no sentido
teológico do termo, é claro) que dois mais dois é igual a quatro. É uma verdade
que nos parece evidente e satisfatória sem maiores argumentos, mas para quem
quiser fazer um curso de matemática, deverá estudar um semestre inteiro visando
provar essa verdade tão "óbvia".
RAZÕES INADEQUADAS
A questão aqui é a seguinte: os fundamentalistas têm muita razão em crer que a
Bíblia é um livro inspirado por Deus, no entanto, suas razões para crer são
inadequadas, insuficientes, já que a aceitação da inspiração divina das
Escrituras pode se basear satisfatoriamente apenas numa autoridade estabelecida
por Deus que nos assegure isso; e essa autoridade é a Igreja.
E precisamente aqui encontramos um problema mais sério: pode parecer a alguém
que mesmo que eu creia na Bíblia como Palavra de Deus, pouco importa o motivo
dessa minha crença; o importante seria aceitar a Bíblia como a Palavra de Deus.
Porém, o motivo pelo qual uma pessoa crê na Bíblia afeta substancialmente a
maneira de interpretar a Bíblia. O fiel católico crê na Bíblia porque a Igreja assim
o ensina e essa mesma Igreja tem a autoridade de interpretar o texto inspirado.
Os fundamentalistas, por sua vez, crêem na Bíblia - mesmo baseados em
argumentos pouco convincentes - porém, não aceitam nenhuma outra autoridade
para interpretar o texto bíblico a não ser os seus próprios pontos de vista.
O cardeal Newman expressava isso em 1884, da seguinte maneira: "Certamente que se as revelações e
ensinamentos bíblicos do texto sagrado se dirigem a nós de uma maneira pessoal
e prática, se faz obrigatória a presença formal, no meio de nós, de um juiz e
expositor autorizado dessas revelações e ensinamentos. É antecedentemente
irracional supor que um livro tão complexo, tão pouco sistemático, em partes
tão obscuro, fruto de várias mentes tão distintas, lugares e épocas diferentes,
fosse nos dado do alto sem uma autoridade interpretativa do mesmo, já que não
podemos esperar que interprete a si mesmo. O fato de que seja um livro
inspirado nos assegura a verdade do seu conteúdo, não a interpretação do mesmo.
Como pode o simples leitor distinguir o que é didático e o que é histórico, o
que é fato real e o que é uma visão, o que é alegórico e o que é literal, o que
é um recurso idiomático e o que é gramatical, o que se enuncia formalmente e o
que ocorre de passagem, quais são as obrigações que vigoram sempre e quais
vigoram em certas circunstâncias? Os três últimos séculos têm provado,
infelizmente, que em muitos países tem prevalecido a interpretação particular
das Escrituras. O dom da inspiração divina das Escrituras requer como
complemento obrigatório o dom da infalibilidade da sua interpretação".
As vantagens do raciocínio católico são duas: em primeiro lugar, a inspiração é
estritamente demonstrada, não apenas "sentida". Segundo, o fato
principal que pulsa atrás deste raciocínio - a existência de uma Igreja
infalível, que nos conduz pela mão a dar uma resposta à pergunda do eunuco
etíope (Atos 8,31): como saber se as interpretações do texto são mesmo as
corretas? A mesma Igreja que autentica a Bíblia, que estabelece a sua
inspiração, é a autoridade estabelecida por Jesus Cristo para interpretar a Sua
Palavra.
|
|
A Tradição oral remonta ao próprio Cristo e aos Apóstolos.
Ela é anterior à Escritura e se exprime nela. O ponto em que mais aparece a
necessidade de algo anterior à Escritura, é a que se refere ao Cânon Bíblico:
Como saber se um livro é ou não inspirado?
O próprio protestantismo, que afirma só reconhecer a Escritura, recorre
necessariamente à Tradição Oral em 2 ocasiões:
1.
Sem
a Tradição oral, não se pode definir o catálogo sagrado, pois em nenhuma parte
da Escritura está escrito quais os livros que, inspirados por Deus, a devem
integrar. É preciso procurar a definição dos livros sagrados fora da Escritura:
na Tradição. Ora Lutero e o Protestantismo recorreram a tradição dos judeus da
palestina, enquanto a Igreja Católica, seguindo o uso dos Apóstolos, optara
pela tradição dos judeus de Alexandria.
2.
Na
sua maneira de interpretar a Biblia, os protestantes também recorrem a uma
tradição. Pois embora o texto biblico seja o mesmo para todas as denominações
evangélicas, estas não concordam entre si, por exemplo, no que toca ao Batismo
de criança, à observância do sábado ou do domingo, etc. As divergências não
provêm do texto biblico, mas da interpretação dada a este texto por cada
fundador. Ou seja, dependem da tradição oral ou escrita que cada fundador quis
iniciar na sua congregação. Assim, embora queiram rejeitar a Tradição Oral, o
cristão a professa sempre: professa a Tradição oriunda de Cristo e dos
Apóstolos, ou a tradição oriunda de Lutero, Calvino... Cada "profeta"
protestante faz o que Lutero fez: rejeita a tradição protestante anterior e começa
uma nova tradição: sim, lê a Bíblia ao seu modo e dela deduz proposições de fé
e de moral que, segundo a sua intuição humana falível, lhe parecem mais
acertada.
Assim, a Escritura, só, não pode ser, nem é no
protestantismo, a única fonte de fé. Por outro lado, a Tradição Oral e o
Magistério da Igreja só tem sentido se fazem eco à Sagrada Escritura.
|
|
A Igreja Católica, desde os tempos apostólicos ensina que
além da Sagrada Escritura, também é necessário para a formação doutrinal e
moral da Igreja, a Sagrada Tradição (compreendendo aí os ensinamentos dos
apóstolos e dos primeiros cristãos) e o Sagrado Magistério ( compreendendo o
que os Concílios, o Bispo de Roma em particular, e em comunhão com ele todos os
Bispos definem e ensinam como verdades de fé e moral ).
Tal tríade abençoada ( Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Sagrado
Magistério) foram e são os responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção de
toda a doutrina católica nestes vinte séculos de história cristã.
O Protestantismo nega tanto a Tradição quanto o Magistério legitimamente
instituído por Jesus Cristo. Para eles, a única regra é a Sola Scriptura (ou seja somente a
Bíblia e nada mais do que ela é regra de fé e de moral) interpretada livremente
por qualquer pessoa ( método do livre exame ). Eis Martinho Lutero a dize-lo
sem rodeios: "a todos os cristãos e a cada um em particular pertence
conhecer e julgar a doutrina. Anátema a quem lhe tocar um fio deste
direito" ( Conforme D. M. Luthers,
Werke, Kritische Gesamtausgabe. Weimar, X. 2 Abt., p. 217, 1883 ss).
Como se dissesse a cada um de seus seguidores: Eia pois, valoroso cristão! Tu és mestre de ti mesmo. Despreza tudo o que
os primeiros cristãos, os Bispos e os Concílios definiram como verdade. Toma tu
a bíblia, senta em tua saleta e defina tu mesmo o teu cristianismo!
Procuraremos demonstrar - Se Deus o consentir - que ao abandonar tanto a
Sagrada Tradição quanto o Sagrado Magistério, o protestantismo provocou
inadvertidamente sua própria dissolução doutrinária e orgânica. E hoje,
infelizmente, sob o elástico nome de "protestantismo" se abrigam
milhares e milhares de seitas doutrinariamente e disciplinadamente discordantes
entre si. Causando um fragrante escândalo à causa ecumênica e ao desejo
expresso de Jesus Cristo: " Para que
todos sejam um (...) e o mundo creia que tu me enviaste" ( Jo 17,
20-21).
Com efeito, sabemos, a própria Bíblia não caiu pronta dos céus. Quem definiu
que cada um dos livros que compõem a Sagrada Escritura, era de inspiração
Divina foi o Espirito Santo agindo através da Tradição e do Magistério
Católico. Isto são fatos históricos! Quem definiu o cânon completo, tanto do
antigo quanto do novo testamento, foi o Espirito Santo através da Tradição e do
Magistério. Quem definiu que o Novo Testamento e o Velho fosse enfeixado em um
único volume dando portanto igual valor entre os dois testamentos foi a
Tradição e o Magistério. Do que viveu a Igreja católica primitiva, durante os
primeiros anos de pregação? Quando o Novo testamento ainda não havia sido
escrito? Sobreviveu pela Tradição e pelo Magistério.
A própria Bíblia dá testemunho interno da necessidade de uma Tradição e de um
Magistério vivo, para interpretá-la e ensiná-la. Transcrevo sobre isto, o
magnífico comentário de Pe. Leonel Franca: "(a própria Bíblia) inculca a
necessidade do ensino vivo, a importância de conservar a tradição, a
insuficiência das Escrituras, que segundo afirma São João, não encerra tudo o
que ensinou o Salvador (Jo 21,25). Jesus Cristo nunca mandou aos seus
discípulos que folheassem um livro para achar a sua doutrina, mandou pelo
contrário aos fiéis, que ouvissem aos que Ele mandara pregar: quem vos ouve, a
mim ouve; se alguém não ouvir a
Igreja, seja considerado como infiel e publicano, isto é, não pertencente a
minha Igreja: se alguém não vos receber
nem ouvir vossas palavras,
saindo da casa ou da cidade sacudi até o pó dos sapatos; Pai oro não só por
estes (Apóstolos) mas por todos os que hão de crer em mim mediante a sua palavra a fim de que sejam
todos uma coisa só. Foi Jesus ainda quem prometeu o seu Espírito de Verdade, a
sua assistência espiritual, todos os dias, até a consumação dos séculos, para
que os apóstolos vivendo moralmente em seus sucessores (os bispos )
continuassem até o final dos tempos a ensinar sempre tudo o que ele nos mandou.
Eis meus caros leitores, o que diz a Bíblia" ( Franca, P. Leonel, I.R.C.,
1958, pg.216-7).
Quando se fala de Magistério, evidentemente se fala do magistério legítimo,
constituído por Jesus Cristo, o qual prometeu assistência especial e infalível
até o final dos tempos: "Recebei o Espírito Santo (...) Eu estarei
convosco até o final do tempos". Hoje, qualquer papalvo se atribui a si mesmo
o título de "bispo" e sai por aí a fundar seitas e pregar doutrinas.
Evidentemente este não é um magistério legítimo. O indivíduo que a si mesmo se
premia com o título de "bispo", nada mais é que um mentiroso
sacrílego.
Os próprios apóstolos ensinaram à exaustão a respeito da necessidade da Sagrada
tradição e do Magistério legitimamente constituído. Vejamos S. João em suas
últimas duas epístolas dizer expressamente que não quis confiar tudo por
escrito, mas havia outras coisas que comunicaria à viva voz ( II Jo., 12 ; III Jo, 14). O apóstolo São Paulo,
inculca fortemente a necessidade de uma tradição e um magistério vivo:
"Estais firmes, irmãos e conservai as tradições que aprendestes ou de viva voz..." ( II Tes 2,15 ); "que vos aparteis de
todos os que andam em desordens e não segundo
a tradição que receberam de nós" (II Tes 3,6); "O que de mim ouvistes por muitas testemunhas, ensina-o a homens fiéis que se tornem
idôneos para ensinar aos
outros" (II Tm 2,2). A Igreja fundada por Cristo, portanto, seria ela
"a coluna e o firmamento da verdade" ( I Tm 15). A Igreja fundada por
Cristo portanto é maior que a Sagrada Escritura. Pois a Igreja é quem a
escreveu, a definiu, a interpreta e a ensina. Os primeiros cristãos seguindo os
ensinamentos dos apóstolos e já de posse da Sagrada Tradição e do Sagrado
Magistério, nem pensam ser a Bíblia a única regra de fé. Aqui, por falta de
espaço, vamos respigar apenas algumas citações da vasta seara dos testemunhos
primitivos: "Advertia, antes de
tudo, as igrejas das diversas cidades, evitassem, sobre todas as coisas, as
heresias que começavam então a se alastrar e exortava-as a se aterem tenazmente
à tradição dos apóstolos" ( Eusébio resumindo o ensino de S. Inácio
de Antioquia, martirizado no ano 107 DC cf. Euséb., Hist. Eccles., III, 36 / MG, 20, 287); "Antes exortei-vos a vos conservardes unânimes na doutrina de
Deus, pois Jesus Cristo nossa vida inseparável, é a doutrina do Pai, como a
doutrina de Jesus Cristo são os bispos constituídos nas diversas regiões da
terra" ( clara alusão ao Sagrado Magistério) ( S. Inácio, + 107 DC
in Ad Ephesios, 3-4) ; "Sob
Clemente, havendo nascido forte discórdia entre os irmãos de Corinto, a Igreja
de Roma escreveu-lhes uma carta enérgica, exortando-os à paz, reparando-lhes a
fé, e anunciando-lhes a tradição que havia pouco tinham recebido dos
apóstolos" ( S. Irineu, martirizado em 202 DC in Contra as Heresias III, c.3,n.3) ; "Aí está claro, a quantos querem ver a
verdade, a tradição dos apóstolos, manifesta
Jesus Cristo, instituiu para sua Única Igreja, um Magistério verdadeiro, pois
disse à Pedro: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do
inferno não prevalecerão contra ela. Eu
te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na terra será ligado
nos céus..." ( Mt 16, 18-19), e em outro lugar "Eu estarei convosco até o final dos tempos".
Para os católicos, se Jesus prometeu ficar conosco até o final dos tempos ele
irá cumprir literalmente esta promessa. Se ele disse que a sua Igreja iria se
manter firme por todo o sempre porque as portas do inferno não iriam
prevalecer, nós cremos que ele está cumprindo concretamente esta promessa.
Pois não é exatamente isto que constatamos na Igreja Católica? Dois mil anos de
existência ininterrupta. E que constância doutrinária e moral admirável!
Quantas perseguições e vicissitudes e no entanto "as portas do inferno não
prevaleceram". Parte desta unidade e estabilidade maravilhosa devemos certamente
à instituição da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério por Cristo e pelos
apóstolos.
O protestantismo negando tanto a Tradição quanto o Magistério sofre desde os
seus primórdios uma desintegração doutrinária assombrosa. Onde Cristo fundou a
Igreja Católica sobre a Rocha, Lutero e Cia fundaram a Igreja Evangélica sobre
a areia movediça da sola scriptura
e do livre exame. E logo nas primeiras ventanias, pôs-se a casa dos
reformadores a desabar fragorosamente: tábuas lançadas aqui e ali, telha lá e
acolá, junturas e cacos em todas as direções.
As divisões e subdivisões do Protestantismo desafiam hoje a paciência dos mais
abnegados dos estatísticos.
Vejamos como no princípio deste século, o Reverendíssimo Pe. Leonel Franca já
chamava a atenção para este fato, descrevendo lucidamente o processo de
desagregação doutrinária do protestantismo, baseado no método da sola scriptura
e do livre exame: "Na nova seita
(protestantismo) não há autoridade, não há unidade, não há magistério de fé.
Cada sectário recebe um livro que o livreiro lhe diz ser inspirado e ele
devotamente o crê sem o poder demonstrar; lê-o, entende-o como pode, enuncia um
símbolo, formula uma moral e a toda esta mais ou menos indigesta elaboração
individual chama cristianismo evangélico. O vizinho repete na mesma ordem as
mesmas operações e chega a conclusões dogmáticas e morais diametralmente
opostas. Não importa; são irmãos, são protestantes evangélicos, são cristãos,
partiram ambos da Bíblia, ambos forjaram com o mesmo esforço o seu cristianismo"
( In I.R.C. Pg. 212 , 7ª ed.).
Vejamos alguns exemplos práticos: um fiel evangélico quer mudar de seita?
Precisa-se rebatizar? Umas igrejas dizem sim, outras não. Umas admitem o
batismo de crianças, outras só de adultos, umas admitem a aspersão, infusão e
imersão. Aquela outra só imersão, e mesmo há grupelho que só admite batismo em
água corrente e sem cloro! Aqui e ali as fórmulas de batismo são tão variadas
como as cores do arco-íris. Quer o sincero evangélico participar da Santa Ceia?
Há seitas que consideram o pão apenas pão (pentecostais) outras que o pão é
realmente o corpo de Cristo (Luteranos, Episcopais e outros). Uns a praticam
com pão ázimo, outras com pão comum, aqui com vinho, lá com vinho e água, acolá
com suco de uva. A Santa Ceia pode ser praticada diariamente, mensalmente,
trimestralmente, semestralmente, anualmente ou não ser praticada nunca.
Trata-se de ministérios ordenados? Esta seita constitui Bispos, presbíteros e
diáconos. Àquela só presbíteros e pastores, ali pastores e anciãos, lá Bispos e
anciãos, acolá presbíteros e diáconos, outras não admitem ministro nenhum. Umas
igrejas ordenam mulheres, outras não. E por aí, atiram os evangélicos em todas
as solfas quando o assunto é ministério ordenado. Após a morte, o que espera o cristão
? Pode um crente questionar seu pastor sobre isto? E as respostas colhidas
entre as denominações seria tão rica e variada quanto a fauna e a flora. Há
Pastor que prega que todos estarão inconscientes até a vinda de Cristo quando
serão julgados; outros pregam o "arrebatamento" sem julgamento;
outros, uma vida bem-aventurada aqui mesmo na terra; aqueles lá doutrinam que
após a morte já vem o céu e o inferno; no outro quarteirão, se ensina que o
inferno é temporário; opinam alguns que ele não existe; e tantas são as
doutrinas sobre os novíssimos quanto os pastores que as pregam. Está cansado o
fiel da esposa da sua juventude? Não tem importância, sempre encontrará uma
seita a lhe abrir risonhamente as portas para um novo matrimônio. E de vez em
quando não aparece um maluco aqui e ali aprovando a poligamia? Lutero mesmo
admitiu tal possibilidade: "Confesso,
que não posso proibir tenha alguém muitas esposas; não repugna às Escrituras;
não quisera porém ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos"
( Luthers M.., Briefe, Sendschreiben
(...) De Wette, Berlin,
1825-1828, II. 259 ). Não há uma pesquisa nos Estados Unidos que demonstra que
entre os critérios para um evangélico escolher sua nova igreja está o tamanho
do estacionamento? Eis o que é hoje o protestantismo.
Vejamos neste passo a afirmação de Krogh Tonning famoso teólogo protestante
norueguês, convertido ao catolicismo, que no século passado já afirmava: "Quem trará à nossa presença uma
comunidade protestante que está de acordo sobre um corpo de doutrina bem
determinado ? Portanto uma confusão (é a regra ) mesmo dentre as matérias mais
essenciais" ( Le protest. Contemp., Ruine
constitutionalle, p.
Mas o próprio Lutero que saiu-se no mundo com esta novidade da sola scriptura
viveu o suficiente para testemunhar e confessar os malefícios que estas
doutrinas iriam causar pelos séculos afora: "Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem
admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é
Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas
as religiões quantas são as cabeças" ( Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 6l ). Um outro
trecho selecionado, prova que o Patriarca da Reforma tinha também de quando em
quando uns momentos de bom senso: "Se
o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos
concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas
interpretações da Escritura que por aí correm" ( Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les
temps presents, tomo IV (7), p. 289).
Gostaríamos de terminar por aqui para não sermos enfadonhos. Quando o Pai do
Protestantismo, diante da dissolução das seitas, já há quinhentos anos atrás,
confessa ao outro "reformador" que seria necessário receber de novo o
Sagrado Magistério ( Concílios ) para manter a unidade, a regra do livre exame
e da sola scriptura já está
julgada por si mesma.
|
|
Por suficiência material entendemos que todas as
informações necessárias para se formular uma doutrina estão presentes nas
Escrituras. Entretanto, pelo fato de o significado das Escrituras não ser
totalmente claro, e algumas vezes as doutrinas se encontram mais implícitas que
explícitas, outros "meios", além da Bíblia somente, foram- nos
deixados pelos apóstolos: A Sagrada Tradição (que é a ferramenta que extrai as
informações e as dispõe da forma correta) e o Magistério da Igreja. Juntas,
estas três formas - a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Magistério da
Igreja - são formalmente suficientes para que se reconheça a verdade revelada
por Deus.
Aqueles que defendem a suficiência formal das Escrituras advertem que reunir a
Tradição ao contexto bíblico inevitavelmente tornará a última inferior à
primeira. Temem, com isso, que meras tradições humanas subjulgue a palavra de
Deus.
(Mark
Shea, in Not by Scripture Alone,
Robert A. Sungenis,
Queenship Pub.
A Trindade pode ser provada pelas Escrituras, de fato
(suficiência material), mas o uso somente das Escrituras não foi formalmente
suficiente para evitar o aparecimento da heresia ariana. Em outras palavras, a
decisão final da disputa ficou por conta da Sagrada Tradição, que demonstrou
que a Igreja sempre foi trinitariana. Os arianos não podiam recorrer a nenhuma
Tradição porque sua cristologia era uma inovação herética do século 4.
Os arianos, com isso, recorreram somente à Escritura. O princípio formal dos
arianos era deficiente, por isso eles puderam recorrer à Bíblia e formular suas
doutrinas (assim como vários grupos protestantes hoje
Os
Edwin Tait, anglicano, escreveu (em total acordo com o conceito católico):
Com certeza os Padres ensinaram que podiam provar suas
conclusões a partir da Bíblia. Também ensinaram que a comunhão dos bispos
sucessores dos apóstolos, reunidos em Concílio (com Roma tendo algum papel, o
qual não pretendo abordar aqui), seriam os responsáveis pela correta
interpretação da Bíblia. Todo este debate sobre a Sola Scriptura somente se
tornou realidade quando um número considerável de cristãos começaram a afirmar
que os bispos reunidos em Concílio haviam errado na interpretação bíblica
durante vários séculos. Ambos os lados podem recorrer aos Pais, porque os Pais
nunca ensinaram sobre a suficiência bíblica e a autoridade da Igreja/Tradição
em discordância.
Concordo plenamente com o texto acima. Note que a última
frase é importantíssima. Esta é a visão dos apóstolos, padres, do catolicismo,
orientais e do anglicanismo histórico. Muitos protestantes, infelizmente,
sentem não medem esforços - desnecessários - em separar estas duas autoridades.
Livros inteiros já foram escritos sobre uma suposta defesa da Sola Scriptura pelos Pais da Igreja,
quando na realidade estes defendem a suficiência material, a sua inspiração e
suficiência em refutar os heréticos e falsas doutrinas em geral. É fácil pensar
que os Pais foram defensores da Sola
Scriptura se seus ensinamentos sobre a Tradição Apostólica e a
Autoridade da Igreja forem suprimidos ou ignorados pelos protestantes. Uma
"meia-verdade" às vezes pode ser pior que uma mentira completa, pois
quem a ensina deveria conhecer melhor do assunto, ou pelo menos conhece
"metade" dele...
Podemos dizer que a Trindade não é uma doutrina clara nas Escrituras. A verdade
é que esta doutrina foi o resultado de uma discussão de cerca de 400 anos. Tal
fato não pode ser ignorado. Se a Trindade fosse demonstrada nas Escrituras com
a claridade que os protestantes alegam que possui, tal doutrina, definida em
Calcedônia, já deveria ser seguida e transmitida muito antes.
As Escrituras, isoladas, são suficientes para refutar o arianismo? Creio que
sim. Apesar disso, creio que também seja verdade que alguém, em uma situação
hipotética, que não conheça nada sobre história da Igreja ou teologia, sem
saber como se chegou à definição formal da doutrina da Trindade, começasse a
ler uma Bíblia, a doutrina ariana parecia tão plausível para ele como também
pareceria a doutrina da Trindade. Isso porque esta doutrina não é imediatamente
acessível à razão humana. É uma revelação e um mistério que precisa ser aceito
pelos olhos da fé (sem reduzir suas provas Bíblicas).
Eu conheço casos semelhantes devido a minha experiência
Um outro exemplo vem da minha vida pessoal. Fui criado como protestante
metodista, e os metodistas são trinitarianos, mas eu não conhecia nada de
teologia. Era tão ignorante nesse assunto que ao assistir a um filme sobre a
vida de Jesus, aos 17 anos, com meu irmão mais velho, fiquei chocado quando ele
disse que Jesus era Deus. Eu respondi "não, ele é o filho de Deus". Então meu irmão
me ensinou um pouco do básico da cristologia cristã.
Em outras palavras, se alguém conhece muito pouco de teologia, ele pode
facilmente abrir sua Bíblia, ler que Jesus é o filho de Deus, ou "meu Pai é maior que eu", e
muitas outras passagens semelhantes, concluir que Jesus é menor que Deus.
Arianismo. Ou como os TJs fazem, ao ler Ap 3,14 ("Eis o que diz o Amém...o Princípio da criação de Deus")
e concluir que Jesus fora criado. Estes são exemplos de como nascem as heresias
ao longo dos tempos.
Com relação aos Padres, tudo o que é preciso para demonstrar que eles não
ensinavam a Sola Scriptura é
verificar se as afirmações abaixo se aplicam a um Padre
1. A Bíblia
2. A Tradição Apostólica possui autoridade
3. A Igreja possui autoridade
Aceitando estes três itens, é impossível que alguém também aceite a Sola Scriptura, porque nesta
doutrina, a Bíblia (e a consciência individual) possui a autoridade sobre a
Tradição e a Igreja (Lutero, em Worms, foi o defensor deste mesmo princípio),
com a garantia de que a Bíblia é sempre - supostamente - "clara"
Os
A Igreja Católica afirma a suficiência material
das Escrituras (assim como os Padres). Porém rejeita a sua suficiência formal, que na realidade é o núcleo
do dogma protestante Sola Scriptura.
A autoridade da Igreja é uma necessidade prática, dada a tendência do homem de
subverter a Tradição Apostólica como está nas Escrituras, seja ela clara ou
não. O fato é que quando uma controvérsia aparece, uma autoridade fora da
Bíblia deve encerrar todas as dúvidas e confirmar a ortodoxia. Isto não quer
dizer que a Bíblia, apropriadamente entendida, não seja suficiente para refutar
erros. Ela apenas não é formalmente
suficiente por si só.
Já escrevi livros e vários artigos onde cito extensivamente a Bíblia. Isto não
significa que não respeito a autoridade da Igreja ou que eu seja um defensor da
Sola Scriptura. Santo Atanásio
escreveu extensos argumentos bíblicos. Ótimo, com isso, estudando a Bíblia,
fazendo exegese, discutindo suas páginas, pregando, etc., etc., são atos
maravilhosos e bons (e os católicos concordam plenamente), mas nenhum destes
gestos nos reduz a uma necessidade lógica de adotar a Sola Scriptura como princípio formal.
Heiko Oberman, historiador protestante, afirma:
A tradição não deve ser entendida como uma adição ao kerygma, mas como a sua
pregação de forma viva: em outras palavras, tudo que é encontrado na Sagrada
Escritura está presente na Tradição.
Ela está presente no corpo visível de Cristo, inspirado e vivificado pela obra
do Espírito Santo...A Escritura e a Tradição derivam de uma única fonte: a
Palavra de Deus. Somente na Igreja este kerygma pode ser transmitido sem
falhas...
The Harvest of Medieval Theology,
Jaroslav Pelikan, historiador luterano, afirma:
Claramente há um anacronismo em supor que as discussões
dos séculos 2 e 3 derivam das controvérsias do século 16
A Tradição apostólica era pública...tão palpável que mesmo se os apóstolos não
estivessem com a Escritura em mãos para demonstrar uma norma de suas doutrinas,
a igreja ainda assim seguiriam 'a estrutura da tradição que eles traziam a quem
confiaram as igrejas'[2]. Isto foi, de fato, o que a igreja fez nos territórios
bárbaros onde o material escrito não era disponível aos ouvintes, conservando o
conteúdo da fé transmitida pelos apóstolos e sumarizada no credo...
O termo "regra de fé"
ou "regra de verdade"...parece
algumas vezes ter pertencido à Tradição, outras à Escritura, outras à mensagem
do Evangelho...
Na Reforma...os advogados da autoridade final das Escrituras ignoraram a função
da Tradição em conservar o que se conhecia como correta exegese das Escrituras
contras as alternativas heréticas.
The Christian Tradition: A History of the Development of Doctrine:
Vol. 1 of 5: The Emergence of the
Catholic Tradition (100-600), Chicago: Univ. of Chicago Press, 1971,
115-117, 119; citações: [1]. In Cushman, Robert E. & Egil Grislis, eds., The Heritage of Christian Thought: Essays in
Honor of Robert Lowry Calhoun, New York: 1965, citado em Albert Outler,
"The Sense of Tradition in the Ante-Nicene Church," 29. [2]. St. Irineu, Contra as Heresias, 3:4:1
|
|
Muitos escritores não levam em conta o sentido original, o
gênero literário e a intenção dos autores sagrados; interpréta-os como se
fossem textos modernos, que podem ser entendidos segundo as categorias de
pensamento do homem de hoje. Os autores parecem mesmo desconfiar da exegese
dita "científica".
Eis, porém, que é regra de sadia exegese procurar, antes do mais, o significado
preciso do texto original; é necessário entender o texto como o autor sagrado o
entendia e daí depreender a mensagem que ele queria transmitir. A inspiração do
texto bíblico por parte do Espírito Santo não equivale a ditado mecânico; supõe
sempre as categorias de pensamento do escritor oriental, antigo. Estas,
portanto, têm que ser, primeiramente, detectadas e reconhecidas para que se
possa compreender genuinamente a página bíblica. Este procedimento exegético
tem sido enfaticamente recomendado pela Igreja desde Pio XII (encíclica Divino
Afflante Spiritu, 1943) até o Concílio do Vaticano li, que
Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem-se levar em conta, entre
outras coisas, também os gêneros literários Pois a verdade é apresentada e
expressa de maneiras diferentes nos textos históricos, proféticos ou poéticos
ou nos demais gêneros de expressão. Ora é preciso que o Intérprete pesquise o
sentido que, em determinadas circunstâncias, o hagiógrafo, conforme a situação
de seu tempo e de sua cultura, quis exprimir e exprimiu por meio dos gêneros
literários então em uso. Pois, para entender devidamente aquilo que o autor
sagrado quis afirmar por escrito é necessário levarem conta sejam aquelas
usuais maneiras nativas de sentir, de dizer e de narrar que eram vigentes nos
tempos do hagiógrafo, sejam as que em tal época se costumavam empregar nas
relações dos homens entre si".
Verdade é que muitos dos exegetas científicos desde o fim do século XVIII têm
cedido ao racionalismo, a ponto de esvaziarem por completo o texto bíblico. É o
que vem provocando a réplica do chamado "Fundamentalismo" que se
apega à letra do texto como ele soa em suas versões vernáculas e se fecha aos
estudos de lingüística, arqueologia, história antiga... Ora o Fundamentalismo é
posição extremada, errônea, como o racionalismo, pois ignora o mistério da
condescendência divina, que assume as modalidades da linguagem e da cultura dos
homens antigos para falar à humanidade. Assim se lê num documento da Pontifícia
Comissão Bíblica intitulado "A Interpretação da Bíblia na Igreja" e
datado de 15/4/1993: "O problema de base da leitura fundamentalista é que,
recusando levar em consideração o caráter histórico da revelação bíblica, ela
se toma incapaz de aceitar plenamente a verdade da própria Encarnação. O
Fundamentalismo foge da estreita relação do divino e do humano no
relacionamento com Deus Ele se recusa a admitir que a Palavra de Deus inspirada
foi expressa em linguagem humana e que ela foi redigida, sob a inspiração
divina, por autores humanos cujas capacidades e recursos eram limitados. Por
esta razão, ele tende a tratar o texto bíblico como se ele tivesse sido ditado,
palavra por palavra, pelo Espírito e não chega a reconhecer que apalavra de
Deus foi formulada numa linguagem e numa fraseologia condicionadas por uma ou
outra época. Ele não dá atenção ás formas literárias e às maneiras humanas de
pensar presentes nos textos bíblicos, muitos dos quais são fruto de uma
elaboração que se estendeu por longos períodos de tempo e leva a marca de
situações históricas muito diversas.
O Fundamentalismo insiste também de maneira indevida sobre a inerrância dos
pormenores nos textos bíblicos, especialmente em matéria de história ou de
pretensas verdades científicas. Muitas vezes ele toma histórico aquilo que não
tinha a pretensão de historicidade, pois ele considera como histórico tudo
aquilo que é narrado ou contado com os verbos em tempo pretérito, sem a
necessária atenção à possibilidade de um sentido simbólico ou figurativo".
Por conseguinte, nem racionalismo nem fundamentalismo... Mas é necessário que o
exegeta proceda sempre em duas etapas:
- procure, mediante os recursos da lingüística, da arqueologia, da história
antiga... definir claramente o sentido do texto original ou aquilo que o autor
humano queria dizer;
- a seguir, coloque esses resultados no conjunto das proposições da fé. A
Sagrada Escritura é um longo discurso de Deus, homogêneo, que tem suas linhas
centrais e seus acordes, que devem projetar luz sobre cada secção desse
discurso. É o que São Paulo chamava "a analogia da fé ou a proporção da
fé" (Rm 12,6). Esta fé é vivida e proclamada pela Igreja, cujo magistério
recebeu de Cristo a garantia da autenticidade (cf. Jo 14, 26; 16,13-15). Assim
o estudioso católico chega ao entendimento exato do texto sagrado. Não incute
suas idéias ao texto (o que seria fazer in-egese), mas deduz do texto a
mensagem objetiva (faz ex-egese). Quem assim não procede, corre o risco do
subjetivismo ou de interpretações pessoais, semelhantes às que ocorrem no
protestantismo.
As Revelações Particulares
Nenhuma revelação particular é endossada oficialmente pela Igreja. Esta não
pode colocar no mesmo plano a revelação feita por Jesus Cristo e pelos autores
bíblicos e qualquer revelação ocorrida em caráter particular após a era dos
Apóstolos. A revelação oficial e pública termina com a geração dos Apóstolos;
cf. Lumen Gentium n°- 25; Dei Verbum nº 4. Em conseqüência torna-se difícil
crer que Deus queira continuar e explicitar a revelação outrora feita pelas
Escrituras servindo-se de revelações não oficiais ou fazendo destas o
complemento daquelas.
As revelações particulares, quando genuínas, geralmente corroboram o Evangelho,
incutindo duas notas importantes: oração e penitência. Assim em La Salette, em
Lourdes, em Fátima... Qualquer outra predição, principalmente se é muito
minuciosa, torna-se suspeita. É não raro a satisfação que os
"videntes" dão à sua própria curiosidade de saber o decurso do
futuro; imaginam-no como se fosse revelado por Deus. Independentemente dessas
minúcias, ficará sempre válida a exortação à conversão e à oração, tão
recomendada pelo Evangelho e corroborada pelos sinais dos tempos atuais; estes
pedem que os cristãos muito especialmente sejam o sal da terra, a luz do mundo
(cf. Mt 5,13s), o fermento na massa (cf. Mt 13,33). A consideração dos nossos
tempos, portanto, deve levar ao afervoramento da vida dos cristãos, abstração
feita de predições sinistras.
|
15. SOBRE O CÂNON BÍBLICO |
Quantas
vezes você já ouviu de algum protestante a afirmação de que a Igreja Católica teria
acrescentado vários livros apócrifos à Bíblia durante o Concílio de Trento, no
séc. XVI? Quando eles falam isso, estão querendo se referir a sete livros do
Antigo Testamento que não se encontram em suas bíblias: Tobias, Judite,
Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e os dois livros dos Macabeus (além de alguns
trechos dos livros de Daniel e Ester). Porém, a própria História - que é
imutável - desmente tal argumento, vistos os testemunhos abaixo:
·
"Cânon
36 - Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na
Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as
seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute,
quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2,
Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos
Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias,
Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus.
E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de]
Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos
Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e
o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se
consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a
leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12"
(Concílio de Hipona, 08.Out.393).
·
"Parece-nos
bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome
'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese,
Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos
Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de
Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias,
Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo
Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos,
treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de
João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João. Isto se fará saber
também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou
a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi
isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja" (Concílio
de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).
·
"Tratemos
agora sobre o que sente a Igreja Católica universal, bem como o que se dever
ter como Sagradas Escrituras: um livro do Gênese, um livro do Êxodo, um livro
do Levítico, um livro dos números, um livro do Deuteronômio; um livro de Josué,
um livro dos Juízes, um livro de Rute; quatro livros dos Reis13,
dois dos Paralipômenos; um livro do Saltério; três livros de Salomão: um dos
Provérbios, um do Eclesiastes e um do Cântico dos Cânticos; outros: um da
Sabedoria, um do Eclesiástico. Um de Isaías, um de Jeremias com um de Baruc e
mais suas Lamentações, um de Ezequiel, um de Daniel; um de Joel, um de Abdias,
um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Jonas, um de Naum, um de
Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias, um de Malaquias. Um de Jó,
um de Tobias, um de Judite, um de Ester, dois de Esdras, dois dos Macabeus. Um
evangelho segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas, um segundo João.
[Epístolas:] a dos Romanos, uma; a dos Coríntios, duas; a dos Efésios, uma; a
dos Tessalonicenses, duas; a dos Gálatas, uma; a dos Filipenses, uma; a dos
Colossences, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filemon, uma; aos Hebreus,
uma. Apocalipse de João apóstolo; um, Atos dos Apóstolos, um. [Outras
epístolas:] de Pedro apóstolo, duas; de Tiago apóstolo, uma; de João apóstolo,
uma; do outro João presbítero, duas14; de Judas, o zelota, uma. (Catálogo
dos livros sagrados, composto durante o pontificado de São Dâmaso [366-384], no
Concílio de Roma de 382)
·
"Quais
os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco
livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um
livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e
Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério.
Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos
Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro
livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas
de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de
João" (papa Inocêncio I, 20.02.405; Carta "Consulenti Tibi" a
Exupério, bispo de Tolosa).
·
"Devemos
agora tratar das Escrituras Divinas. Vejamos o que a Igreja Católica
universalmente aceita e o que deve ser evitado: (1) Começa a ordem do Antigo
Testamento: um livro da Gênese, um do Êxodo, um do Levítico, um dos Números, um
do Deuteronômio, um de Josué (filho de Nun), um dos Juízes, um de Rute, quatro
livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, um livro de 150 Salmos,
três livros de Salomão (um dos Provérbios, um do Eclesiastes, e um do Cântico
dos Cânticos). Ainda um livro da Sabedoria e um do Eclesiástico. (2) A ordem
dos Profetas: um livro de Isaías, um de Jeremias com Cinoth (isto é, as suas
Lamentações), um livro de Ezequiel, um de Daniel, um de Oséias, um de Amós, um
de Miquéias, um de Joel, um de Abdias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc,
um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias e um de Malaquias. (3) A ordem dos
livros históricos: um de Jó, um de Tobias, dois de Esdras, um de Ester, um de
Judite e dois dos Macabeus. (4)A ordem das escrituras do Novo Testamento, que a
Santa e Católica Igreja Romana aceita e venera são: quatro livros dos
Evangelhos (um segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas e um segundo
João). Ainda um livro dos Atos dos Apóstolos. As 14 epístolas de Paulo
Apóstolo: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Efésios, duas aos
Tessalonicenses, uma aos Gálatas, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas
a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon e uma aos Hebreus. Ainda um livro do
Apocalipse de João. Ainda sete epístolas canônicas: duas do Apóstolo Pedro, uma
do Apóstolo Tiago, uma de João Apóstolo, duas epístolas do outro João
(presbítero) e uma de Judas Apóstolo (o zelota)" (papa S. Gelásio,
~495; Decreto Gelasiano; repetido em 520 pelo papa S. Hormisdas. Seguido também
pelo Concílio Ecumênico de Florença15 [1438-1445], e novamente ratificado pelos
Concílio de Trento16 [1546-1563] e Vaticano I [1870])).
·
Outras Fontes:
Concílio Regional de Trulos, realizado no ano 692.
1
Trata-se dos dois livros de Samuel (1Rs/2Rs) e os dois livros de Reis
(3Rs/4Rs).
2 Isto é, os dois livros das Crônicas (1Cr/2Cr).
3 Ou seja: Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos,
Sabedoria e Eclesiástico.
4 A saber: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias,
Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
5 Incluindo as "Lamentações" e "Baruc",
segundo a Septuaginta.
6 Isto é, o livro de Esdras e o livro de Neemias.
7 Mateus, Marcos, Lucas e João.
8 Aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios,
aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, a
Tito e a Filemon.
9 Curiosa distinção resultada, provavelmente, dos escrúpulos
que a Igreja Africana tinha a respeito da autenticidade literária paulina dessa
epístola.
10 Percebe-se, assim, que o cânon coincide perfeitamente com
o cânon definido pelo Concílio de Trento.
11 Trata-se da Igreja de Roma.
12 Alusão ao culto dos santos mártires.
13 Os Concílios regionais de Cartago simplesmente repetem,
com as mesmas palavras, o conteúdo do cânon 36 do Concílio regional de Hipona.
A diferença está somente na conclusão.
14 Interessante distinção, já que antiquíssima tradição de
Éfeso distinguia o João Apóstolo de um João Presbítero, da mesma região.
15 cf. Decreto "Pro Iacobitis" (da Bula
"Cantate Domino", de 04.02.1441): "...O Sacrossanto Concílio
professa que um e o mesmo Deus é o autor do Antigo e do Novo Testamento, isto
é, da Lei, dos Profetas e do Evangelho, pois os santos de ambos os Testamentos
falaram sob a inspiração do mesmo Espírito Santo. Este Concílio aceita e venera
os seus livros que vêm indicados pelos títulos seguintes: Cinco livros de
Moisés (isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), Josué,
Juízes, Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, Esdras, Neemias,
Tobias, Judite, Ester, Jó, o Saltério de Davi, as Parábolas (Provérbios),
Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias,
Baruc, Ezequiel, Daniel, os Doze Profetas menores (isto é, Oséias, Joel, Amós,
Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias) e
dois livros dos Macabeus. Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João),
catorze epístolas de Paulo (uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos
Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses,
duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon, uma aos Hebreus), duas epístolas de
Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas, os Atos dos Apóstolos e o
Apocalipse de João".
16 cf. Decreto sobre o Cânon (sessão IV, de 08.04.1546).
|
16. COMO ESTÁ DEFINIDO O CÂNON BÍBLICO |
A Bíblia é formada pelos seguintes livros:
·
Antigo Testamento: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute,
1Samuel, 2Samuel, 1Reis, 2Reis, 1Crônicas, 2Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias,
Judite, Ester, 1Macabeus, 2Macabeus, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes (ou
Coélet), Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sirácida), Isaías,
Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias,
Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
·
Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos dos Apóstolos, Romanos, 1Coríntios,
2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses,
2Tessalonicenses, 1Timóteo, 2Timóteo, Tito, Filêmon, Hebreus, Tiago, 1Pedro,
2Pedro, 1João, 2João, 3João, Judas e Apocalipse.
Portanto,
o Antigo Testamento é formado por 46 livros e o Novo Testamento reúne 27
livros.
A
Bíblia foi escrita em três línguas diferentes: o hebraico, o aramaico e o grego
(Koiné). Quase a totalidade do Antigo Testamento foi redigida em hebraico,
embora existam algumas palavras, trechos ou livros em aramaico e grego. Quanto
ao Novo Testamento, este foi completamente redigido em grego - a única exceção
parece ser o livro de Mateus, originariamente escrito em aramaico, contudo esse
original foi perdido de maneira que resta-nos hoje a versão em grego.
Quanto
ao Antigo Testamento, a Bíblia protestante possui sete livros a menos que a
Bíblia católica. Ocorre que a Igreja Católica, desde o início, utilizou a
tradução grega da Bíblia chamada Septuaginta ou Versão dos Setenta (LXX). Essa
tradução para o grego foi feita no séc. III aC,
Por
volta do ano 100 dC, os judeus da Palestina se reuniram em um sínodo na cidade
de Jâmnia e estabeleceram alguns critérios para formarem o seu cânon bíblico.
Esses critérios eram os seguintes:
1.
O
livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel.
2.
O
livro não poderia conter passagens ou textos em aramaico ou grego, mas apenas
em hebraico.
3.
O
livro não poderia ter sido redigido após a época de Esdras (458-
4.
O
livro não poderia contradizer a Lei de Moisés (Pentateuco).
Assim,
os livros escritos por aquela enorme comunidade judaica do Egito não foram
reconhecidos pelo sínodo de Jâmnia, por causa de seus critérios
ultranacionalistas. Também em virtude desses critérios, o livro de Ester - que
em parte alguma cita o nome de Deus - foi reconhecido como inspirado mas
somente a parte escrita em hebraico; os acréscimos gregos, que incluíam orações
e demonstravam a real presença de Deus como condutor dos fatos narrados, foram
completamente desprezados, deixando uma lacuna irreparável.
Os
livros não reconhecidos pelo sínodo da Jâmnia e que aparecem na tradução dos
Setenta são tecnicamente chamados de deuterocanônicos,
em virtude de não terem sido unânimemente aceitos. São, portanto,
deuterocanônicos no Antigo Testamento os seguintes livros: Tobias, Judite,
Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1Macabeus e 2Macabeus, além das seções gregas
de Ester e Daniel.
Com
a dúvida levantada pelo sínodo de Jâmnia, alguns cristãos passaram a questionar
a inspiração divina dos livros deuterocanônicos. Os Concílios regionais de
Hipona (393), Cartago III (397) e IV (419), e Trulos (692), bem como os
Concílios Ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870),
confirmaram a validade dos deuterocanônicos do Antigo Testamento, baseando-se
na autoridade dos Apóstolos e da Sagrada Tradição.
Da
mesma forma como existem livros deuterocanônicos no Antigo Testamento, também o
Novo Testamento contém livros e extratos que causaram dúvidas até o séc. IV,
quando a Igreja definiu, de uma vez por todas, o cânon do Novo Testamento. São
deuterocanônicos no Novo Testamento os livros de Hebreus, Tiago, 2Pedro, Judas,
2João, 3João e Apocalipse, além de alguns trechos dos evangelhos de Marcos,
Lucas e João.
Com
o advento da Reforma Protestante, os evangélicos - a partir do séc. XVII1
- passaram a omitir os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento. Alguns
grupos mais radicais chegaram - sem sucesso - a tentar retirar também os livros
deuterocanônicos do Novo Testamento. É de se observar, dessa forma, que caem em
grande contradição por não aceitarem os deuterocanônicos do Antigo Testamento
enquanto aceitam, incontestavelmente, os deuterocanônicos do Novo Testamento.
1 O próprio Lutero (fundador da Reforma) traduziu e
publicou, para a língua alemã, os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento
|
17. OS LIVROS DEUTEROCANÔNICOS FAZEM PARTE DA BÍBLIA? |
O texto abaixo é
um debate promovido pelo site "Agnus Dei", defendendo o canôn bíblico
definido pela Igreja Católica. As partes escritas em azul mostram as
argumentações de um irmão sobre a visão protestantes do canôn bíblico. As
respostas à todas estas argumentações são mostradas logo abaixo, nos textos
escritos em preto.
Caro, irmão:
Achei este texto de ataque ao cânon
católico. Quando possível, gostaria de receber observações suas sobre o texto.
·
Prezado Fabiano,
Vamos lá...
"No que diferem
as Bíblias Católicas das Protestantes"
·
De fato, existem diferenças entre as Bíblias Católicas e as
Bíblias Protestantes...
Nas Católicas há os
livros chamados Apócrifos. Apócrifo antigamente no tempo dos Persas tinha um
sentido esotérico, depois passou a significar Coisas Escondidas, Ocultas ou
Secretas. Mais tarde esse termo foi sendo aplicado a livros de autenticidade
incerta e hoje se aplica a livros religiosos não inspirados tais como esses que
encontramos nas Bíblias Católicas;
·
Há uma meia verdade neste parágrafo. Realmente o termo
"apócrifo" tem significado pejorativo, desde meados do séc IV dC,
indicando autenticidade incerta. Porém, o termo não se aplica aos livros e
acréscimos indicados pelo autor deste artigo no parágrafo seguinte, mas sim aos
livros que não foram considerados inspirados pela Igreja primitiva (ex.:
Evangelho de Tomé; Apocalipse de Paulo; 3Macabeus; etc.) - veja uma lista bem
mais completa dos livros apócrifos no artigo "Quais são os livros
apócrifos?"
São chamados mais apropriadamente de "deuterocanônicos"
por se tratar de livros que não se encontram na Bíblia Palestinense (definida
pelos judeus da Palestina em 90 dC), mas na Bíblia Alexandrina (dos judeus que
habitavam nesta cidade do Egito). Os livros que coincidiam nas duas Bíblias são
chamados de "protocanônicos".
Foi Lutero quem começou a chamar estes livros de apócrifos no séc
XVI dC e, para complicar mais ainda, passaram a chamar de
"pseudoepígrafos" aqueles livros de autenticidade evidentemente
falsa, que nós, católicos (e também ortodoxos), chamamos de
"apócrifos". O motivo disso é que os protestantes têm certas
dificuldades teológicas se admitirem a autenticidade destes livros, pois
apresentam de forma bem clara certas doutrinas refutadas por eles, como, por
exemplo, o purgatório, a oração em favor dos mortos e a intercessão dos santos.
Os livros apócrifos
são: Tobias, Judite, Sabedoria de Jesus ben Sirach ou Eclesiástico, Sabedoria
de Salomão, Baruque, I Macabeus, II Macabeus, Acréscimos a Daniel, Acréscimos a
Ester.
·
A informação aqui está correta com a única ressalva de que não são
livros e acréscimos apócrifos, mas sim deuterocanônicos...
Qual a sua origem?
a) Ptolomeu Filadelfo rei do Egito
ordenou que traduzissem os escritos dos hebreus para o Grego, língua oficial do
mundo de então, para assim enriquecer a sua biblioteca;
·
A tradução dos livros dos hebreus para o grego se deu entre os
anos 300 e
O autor deste artigo reconhece isto - ainda que timidamente, pra
variar - no item imediatamente a seguir...
b) O afrouxamento
dos Judeus da grande colônia hebraica de Alexandria quanto ao estudo da sua
própria língua;
·
Não se trata precisamente de um "afrouxamento" mas sim
de um fator natural, que ocorre com qualquer língua minoritária em certa região
onde a esmagadora maioria fala uma outra língua. Por exemplo, o português tem
origem no latim, mas hoje, no Brasil (e até mesmo em Portugal), é muito difícil
encontrar alguém que conheça plenamente a língua latina. Foi afrouxamento
nosso? Certamente que não... trata-se de um processo de desenvolvimento lento e
contínuo, estritamente natural e sem qualquer ligação com relaxamento...
c) A grande
influência helenista nos judeus alexandrinos;
·
Isto de modo algum "manchou" a fé dos judeus, bastando
lembrar que Jesus também era judeu e nunca fez ressalva alguma sobre tal
questão; muito pelo contrário...
d) O grande desejo
do mundo grego de conhecer os escritos dos judeus.
·
Esta afirmação parece-me um tanto quanto esvaziada, porque o mundo
grego, na verdade, desprezava o conhecimento dos hebreus, pois não contavam com
filósofos. É justamente por essa razão que São Paulo fala das vãs filosofias
(Col 2,8) e diz que pregar a cruz de Cristo é escândalo para os judeus (já que
o Messias seria o libertador de Israel) e loucura para os gregos (porque é
contrário à filosofia); entretanto, o próprio São Paulo não abre mão da razão
(=filosofia) para pregar o Evangelho pelo mundo grego (v. Atos dos
Apóstolos)...
Em outras palavras: não eram os gregos que tinham interesse de
conhecer os escritos judaicos, mas eram os judeus - e mais tarde também os
cristãos - que tinham o interesse de propagar a Palavra de Deus; os judeus por
puro proselitismo; os cristãos, pela Salvação de toda criatura humana.
Data
·
A crítica moderna (inclusive protestante) sugere as seguintes
datas de composição para os livros em debate:
o
Tobias:
o
Judite:
o
1Macabeus:
o
2Macabeus:
o
Eclesiástico: 200 (em hebraico) e 130 (tradução grega)
o
Sabedoria:
o
Baruc:
o
acréscimos a Ester:
o
acréscimos a Daniel:
Entretanto, o fato de terem sido os últimos livros a serem
escritos no Antigo Testamento, de forma alguma reduz-lhes o valor. Também o
fato de alguns terem sido escritos fora do território da Palestina não
significa que não sejam inspirados porque, ainda assim, foram escitos por
representantes legítimos do Povo de Deus!
IV - Erros ensinados
pelos apócrifos, que estão em contradição com o restante da Bíblia
·
Alguns desses "erros" foram com certeza retirados de um
livretinho de autoria de Jaime Reda, chamado "Assim Diz a Bíblia".
Embora não o afirme, o autor certamente é adventista e, como qualquer protestante,
tem dificuldade em explicar doutrinas tão claras que se opõem ao que prega a
sua seita...
Vamos analisar os "erros" e "refutar a
refutação" do autor: primeiro, demonstrando que a Bíblia possui (nos
livros que o autor aceita como inspirados, isto é, os
"protocanônicos" do Antigo Testamento e todo o Novo Testamento)
outros exemplos daquilo que o autor considera errado; segundo, apresentando a
contradição do autor com o ensinamento bíblico...
A-1. Dar esmolas
purifica o pecado
a) Tobias 12:9 - "Porque
a esmola livra da morte e é a que apaga os pecados e faz encontrar a
misericórdia e a vida eterna.";
b) Tobias 4:10 - "Porque a esmola livra de todo o pecado e da morte e não
deixará, cair a alma nas trevas.";
c) Eclesiástico 3:33 - "As esmolas resgatam o pecado.";
d) II Macabeus 12:43-46 - "E tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas
de prata, a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifício pelos pecados dos
mortos, sentindo bem e religiosamente da ressurreição... Se Judas não tivesse
esperança de que se erguessem de novo os que caíram teria sido supérfluo orar
pelos mortos... É pois um santo e salutar pensamento orar pelos mortos para que
sejam livres de seus pecados".
·
"Porquanto qualquer um que vos der a beber um copo de água em
meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá
a sua recompensa"(Mc 9,41).
·
"Dai, porém, de esmola o que está dentro do copo e do prato,
e eis que todas as coisas vos serão limpas" (Lc 11,41)
·
"Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim
também a fé sem obras é morta" (Tg 2,26)
2. Refutação:
a) Oferta em
dinheiro para perdão do pecado não encontramos em nenhum lugar da Bíblia, isto
é coisa diabólica, pois assim somente os ricos teriam o perdão dos pecados;
b) I Pedro 1:18-19 - não foi com ouro ou prata que fomos comprados;
c) Atos 10:4-6 - não somente dar esmolas mas conhecer e praticar a verdade;
d) Efésios 2:8-9 - somos salvos pela graça de Deus e não por dinheiro;
e) Isaías 55:1 - compra sem dinheiro.
·
O que importa não é se a esmola é oferecida em dinheiro ou em
espécie, mas com a intenção de querer fazer o bem, por amor a Jesus. É dar a
quem precisa, sem guardar o sentimento de retribuição. Isto agrada ao Senhor
(até um pequeno e simples copo de água!!) e O levará a considerar tal feito no
Dia do Juízo; portanto, não há dúvidas de que a esmola apaga pecados, não no
sentido de torná-los inexistentes, mas compensados... Foi justamente por isso
que a pobre viúva que deu tudo o que tinha foi elogiada por Cristo, em detrimento
aos ricos (cf. Lc 21,3); mesmo assim, estes ricos, que deram do que tinha de
sobra, também não foram condenados - a diferença é que estes terão uma
recompensa menor do que aquela viúva (haverá, portanto, uma compensação). Jesus
confirma também o valor da esmola juntamente com outras formas de piedade (Mt
6,2-18), que cobrem "uma multidão de pecados" (1Ped 4,8).
B-1. Ensino de
Crueldade e do Egoísmo
a) Eclesiástico 12:6
- "Não favoreças aos ímpios; retém o teu pão e não o dê a ele".
·
"Deste modo extirparás o mal do teu meio, para que os outros
ouçam, fiquem com medo e nunca mais tornem a praticar o mal no meio de ti. Que
teu olho não tenha piedade. Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão
por mão, pé por pé" (Dt 19,19-20).
2. Refutação:
a) Eclesiastes
11:1-2 - lança o teu pão;
b) Provérbios 25:21-22 - dá-lhe pão para comer e água para beber;
c) Romanos 12:20;
d) Mateus 5:44-48 - amar os nossos inimigos.
·
É mais do que claro que o autor do Eclesiástico segue
rigorosamente o ensino do Antigo Testamento (v. especialmente Êxodo e
Deuteronômio). Se lermos Eclo 12,4-7, perceberemos que não se trata de esmola
dada aos necessitados, mas sim de benefícios o que, certamente, é melhor
concedê-los a gente honesta do que a pessoas malvadas. Santo Agostinho escreveu
sobre esta passagem de Eclo: "Não dês ao pecador enquanto pecador, dá-lhe
enquanto homem". Logo, a referida passagem não se refere à crueldade,
muito menos se refere ao egoísmo.
C-1. Pecados
perdoados pela oração
a) Eclesiástico 3:4
- "Quem amar a Deus receberá perdão de seus pecados pela oração".
2. Refutação:
a) Os pecados não se
perdoam pela oração, se fosse assim, não teríamos necessidade de Jesus. Todos
os povos pagãos fazem orações, mas os pecados não se perdoam somente pela
oração;
b) Provérbios 28:13 - o que confessa e deixa alcançará misericórdia;
c) I João 1:9 - renúncia do pecado;
d) I João 2:1-2 - Cristo é quem perdoa.
·
Tal refutação é, no mínimo, ridícula. O livro do Eclesiástico - de
onde foi tirado o exemplo dos pecados perdoados pela oração - pertence ao AT e,
como todos os demais, são apenas um preparativo para a nova Aliança em Cristo.
Além do mais, a confissão não deixa de ser uma oração - seja no ponto de vista
católico, através do Ato de Contrição, seja no ponto de vista protestante, onde
o pecador tentar obter seu perdão diretamente de Deus. Portanto, o autor cai em
contradição consigo mesmo.
D-1. O Ensino do
Purgatório
a) Sabedoria 3:1-4 -
"Mas as almas dos justo estão nas mãos de Deus; e o tormento da morte não
as tocará. Aos olhos dos ignorantes pareciam eles morrer e sua partida foi
considerada desgraça. E, sua separação de nós, por uma extrema perda. Mas eles
estão em paz. E embora aos olhos dos homens sofram tormentos, sua esperança
está plenamente na imortalidade.";
b) Isto é a doutrina do Purgatório.
·
"Em verdade te digo que de maneira nenhuma [sairás] dali
enquanto não pagares o último ceitil" (Mt 5,26)
·
"Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do homem,
isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe
será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro" (Mt 12,32)
·
"Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o
tal será salvo todavia como que pelo fogo" (1Cor 3,15).
2. Refutação:
a) I João 1:7 - esse
ensino aniquila completamente a expiação de Cristo. Se o pecado, pudesse ser
extinguido pelo fogo, não teríamos necessidade de um Salvador;
b) Eclesiastes 9:6 - os mortos não sabem coisa nenhuma - Isaías 38:18-19;
c) I Tessalonissenses 4:13-16 - na ressurreição os justos serão galardoados.
·
A doutrina do Purgatório de forma alguma aniquila a obra de
Cristo; muito pelo contrário... Sabemos muito bem que nada de impuro pode
entrar no céu (Mt 5,8); por outro lado sabemos que aquele que disser que não
tem pecados é um mentiroso (1Jo 1,10). No entanto, o Senhor é justo juiz (2Tim
4,8) e recompensa até um copo d'água que é dado em seu nome (Mt 9,41). Logo,
embora o purgatório não seja mencionado com este nome na Escritura (a
Santíssima Trindade também não é e todos os cristãos a professam como verdade
revelada!), a sua realidade é incontestável. Observe-se, ainda, que o
purgatório é somente para os que estão salvos mas ainda possuem pecados não
expiados, tornando necessária a purificação para ver a Deus. Quem for julgado
para a perdição, não tem como passar pelo purgatório para expiar seus
pecados...
No site do Agnus Dei existem diversos artigos sobre o Purgatório,
explicando-o com mais detalhes. Utilize a ferramenta de busca interna,
existente no Índice de Assuntos, para localizá-los mais facilmente...
E-1. O Ensino da
Vingança
a) Judite 9:2 -
"O Senhor Deus, do meu pai Simeão, a quem deste a espada para executar
vingança contra os gentios".
·
"Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por
pé..." (Ex 21,24)
·
"Quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente;
como ele tiver desfigurado algum homem, assim lhe será feito." (Lv 24,20)
·
"O teu olho não terá piedade dele; vida por vida, olho por
olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé." (Dt 19,21)
2. Refutação:
a) Gênesis 34:30 - o
aborrecimento de Jacó pela vingança de Simeão contra os cananitas;
b) Gênesis 49:5-7 - a maldição de Jacó porque eles usaram de vingança;
c) Romanos 12:17-19 - minha é a vingança do Senhor.
·
Será que os exemplos que citei acima, tirados do Êxodo, Levítico e
Deuterônimo são exemplos de amor ao próximo? Também não é necessário falar das
mortes efetivadas pelos hebreus durante a Conquista da Terra Prometida... O
autor do presente artigo não poderia ser mais infeliz para refutar alguma coisa
dos deuterocanônicos...
F-1. Suicídio
a) II Macabeus 12:41
- "... quando ele se viu a ponto de ser preso, feriu-se com a sua espada,
preferindo morrer nobremente a ver-se sujeito a pecadores, e padecer ultrajes
indignos de seu nascimento".
·
A citação acima é tirada de 2Mc 14,41-42 e não de 2Mc 12,41!
·
"Sansão invocou a Javé e exclamou: 'Senhor Javé, eu te
suplico, vem em meu auxílio; dá-me forças ainda esta vez, ó Deus, para que, de
um só golpe, eu me vingue dos filisteus por causa dos meus dois olhos'. E
disse: 'Morra eu com os filisteus!'". (Jz 16,28.30).
2. Refutação:
a) morrer nobremente
é a frase perigosa. A Bíblia nos conta de alguns suicídios, mas nunca os
qualifica de cousa ou ato nobre;
b) a vida e morte dependem de Deus e nós, não podemos desertar da vida para nos
livrar de dificuldades. Cristianismo quer dizer paciência, abnegação. Tudo
sofre, tudo suporta;
c) Transgressão do mandamento "Não matarás".
·
A Bíblia possui diversos casos de suicídio - principalmente entre
guerreiros - além do registrado pelo autor deste artigo: Jz 9,54; 16,28-29; 1Sm
31,4-5; 2Sm 17,23; 1Rs 16,18. O suicídio de Sansão (Jz 16,28-29) embora não
seja classificado explicitamente como "morte nobre", é tido como
grandioso pelo autor do livro dos Juízes, pois ele deu a sua vida pelo seu
povo, utilizando contra os seus inimigos a força final recebida de Deus.
Poderíamos, por isto, dizer que o suicídio é algo grandioso?? Que Deus aprova?
Ou estaria Sansão ardendo no Inferno?
Se fosse algo sempre nobre ou grandioso, a Igreja Católica, por
conseguinte, não condenaria o suicídio como sempre o fez. Ensina o Catecismo da
Igreja: "Cada um é responsável por sua vida diante de Deus que lha deu e
que dela é sempre o único soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento
e preservá-la para sua honra e salvação das nossas almas. Somos os
administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não
podemos dispor dela". Entretanto, a Igreja reconhece: "Não se pode
desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Deus pode, por caminhos que
só ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora
pelas pessoas que atentaram contra a própria vida".
G-1. O Ensino de
Artes Mágicas
a) Tobias 6:8 -
"Se tu puseres um pedacinho do seu coração (do peixe que ele havia
apanhado) sobre brasas acesas, o seu fumo afugenta toda a casta de demônios,
tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais chegar a
eles". Verso 9 - "E o fel é bom para untar os olhos que tem algumas
névoas, e sararão.".
·
"Dito isto, cuspiu no chão e com a saliva fez lodo, e untou
com lodo os olhos do cego e lhe disse: 'Vai lavar-te na piscina de Siloé' [...]
O cego foi. lavou-se e voltou vendo" (Jo 9,6)
·
"Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes
orem sobre ele, ungido-o com óleo
2. Refutação:
a) não encontramos
tal coisa em nenhum lugar da Bíblia;
b) não precisamos de truques para enfrentar o diabo;
c) maneiras de enfrentar o diabo e os demônios: Mateus 4:4-10;
d) Tiago 4:7 - resisti ao diabo e ele fugirá;
e) maneiras de expulsar demônios: Marcos 16:17 e Atos 16:18.
·
Também não encontramos em qualquer outro lugar da Bíblia que a
lama oriunda do cuspe misturada com a terra cura os cegos. Seria então Jesus um
feiticeiro? :)
Torna-se claro, portanto, que existe um interesse oculto na
referida passagem de Tobias, que só será desvendado em 8,3, quando o próprio
Anjo Rafael expulsa o demônio (e não Tobias através do coração, fel e fígado do
peixe). O interesse, portanto, é ocultar a identidade do Anjo para Tobias até a
efetiva expulsão do demônio...
H-1. Mentiras
a) Judite 11:13-17 -
Judite mentindo para Holofernes;
b) Tobias 5:15-19 - o anjo Rafael mentindo.
·
"Abraão disse de sua mulher Sara: 'É minha irmã' e Abimelec,
rei de Gerara, mandou buscar Sara (Gen 20,2)
·
"Jacó disse: 'eu sou o teu filho primogênito, Esaú, fiz como
me ordenaste...' Disse [Isaac]: 'Tu és o meu filho Esaú?' Respondeu: 'Eu o
sou'. E logo que sentiu a fragrância de seus vestidos, abençoou-o." (Gen 27,19)
2. Refutação:
a) Deus nunca
sancionou a mentira nem mesmo nos seus servos;
b) O mal começou com a mentira no céu;
c) Gênesis 3:4 - certamente morrerás;
d) João 8:44 - quem é o originador e pai de todas as mentiras, portanto não
pode um anjo de Deus mentir;
e) João 14:6 - Jesus diz ser o caminho, a Verdade e a vida. Todos os
seguidores, de Cristo devem ser verdadeiros.
·
Também os grandes patriarcas hebreus mentiram e não foram
abandonados por Deus; muito pelo contrário... Abraão foi pai de muitas nações
(Gen 17,5); Jacó manteve a bênção de Deus e teve seu nome mudado para Israel
(Gen 35,10).
É certo que a mentira atenta contra a verdade e é sempre
proposital; entretanto, não se pode igualar os graus de mentira
(generalizando-a) ou desconhecer-lhe a intenção (para prejudicar ou beneficiar
alguém com ou sem prejuízo de outrem).
I-1. Tolices
a) Tobias 2:10 - as fezes de uma
andorinha, caindo nos olhos de Tobias que estava dormindo junto a um muro
deixa-o cego;
·
Os médicos também afirmam que o esterco de andorinha pode queimar
os olhos... A observação também é feita na Bíblia Sagrada versão de Matos
Soares (ed. Paulinas), na pág. 484.
b) Judite 8:5-6 -
uma mulher jejuando a vida inteira, menos aos sábados;
·
A mulher em questão é a própria Judite.O fato de jejuar todos os
dias não significa que não bebesse água, que é o elemento fundamental para o
corpo humano. Também Jesus jejuou por 40 dias e 40 noites seguidos e não morreu
(Mt 4,2). Certamente aos sábados Judite se alimentava bem, pelo menos com o
suficiente para se manter firme... Vários santos também impuseram sobre si
rigorosa rotina de jejum, principalmente os ermitões que viviam no deserto. Não
há, neste caso, nenhuma "tolice" em Judite...
c) II Macabeus 15:40
- "beber sempre água é coisa prejudicial".
·
A frase completa é: "Assim como é nocivo beber somente vinho
ou somente água, enquanto que é agradável beber água misturada com
vinho...". A frase encerra, portanto, uma verdade, que é o abuso; tudo que
é feito em excesso é prejudicial, rompendo um equilíbrio que deve ser mantido.
Mesmo assim, o que o autor se refere neste versículo é quanto à agradabilidade
da narração de sua obra, que deve encantar os ouvidos. Você já bebeu água sem
vontade? É horrível, não? Já bebeu vinho sem gostar? É ruim também porque
queima a garganta... Misturando os dois fica agradável, saboroso, porque
alcança um equilíbrio ao gosto do degustador. Assim deve ser qualquer obra
literária: deve agradar o leitor!
V - Razões interessantes
Roma não pode chamar as outras Bíblias
de falsas por não conterem os Apócrifos, assim como não pode se chamar uma nota
de falsa por não ter ela uns acréscimos que alguém julgue que ela deva ter;
·
Pode sim! Pode porque foi a Igreja que definiu o cânon bíblico no
séc. IV, selecionando os livros do Novo Testamento e confirmando todos os
livros do Antigo Testamento segundo a versão da Septuaginta, incluindo os 7
livros aqui debatidos, bem como os acréscimos a Ester e Daniel. E a autoridade
da Igreja para estabelecer o cânon é indiscutível, pois ela é a "coluna e
o fundamento da Verdade" (1Tim 3,15).
E pode também porque a Igreja Católica foi fundada sobre os
Apóstolos, que usaram a Septuaginta para escrever o Novo Testamento: das 350
citações do AT, 300 obedecem a versão dos LXX! Se o autor segue a autoridade
dos judeus de Jâmnia para definir o seu cânon, deve deixar de lado todos os
livros do Novo Testamento; porém, se aceita a autoridade da Igreja, fundada por
Cristo, não tem como deixar de lado os livros deuterocanônicos, pois estaria
(como de fato está) em contradição.
Em II Macabeus
encontramos o autor do livro pedindo perdão pelas suas falhas como escritor. Se
crêssemos que estes livros estão no mesmo pé de igualdade com os inspirados,
ficaríamos então admirados de ver agora o Espírito Santo pedindo desculpas por
algumas falhas, o que é inconcebível;
·
Não tem nada a ver! Também São Paulo afirma em 1Cor 7,12:
"Aos outros sou eu quem digo e não o Senhor: se algum irmão tem uma mulher
sem fé e esta consente em habitar com ele, não a repudie". Será que esta
passagem também não é inspirada? Se não é, por que ainda se encontra na
Bíblia??? Por que não foi simplesmente riscada?? E se fosse riscada, o que
impediria de riscar toda a 1Coríntios?
O Senhor Jesus e os
Apóstolos fazem 205 citações do V.T. e mais 304 alusões ao mesmo e não dizem
nenhuma palavra sequer a respeito de um dos livros Apócrifos;
·
Não é verdade. Veja-se, por exemplo, o seguinte caso: em Hebreus
11,35 lemos que "Algumas mulheres reencontraram os seus mortos pela
ressurreição. Outros foram esquartejados, recusaram o resgate para chegar a uma
ressurreição melhor". A quem o Apóstolo se refere ao falar de algumas
mulheres? Certamente ao filho da viúva ressuscitado por Elias (1Rs 17,22-23) e
ao filho da sunanita ressuscitado por Eliseu (2Rs 4,35-36). Até aí tudo bem...
Porém pergunte a um protestante:
Onde você encontra na Bíblia alguém que aceitou ser esquartejado
crendo na esperança da ressurreição?
Ele poderá revirar todo o Antigo Testamento da sua Bíblia
protestante, do Gênese ao profeta Malaquias, mas nada encontrará... O Apóstolo
estaria mentindo? Não! Ele se refere ao martírio dos sete irmãos que lemos em
2Mac 7! Isto é indiscutível!!
Fora esta passagem, existem pelo menos mais 344 referências no NT
aos livros deuterocanônicos... Veja a lista em "O Novo Testamento e os
Deuterocanônicos", na área da Bíblia do site do Agnus Dei.
Jerônimo, o tradutor
da Vulgata declarou que os Apócrifos não eram canônicos;
·
Por volta do ano 90 dC, vários anos após a destruição de Jerusalém
pelos romanos, os judeus (fariseus) se reuniram em um sínodo na cidade de
Jâmnia e definiram um cânon usando de critérios meramente nacionalistas (v. o
artigo "Como está definido o cânon bíblico" na área de
Apologética), deixando de fora os 7 livros em questão, pois não atendiam a tais
requisitos.
São Jerônimo, até o ano 390 aceitava os livros deuterocanônicos
como inspirados mas, indo para a Terra Santa e passando a traduzir a Bíblia
para o latim diretamente do hebraico, foi influenciado pelos rabinos a
considerar somente os livros aceitos pelos judeus da Jâmnia. Ainda assim, é
possível encontrar mais de 200 referências aos deuterocanônicos nas obras do
Santo. Fora isso, a questão do cânon bíblico para a Igreja cristã ainda não
estava definida, o que torna compreensível e justificada a posição de Jerônimo.
Porém, a Igreja Católica resolveu a situação a partir dos
Concílios regionais de Hipona (393), Cartago III (397) e Cartago IV (418). Em
450, o papa Inocêncio I reafirmou o cânon bíblico com todos os deuterocanônicos
numa carta ao bispo Exupério de Tolosa. Para maiores detalhes, ler o artigo "Testemunhos
Cristãos Primitivos - O Cânon Bíblico", na área de Patrística.
Somente em 8 de
Abril de 1546 é que a Igreja Católica se lembrou que esses livros deveriam
estar canonizados; Nesse concílio que declarou os Apócrifos como autorizados,
não havia nenhuma autoridade entre eles. Havia somente 53 prelados italianos e
espanhóis na sua maioria. Nenhum alemão. Era mais um concílio religioso do que
ecumênico, portanto não tinha autoridade;
·
Papo furado! A Igreja Católica usa os deuterocanônicos desde a era
apostólica. A definição de sua inspiração já se dera oficialmente em Hipona (393)
e Cartago (397 e 418), como vimos acima. Também o concílio ecumênico de
Florença (1441) professou solenemente o católogo completo dos livros sagrados,
pelo menos 1 século antes de Trento. A Bíblia de Guttemberg, o primeiro livro a
ser impresso no mundo por volta de 1450 , também continha os deuterocanônicos.
Foi o herege Martinho Lutero, apenas em 1534, que colocou os
referidos livros em apêndice, com o título de apócrifos, em sua tradução alemã
da Bíblia. Pelo menos teve a decência de deixá-los por considerá-los bons e de
utilidade (segundo palavras usadas pelo próprio "rerformador" no
prólogo).
A Igreja Católica
Ortodoxa sempre fez restrições aos Apócrifos;
·
Outra inverdade, que demonstra desconhecimento histórico e
eclesiológico. O Concílio de Trulos, reunindo padres da Igreja Oriental em 692,
também considerou os livros deuterocanônicos como inspirados. O mesmo ocorreu
nos sínodos de Constantinopla (1638), de Yassi (1642) e de Jerusalém (1672) -
após a Reforma Protestante.
Também a Sociedade Bíblica Unida (representada no Brasil pela
Sociedade Bíblica do Brasil), instituição protestante que produz Bíblias,
afirma em sua Agenda de Oração-1996, pág. 5: "Deuterocanônicos: As Bíblias
para as Igrejas Católica Romana e Ortodoxa contêm livros extras, que não fazem
parte da Bíblia usada pelas Igrejas Protestantes". A única exceção entre
os ortodoxos trata-se da Igreja Ortodoxa Russa; ainda assim, é livre entre
estes aceitar ou não os deuterocanônicos.
Católicos Scholars
rejeitam os Apócrifos:
a) Bede e John of
Salisbury -
b) William Ockham - 1347;
c) Cardeal Ximenes mandou editar na Espanha a Bíblia Poliglota e não continha
os Apócrifos - 1514-17;
d) Após o Concílio de Trento em 1546 ter pronunciado os livros Apócrifos
canônicos Sixtus de Siena em 1566 insistiu em separar os livros Apócrifos da
Bíblia."
·
"Scholars"? Acho que este artigo tem origem americana...
Seria bom que o tradutor pelo menos disfarçasse, traduzindo o termo ou pelo
menos indicando a fonte...
Não conheço a opinião destes senhores e sinceramente pouco me
importa... São meras opiniões huimanas, sem a autoridade oficial da Igreja,
"fundamento e coluna da verdade" (1Tim 3,15). Nem todo aquele que se
diz "católico" é católico de verdade, infelizmente. Jesus deu autoridade
aos seus Apóstolos, à sua Igreja... Os apóstolos usaram a Septuaginta com os
deuterocanônicos; a Igreja sempre os reconheceu como inspirados, havendo aqui
ou ali poucas vozes destoantes, quase sempre influenciadas por judeus... Eu
aceito a autoridade da Igreja, dos Apóstolos e, por consequência, de Jesus -
que prometeu estar com sua Igreja até a consumação dos séculos (Mt 28,20).
Dizer que a Igreja errou ao definir o cânon é chamar Jesus de mentiroso, por
não cumprir sua promessa de permanecer conosco. Tal proposição, entretanto, é
absurda!
E, pelo que vimos até aqui, existem muito mais argumentos em favor
da inspiração dos deuterocanônicos do que contra... Em outras palavras: quem é
contra os deuterocanônicos ainda não conseguiu provar que estes não fazem parte
da Bíblia... Estão em maus lençóis!
|
|
A Septuaginta foi a primeira tradução do Antigo Testamento
hebraico, feita em grego popular antes da Era Cristã. Este artigo tratará do
seguinte:
1.
Sua
importância;
2.
Sua
origem;
1.
Segundo
a Tradição;
2.
Segundo
o ponto de vista comumente aceito.
3.
Sua
história subseqüente, recensões, manuscritos e edições;
4.
Seu
valor crítico e linguagem.
1. Importância Histórica da Septuaginta
A importância da versão da Septuaginta é representada pelas seguintes
considerações:
1.
A
Septuaginta é a mais antiga tradução do Antigo Testamento e, consequentemente,
de valor incalculável para os críticos compreenderem e corrigirem o texto
hebraico (Massorético), que é posterior - aquele que chegou até nós - pois foi
estabelecido pelos massoretas no séc. VI d.C.. Muitas corrupções textuais,
adições, omissões ou transposições foram incorporadas ao texto hebraico entre
os séculos III-II a.C. e VII d.C.; assim, os manuscritos da Septuaginta
colocados à disposição dos críticos podem ser bem melhor compreendidos em
alguns pontos que os manuscritos massoréticos.
2.
A
versão da Septuaginta - primeiramente aceita pelos judeus de Alexandria e, mais
tarde, por todas as nações de língua grega - auxiliou na expansão, entre os
gentios, da idéia e expectativa do Messias, e introduziu a terminologia
teológica no grego, tornando-a o melhor instrumento para a propagação do
Evangelho de Cristo.
3.
Os
judeus a usaram muito antes da Era Cristã e, no tempo de Cristo, foi
reconhecida como texto legítimo, tendo sido inclusive empregada na Palestina
pelos rabinos. Os apóstolos e evangelistas a usaram também e fizeram citações
do Antigo Testamento a partir dela, especialmente no que diz respeito às
profecias. Os padres e outros escritores eclesiásticos da Igreja primitiva
citavam-na diretamente - no caso dos padres gregos - ou indiretamente - no caso
dos padres e escritores latinos e outros que empregavam as versões latinas,
siríacas, etíopes, árabes e góticas. Seguramente, era tida em grande estima por
todos, chegando alguns a acreditar de que era inspirada. Consequentemente, o
conhecimento da Septuaginta auxilia na perfeita compreensão dessas literaturas
[da Igreja primitiva].
4.
Atualmente,
a Septuaginta é o texto oficial da Igreja grega e as antigas versões latinas
usadas pela Igreja ocidental também foram feitas a partir dela; a mais antiga
tradução adotada pela Igreja latina - a Vetus Ítala - foi preparada diretamente
sobre a Septuaginta: as idéias adotadas nela, os nomes e palavras gregas
empregadas (tais como: Gênese, Êxodo, Levítico, Números [Arithmoi],
Deuteronômio) e, finalmente, a pronúncia dada ao texto hebraico, passaram
freqüentemente para a Ítala e, a partir desta, às vezes, para a Vulgata, que
não raramente, apresenta sinais da influência da Vetus Ítala (principalmente
nos Salmos: a tradução da Vulgata é meramente o texto da Vetus Ítala corrigido
por São Jerônimo conforme o texto da Septuaginta encontrado na Hexápla [de
Orígenes]).
2. Origem da Septuaginta
1.
Segundo a Tradição
A versão da Septuaginta é primeiramente mencionada na Carta de Aristéias a seu
irmão Filócrates. Aqui está, substanciamente, o que lemos sobre a origem de tal
versão: Ptolomeu II Filadélfo, rei do Egito (287-
Ainda que possua características lendárias, a narrativa de Aristéias ganhou
crédito: Aristóbulo (170-
Críticas
1.
A
Carta de Aristéias é certamente apócrifa. O escritor, que chama a si mesmo de
Aristéias e declara-se grego e pagão, mostra, no decorrer de toda a sua obra,
que, na verdade, é um judeu piedoso e zeloso: ele reconhece o Deus dos judeus
como o único Deus; ele declara que Deus é o autor da Lei Mosaica; ele é um
admirador entusiástico do Templo de Jerusalém, da terra e do povo judeu e de
suas leis sagradas e homens cultos.
2.
A
narrativa da Carta deve ser considerada como fantasiosa e lendária, no mínimo
3.
Os
pequenos detalhes acrescidos durante o passar dos anos ao relato de Aristéias
não podem ser aceitos; tais acréscimos são: a estória das celas (explicitamente
rejeitada por São Jerônimo); a inspiração dos tradutores (uma opinião
certamente baseada na lenda das celas); o número de tradutores (72 - v.
abaixo); a afirmativa de que todos os livros hebraicos foram traduzidos ao
mesmo tempo (Aristéias fala da tradução da Lei (nomos), da legislação
(nomothesia), dos livros do legislador - estas expressões, especialmente as
duas últimas, certamente se referem ao Pentateuco e excluem os outros livros do
Antigo Testamento, e São Jerônimo (Comment. in Mich.) declara: "Josefo
escreveu, e os hebreus nos informaram, que apenas os cinco livros de Moisés
foram traduzidos por eles (os 72) e dados ao rei Ptolomeu". Por outro
lado, as versões dos diversos livros do Antigo Testamento diferem muito no
vocabulário, estilo, forma e características, às vezes seguem uma tradução
livre, outras vezes, extremamente literal, o que demonstra que elas não seriam
obra dos mesmos tradutores. Apesar disso e de todas as divergências, o nome de
"versão da Septuaginta" é universalmente dado à coleção completa dos
livros do Antigo Testamento existentes na Bíblia grega adotada pela Igreja oriental.
2.
Origem
segundo o ponto de vista comumente aceito Como para o Pentateuco o seguinte
ponto de vista parece plausível, podemos também aceitar em linhas gerais: os
judeus, nos dois últimos séculos antes de Cristo, eram tão numerosos no Egito,
especialmente em Alexandria, que, em certo momento, passaram a constituir 2/5
da população total. Pouco a pouco a maioria deles deixou de usar ou esqueceu a
língua hebraica em grande parte, caindo no perigo de esquecer a Lei.
Consequentemente, tornou-se costumeiro interpretar na língua grega a Lei que
era lida nas sinagogas e, naturalmente, após certo tempo, alguns homens zelosos
pela Lei resolveram compilar uma tradução grega do Pentateuco. Isto ocorreu por
volta de meados do séc. III a.C.. Para os demais livros hebraicos - os
proféticos e históricos - foi natural que os judeus alexandrinos, fazendo uso
do Pentateuco traduzido em suas reuniões litúrgicas, desejassem também a
tradução destes; então, gradualmente, todos os livros foram sendo traduzidos
para o grego, que se tornara a língua maternal destes judeus; tal exigência
aumentava conforme o seu conhecimento de hebraico ia reduzindo dia a dia. Não é
possível determinar com precisão o tempo ou os eventos que levaram a estas
diferentes traduções; mas é certo que a Lei, os Profetas e, ao menos, parte dos
outros livros (i.é, os Hagiógrafos) existiam antes do ano
3. História Subseqüente
Recensões
A versão grega, conhecida como Septuaginta, foi bem acolhida pelos judeus
alexandrinos, que logo a difundiu pelas nações onde o grego era falado; foi usada
por diferentes escritores e suplantou o texto original nas cerimônias
litúrgicas. Filo de Alexandria a utilizou em seus escritos e considerava os
tradutores profetas inspirados; finalmente, ela foi acolhida pelos judeus da
Palestina e foi notavelmente empregada por Josefo, historiador judeu
palestinense. Sabemos também que os escritores do Novo Testamento fizeram uso
dela, utilizando-a na maioria de suas citações. Ela tornou-se o Antigo
Testamento da Igreja e foi altamente estimada pelos cristãos primitivos, de
modo que muitos escritores e padres declararam-na inspirada. Os cristãos
recorriam à ela constantemente em suas controvérsias com os judeus; estes logo
reconheceram suas imperfeições e, finalmente, a rejeitaram em favor do texto
hebraico ou de traduções mais literais (Áquila e Teodocião).
Correções críticas de Orígenes, Luciano e Hesíquio
Em razão de sua difusão entre os judeus helenizantes e cristão primitivos, as
cópias da Septuaginta passaram a se multiplicar e, como seria de se esperar,
muitas alterações - algumas propositais, outras involutárias - foram surgindo.
Logo sentiu-se a necessidade de restaurar o texto à sua pureza original. Eis um
brevíssimo relato das tentativas de correção:
1.
Orígenes
reproduziu o texto da Septuaginta na quinta coluna de sua Hexápla. Marcou com
obeli os textos que ocorriam na Septuaginta e que não se encontravam no
original; adicionou de acordo com a versão de Teodocião e distinguiu com
asteriscos e metobeli os textos do original que não se encontravam na Septuaginta;
adotou das variantes da versão grega os textos que eram mais próximos ao
hebraico; e, finalmente, transpôs o texto onde a ordem da Septuaginta não
correspondia à ordem do texto hebraico. Sua recensão, copiada por Pânfilo e
Eusébio, foi chamada de Hexápla para distingui-la da versão previamente
empregada, chamada comum, vulgar, koiné ou antehexápla. Foi adotada na
Palestina.
2.
São
Luciano, sacerdote de Antioquia e mártir, no início do séc. IV, publicou uma edição
corrigida de acordo com o hebraico; tal edição reteve o nome de koiné, edição
vulgar, e, às vezes, é chamada de Loukianos após o nome de seu autor. No tempo
de São Jerônimo, estava sendo usada
3.
Finalmente,
Hesíquio, um bispo egípcio, publicou, quase que ao mesmo tempo, uma nova
recensão, difundida principalmente no Egito.
Manuscritos
Os três manuscritos mais conhecidos da Septuaginta são: o Vaticano (Codex
Vaticanus), do séc. IV; o Alexandrino (Codex Alexandrinus), do séc. V,
atualmente no Museu Britânico de Londres; e o do Monte Sinai (Codex
Sinaiticus), do séc. IV, descoberto por Tischendorf no convento de Santa
Catarina, no Monte Sinai, em 1844 e 1849, sendo que parte se encontra em
Leipzig e parte
Edições Impressas
Todas as edições impressas da Septuaginta são derivadas das três recensões
acima citadas.
·
A
Editio Princeps é a da Complutensiana ou de Alcalá. Provém da Hexápla de
Orígenes. Impressa em 1514-18, não foi publicada até aparecer na Poliglota do
card. Ximenes, em 1520.
·
A
edição Aldine (iniciada por Aldo Manúcio) apareceu em Veneza em 1518. O texto é
mais puro que a edição Complutensiana e está mais próxima do Códice B. O editor
diz que colecionou manuscritos antigos mais não os especifica. Foi reimpressa
várias vezes.
·
A
mais importante edição é a Romana ou Sixtina, que reproduz quase que
exclusivamente o Codex Vaticanus. Foi publicada sob a direção do card. Caraffa,
com o auxílio de vários sábios, em 1586, sob a autoridade de Sixto V, com o
objetivo de socorrer os revisores que preparavam a nova edição da Vulgata
latina ordenada pelo Concílio de Trento. Tornou-se, assim, o textus receptus do
Antigo Testamento grego e teve diversas novas edições, tais como a de Holmes e
Pearsons (Oxford, 1798-1827), as sete edições de Tischendorf, que apareceram em
Leipzig entre 1850 e 1887 (as duas últimas publicadas após a morte do autor e
revisadas por Nestle), as quatro edições de Swete (Cambridge, 1887-95, 1901,
1909), etc.
·
A
edição de Grabe, publicada em Oxford de
Para edições parciais, v. Vigouroux, "Dicionário da
Bíblia", pp. 1643ss.
4. Valor Crítico e Linguagem
Valor Crítico
A versão da Septuaginta, embora ofereça exatamente em forma e substância o
verdadeiro sentido dos Livros Sagrados, difere consideravelmente do atual texto
hebraico (Massorético). Essas discrepâncias, porém, não são de grande
importância, mas apenas assunto de interpretação. Podem ser assim
classificadas: algumas são oriundas dos tradutores que tiveram à sua disposição
recensões hebraicas diferentes daquelas que são conhecidas como massoréticas;
às vezes os textos variam, outras vezes, os textos são idênticos, mas lidos
Linguagem
Todos
|
|
Não é incomum ouvirmos o seguinte argumento protestante:
"A Septuaginta e os livros
'apócrifos' nunca foram aceitos ou usados pelos judeus na Judéia do primeiro
século"
No entanto, partes da Septuaginta foram encontradas na
Judéia, entre os manuscritos do Mar Morto, sendo anteriores ao ano 70 d.C..
Alguns exemplares foram encontrados na caverna 4 (119LXXLev.; 120papLXXLev.;
121 LXXNum.; 122LXXDeut.). Há também um texto não identificado da Septuaginta
grega, encontrado na caverna 9 (Q9).
Em acréscimo a esses fragmentos, existe um fragmento de papiro, escrito em
grego, encontrado na caverna 7 (LXXExod.). A caverna 7 produziu ainda muitos
pequenos fragmentos em grego (da Septuaginta), cujas identificações permanecem
em discussão ou sem classificação. O dr. Emanuel Tov sugere as seguintes
identificações para alguns destes fragmentos gregos do primeiro século antes de
Cristo:
7Q4. Números 14,23-24;
7Q5. Êxodo 36,10-11; Números 22,38;
7Q6. 1 Salmo 34,28; Provérbios 7,12-13;
7Q6. 2 Isaías 18,2
7Q8. Zacarias 8,8; Isaías 1,29-30; Salmo 18,14-15; Daniel 2,43; Eclesiastes
6,3.
No meio destas porções da Septuaginta, foram encontrados manuscritos parciais
contendo alguns termos dos livros "apócrifos":
4Q478 [Tobias], 4Q383 e 7QLXXEpJer. [Epístola de
Jeremias], para citar apenas alguns.
É importante notar que nas cavernas de Qumran (de onde
provêm os "manuscritos do Mar Morto"), foi encontrada uma cópia do
livro do "Eclesiástico" na língua hebraica [manuscrito 2QSir.], bem
como um fragmento de "A História de Suzana" (correspondente ao
capítulo 13 do livro de Daniel), também em hebraico [manuscrito 4Q551]. Já na
caverna 4 de Qumran, foram encontrados fragmentos do livro "apócrifo"
de Tobias, nas línguas aramaica [manuscrito 4Q196-9] e hebraica [manuscrito 4Q200].
Deve-se observar, também, que as cavernas de Qumran não são o único lugar na
Judéia em que se encontraram livros "apócrifos". Outro exemplo é a
cópia do livro do "Eclesiástico" (ou "A Sabedoria do Filho de
Sirá"), em hebraico, encontrada nas ruínas de Massada. Este fragmento
manuscrito data do início do século I a.C..
Alguns, porém, poderão argumentar que:
"Os ebionitas (ou seita de
Qumran) eram um grupo estranho, que nunca veio a fazer parte do ramo principal
do judaísmo"
Mas se lermos o Novo Testamento, verificaremos que naquele
tempo não existia nenhum "ramo principal do judaísmo", como, ao
contrário, existe hoje. Nesse sentido, explica o pesquisador protestante dr.
Martin Abegg:
"Tanto no judaísmo moderno
quanto no cristianismo, uma 'seita' é, geralmente, um ramo de um tronco
religioso maior e é freqüentemente vista com excêntrica ou desviada nas suas
crenças. Mas os pesquisadores e leigos deveriam recordar que durante todo o
período de existência de Qumran, os fariseus e os saduceus eram 'seitas', assim
como eram os essênios! Foi apenas a partir do século II d.C. que passou a se
formar um tipo de judaísmo - aquele dos fariseus, dos rabis - que veio a se
tornar padrão para o povo judeu como um todo.
Tais matérias são de menor importância se comparadas com os manuscritos
bíblicos. Primeiro, porque todos os pesquisadores concordam que nenhum dos
textos bíblicos (tais como Gênese ou Isaías) foi composto em Qumran; ao
contrário, todos eles se originaram antes do período de Qumran. Também é aceito
que muitos ou a maioria desses manuscritos foram trazidos de fora para Qumran
e, depois, aí reproduzidos. Isto significa que o valor da maioria dos
manuscritos bíblicos enganam, não em estabelecer precisamente onde foram
escritos ou copiados, mas especificamente quanto ao estudo das formas textuais
que encerram" [The Dead Sea Scrolls Bible (=A Bíblia nos Manuscritos do
Mar Morto), (C) 1999, pg. XVI]
Encontramos um bom exemplo do uso da Septuaginta (a qual
contém os "apócrifos") entre os judeus da Judéia quando lemos os capítulos
6 e 7 dos Atos dos Apóstolos. Aí lemos que Santo Estêvão, cheio do Espírito
Santo (At. 6,10), foi levado ao Sinédrio pela multidão (At. 6,12); Estêvão,
então, se dirigiu aos judeus e contou-lhes como Jacó trouxe seus 75
descendentes para o Egito:
Atos 7,14-15: "Então José
mandou buscar Jacó, seu pai, e toda sua parentela, em número de setenta e cinco
pessoas. Desceu Jacó para o Egito e aí morreu, ele e também nossos pais".
Mas os manuscritos hebraicos nos dizem que Jacó trouxe 70
descendentes para o Egito (cf. Gên. 46,26-27; o texto hebraico também recorda
"70" em Deut. 10,22 e Ex. 1,5). Ora, o Sinédrio judaico e os
sacerdotes bem sabiam que Deut. 4,2; 12,32; Sal. 12,6-7 e Prov. 30,6 proíbem
que se acrescente ou retire algo da Palavra de Deus. Com efeito, por que o
Sinédrio e os sacerdotes não se escandalizaram com a afirmativa feita por
Estêvão, de que Jacó trouxera 75 descendentes? Por que não o acusaram de
"perverter a Escritura"? Quando lemos esses versículos, notamos que
os judeus pareciam nem mesmo piscar. Em ponto algum desta passagem encontramos
qualquer sugestão de que a raiva nutrida pelos judeus contra Estêvão havia se
originado de uma possível "perversão das Escrituras". Ao contrário,
eles mataram Estêvão porque foram por este confrontados com a pessoa do Senhor
Jesus - que era realmente o Cristo, e, ao contrário de ser por eles recebido,
foi assassinado do mesmo modo que seus predecessores, os profetas (At.
7,51-53)!
A explicação para a discrepância numérica na história de Jacó narrada por
Estêvão é simples: ele está citando Gênese (46,26-27) a partir da versão grega
da Septuaginta, a qual possui cinco nomes a mais (total de 75 nomes) que o
texto massorético hebraico. Os cinco nomes que faltam no texto hebraico foram
preservados na Septuaginta, em Gên. 46,20, onde Makir, filho de Manassés, e
Makir, filho de Galaad (=Gilead, no hebraico), são apontados, posteriormente,
como os dois filhos de Efraim, Taam (=Tahan, no hebraico) e Sutalaam
(Shuthelah, no hebraico) e seu filho Edon (Eran, no hebraico).
O Sinédrio certamente teria contestado a afirmação de Estêvão se a Septuaginta
não fosse usada ou aceita pelos judeus da Judéia. Com efeito, o fato de a
Septuaginta ter sido encontrada entre os manuscritos do Mar Morto bem demonstra
que esse era o caso.
Sendo, pois, uma realidade que ambas as versões (a Septuaginta e a hebraica)
eram de uso comum na Judéia do primeiro século, o Sinédrio não se surpreendeu
ou se escandalizou com a declaração de Estêvão. Afinal, o fato de serem 70 ou
75 o número de descendentes de Jacó não se revelava doutrina importante para os
judeus e, ao que parece, também havia muitos judeus no outro lado da questão.
Eis alguns dos papiros e manuscritos primitivos da
Septuaginta:
Século II a.C.:
1. 4QLXXDeut [#819] (rolo
2. PRyl 458 [#957 = vh057] (rolo
Séculos II/I a.C.
3. 7QLXXEx [#805 = vh038] (rolo
4. 4QLXXLev\a [#801 = vh049] (rolo
5. 7QLXX EpJer [#804 = vh312] (rolo
6. 7Q4, 7Q8, 7Q12 (rolo
Século I a.C.
7. 4Q127 (rolo em papiro, paráfrase grega de Êxodo?);
8. PFouad266a [#942] (rolo
9. 4QLXXLev\b [#802 = vh046] (rolo
10. PFouad 266b [#848 = vh56] (rolo
11. PFouad 266c [#847 = vh56] (fins do séc. I a.C., rolo
Entre Eras a.C. e d.C
12. 4QLXXNu [#803 = vh051] (rolo
Século I d.C.
13. POxy 3522 [#??] (rolo
Séculos I/II d.C.
14. POxy 4443 [#??] (rolo
|
20. PALAVRA DE DEUS = BÍBLIA + TRADIÇÃO + MAGISTÉRIO |
Desde o princípio, Deus fala com sua Igreja através da
Bíblia e da Sagrada Tradição. Para garantir que sejam compreendidas por nós,
Deus guia a autoridade de ensino da Igreja - o Magistério - para que esta possa
interpretar perfeitamente a Bíblia e a Sagrada Tradição. Eis a dádivá da
infalibilidade! Esses três elementos - a Bíblia, a Sagrada Tradição e o
Magistério - são todos necessários para que haja a estabilidade da Igreja e
para garantir a segurança da doutrina.
1.
A Sagrada Tradição (Catec.Igr.Cat. 75-83)
A Sagrada Tradição não deve ser confundida com a simples tradição humana,
geralmente chamada de costume ou disciplina. Algumas vezes Jesus condenou os
costumes ou disciplinas, mas somente quando estes contradiziam os Mandamentos
de Deus (cf. Mc 7,8). Jesus nunca condenou a Sagrada Tradição e nem todas as
tradições humanas.
A Sagrada Tradição e a Bíblia não são diferentes, nem são revelações
concorrentes. Na verdade, são dois modos de como a Igreja segue o Evangelho. Os
ensinamentos apostólicos como a Santíssima Trindade, o batismo das crianças, a
infalibilidade da Bíblia, o purgatório e a virgindade perpétua de Maria têm
sido, de forma muito clara, demonstrada pela Sagrada Tradição, ainda que
estejam implicitamente presentes (e não em contradição) na Bíblia. A própria
Bíblia nos remete à Tradição, tanto na forma oral quanto escrita (cf. 2Ts 2,15;
1Cor 11,2).
Como dissemos, a Sagrada Tradição não deve ser confundida com os costumes e as
disciplinas, como o rosário, o celibato sacerdotal e a proibição de comer carne
nas sextas-feiras da Quaresma; tais costumes são bons e úteis, mas não
doutrinas. A Sagrada Tradição preserva as doutrinas pregadas por Jesus primeiro
aos seus Apóstolos e, mais tarde, repassadas aos sucessores dos Apóstolos, isto
é, aos bispos.
2.
As Sagradas Escrituras (Catec.Igr.Cat.
101-141)
As Sagradas Escrituras, que englobam o Antigo e o Novo Testamento, foram
inspiradas por Deus (2Tm 3,16). Foi o Espírito Santo que guiou os autores
bíblicos a escreverem aquilo que Ele desejava revelar. Já que Deus é o
principal autor da Bíblia e Deus é Verdade (cf. Jo 14,6), não pode Ele ensinar
algo errado e, assim, a Bíblia está isenta de qualquer erro, em tudo que ela
defende como Verdade.
Alguns cristão dizem: "A Bíblia é tudo do que preciso", contudo, tal
afirmativa não se encontra na própria Bíblia. Na verdade, a Bíblia ensina
justamente o contrário, como lemos em 2Pd 1,20-21 e 2Pd 3,15-16). Além disso, a
teoria de que "somente a Bíblia basta" nunca foi professada pela
Igreja primitiva.
Trata-se, assim, de um conceito novo, surgido durante a Reforma Protestante do
séc. XVI. Tal teoria é "tradição dos homens" que anula a Palavra de
Deus, distorcendo a verdadeira regra bíblica e excluindo a autoridade da Igreja
estabelecida por Jesus (cf. Mc 7,1-8).
Ainda que seja popular em muitas igrejas cristãs, a teoria de que "somente
a Bíblia basta" simplesmente não funciona na prática. A experiência
histórica desaprova essa idéia pois a cada ano vemos surgir mais e mais
religiões, cada qual com uma interpretação bíblica diferente.
Existem hoje dezenas de milhares de denominações, cada qual afirmando que sua
interpretação particular da Bíblia é a correta. As divisões que geram causam
confusões indescritíveis entre milhões de cristãos sinceros, mas desorientados.
[Para se ter uma idéia,] basta abrir as páginas amarelas da lista telefônica
para verificarmos quantas denominações diferentes estão catalogadas, cada uma
dizendo que "somente a Bíblia basta", mas nenhuma concordando
exatamente com a interpretação bíblica de todas as demais.
Porém, podemos ter a certeza de uma coisa: o Espírito Santo não pode ser o
autor de toda essa confusão (cf. 1Cor 14,33). Deus não pode conduzir as pessoas
através de crenças contraditórias já que a Verdade é uma só. Que conclusão
podemos então tirar? De que a teoria que diz que "somente a Bíblia
basta" [para o cristão] é falsa.
3.
O Magistério
(Catec.Igr.Cat. 85-87; 888-892)
Juntos, o papa e os bispos compõem a autoridade de ensino da Igreja, que é
chamada de "Magistério" (do latim Magisterium que significa Mestre).
O Magistério, guiado e protegido contra o erro pelo Espírito Santo, nos dá a
certeza da doutrina. A Igreja defenda e proclama a mensagem da Bíblia fiel e
precisamente. Trata-se de uma tarefa da Igreja, autorizada por Deus.
Devemos ter em mente que a Igreja nasceu antes da redação do Novo Testamento; e
não o inverso! Os membros da Igreja, inspirados por Deus, escreveram os livros
que formam o Novo Testamento da mesma maneira como os escritores do Antigo
Testamento também eram divinamente inspirados; e é a Igreja que é guiada pelo
Espírito Santo para guardar e interpretar toda a Bíblia, tanto o Novo quanto o
Antigo Testamento.
Assim, torna-se absolutamente necessário um intérprete oficial quando
precisamos compreender a Bíblia apropriadamente (ora, todos nós sabemos o que
diz a Constituição Federal, porém, cabe ao Supremo Tribunal Federal
interpretá-la realmente).
O Magistério é infalível quando ensina oficialmente já que Jesus prometeu
enviar o Espírito Santo para guiar os Apóstolos e seus sucessores no
conhecimento de toda a Verdade (cf. Jo 16,12-13).
|
21. DEFENDENDO OS DEUTEROCANÔNICOS |
Quando católicos e protestantes falam sobre a Bíblia, os
dois grupos atualmente possuem dois livros diferentes
No século 16, os reformadores protestantes removeram uma parte do Antigo
Testamento que não era compatível com a sua teologia. Diziam que estes livros
não eram inspirados e os chamaram de "apócrifos".
Os católicos se referem a eles como "deuterocanônicos" (pois foram
disputados por alguns autores e sua canonicidade foi estabelecida mais tarde
que o resto), enquanto que os demais livros são chamados de
"protocanônicos" (sua canonicidade foi estabelecida primeiro).
Seguindo o argumento protestante sobre a integridade da Bíblia, a Igreja
Católica reafirmou a inspiração divina dos livros deuterocanônicos no Concílio
de Trento em 1546. Fazendo isto, ela reafirmou o que já havia sendo crido desde
os tempos primitivos.
Quem organizou o Antigo Testamento?
A Igreja não nega que aqui existem alguns livros que são realmente
"apócrifos". Durante a era da igreja primitiva, existiam manuscritos
que supunham ser inspirados, mas não eram. Muitos chegaram até nós, como o
"Apocalipse de Pedro" e o "Evangelho de Tomé", cujas
igrejas cristãs rejeitaram como não pertencendo às Escrituras.
Durante o primeiro século, os judeus discordavam sobre a constituição do cânon
das Escrituras. De fato, havia muitos "cânons" sendo usados,
incluindo livros usados por cristãos. Para combater a disseminação do rito
cristão, os rabinos se encontraram na cidade de Jâmnia em 90 d.C. para
determinar quais os livros que continham as verdadeiras palavras de Deus.
Pronunciaram-se afirmando que muitos livros, incluindo os Evangelhos, eram
impróprios para serem considerados Escritura Sagrada. Este cânon também excluiu
7 livros (Baruc, Sirácida, 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão,
e algumas porções de Daniel e Esther) que os cristãos consideravam como parte
do Antigo Testamento.
O grupo de judeus que estavam em Jâmnia tornou-se o grupo dominante no decorrer
da história judaica, e hoje muitos judeus aceitam tal cânon. Entretanto, alguns
judeus, como os da Etiópia, seguiam um cânon diferente, e idêntico ao cânon
Católico do Antigo Testamento, pois incluíam os sete livros deuterocanônicos
(cf. Enciclopédia Judaica, vol
6, p. 1147).
Não é necessário dizer que a Igreja não aderiu ao resultado de Jâmnia.
Primeiro, um Concílio judaico após a época de Cristo não guarda ligações com os
seguidores de Cristo. Segundo, Jâmnia rejeitou precisamente os documentos que
constituíam a base da Igreja Cristã - os Evangelhos e outros documentos do Novo
Testamento. Terceiro, rejeitando os deuterocanônicos, Jâmnia rejeitou livros
que foram usados por Jesus e os apóstolos e que estavam contidos na edição da
Bíblia que os apóstolos usaram no dia-a-dia - a Septuaginta.
Os apóstolos e os deuterocanônicos
A aceitação pelos cristãos dos deuterocanônicos era lógica porque estes estavam
incluídos na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento que os apóstolos
usaram para evangelizar. Dois terços das citações do Antigo Testamento no Novo
são oriundos da Septuaginta. Em nenhuma parte os apóstolos falaram aos seus
discípulos ou convertidos para evitar estes sete livros ou alguma doutrina
contida nele. Assim como os judeus pelo mundo que usam a versão da Septuaginta,
os primeiros cristãos aceitaram os livros encontrados nela. Sabiam que os
apóstolos não iriam engana-los ou arriscar suas almas colocando falsas
Escrituras em suas mãos - especialmente não os avisando contra isto.
Mas os apóstolos não colocaram os deuterocanônicos nas mãos de seus convertidos
simplesmente como parte da Septuaginta. Eles regularmente citavam-nos
Existem alguns exemplos de mulheres recebendo de volta seus mortos pela
ressurreição no Antigo Testamento protestante. Você pode achar Elias ressuscitando
o filho da viúva de Sarepeta em 1 Reis 17, e você pode achar seu sucessor
Eliseu ressuscitando o filho da mulher sunamita em 2 Reis 4, mas uma coisa não
se poderá achar - em nenhum lugar no Antigo testamento protestante, do começo
ao fim, de Gênesis a Malaquias - alguém é torturado e rejeita o seu resgate
para alcançarem melhor ressurreição. Querendo achar tal fato, deve procurar no
Antigo Testamento da Bíblia católica - justamente nos livros deuterocanônicos
que Martinho Lutero Retirou de sua Bíblia.
Esta história é encontrada em 2 Mac 7, onde lemos que durante a perseguição dos
Macabeus, "Aconteceu também que,
tendo sido presos sete irmãos com sua mãe, o rei os queria obrigar a comer
carne de porco contra a lei...os outros irmãos exortavam-se mutuamente com sua
mãe, a morrerem corajosamente, dizendo: 'O Senhor Deus vê e consola-se em
nós'...Morto deste modo o primeiro, levaram o segundo ao suplício...respondendo
na língua dos seus pais, disse: Não! Pelo que este também padeceu os mesmos
tormentos que o primeiro. Estando já para dar o último suspiro, disse desta
maneira: 'tu ó malvado, faze-nos perder a vida presente, mas Deus, o Rei do
universo, nos ressuscitará para a vida eterna, a nós que morremos, por
fidelidade às suas leis" (2 Mac 7,1.5-9).
Os filhos morreram um por um, proclamando que eles serão recompensados pela
ressurreição. "Entretanto a mãe
deles, sobremaneira admirável e digna de memória, vendo morrer os seus sete
filhos em um só dia, suportou heroicamente a sua morte, pela esperança que
tinha no Senhor. Cheia de nobres sentimentos, exortava, na língua dos seus
pais, a cada um deles em particular, dando firmeza... Dizia-lhes: 'não sei como
fostes formados em meu ventre; não fui eu quem vos deu o espírito e a vida, ou
que formei os membros do vosso corpo. O criador do mundo, que formou o homem no
seu nascimento e deu a origem a todas as coisas, vos tornará a dar o espírito e
a vida, por sua misericórdia, em recompensa do quanto agora vos desprezais a
vós mesmos, por amor das suas leis", Diz o último irmão, "Não temas
este algoz, mas sê digno de teus irmãos, aceita a morte, para que eu te
encontre com eles no dia da misericórdia" (2 Mac 7,20-23.29).
Este é uma das referências do Novo Testamento aos deuterocanônicos. Os
primeiros cristãs reconheciam amplamente estes livros como Escrituras Sagradas,
não somente porque os apóstolos os colocaram em suas mãos, mas porque também se
referiram a eles no próprio Novo Testamento, citando o que recordavam como
exemplos a serem seguidos.
Os Pais falam
A aceitação dos deuterocanônicos é evidente ao longo da história da Igreja. O
historiador protestante J.N.D. Kelly escreve:
"Deveria ser observado que
o Antigo Testamento admitido como autoridade na Igreja era algo maior e mais
compreensivo que o Antigo Testamento protestante...ela sempre incluiu, com
alguns graus de reconhecimento, os chamados apócrifos ou deuterocanônicos. A
razão para isso é que o Antigo Testamento que passou em primeira instância nas
mãos dos cristãos era... a versão grega conhecida como Septuaginta... a maioria
das citações nas Escrituras encontradas no Novo Testamento são baseadas nelas
preferencialmente do que a versão hebraica... nos primeiros dois séculos... a
Igreja parece ter aceitado a todos, ou a maioria destes livros adicionais, como
inspirados e trataram-nos sem dúvida como Escritura Sagrada. Citações de
Sabedoria, por exemplo, ocorrem em 1 Clemente e Barnabé... Policarpo cita
Tobias, e o Didache cita Eclesiástico. Irineu se refere a Sabedoria, a história
de Susana, Bel e o dragão (livro de Daniel), e Baruc. O uso dos
deuterocanônicos por Tertuliano, Hipólito, Cipriano e Clemente de Alexandria é
tão freqüente que referências detalhadas são necessárias" (Doutrina Cristã Antiga, 53-54).
O reconhecimento dos deuterocanônicos como parte da Bíblia
dada pessoalmente pelos pais também foi conferida por esses mesmos pais como
uma regra, quando se encontravam nos Concílios da Igreja. Os resultados dos
Concílios são especialmente úteis porque não representam a visão de uma só
pessoa, mas o que fora aceito pelos líderes da Igreja de todas as regiões.
O cânon das Escrituras, Antigo e Novo Testamento, foi fixado definitivamente no
Concílio de Roma em 382, sob a autoridade do Papa Damaso I. E foi logo
reconhecido por sucessivos Concílios, tanto regionais como gerais. O mesmo
cânon foi firmado no Concílio de Hipona em 393 e no de Cartago em 397. O fato
destes Concílios não serem "ecumênicos" não rejeita o fato de suas
decisões não serem aceitos como baseadas em verdade de fé. Em 405 o Papa
Inocêncio I reafirmou o cânon em uma carta ao bispo Exuperius de Toulouse.
Outro Concílio de Cartago, este no ano de 419, reafirmou o cânon como os seus
predecessores e pediu ao papa Bonifácio que "confirme este cânon, pois
estas são as que recebemos de nossos pais para serem lidos na Igreja".
Todos estes canos formavam a mesma Bíblia católica atual, todos eles incluindo
os deuterocanônicos.
Este mesmo cânon foi implicitamente confirmado no sétimo Concílio Ecumênico, o
de Nicéia II (787), que aprovou os resultados do Concílio de Cartago de 419, e
explicitamente reafirmou nos Concílios Ecumênicos de Florença (1442), Trento
(1546), Vaticano I (1870) e Vaticano II (1965).
As acusações protestantes
Os deuterocanônicos mostram doutrinas da Igreja Católica, e por esta razão eles
foram retirados do Antigo Testamento por Lutero e colocados como apêndice sem
números de páginas! Lutero também retirou livros do Novo Testamento - Hebreus,
Tiago, Judas e Apocalipse - e os colocou como apêndice, sem páginas, da mesma forma
que os outros. Estes foram mais tarde recolocados de volta no Novo Testamento
por outros protestantes, mas os 7 livros do AT foram deixados. Em 1827, o British and Foreign Bible Society
retirou também este apêndice, sendo este o motivo pelo qual não são encontrados
nas Bíblias protestantes mais contemporâneas, apesar de ainda serem encontradas
em traduções protestantes clássicas, como a King James Version.
A razão porque eles foram retirados é que ensinam doutrinas católicas que os
protestantes rejeitam. Acima citamos um exemplo onde a carta aos Hebreus nos
mostra um exemplo do Antigo Testamento contido em 2 Mac 7, um incidente não
encontrado em nenhuma Bíblia protestante, mas facilmente localizada na Bíblia
católica. Porque Lutero teria retirado este livro se ele claramente serviu de
fonte para aquela parte do Novo Testamento? Simples: alguns capítulos mais
adiante o livro apóia a prática da oração às almas dos mortos para que sejam
purificados das conseqüências dos seus pecados (2 Mac 12,41-45); em outras
palavras, a doutrina católica do purgatório. Desde que Lutero rejeitou o ensino
histórico do purgatório (que data de antes de Cristo, como mostra o livro de
Macabeus), ele teve que retirar este livro da Bíblia e coloca-lo como apêndice.
(Note que ele também retirou Hebreus, o livro que cita 2 Macabeus, e o colocou
também como apêndice)
Para justificar esta rejeição a livros que estavam na Bíblia desde tempos antes
dos apóstolos (a Septuaginta foi escrita antes dos apóstolos), os primeiros
protestantes recorreram ao fato de que os judeus daqueles dias não honraram
tais livros, retornando assim ao Concílio de Jâmnia. Mas os reformadores
estavam atentos apenas aos judeus europeus; não prestando a devida atenção aos
judeus africanos, como os etíopes, que aceitavam os deuterocanônicos como parte
de sua Bíblia. Eles censuraram as referências ao deuterocanônicos no Novo
Testamento, assim como seu uso da Septuaginta. Ignoraram o fato de que existiam
múltiplos cânnos judaicos circulando no primeiro século, apelando a um Concílio
judaico pós-cristão que não possuía nenhuma autoridade para com os cristãos
para se falar que "os judeus não aceitaram estes livros". Na verdade,
foram longe tentar buscar algo que suportasse a rejeição a estes livros da
Bíblia.
Reescrevendo a história da Igreja
Anos mais tarde eles até iniciaram a propagação do mito de que a Igreja
Católica "adicionou" estes sete livros à Bíblia no Concílio de
Trento.
Os protestantes também tentaram distorcer as evidências patrísticas em favor do
deuterocanônicos. Alguns superficialmente afirmam que os Pais da Igreja não os
aceitavam, enquanto outros fazem reivindicações comedidas que certos
importantes pais, como Jerônimo, também não os aceitava.
É verdade que Jerônimo, e poucos e isoladas escritores, não aceitavam alguns
deuterocanônicos como inspirados. Entretanto, Jerônimo fora persuadido, contra
sua convicção original, a incluir os deuterocanônicos
Além do mais, deve ser documentado que em anos mais tarde Jerônimo de fato
aceitou certos deuterocanônicos como inspirados. Em sua resposta a Rufino, ele
defendeu bravamente as partes deuterocanônicas de Daniel mesmo que os judeus de
seu tempo não o fizessem.
Ele escreveu, "Que pecado eu
cometi se segui o julgamento da Igreja? Mas ele que traz acusações contra mim
por relatar as objeções a que os judeus estavam acostumados a formar contra a
história de Susana... e a história de Bel e o dragão, que não se acham nos
volumes hebraicos, provam que ele é apenas um bajulador insensato. Eu não
estava relatando minha própria visão, mas antes as questões que eles (os
judeus) estavam acostumados a fazer contra nós" (Contra Rufinus
11,33 [402 d.C.]). Desta forma Jerônimo reconheceu o princípio pelo qual o
cânon foi fixado - o julgamento da Igreja, não dos judeus.
Outros escritores protestantes citam como objeção aos deuterocanônicos, que
Atanásio e Orígenes não os aceitavam. Ora, Atanásio aceitava o livro de Baruc
(Festal Letter 39) e Orígenes aceitava todos os deuterocanônicos, mas
simplesmente recomendava não os usar nos debates com os judeus.
Contudo, apesar de alguns disparates e hesitações de alguns escritores como
Jerônimo, a Igreja permaneceu firme em sua afirmação histórica sobre os
deuterocanônicos como inspirados e vindos com os apóstolos. O protestante
J.N.D. Kelly afirma isto apesar da dúvida de Jerônimo:
"Pela grande maioria,
porém, os escritos deuterocanônicos atingiram o grau de inspirados com o máximo
de senso. Agostinho, por exemplo, cuja influência no ocidente foi decisiva, não
fazia distinção entre eles e o resto do Antigo Testamento... a mesma atitude
com os apócrifos foi demonstrada nos Sínodos de Hipona e Cartago em 393 e 397,
respectivamente, e também na famosa carta do papa Inocêncio I ao bispo de
Toulouse Exuperius, em 405" (Doutrina Cristã Antiga, 55-56).
Este é, portanto, um grande mito pelo qual os protestantes
acusam os católicos de terem "adicionado" os deuterocanônicos à
Bíblia no Concílio de Trento. Estes livros estavam na Bíblia antes de o cânon
pretender ser definido, o que ocorreu só em 380 d.C. tudo o que Trento fez foi
reafirmar, em face dos ataques protestantes à Bíblia católica, o que tem sido a
histórica Bíblia da Igreja - a edição padrão seria a Vulgata de Jerônimo,
incluindo os deuterocanônicos!
Os deuterocanônicos do Novo Testamento
É irônico que os protestantes rejeitem a inclusão dos deuterocanônicos pelos
Concílios de Hipona e Cartago, porque nestes Concílios da Igreja antiga também
foram definidos os livros do Novo Testamento. Principalmente pelo ano 300 havia
uma ampla discussão sobre quais livros exatamente deveriam pertencer ao Novo
Testamento. Alguns livros, como os Evangelhos, Atos e a maioria das cartas de
Paulo foram rapidamente aceitos. Contudo alguns livros, mais notavelmente
Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, e Apocalipse permaneceram em ardente
disputa até que o cânon foi fixado. São, de fato, "deuterocanônicos do Novo
Testamento".
Enquanto os protestantes aceitam o testemunho dos Concílios de Hipona e Cartago
(os Concílios que eles mesmos mais citam) para a canonicidade dos
deuterocanônicos do Novo Testamento, não estão dispostos a aceitar o testemunho
dos mesmos Concílios para a canonicidade dos deuterocanônicos do Antigo
Testamento. Realmente irônico!
|
22. REFERÊNCIAS DO NOVO TESTAMENTO AOS DEUTEROCANÔNICOS DO
ANTIGO TESTAMENTO |
1. REFERÊNCIAS POR ORDEM DO NOVO TESTAMENTO
·
Evangelho segundo Mateus
Mt 4,4 = Sb 16,26; Mt 4,15 = 1Mc 5,15; Mt 5,18 = Br 4,1; Mt 5,28 = Eclo 9,8; Mt
5,2-4 = Eclo 25,7-12; Mt 5,4 = Eclo 48,24; Mt 6,7 = Eclo 7,14; Mt 6,9 = Eclo
23,1.4; Mt 6,10 = 1Mc 3,60; Mt 6,12 = Eclo 28,2; Mt 6,13 = Eclo 33,1; Mt 6,20 =
Eclo 29,10-11; Mt 6,23 = Eclo 14,10; Mt 6,33 = Sb 7,11; Mt 7,12 = Tb 4,15 /
Eclo 31,15; Mt 7,16 = Eclo 27,6; Mt 8,11 = Br 4,37; Mt 8,21 = Tb 4,3; Mt 9,36 =
Jdt 11,19; Mt 9,38 = 1Mc 12,17; Mt 10,16 = Eclo 13,17; Mt 11,14 = Eclo 48,10;
Mt 11,22 = Jdt 16,17; Mt 11,25 = Tb 7,17 / Eclo 51,1; Mt 11,28 = Eclo 24,19 /
Eclo 51,23; Mt 11,29 = Eclo 6,24-25 / Eclo 6,28-29 / Eclo 51,26-27; Mt 12,4 =
2Mc 10,3 ; Mt 12,5 = Eclo 40,15; Mt 13,44 = Eclo 20,30-31; Mt 16,18 = Sb 16,13;
Mt 16,22 = 1Mc 2,21; Mt 16,27 = Eclo 35,22; Mt 17,1 = Eclo 48,10; Mt 18,10 = Tb
12,15; Mt 20,2 = Tb 5,15; Mt 22,13 = Sb 17,2; Mt 23,38 = Tb 14,4; Mt 24,15 =
1Mc 1,54 / 2Mc 8,17; Mt 24,16 = 1Mc 2,28; Mt 25,35 = Tb 4,17; Mt 25,36 = Eclo
7,32-35; Mt 26-38 = Eclo 37,2; Mt 27,24 = Dn 13,46; Mt 27,43 = Sb 2,13 / Sb
18-20.
·
Evangelho segundo Marcos
Mc 1,15 = Tb 14,5; Mc 4,5 = Eclo 40,15; Mc 4,11 = Sb 2,22; Mc 5,34 = Jdt 8,35;
Mc 6,49 = Sb 17,15; Mc 8,37 = Eclo 26,14; Mc 9,31 = Eclo 2,18; Mc 9,48 = Jdt
16,17; Mc 10,18 = Eclo 4,1; Mc 14,34 = Eclo 37,2; Mc 15,29 = Sb 2,17.
·
Evangelho segundo Lucas
Lc 1,17 = Eclo 48,10; Lc 1,19 = Tb 12,15; Lc 1,19 = Tb 12,15; Lc 1,42 = Jdt
13,18; Lc 1,52 = Eclo 10,14; Lc 2,29 = Tb 11,9; Lc 2,37 = Jdt 8,6; Lc 6,35 = Sb
15,1; Lc 7,22 = Eclo 48,5; Lc 9,8 = Eclo 48,10; Lc 10,17 = Tb 7,17; Lc 10,19 =
Eclo 11,19; Lc 10,21 = Eclo 51,1; Lc 12,19 = Tb 7,10; Lc 12,20 = Sb 15,8; Lc
13,25 = Tb 14,4; Lc 13,27 = 1Mc 3,6; Lc 13,29 = Br 4,37; Lc 14,13 = Tb 2,2; Lc
15,12 = 1Mc 10,29[30] / Tb 3,17; Lc 18,7 = Eclo 35,22; Lc 19,44 = Sb 3,7; Lc
21,24 = Tb 14,5; Lc 21,24 = Eclo 28,18; Lc 21,25 = Sb 5,22; Lc 24,4 = 2Mc 3,26;
Lc 24,31 = 2Mc 3,34; Lc 24,50 = Eclo 50,20-21; Lc 24,53 = Eclo 50,22-23.
·
Evangelho segundo João
Jo 1,3 = Sb 9,1; Jo 3,8 = Eclo 16,21; Jo 3,12 = Sb 9,16 / Sb 18,15-16; Jo 3,13
= Br 3,29; Jo 3,28 = 1Mc 9,39; Jo 3,32 = Tb 4,6; Jo 4,9 = Eclo 50,25-26; Jo
4,48 = Sb 8,8; Jo 5,18 = Sb 2,16; Jo 6,35 = Eclo 24,21; Jo 7,38 = Eclo 24,40 /
Eclo 43,30-31; Jo 8,44 = Sb 2,24; Jo 8,53 = Eclo 44,19; Jo 10,20 = Sb 5,4; Jo
10,22 = 1Mc 4,59; Jo 14,15 = Sb 6,18; Jo 15,9-10 = Sb 3,9; Jo 17,3 = Sb 15,3;
Jo 20,22 = Sb 15,11.
·
Atos dos Apóstolos
At 1,10 = 2Mc 3,26; At 1,18 = Sb 4,19; At 2,4 = Eclo 48,12; At 2,11 = Eclo
36,7; At 2,39 = Eclo 24,32; At 4,24 = Jdt 9,12; At 5,2 = 2Mc 4,32; At 5,12 =
1Mc 12,6; At 5,21 = 2Mc 1,10; At 5,39 = 2Mc 7,19; At 9,1-29 = 2Mc 3,24-40; At
9,2 = 1Mc 15,21; At 9,7 = Sb 18,1; At 10,2 = Tb 12,8; At 10,22 = 1Mc 10,25 /
1Mc 11,30.33 etc.; At 10,26 = Sb 7,1; At 10,30 = 2Mc 11,8; At 10,34 = Eclo
35,12-13; At 10,36 = Sb 6,7 / Sb 8,3 etc.; At 11,18 = Sb 12,19; At 12,5 = Jdt
4,9; At 12,10 = Eclo 19,26; At 12,23 = Jdt 16,17; At 12,23 = Eclo 48,21 / 1Mc
7,41 / 2Mc 9,9; At 13,10 = Eclo 1,30; At 13,17 = Sb 19,10; At 14,14 = Jdt
14,16-17; At 14,15 = Sb 7,3; At 15,4 = Jdt 8,26; At 16,14 = 2Mc 1,4; At 17,23 =
Sb 14,20 / Sb 15,17; At 17,24 = Tb 7,17 / Sb 9,9; At 17,24-25 = Sb 9,1; At
17,26 = Sb 7,18; At 17,27 = Sb 13,6; At 17,29 = Sb 13,10; At 17,30 = Eclo 28,7;
At 19,7 = Sb 3,17; At 19,28 = Dn 14,18.41; At 20,26 = Dn 13,46; At 20,32 = Sb
5,5; At 20,35 = Eclo 4,31; At 21,26 = 1Mc 3,49; At 22,9 = Sb 18,1; At 24,2 =
2Mc 4,6; At 26,18 = Sb 5,5; At 26,25 = Jdt 10,13.
·
Epístola aos Romanos
Rm 1,19-32 = Sb 13-15; Rm 1,21 = Sb 13,1; Rm 1,23 = Sb 11,15 / Sb 12,24; Rm
1,28 = 2Mc 6,4; Rm 2,4 = Sb 11,23; Rm 2,11 = Eclo 35,12-13; Rm 2,15 = Sb 17,11;
Rm 4,13 = Eclo 44,21; Rm 4,17 = Eclo 44,19; Rm 5,5 = Eclo 18,11; Rm 5,12 = Sb
2,24; Rm 9,4 = Eclo 44,12 / 2Mc 6,23; Rm 9,19 = Sb 12,12; Rm 9,21 = Sb 15,7; Rm
9,31 = Eclo 27,8 / Sb 2,11; Rm 10,7 = Sb 16,13; Rm 10,6 = Br 3,29; Rm 11,4 =
2Mc 2,4; Rm 11,15 = Eclo 10,20-21; Rm 11,33 = Sb 17,1; Rm 12,15 = Eclo 7,34; Rm
13,1 = Eclo 4,27; Rm 13,1 = Sb 6,3-4; Rm 13,10 = Sb 6,18; Rm 15,4 = 1Mc 12,9;
Rm 15,8 = Eclo 36,20.
·
1ª Epístola aos Coríntios
1Cor 1,24 = Sb 7,24-25; 1Cor 2,9 = Eclo 1,10; 1Cor 2,16 = Sb 9,13; 1Cor 4,13 =
Tb 5,19; 1Cor 4,14 = Sb 11,10; 1Cor 6,2 = Sb 3,8; 1Cor 6,12 = Eclo 37,28; 1Cor
6,13 = Eclo 36,18; 1Cor 6,18 = Eclo 23,17; 1Cor 7,19 = Eclo 32,23; 1Cor 9,19 =
Eclo 6,19; 1Cor 9,25 = Sb 4,2; 1Cor 10,1 = Sb 19,7-8; 1Cor 10,20 = Br 4,7; 1Cor
10,23 = Eclo 37,28; 1Cor 11,7 = Eclo 17,3 / Sb 2,23; 1Cor 11,24 = Sb 16,6; 1Cor
15,29 = 2Mc 12,43-44; 1Cor 15,32 = Sb 2,5-6; 1Cor 15,34 = Sb 13,1.
·
2º Epístola aos Coríntios
2Cor 5,1.4 = Sb 9,15; 2Cor 12,12 = Sb 10,16.
·
Epístola aos Gálatas
Gl 2,6 = Eclo 35,13; Gl 4,4 = Tb 14,5; Gl 6,1 = Sb 17,17.
·
Epístola aos Efésios
Ef 1,6 = Eclo 45,1 / Eclo 46,13; Ef 1,17 = Sb 7,7; Ef 4,14 = Eclo 5,9; Ef 4,24
= Sb 9,3; Ef 6,12 = Sb 5,17; Ef 6,14 = Sb 5,18; Ef 6,16 = Sb 5,19.21.
·
Epístola aos Filipenses
Fl 4,5 = Sb 2,19; Fl 4,13 = Sb 7,23; Fl 4,18 = Eclo 35,6.
·
Epístola aos Colossenses
Cl 2,3 = Eclo 1,24-25.
·
1ª Epístola aos Tessalonicenses
1Ts 3,11 = Jdt 12,8; 1Ts 4,6 = Eclo 5,3; 1Ts 4,13 = Sb 3,18; 1Ts 5,1 = Sb 8,8;
1Ts 5,2 = Sb 18,14-15; 1Ts 5,3 = Sb 17,14; 1Ts 5,8 = Sb 5,18.
·
2ª Epístola aos Tessalonicenses
2Ts 2,1 = 2Mc 2,7.
·
1ª Epístola a Timóteo
1Tm 1,17 = Tb 13,7.11; 1Tm 2,2 = 2Mc 3,11 / Br 1,11-12; 1Tm 6,15 = Eclo 46,5 /
2Mc 12,15 / 2Mc 13,4.
·
2ª Epístola a Timóteo
2Tm 2,19 = Eclo 17,26 / Eclo 23,10 (vl) / Eclo 35,3; 2Tm 4,8 = Sb 5,16; 2Tm
4,17 = 1Mc 2,60.
·
Epístola a Tito
Tt 2,11 = 2Mc 3,30; Tt 3,4 = Sb 1,6.
·
Epístola aos Hebreus
Hb 1,3 = Sb 7,25-26; Hb 2,5 = Eclo 17,17; Hb 4,12 = Sb 18,15-16 / Sb 7,22-30;
Hb 5,6 = 1Mc 14,41; Hb 7,22 = Eclo 29,14-16; Hb 11,5 = Eclo 44,16 / Sb 4,10; Hb
11,6 = Sb 10,17; Hb 11,10 = Sb 13,1 / 2Mc 4,1; Hb 11,17 = 1Mc 2,52 / Eclo
44,20; Hb 11,27 = Eclo 2,2; Hb 11,28 = Sb 18,25; Hb 11,35 = 2Mc 6,18-7,42; Hb
12,4 = 2Mc 13,14; Hb 12,9 = 2Mc 3,24; Hb 12,12 = Eclo 25,23; Hb 12,17 = Sb
12,10; Hb 12,21 = 1Mc 13,2; Hb 13,7 = Eclo 33,19 / Sb 2,17.
·
Epístola de Tiago
Tg 1,1 = 2Mc 1,27; Tg 1,2 = Eclo 2,1 / Sb 3,4-5; Tg 1,13 = Eclo 15,11-20; Tg
1,19 = Eclo 5,11; Tg 1,21 = Eclo 3,17; Tg 2,13 = Tb 4,10; Tg 2,23 = Sb 7,27; Tg
3,2 = Eclo 14,1; Tg 3,6 = Eclo 5,13; Tg 3,9 = Eclo 23,1.4; Tg 3,10 = Eclo 5,13
/ Eclo 28,12; Tg 3,13 = Eclo 3,17; Tg 4,2 = 1Mc 8,16; Tg 4,11 = Sb 1,11; Tg 5,3
= Jdt 16,17 / Eclo 29,10; Tg 5,4 = Tb 4,14; Tg 5,6 = Sb 2,10 / Sb 2,12 / Sb
2,19.
·
1ª Epístola de Pedro
1Pd 1,3 = Eclo 16,12; 1Pd 1,7 = Eclo 2,5; 1Pd 2,25 = Sb 1,6; 1Pd 4,19 = 2Mc
1,24 etc.; 1Pd 5,7 = Sb 12,13.
·
2ª Epístola de Pedro
2Pd 2,2 = Sb 5,6; 2Pd 2,7 = Sb 10,6; 2Pd 3,9 = Eclo 35,19; 2Pd 3,18 = Eclo
18,10.
·
1ª Epístola de João
1Jo 5,21 = Br 5,72.
·
Epístola de Judas
Jd 1,13 = Sb 14,1.
·
Livro do Apocalipse
Ap 1,18 = Eclo 18,1; Ap 2,10 = 2Mc 13,14; Ap 2,12 = Sb 18,16[15]; Ap 2,17 = 2Mc
2,4-8; Ap 4,11 = Eclo 18,1 / Sb 1,14; Ap 5,7 = Eclo 1,8; Ap 7,9 = 2Mc 10,7; Ap
8,1 = Sb 18,14; Ap 8,2 = Tb 12,15; Ap 8,3 = Tb 12,12; Ap 8,7 = Eclo 39,29 / Sb
16,22; Ap 9,3 = Sb 16,9; Ap 9,4 = Eclo 44,18 etc.; Ap 11,19 = 2Mc 2,4-8; Ap
17,14 = 2Mc 13,4; Ap 18,2 = Br 4,35; Ap 19,1 = Tb 13,18; Ap 19,11 = 2Mc 3,25 /
2Mc 11,8; Ap 19,16 = 2Mc 13,4; Ap 20,12-13 = Eclo 16,12; Ap 21,19-20 = Tb
13,17.
2. REFERÊNCIAS POR ORDEM DE DEUTEROCANÔNICOS
·
Acréscimos de Daniel
Dn 13,46 = Mt 27,24 / At 20,26; Dn 14,18.41 = At 19,28.
·
Profeta Baruc
Br 1,11-12 = 1Tm 2,2; Br 3,29 = Jo 3,13 / Rm 10,6; Br 4,1 = Mt 5,18; Br 4,7 =
1Cor 10,20; Br 4,35 = Ap 18,2; Br 4,37 = Mt 8,11 / Lc 13,29; Br 5,72 = 1Jo
5,21.
·
Eclesiástico (ou Sirácida)
Eclo 1,8 = Ap 5,7; Eclo 1,10 = 1Cor 2,9; Eclo 1,24-25 = Cl 2,3; Eclo 1,30 = At
13,10; Eclo 2,1 = Tg 1,2; Eclo 2,2 = Hb 11,27; Eclo 2,5 = 1Pd 1,7; Eclo 2,18 =
Mc 9,31; Eclo 3,17 = Tg 1,21 / Tg 3,13; Eclo 4,1 = Mc 10,18; Eclo 4,27 = Rm
13,1; Eclo 4,31 = At 20,35; Eclo 5,3 = 1Ts 4,6; Eclo 5,9 = Ef 4,14; Eclo 5,11 =
Tg 1,19; Eclo 5,13 = Tg 3,6 / Tg 3,10; Eclo 6,19 = 1Cor 9,19; Eclo 6,24-25 = Mt
11,29; Eclo 6,28-29 = Mt 11,29; Eclo 7,14 = Mt 6,7; Eclo 7,32-35 = Mt 25,36;
Eclo 7,34 = Rm 12,15; Eclo 9,8 = Mt 5,28; Eclo 10,14 = Lc 1,52; Eclo 10,20-21 =
Rm 11,15; Eclo 11,19 = Lc 10,19; Eclo 13,17 = Mt 10,16; Eclo 14,1 = Tg 3,2;
Eclo 14,10 = Mt 6,23; Eclo 15,11-20 = Tg 1,13; Eclo 16,12 = 1Pd 1,3; Eclo 16,12
= Ap 20,12-13; Eclo 16,21 = Jo 3,8; Eclo 17,3 = 1Cor 11,7; Eclo 17,17 = Hb 2,5;
Eclo 17,26 = 2Tm 2,19; Eclo 18,1 = Ap 1,18 / Ap 4,11; Eclo 18,10 = 2Pd 3,18;
Eclo 18,11 = Rm 5,5; Eclo 19,26 = At 12,10; Eclo 20,30-31 = Mt 13,44; Eclo
23,1.4 = Mt 6,9 / Tg 3,9; Eclo 23,10 (vl) = 2Tm 2,19; Eclo 23,17 = 1Cor 6,18;
Eclo 24,19 = Mt 11,28; Eclo 24,21 = Jo 6,35; Eclo 24,32 = At 2,39; Eclo 24,40;
43,30-31 = Jo 7,38; Eclo 25,7-12 = Mt 5,2-4; Eclo 25,23 = Hb 12,12; Eclo 26,14
= Mc 8,37; Eclo 27,6 = Mt 7,16; Eclo 27,8 = Rm 9,31; Eclo 28,2 = Mt 6,12; Eclo
28,7 = At 17,30; Eclo 28,12 = Tg 3,10; Eclo 28,18 = Lc 21,24; Eclo 29,10 = Tg
5,3; Eclo 29,10-11 = Mt 6,20; Eclo 29,14-16 = Hb 7,22; Eclo 31,15 = Mt 7,12;
Eclo 32,23 = 1Cor 7,19; Eclo 33,1 = Mt 6,13; Eclo 33,19 = Hb 13,7; Eclo 35,3 =
2Tm 2,19; Eclo 35,6 = Fl 4,18; Eclo 35,12-13 = At 10,34; Eclo 35,12-13 = Rm
2,11; Eclo 35,13 = Gl 2,6; Eclo 35,19 = 2Pd 3,9; Eclo 35,22 = Mt 16,27 / Lc
18,7; Eclo 36,7 = At 2,11; Eclo 36,18 = 1Cor 6,13; Eclo 36,20 = Rm 15,8; Eclo
37,2 = Mt 26,38; Eclo 37,2 = Mc 14,34; Eclo 37,28 = 1Cor 6,12 / 1Cor 10,23;
Eclo 39,29 = Ap 8,7; Eclo 40,15 = Mt 12,5 / Mc 4,5; Eclo 44,12 = Rm 9,4; Eclo
44,16 = Hb 11,5; Eclo 44,18 etc. = Ap 9,4; Eclo 44,19 = Jo 8,53 / Rm 4,17; Eclo
44,20 = Hb 11,17; Eclo 44,21 = Rm 4,13; Eclo 45,1 = Ef 1,6; Eclo 46,5 = 1Tm
6,15; Eclo 46,13 = Ef 1,6; Eclo 48,5 = Lc 7,22; Eclo 48,10 = Mt 11,14 / Mt 17,11
/ Lc 1,17 / Lc 9,8; Eclo 48,12 = At 2,4; Eclo 48,21 = At 12,23; Eclo 48,24 = Mt
5,4; Eclo 50,20-21 = Lc 24,50; Eclo 50,22 = Lc 24,53; Eclo 50,25-26 = Jo 4,9;
Eclo 51,1 = Mt 11,25 / Lc 10,21; Eclo 51,23 = Mt 11,28; Eclo 51,26-27 = Mt
11,29.
·
Livro da Sabedoria
Sb 1,6 = Tt 3,4 / 1Pd 2,25; Sb 1,11 = Tg 4,11; Sb 1,14 = Ap 4,11; Sb 2,5-6 =
1Cor 15,32; Sb 2,10 = Tg 5,6; Sb 2,11 = Rm 9,31; Sb 2,12 = Tg 5,6; Sb 2,13 = Mt
27,43; Sb 2,16 = Jo 5,18; Sb 2,17 = Hb 13,7; Sb 17-18 = Mc 15,29; Sb 2,18-20 =
Mt 27,43; Sb 2,19 = Fl 4,5 / Tg 5,6; Sb 2,22 = Mc 4,11; Sb 2,23 = 1Cor 11,7; Sb
2,24 = Jo 8,44 / Rm 5,12; Sb 3,4-5 = Tg 1,2; Sb 3,7 = Lc 19,44; Sb 3,8 = 1Cor
6,2; Sb 3,9 = Jo 15,9-10; Sb 3,17 = At 19,27; Sb 3,18 = 1Ts 4,13; Sb 4,2 = 1Cor
9,25; Sb 4,10 = Hb 11,5; Sb 4,19 = At 1,18; Sb 5,4 = Jo 10,20; Sb 5,5 = At
20,32 / At 26,18; Sb 5,6 = 2Pd 2,2; Sb 5,16 = 2Tm 4,8; Sb 5,17 = Ef 6,12; Sb
5,18 = Ef 6,14; Sb 5,18 = 1Ts 5,8; Sb 5,19.21 = Ef 6,16; Sb 5,22 = Lc 21,25; Sb
6,3-4 = Rm 13,1; Sb 6,7 = At 10,36; Sb 6,18 = Jo 14,15 / Rm 13,10; Sb 7,1 = At
10,26; Sb 7,3 = At 14,15; Sb 7,7 = Ef 1,17; Sb 7,11 = Mt 6,33; Sb 7,18 = At
17,26; Sb 7,22-30 = Hb 4,12; Sb 7,23 = Fl 4,13; Sb 7,24-25 = 1Cor 1,24; Sb
7,25-26 = Hb 1,3; Sb 7,27 = Tg 2,23; Sb 8,3 etc. = At 10,36; Sb 8,8 = Jo 4,48 /
1Ts 5,1; Sb 9,1 = Jo 1,3 / At 17,24-25; Sb 9,3 = Ef 4,24; Sb 9,9 = At 17,24; Sb
9,13 = 1Cor 2,16; Sb 9,15 = 2Cor 5,1.4; Sb 9,16 = Jo 3,12; Sb 10,6 = 2Pd 2,7;
Sb 10,16 = 2Cor 12,12; Sb 10,17 = Hb 11,6; Sb 11,10 = 1Cor 4,14; Sb 11,15 = Rm
1,23; Sb 11,23 = Rm 2,4; Sb 12,10 = Hb 12,17; Sb 12,12 = Rm 9,19; Sb 12,13 =
1Pd 5,7; Sb 12,19 = At 11,18; Sb 12,24 = Rm 1,23; Sb 13-15 = Rm 1,19-32; Sb
13,1 = Rm 1,21 / 1Cor 15,34 / Hb 11,10; Sb 13,6 = At 17,27; Sb 13,10 = At
17,29; Sb 14,1 = Jd 1,13; Sb 14,20 = At 17,23; Sb 15,1 = Lc 6,35; Sb 15,3 = Jo
17,3; Sb 15,6 = Rm 9,21; Sb 15,8 = Lc 12,20; Sb 15,11 = Jo 20,22; Sb 15,17 = At
17,23; Sb 16,6 = 1Cor 11,24; Sb 16,9 = Ap 9,3; Sb 16,13 = Mt 16,18 / Rm 10,7;
Sb 16,22 = Ap 8,7; Sb 16,26 = Mt 4,4; Sb 17,1 = Rm 11,33; Sb 17,2 = Mt 22,13;
Sb 17,11 = Rm 2,15; Sb 17,14 = 1Ts 5,3; Sb 17,15 = Mc 6,49; Sb 17,17 = Gl 6,1;
Sb 18,1 = At 9,7 / At 22,9; Sb 18,14 = Ap 8,1; Sb 18,14-15 = 1Ts 5,2; Sb
18,15-16 = Jo 3,12 / Hb 4,12; Sb 18,16[15] = Ap 2,12; Sb 18,25 = Hb 11,28; Sb
19,7-8 = 1Cor 10,1; Sb 19,10 = At 13,17.
·
Tobias
Tb 2,2 = Lc 14,13; Tb 3,17 = Lc 15,12; Tb 4,3 = Mt 8,21; Tb 4,6 = Jo 3,32; Tb
4,10 = Tg 2,13; Tb 4,14 = Tg 5,4; Tb 4,15 = Mt 7,12; Tb 4,17 = Mt 25,35; Tb
5,15 = Mt 20,2; Tb 5,19 = 1Cor 4,13; Tb 7,10 = Lc 12,19; Tb 7,17 = Mt 11,25 /
Lc 10,17 / At 17,24; Tb 11,9 = Lc 2,29; Tb 12,8 = At 10,2; Tb 12,12 = Ap 8,3;
Tb 12,15 = Mt 18,10 / Lc 1,19 / Ap 8,2; Tb 13,7.11 = 1Tm 1,17; Tb 13,17 = Ap
21,19-20; Tb 13,18 = Ap 19,1; Tb 14,4 = Mt 23,38 / Lc 13,25; Tb 14,5 = Mc 1,15
/ Lc 21,24 / Gl 4,4.
·
Judite
Jdt 4,9 = At 12,5; Jdt 8,6 = Lc 2,37; Jdt 8,26 = At 15,4; Jdt 8,35 = Mc 5,34;
Jd 9,12 = At 4,24; Jdt 10,13 = At 26,25; Jdt 11,19 = Mt 9,36; Jdt 12,8 = 1Ts
3,11; Jdt 13,18 = Lc 1,42; Jdt 14,16-17 = At 14,14; Jdt 16,17 = Mt 11,22 / Mc
9,48 / At 12,23 / Tg 5,3.
·
1º Livro dos Macabeus
1Mc 1,54 = Mt 24,15; 1Mc 2,21 = Mt 16,22; 1Mc 2,28 = Mt 24,16; 1Mc 2,52 = Hb
11,17; 1Mc 2,60 = 2Tm 4,17; 1Mc 3,6 = Lc 13,27; 1Mc 3,49 = At 21,26; 1Mc 3,60 =
Mt 6,10; 1Mc 4,59 = Jo 10,22; 1Mc 5,15 = Mt 4,15; 1Mc 7,41 = At 12,23; 1Mc 8,16
= Tg 4,2; 1Mc 9,39 = Jo 3,28; 1Mc 10,25 = At 10,22; 1Mc 10,29[30] = Lc 15,12;
1Mc 11,30.33 etc. = At 10,22; 1Mc 12,6 = At 5,12; 1Mc 12,9 = Rm 15,4; 1Mc 12,17
= Mt 9,38; 1Mc 13,2 = Hb 12,21; 1Mc 14,41 = Hb 5,6; 1Mc 15,21 = At 9,2.
·
2º Livro dos Macabeus
2Mc 1,4 = At 16,14; 2Mc 1,10 = At 5,21; 2Mc 1,24 etc. = 1Pd
4,19; 2Mc 1,27 = Tg 1,1; 2Mc 2,4 = Rm 11,4; 2Mc 2,4-8 = Ap 2,17 / Ap 11,19; 2Mc
2,7 = 2Ts 2,1; 2Mc 3,11 = 1Tm 2,2; 2Mc 3,24 = Hb 12,9; 2Mc 3,24-40 = At 9,1-29;
2Mc 3,25 = Ap 19,11; 2Mc 3,26 = Lc 24,4; 2Mc 3,26 = At 1,10; 2Mc 3,30 = Tt
2,11; 2Mc 3,34 = Lc 24,31; 2Mc 4,1 = Hb 11,10; 2Mc 4,6 = At 24,2; 2Mc 4,32 = At
5,2; 2Mc 6,4 = Rm 1,28; 2Mc 6,18-7,42 = Hb 11,35; 2Mc 6,23 = Rm 9,4; 2Mc 7,19 =
At 5,39; 2Mc 8,17 = Mt 24,15; 2Mc 9,9 = At 12,23; 2Mc 10,3 = Mt 12,4; 2Mc 10,7
= Ap 7,9; 2Mc 11,8 = At 10,30 / Ap 19,11; 2Mc 12,15 = 1Tm 6,15; 2Mc 12,43-44 =
1Cor 15,29; 2Mc 13,4 = 1Tm 6,15 / Ap 17,14 / Ap 19,16; 2Mc 13,14 = Hb 12,4 / Ap
2,10.
|
23. CRONOLOGIA DA ERA APOSTÓLICA E O DESENVOLVIMENTO DO CÂNON |
Esta cronologia apresenta uma seqüência dos eventos
bíblicos e extrabíblicos que refletiram sobre a formação do cânon da Bíblia,
tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Afirma-se por aí que dois
pesquisadores da Bíblia não conseguem concordar sobre uma cronologia
apostólica... Com efeito, a cronologia que apresentamos aqui é aceitável para
alguns, mas não pode ser considerada "universal". Serve apenas para
fornecer pontos de referência para os eventos que se sucederam e suas
conseqüências [sobre o cânon das Escrituras].
|
EVENTO |
DATA |
OBRA |
|
Pregação
de João Batista |
27 |
|
|
Vinda
do Espírito Santo sobre a Igreja |
30 |
|
|
Estêvão
é martirizado por lapidação |
36/37 |
|
|
Conversão
de Paulo e sua primeira viagem missionária |
45/49 |
|
|
Concílio
[Apostólico] de Jerusalém |
50 |
|
|
Segunda
viagem missionária de Paulo |
50/52 |
|
|
|
51 |
1ª e 2ª
Epístolas aos Tessalonicenses |
|
Terceira
viagem missionária de Paulo |
53/58 |
|
|
|
54-57 |
Epístola
aos Gálatas |
|
|
57 |
1ª e 2ª
Epístolas aos Coríntios |
|
|
58 |
Epístola
aos Romanos |
|
Viagem
[de Paulo] a Roma |
59/60 |
|
|
1ª
prisão de Paulo em Roma |
61-63 |
|
|
|
|
Epístola
a Filemon |
|
|
|
Epístola
aos Colossenses |
|
|
|
Epístola
aos Efésios |
|
|
|
Epístola
aos Filipenses |
|
|
|
Epístola
de Tiago |
|
|
65 |
Evangelho
de Marcos |
|
|
|
1ª
Epístola a Timóteo |
|
|
|
Epístola
a Tito |
|
O
apóstolo Tiago é martirizado. Paulo é levado para Roma |
63/64 |
|
|
Pedro |
64 |
1ª
Epístola de Pedro |
|
2ª
prisão de Paulo e martírio |
67 |
2ª
Epístola a Timóteo |
|
Morte
de Pedro. Lino é Bispo de Roma |
|
Epístola
aos Hebreus |
|
Destruição
de Jerusalém |
68-70 |
|
|
|
70s |
Evangelho
de Mateus |
|
|
|
Evangelho
de Lucas e Atos dos Apóstolos |
|
Anacleto
é Bispo de Roma |
78 |
|
|
|
70s/90s |
Epístola
de Judas |
|
|
90s |
Evangelho
de João |
|
|
|
1ª, 2ª e
3ª Epístolas de João |
|
|
|
Livro
do Apocalipse |
|
Clemente
é Bispo de Roma |
92-101 |
1ª
Epístola de Clemente |
|
Morte
do [apóstolo] João em Éfeso |
98 |
|
|
Sínodo
dos rabinos/judeus em Jâmnia |
99-100 |
Cânon
palestinense em hebraico |
|
1º Cânon
Cristão do Antigo Testamento |
c. 100 |
Cânon
alexandrino em grego |
|
|
100-125 |
2ª
Epístola de Pedro |
|
|
|
Didaqué |
|
Melitão,
bispo de Sardes |
c. 170 |
Primeira
tentativa cristã conhecida de relacionar o cânon do Antigo Testamento.
Melitão lista os livros do AT segundo a ordem da Septuaginta, mas apresenta
apenas os protocanônicos do AT, com exceção de Ester. |
|
Ireneu,
bispo de Lião |
185 |
Apresenta
um cânon do Novo Testamento (sem 3João, Tiago e 2Pedro) |
|
|
c. 200 |
Fragmento
de Muratori apresenta um cânon semelhante ao do [Concílio de] Trento |
|
Eusébio,
bispo de Cesaréia |
c. 325 |
Escreve
a "História Eclesiástica"; refere-se a Tiago, Judas, 2Pedro e
2-3João como "controversos, ainda que aceitos pela maioria" |
|
Concílio
[Regional] de Laodicéia |
c. 360 |
Apresenta
um cânon de livros semelhante ao de Trento |
|
Papa
Dâmaso |
382 |
Decreto
listando os livros canônicos, da mesma forma que em Trento |
|
Concílio
[Regional] de Roma |
382 |
Aceitação
do decreto de Dâmaso |
|
Concílio
[Regional] de Hipona (norte da África) |
393 |
Aprovado
um cânon do Antigo e do Novo Testamento (igual ao de Trento) |
|
Concílio
[Regional] de Cartago (norte da África) |
397 |
Aprovado
um cânon do Antigo e do Novo Testamento (igual ao de Trento) |
|
Exupério,
bispo de Toulouse |
405 |
Escreve
ao papa Inocêncio I pedindo uma lista dos livros canônicos. Papa Inocêncio
oferece uma lista idêntica ao cânon de Trento |
|
24. PEQUENA CONCORDÂNCIA BÍBLICA |
Baseada na "Catholic Doctrinal Concordance"
SOBRE DEUS
·
A Natureza de Deus
o
É
Amor: 1Jo 4,8.
o
É
Espírito: Jo 4,24.
o
É
fonte de vida e santidade: Rm 6,23; Gl 6,8; Ef 1,4-5; 1Ts 4,3; 2Ts 2,13-17.
o
É
ilimitado: 1Rs 8,27; Jr 23,24; At 7,48-49.
o
É
misericordioso: Ex 34,6; 2Cr 30,9; Sl 25,6; 51;1; Is 63,7; Lc 6,36; Rm 11,32;
Ef 2,4; Tg 5,11.
o
É
o Criador: Gn 1,1; Jó 26,13; Sl 33,6; 148,5; Pv 8,22-31; Eclo 24,8; 2Mc 7,28;
Jo 1,3; Cl 1,16; Hb 11,3.
o
É
o Juiz do universo: 1Sm 2,10; 1Cr 16,33; Ez 18,30; Mt 16,27; At 17,31; Rm 2,16;
2Tm 4,1; 1Pd 4,5.
o
É
o único Deus: Dt 32,39; Is 43,10; 44,6-8; Os 13,4; Ml 2,10; 1Cor 8,6; Ef 4,6.
o
É
onipotente: Gn 17,1; 28,3; 35,11; 43,14; Ex 6,3; Ap 1,8; 4,8; 11,17; 16,14;
21,22.
o
É
onipresente: Sl 139,7; Sb 1,7; Eclo 16,17-18; Jr 23,24; Am 9,2-3; Ef 1,23.
o
É
todo-poderoso: Gn 39,24; Sl 24,8; 50,1; Is 10,21; Jr 32,18; 2Mc 11,13.
·
A Santíssima Trindade
o
Batismo
ministrado
o
Bênção
dada
o
Manifestação
da Trindade no NT: Mt 3,16-17; Lc 1,35; 3,21-22.
o
Pluralidade
de Pessoas mencionada no NT: Jo 14,15.26; 15,26; At 1,6-8; Rm 8,9; 1Cor
6,10-11; Ef 4,4-6; 1Pd 1,2; 1Jo 5,6-7; Jd 20,21.
o
Prefiguração
da pluralidade de Pessoas no AT: Gn 1,26; 3,22; 11,7; 18,1-5.9-10.16.
·
Jesus Cristo
o
É
a glória de Deus: 1Cor 2,8; Hb 1,3; Tg 2,1; Ap 21,23.
o
É
chamado "o alfa e o ômega": Ap 1,8; 21,6; (Cf.) Ap 22,13-16.
o
É
chamado "o primeiro e o último": Is 41,4; 44,6; (Cf.) Ap 1,17; 2,8.
o
É
eterno: Mq 5,2; Jo 1,1; Cl 1,17; Hb 1,10.
o
É
imutável: Ml 3,6; (Cf.) Hb 1,12; 13,8.
o
É
o Filho de Deus: Mt 16,16; 26,63-64; 1Jo 4,15.
o
É
o Messias (Cristo [gr.]): Is 7,14; 9,6; Jr 23,5; 30,9; Ez 34,23; Mq 5,2; Zc
9,9; (Cf.) Jo 1,41; 4,25-26.
o
É
o poder e a sabedoria de Deus: 1Cor 1,24.
o
É
o Rei dos reis: Ap 1,5; (Cf.) Ap 17,14; 1Tm 1,17; (Cf.) Ap 15,3.
o
É
o Senhor de todos: At 10,36; Rm 10,12.
o
É
onisciente: Sl 139; (Cf.) Lc 6,8; Jo 6,64; 13,11; 16,13; 21,17.
o
É
verdadeiro Deus: Jo 1,1; 5,18; 8,58; 20,28; Fl 2,6; Cl 1,15-19; 2,9; Tt 2,13.
o
É
verdadeiro Homem (provado por seu sofrimento): Mt 26,38; 27,50; Mc 15,37; Lc
23,46; Jo 1,14; 19,30; At 2,22; 3,22; Fl 2,7; 1Tm 2,5; Hb 2,17; 1Jo 1,2.
o
Provém
do Pai: Jo 1,14; 3,16.18; 1Jo 4,9.
·
A Morte de Cristo
o
Morreu
para a nossa Salvação: Is 53,4-10; Mt 20,28; Lc 24,46; Jo 12,24; Rm 5; Ef 5,2;
1Pd 1,18; 2,24; 1Jo 2,2; 1Ts 5,10.
o
Prevista no AT: Sl 22,69; Sb
2,10-20; Is 1,5-6.53; Jr 11,19; Lm 1,12; Zc 1,12-13; (Cf.) Lc 24,46.
·
A Ressurreição de Cristo
o
É
a certeza da nossa própria ressurreição: Rm 6,5; 1Cor 15,49; 2Cor 4,14; Fl
3,21.
o
Garantia
da nossa Fé: 1Cor 15,17.
o
Prevista no AT: Sl 16,10; (Cf.) At
13,35.
o
Prevista
por Jesus: Mt 17,23; 20,19; Mc 9,9; 14,28; Lc 9,22; 18,33; Jo 2,19; 10,18.
o
Provada
pelas manifestações aos seus discípulos: Mt 28,9; Mc 16,9; Lc 24,13-35; Jo
20,26; 21,1; At 1,3; 1Cor 15,6.
o
Significa
nosso novo nascimento: Rm 6,4; Cl 2,12; 1Pd 1,3.
·
Outros Dados sobre Jesus
o
Jesus
ascendeu aos céus: Mc 16,19; Lc 24,50; Jo 20,17; At 1,3-9; Ef 4,10; 1Tm 3,16;
1Pd 3,22.
o
Jesus
completará a salvação dos justos: Rm 2,7; 1Cor 1,8; Fl 3,21; Hb 9,28; 1Pd 1,5.
o
Jesus
foi exaltado na glória: Jo 12,16; At 2,32-33; 4,10-11; 7,55; Rm 8,34; Ef 1,20;
Fl 2,9; Cl 3,1.
o
Jesus
julgará os vivos e os mortos: At 10,42; Rm 2,16; 2Tm 4,1; 1Pd 4,5.
o
Jesus
retornará na glória: Dn 7,13; Mt 24,30; 25,31; 26,64; 1Ts 4,16; Ap 1,7.
o
Jesus
retornará como Juiz: Jo 5,22; At 10,42; 17,31; 2Tm 4,1;1 Pd 4,5; Ap 20,12-13.
o
Ninguém
sabe o dia e a hora em que Jesus retornará: Mt 24,44; 25,13; Mc 13,35; Lc
12,40-46; 1Ts 5,2; 2Pd 3,10; Ap 3,3; 16,15.
o
Nós
devemos ficar atentos para o seu retorno: Rm 8,23; 1Cor 1,7; Fl 3,20; Cl 3,1-4;
1Tm 1,1; Hb 10,37; 2Pd 3,12.
·
O Espírito Santo
o
Concede
vários dons: Is 11,1-3; 61,1-2; Lc 4,18-19.
o
É
chamado Espírito da Verdade: Jo 15,26; 1Jo 5,7.
o
É
chamado Paráclito, Consolador ou Conselheiro: Jo 14,16.26; 15,26; 16,7.
o
É
dado durante o Batismo: Mt 3,11-16; Lc 3,16; Jo 1,33; At 1,5; 2,38; 11,16.
o
É
dado durante o Crisma (separado do batismo): At 1,8; 8,15; 10,44; 19,6.
o
É
dado pelo Pai: Lc 11,13; Jo 3,34; 15,26; 1Ts 4,8; 1Jo 3,24.
o
É
o Mestre e o Revelador da Verdade: Jo 14,26; 16;13; At 5,32; 9,31; 1Cor 2,10;
Ef 3,5.
o
É
transmitido pela imposição das mãos: At 8,17; 9,17; 13,2-4; 19,6.
o
Inspira
os homens: At 4,8; 6,10; 7,55.
o
Inspirou
as Sagradas Escrituras: At 3,21; 2Tm 3,16; Pd 1,21.
o
Habita
o
Procede
do Pai e do Filho: Jo 15,26; 16,7; 16,13.
SOBRE AS CRIATURAS
DE DEUS
·
Os Anjos
o
Acompanharão
Cristo no seu retorno (Parusia): Mt 16,27; 25,31; Mc 8,38; 1Ts 4,16.
o
Anjos
da guarda: Tb 12,12; Mt 18,10; At 12,11.15.
o
Deus
se manifestou como Anjo do Senhor: Gn 16,7.13; 18,1-33; 21,17-18; 22,11;
31,11-13; Ex 3,2; Jz 2,1; 6,11-24; 13,21-22.
o
Foram
criados por Deus: Ne 9,6; Jo 1,3; Rm 11,36; Cl 1,16; 1Cor 8,6.
o
O
homem é pouca coisa inferior aos anjos: Gn 1,26.28; 3,5; Sl 8,5-6; Sb 2,23;
Eclo 17,1-14.
o
Preanunciarão
o retorno de Cristo: Mt 24,31; Mc 13,27; 1Cor 15,52.
o
São
chamados "Filhos de Deus": Dt 32,8; Jó 1,6; 2,1; 38,7; Sl 29,1; 82,1;
89,6.
o
São
chamados "Santos de Deus": Jó 5,1; 15,15; Sl 89,7; Dn 4,13; 8,13.
o
São
espíritos confortadores: Sl 91,11; Dn 7,10; Mt 4,11; Mc 1,13; Lc 22,43; Hb
1,14.
o
São
mensageiros de Deus: Gn 24,7; Nm 20,16; 1Cr 21,15; 2Cr 32,21; Dn 3,28; 6,22; Lc
1,19.26; At 12,11.
o
São
servos de Deus: Jó 4,18; Sl 103,20.
o
Três
deles têm seus nomes expressamente citados: Rafael - Tb 3,16-17; 5,4; 12,11-15;
Gabriel - Dn 8,16; 9,21; Lc 1,19.26; e Miguel - Dn 10,13.21; 12,1; Jd 1,9; Ap
12,7.
·
Satanás e os Demônios
o
Alguns
podem ser exorcizados por oração e jejum: Mt 17,21; Mc 9,20.
o
Costumam
a tentar os homens: Gn 3; 1Rs 22,19-23; Jó 1,6-8; Sb 2,24; Zc 3,1-2.
o
É
chamado de "Senhor deste mundo": Jo 12,31; 14;30; 16,11; 2Cor 4,4; Ef
2,2; 6,12; 1Jo 5,19.
o
Os
demônios são anjos caídos: Is 14,12; Lc 10,18; Jd 1,6; Ap 12,7-9.
o
Podem
aparecer como anjos de luz: 2Cor 11,14; Ap 2,2; 16,14.
o
Podem
se apossar de nossos corpos: Mt 8,28; 9,32; 12,43-45; 15,22; Mc 5,1-13; 9,14;
Lc 4,33; 8,2; 11,24-26; At 8,7.
o
Podem
ser exorcizados pelos poder de Deus: Mt 8,29; 9,33; 10,1; Mc 1,25-26; 6,7.13;
9,38; 16,17; Lc 8,2; 9,1; 9,49; At 5,16; 10,38; Tg 2,19.
o
Ronda
como um leão: Sl 22,13; 1Pd 5,8.
o
Será
solto da prisão: Ap 20,7.
o
Seus
poderes foram quebrados pelo sacrifício de Cristo: Mt 12,28; Lc 8,31; 10,17; Jo
3,35; 12,31; Ef 6,11; Cl 1,13; 1Jo 3,8; Ap 12,11.
o
Sofrerão
tormentos eternos: Mt 25,41; Ap 14,10-11; 19,20; 20,10.
o
Têm
liberdade para tentar os homens: 1Rs 22,22; Jó 1,12; Mt 4,1; Mc 1,13; Lc 4,2;
Jo 13,2; At 5,3; 1Cor 7,5; 2Cor 2,11.
o
Temem
o Evangelho: Mt 8,29; Tg 2,19.
o
Tentam
nos afastar de Deus: Ef 4,27-6,11; 1Tm 5,15; Tg 4,7.
·
O Homem
o
Está
inclinado à tentação: Rm 7,15-23; 1Cor 7,5; Ef 6,11; 1Ts 3,5; 2Tm 3,12; Tg 4,2;
1Pd 2,11; 5,8.
o
Está
sujeito à morte: 2Sm 14,14; Jó 14,5; Sb 2,24; Eclo 25,24; Rm 5,12-14; 6,23;
1Cor 15,21-22; Hb 9,27.
o
Foi
castigado por ter pecado:Gen 3; Sb 2,24; Eclo 25,24; Ez 28,12-17; Rm 5,12; 1Cor
15,21; 1Tm 2,14.
o
Foi
criado homem e mulher: Gn 1,27; Mt 19,4; Mc 10,6; 1Cor 11,8.
o
Foi
criado por Deus: Gn 1,26-27; 2,7; Jó 33,4; Sl 8,5; Ecl 12,7; Sb 2,23; 10,1;
Eclo 17,1; 2Mc 7,28; Mt 19,4; Mc 10,6.
o
Já
foi exaltado anteriormente: Gn 1,26; 2,8.
o
Ofendeu
a Deus pelo pecado: 2Sm 12,13; Sl 32,5; Is 1,2; Jr 2,29; Os 7,13; Rm 1,18-32;
6,1; Gl 5,17; Ef 4,30; 5,3; Cl 3,5.
o
Será
julgado pelos seus méritos: At 17,31; Rm 2,6.11; 14,10; 2Cor 5,10; 11,15; Cl
3,25; Hb 11,6; 1Pd 1,17; Ap 20,13.
o
Tem
a promessa da ressurreição: Jo 6,54; 2Cor 4,13-14; Fl 3,11; 1Ts 4,14; 2Tm 2,1.
o
Tem
o paraíso como recompensa por sua justiça: Mt 5,12; Cl 1,5; Hb 10,34.
o
Teve
sua dignidade resgatada por Cristo: Rm 5,8; 8,9-11; Ef 2,6; Cl 2,12; 3,1.
·
A Alma e sua Imortalidade
o
A
salvação: Tg 1,21; 5,20; 1Pd 1,9.
o
A
tentação durante a vida sujeita a alma: 1Pd 2,11; 2Pd 2,14.
o
As
almas dos justos herdam os céus: Sb 3,1; Ap 6,9; 8,3; 20,4.
o
Confiada
aos cuidados de Deus após a morte: Sl 31,5; At 7,59; 1Pd 4,19.
o
É
distinta do corpo material: Mt 10,28; At 2,27; 1Ts 5,23; Hb 4,12.
o
Foi
criada à imagem de Deus: Gn 1,26-27; 1Cor 11,7; Cl 3,10.
o
Foi
criada por Deus: Gn 2,7; Ecl 12,7; Is 57,16; Zc 12,1.
o
Nada
compensa a perda da alma: Mt 16,26; Mc 8,36.
o
Se
separa do corpo na hora da morte: Gn 35,18; Ecl 12,7; Lc 12,20.
o
Sobrevive
à morte do corpo: Gn 35,18; 1Sm 28,19; 1Rs 17,22; Mt 10,28; Lc 8,55.
·
Maria Santíssima
o
Anunciação:
Lc 1,28.
o
Bendita
entre as mulheres: Lc 1,42-48.
o
Cheia
de Graça: Lc 1,28.48.
o
Concebida
sem pecado: Gn 3,15; Lc 1,28.
o
Devotava-se
à oração: At 1,14.
o
Foi
nos dada como mãe: Jo 19,25-27.
o
Guardava
as palavras de Jesus: Lc 2,19.
o
Mãe
de Deus: Is 9,6; Mt 1,23; Lc 1,32.35.43; 2,11; Gl 4,4.
o
Meditava
sobre as palavras de Jesus: Lc 2,51.
o
Permaneceu
sempre virgem: (tipificado em) Ez 44,2; Lc 1,34.
o
Possibilidade
da assunção aos céus, como Enoque e Elias: Gn 5,24; Hb 11,5; 2Rs 2,1-13.
o
Prevista
no AT: Is 7,14; Mq 5,2-3.
o
Responsável
pelo 1º milagre de Jesus: Jo 2,1-12.
o
Sofreu
muita tristeza: Lm 1,12; Lc 2,34-35.48; Jo 19,25.
o
Virgem:
Is 7,14; Mt 1,18-25; Lc 1,27.34.
·
Filhos
o
A
falta de filhos é considerada uma reprovação: Gn 16,4; 30,1; 1Sm 1,6.11; Is
4,1; Lc 1,25.
o
As
crianças são abençoadas por Jesus: Mt 19,13; Mc 10,13.16; Lc 18.15.
o
Devem
honrar os seus pais: Ex 20,12; Lv 19,3; Dt 5,16; Eclo 3,1-16; Mt 15,4; Mc 7,10;
10,19; Lc 18,20; Ef 6,2-3.
o
Devem
ser disciplinados: Dt 8,5; Pv 3,12; 13,24; 22,15; 23,13-14; 29,15.17; Sb
11,9-10; Eclo 30,1-3; Ef 6,4.
o
Jesus
era obediente aos seus pais: Lc 2,51.
o
Não
devem ser escandalizadas: Mt 18,6; Mc 9,42; Lc 17,2.
o
Os
cristãos devem ser inocentes como as crianças: Sl 131,1-2; Mt 18,3; Mc 10,15;
Lc 18,17; 1Jo 2,1.12; 4,4.5-21. / Mas adultos em seus pensamentos: 1Cor 3,1-3;
13,11; Hb 5,11-14; 1Pd 2,2.
o
Receber
bem a uma criança é receber bem o próprio Jesus: Mt 18,5.10; Mc 9,37; Lc 9,48.
o
São
uma bênção de Deus: Sl 115,14; 127,3-5; 128,3-6; 144,17; Pv 17,6.
·
O Pecado
o
A
blasfêmia contra o Espírito Santo (atribuir a obra de Deus ao diabo) é um
pecado imperdoável: Mt 12,31-32; Lc 12,10.
o
Alguns
pecados nos exclui do reino de Deus: 1Cor 6,9-10; Gl 5,19-21; Ef 5,3-5; Cl
3,5-10; Hb 13,4-5; Ap 21,8-9.27.
o
Apenas
Deus pode perdoar o pecado: Mc 2,7; Lc 5,21.
o
Cristo
perdoa os pecados: Mt 9,2-6; Mc 2.10; Lc 5,24; 7,48; Jo 5,14.
o
Deus
deseja a conversão do pecador: Is 49,14-16; Jr 3,12; 31,20; Ez 18,23; 33,11; Lc
15,20-24.32; 18,13; 19,10; Jo 8,11; Rm 11,32; 2Pd 3,9.
o
É
delegado o poder de perdoar aos Apóstolos: jo 20,23; 2Cor 5,18.
o
É
causa da morte: Gn 3,17-19; Sb 1,12; 2,24; Eclo 25,24; Rm 5,12; 6,11; 1Cor
15,21.
o
É
prejudicial para obtermos a glória de Deus: Rm 3,23; (Cf.) Rm 5,2.
o
É
uma rebelião contra Deus: Nm 15,30; Dt 32,5; 2Sm 12,9; Jó 35,6; Is 1,2; 48,8;
Br 4,8.
o
Pode
ser mortal ou venial (grau): 1Jo 5,16-17.
o
Nos
afasta de Deus: Rm 1,18-32; Ef 4,18; Cl 1,21; 1Pd 1,18.
o
Provém
do diabo: Jo 8,44; At 13,10; 1Jo 3,8-10.
o
Torna-nos
escravos: Jo 8,34; Rm 6,16-19; 2Pd 2,19.
SOBRE OS INTRUMENTOS
DE DEUS
·
A Graça
o
A
graça de Deus é inexaustível: Rm 5,17, 2Cor 4,15; 9,8; Ef 1,7; 2,7; 1Tm 1,14.
o
Demanda
um efeito: 1Cor 15,10; 2Cor 11,23; Ef 2,10; Fl 2,12-13.
o
É
concedida através de Cristo: Jo 1,17; Rm 1,5; Gl 1,6; Ef 2,7; 1Tm 1,14; 2Tm
1,9.
o
É
concedida por Deus ao humilde: Pv 3,34; Tg 4,6; 1Pd 5,5.
o
É
desejada com a paz nas saudações: Rm 1,7; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; Gl 1,3; Ef 1,2;
Fl 1,2; Cl 1,2; 1Ts 1,1; 2Ts 1,2; Fm 3,1; 1Tm 1,2; 2Tm 1,2; Tt 1,4; Hb 13,25.
o
É
mais abundante que o pecado: Rm 5,15.20; 6,1; 2Cor 12,9.
o
É
oferta gratuita de Deus: Sl 84,11; Zc 12,10; Jo 1,16; 3,27; Rm 3,24; 4,2-5.16;
5,15-17; 9,14-18; 11,6; 1Cor 4,7; 1Pd 5,10.
o
Jesus
é graça de Deus: Mt 21,37; Jo 3,16-17; Rm 3,24; 2Cor 8,9; Gl 4,4; Tt 2,11; Hb
2,11.
o
Maria
é cheia de graça: Lc 1,28.42.
o
Necessária
para difundir a fé: At 18,27; Rm 1,5.
o
Nos
prepara para a vida eterna: Rm 5,2; 6,23; Tt 1,2; 1Pd 1,13.
o
Nos
torna fortes na fé: At 4,22; 6,8; 14,3; 20,32; Rm 1,11; 16,25; 1`Cor 1,7-8; 2Ts
2,16-17; 3,3.
o
O
trono da graça: Ef 3,12; Hb 4,16.
o
Pode
ser perdida: Hb 12,15; Jd 1,4.
o
Por
ela, crescemos no conhecimento de Cristo: 2Pd 3,18.
·
A Igreja
o
Chamada
"Igreja de Deus": 1Tm 3,15.
o
Comprada
pelo sangue de Cristo: At 20,28; Ef 5,25; Hb 9,12.
o
Cristo
amou a Igreja: Ef 5,25-26.
o
Cristo
é a cabeça da Igreja: Ef 1,22; 5,23; Cl 1,18.
o
Cristo
é a pedra angular: Sl 118,22; Mt 21,42; Mc 12,10; Lc 20,17; At 4,11; Ef 2,20;
1Pd 2,4.7.
o
Cristo
protege a Igeja: Mt 16,18; 20,20.
o
Doutrina,
comunidade e rito sagrado (pão): At 2,42.
o
É
a coluna e fundamento da verdade: 1Tm 3,15.
o
É
infalível: Mt 16,18; 28,20; Mc 16,16; Lc 10,16; 1Tm 3,15.
o
É
o Corpo de Cristo: Rm 12,4; 1Cor 12,12; Ef 1,22-23; 5,22; Cl 1,18.
o
É
perpétua: Mt 16,18; 28,20.
o
É
visível: Mt 5,14; Mc 4,30-32; Ef 2,19-22.
o
Edificada
sobre os Apóstolos: 1Cor 3,10; Ef 2,20; Ap 21,14.
o
Expansão
no mundo: At 2,41; 2,47; 5,14; 6,7; 11,24.
o
Fundada
por Cristo: Mt 16,18; 28,19; Mc 16,15; 1Cor 3,11; Ef 2,20; 1Pd 2,4-6.
o
Presbíteros
são ordenados, cuidam do rebanho e administram os sacramentos: At 15,6.23; 1Tm
4,14; 5,22; 1Tm 5,17; Tg 5,13-15; Rm 15,16.
o
Prevista
no AT: Tb 13,11-18; Is 2,2-3; Br 5,3; Os 2,14-24; Mq 4,1-3.
o
Seus
membros são chamados à santidade: 1Cor 1,2; Cl 3,12.
o
Sucessão
apostólica: At 1,15-26; 2Tm 2,2; Tt 1,5.
o
Tem
autoridade: Mt 16,18-19; 18,18; Jo 20,23.
o
Tem
bons e maus membros: Mt 13,41-48; 22,10.
·
A Comunhão dos Santos
o
Intercessão
dos Santos: Tb 12,12; 2Mc 15,14; Ap 5,8; 8,4.
o
Milagres
operados por intermédio de relíquias: At 5,15; 19,11-12.
o
Orar
uns pelos outros: Jr 15,1; At 12,5; Rm 15,30; 2Cor 13,7; Ef 6,18; Cl 4,3; 1Ts
5,25; 2Ts 3,1; Hb 13,18; Tg 5,16.
o
Os
Santos estão nos céus: 1Ts 3,13; Hb 11,40; 12,23; 1Pd 3,19; Ap 6,9.
o
Somos
rodeados pelos Santos: Hb 12,1.
o
Todos
são chamados a serem santos: Ef 1,4-6.12.14.
o
Unidade
de todos os cristãos: Jo 15,5; Rm 12,4; 1Cor 6,12-20; 10,17; 12,4-27; Ef 2,19;
5,30; Cl 1,18.24; 2,19; 3,15.
·
O Batismo
o
A
preparação do batismo de João: Mc 1,4.8; At 1,5; 11,16; 19,4.
o
Abrange
todo gênero humano: Mt 28,19; Mc 16,15-16; Lc 24,47; At 2,38.
o
Administrado
o
Administrado
o
Batizado
em Cristo: 1Cor 12,13; Gl 3,27.
o
Batizado
na morte de Cristo: Rm 6,3.
o
Batizado
para uma nova vida: Rm 6,4; Tt 3,5.
o
Com
água e o Espírito Santo: Jo 3,5; Ef 5,26; Tt 3,5.
o
É
administrado pelos discípulos de Cristo: Jo 4,2.
o
É
necessário: Mc 16,16; Jo 3,5.
o
É
nossa garantia de ressurreição: Rm 6,3-5; 1Cor 15,29.
o
É
para nossa justificação: 1Cor 6,11.
o
É
para nossa redenção: 1Jo 5,6.
o
É
para nossa santificação: 1Cor 6,11; Ef 5,26.
o
É
um presente gratuito de Deus: Tt 3,5.
o
Há
um só batismo: Ef 4,5.
o
Perdoa
o pecado: At 2,38; 22,16; 1Pd 3,21.
o
Prefigurado
no AT: Ez 36,25; 1Pd 3,20-21.
·
Confirmação
o
É
conferido pela imposição das mãos: At 8,17; 19,6.
o
É
distinto do Batismo: At 8,15.
o
Envolve
o Espírito Santo: Jo 14,17; At 2,4; 10,44.
o
Foi
prometido por Cristo: Jo 14,16.26; 15,26.
o
Recebido
antes do Batismo: At 10,44.
o
Recebido
após o Batismo: At 2,38; 8,14-17; 19,5-6.
·
Reconciliação (Confissão e Penitência)
o
A
Penitência reconcilia o pecador com a comunidade de crentes: 2Cor 2,5-8.
o
A
Reconciliação foi instituída por Cristo: Jo 20,22-23.
o
A
Reconciliação provém de Cristo Rm 5,11; Cl 1,20; Hb 1,3.
o
Cristo
tem o poder de perdoar os pecados: Mt 9,6; Mc 2,10; Lc 5,24; Cl 3,13.
o
Deus
perdoa os pecados: Mc 2,7; Lc 5,21.
o
Há
graus de pecado (mortal e venial): 1Jo 5,16.
o
Liga/desliga
no céu e na terra: Mt 18,18.
o
Ministério
da Reconciliação: 2Cor 5,18.
o
O
perdão é dado através de Cristo: 2Cor 2,10.
o
O
poder de perdoar é delegado por Cristo: Jo 20,23; 2Cor 5,18.
o
Perdão
dos pecados, unção dos enfermos e confissão: Tg 5,14-16.
o
Reconcilia
com Cristo: 2Cor 5,18.
o
"Se
vocês perdoarem os pecados... serão perdoados": Jo 20,22-23.
·
A Eucaristia
o
Apenas
as espécies do pão e do vinho podem ser consagradas: Lc 24,30; Jo 6,51.57-58;
At 20,7; 1Cor 10,17; 11,27.
o
Chamada
"a Ceia do Senhor": 1Cor 11,20.
o
Chamada
"ágape" (=festa do amor): Jd 1,12.
o
Chamada
"Fração do Pão": At 2,42.
o
Comemoração
do Calvário: Mt 26,28; Lc 22,19-20; 1Cor 10,16; 11,25-26.
o
Cristo
está realmente presente nela: Mt 26,26; Lc 22,19-20; Jo 6,35.41.51-58; 1Cor
11,27-29.
o
Discurso
sobre a Eucaristia: Jo 6,32-58.
o
Fonte
de vida divina: Jo 6,27.33.50-51.58; 1Cor 11,30.
o
Instituída
por Cristo: Mt 26,26-29; Mc 14,22; Lc 22,15-20; 1Cor 11,23-25.
o
"Isto
É o meu Corpo... Isto É o meu Sangue": Mt 26,26-27; Mc 14,22.24; Lc
22,19-20; 1Cor 10,24-25.
o
Jesus
é o Pão da Vida: Jo 6,35.41.48.51.
o
Nos
une a Cristo: At 2,42; Rm 12,5; 1Cor 10,17.
o
Prometida
por Cristo: Jo 6,27-59.
o
Sérias
consequências de pecar contra a eucaristia: 1Cor 11,26-30.
·
Unção dos Enfermos
o
Administrado
o
Recebido
com oração de fé: Tg 5,15.
o
Restaura
a saúde do doente: Mc 6,13; Tg 5,15.
o
Também
perdoa os pecados: Tg 5,15.
o
Uso
de óleo: Mc 6,13; Tg 5,14.
·
Sagradas Ordens
o
Consagração
dos Apóstolos: Jo 20,22.
o
Deveres
e funções dos sacerdotes no AT: Dt 33,7-11.
o
Funções
dos sacerdotes: Ml 1,11; Mt 28,19; Jo 20,23; 1Cor 11,24; Tg 5,14.
o
É
o chamado dos Apóstolos: Mt 10,1; 16,16-19; Lc 6,13; 22,32; Jo 21,15-17.
o
Graus
de autoridade: 1Cor 12,28; Ef 4,11; 1Ts 5,12; Tg 3,1.
o
Melquisedec
se aproximava de Cristo: Sl 110,4; Hb 5,6.10; 6,20.
o
O
sacerdócio de Cristo foi perfeito: Hb 3,1-4; 7,27; 8,4-6; 9,12-14.25; 10,5.
o
O
sacerdócio de Melquisedec foi superior ao de Aarão: Hb 7,1-17; 8,1-13.
o
Orar
para despertar vocações sacerdotais: Mt 9,37-38; Lc 10,2.
o
Os
Apóstolos são enviados: Mt 28,19; Mc 16,15; Lc 24,47; Jo 20,21.
o
Sacerdócio
dos fiéis: Ef 2,19-20; 1Pd 2,5.9.
o
Sacerdócio
no NT: Rm 15,16.
o
Transmissão
do sacerdócio: 1Tm 4,14; 5,22; 2Tm 1,6; Tt 1,5.
·
Matrimônio
o
A
continência é aconselhada para curtos períodos: 1Cor 7,1-5.
o
A
morte dissolve o matrimônio: Rm 7,2; 1Cor 7,39.
o
A
união é sagrada: 1Cor 7,13-14; Ef 5,25-26.
o
Duas
pessoas em uma só carne: Gn 2,23-24; Mt 19,3-6; Ef 5,31.
o
É
para a procriação de filhos: Gn 1,28.
o
O
casamento é como Cristo e sua Igreja: Ef 5,21-23.
o
O
celibato é superior: Mt 19,12; 1Cor 7,8.25.38.
o
O
divórcio não é permitido: Mt 5,32; 19,9; Mc 10,2-12; Lc 16,18; 1Cor 7,10.
o
Ordenado
por Deus: Gn 1,28; 2,18; Tb 8,5-7; Mt 19,6.
o
Os
filhos são a bênção de Deus: Gn 24,60; 30,1-3; Sl 127,3: 1Sm 1,6; Lc 1,25.
o
Respeito
mútuo: 1Cor 7,4; Ef 5,21-25.33; Cl 3,18-19.
·
A Bíblia
o
Bênção
por crer na Palavra de Deus: Lc 11,28; Ap 22,7.
o
É
aprendida desde a infância: Dt 6,7; 11,19; 31,12-13; 2Tm 3,15.
o
É
chamada espada de dois gumes: Sl 149,6; Hb 4,12; Ap 1,16.
o
É
chamada "Palavra de Deus": 1Ts 2,13; Hb 4,12.
o
É
inspirada por Deus: At 1,16; Rm 1,2; 2Tm 3,16; 1Pd 1,10; 2Pd 1,21.
o
Não
está sujeita a particular interpretação: 2Pd 1,20-21.
o
Necessita
de um intérprete: At 8,30-31; 2Pd 3,16.
o
Propósito
e usos das Escrituras: Rm 15,4; 16,26; 1Cor 10,11; 2Tm 3,15-17.
o
Tem
coisas difíceis de se compreender: 2Pd 3,16.
·
Os Apóstolos
o
A
Igreja foi erguida sobre os Apóstolos: Mt 16,18; Ef 2,20; Ap 21,14.
o
A
primazia foi dada a Pedro: Mt 16,18; Lc 22,31-32; Jo 1,42; 21,15-17.
o
Chamados
por Cristo: Mt 10,2-4; Mc 3,13-19; Lc 6,12-16; At 1,13.
o
Funções
dos Apóstolos: At 2,42; 4,35; 6,2; 15,6; 1Cor 3,9; 4,1; 11,23; 15,1; 2Cor 5,20;
6,1.
o
O
Espírito Santo pousou sobre os Apóstolos: At 1,8; 2,3-4.
o
Paulo
apóstolo dos gentios: At 9,15; 22,15; Rm 11,13; Gl 2,8; 1Tm 2,7.
o
Paulo
foi chamado a ser Apóstolo: At 9,15; Rm 1,1; 1Cor 9,1; 15,8-10; 2Cor 5,20; Gl
1,15.17.
o
São
aqueles que foram enviados: Mt 28,19; Mc 6,7; 16,15; Lc 24,47; Jc 4,38; 17,18;
20,21.
o
São
testemunhas de Cristo: Lc 24,48; Jo 15,27; At 1,8; 21-28; 2,32; 3,15; 4,33;
5,32; 10,39; 13,31; 22,15.
o
Também
julgarão o mundo: Mt 19,28; Lc 22,30; 1Cor 6,2; Ap 20,4.
SOBRE OS DONS DE
DEUS
·
Fé
o
A
caridade é superior à fé: 1Cor 13,13.
o
A
fé é confirmada com o batismo: At 2,41; 8,12-13; 10,44-48; 16,14-15.31-33;
18,8; 19,2-5; 1Cor 1,14-17; Hb 10,22.
o
A
fé é confirmada com o batismo e nos tornamos filhos de Deus: Jo 1,12; Gl 3,26;
4,5-7.
o
A
fé é exigida por Cristo: Mt 9,28; Mc 4,40; Lc 8,25; Jo 6,35; 8,24; 9,35.
o
A
fé é garantia das coisas esperadas: Rm 1,16; 4,20; 2Cor 4,13; Hb 11,1.
o
A
fé pede obediência: At 6,7; Rm 1,5; 6,16-17; 15,18; 16,19.26; 2Cor 10,6; 2Ts
1,8; Hb 5,9; 11,8; 1Pd 1,22.
o
A
fé vem pela pregação: At 4,1-4; 8,5-6.31.; 17,11; Rm 10,14-17; 2Cor 1,19; Cl
1,23; 1Tm 3,16; Hb 4,2-3.
o
Alguns
heróis da fé: Eclo 44,1-15.21; Hb 11,1-40.
o
Deus
é fiel e verdadeiro: Sl 89,33-37; Rm 3,3-4; 1Cor 1,9; 1Ts 5,24; 2Ts 3,3; 2Tm
2,13; Hb 10,23; 11,11; Ap 19,11.
o
Fé
e boas obras são mutuamente complementares: Gl 5,6; 1Ts 1,3; 2Ts 1,1; Tg
2,17.20.26.
o
O
justo vive pela fé: Hab 2,4; Rm 1,17; 3,21-22.26; Gl 3,11; Hb 2,4; 10,38.
o
Os
cristãos são chamados "crentes" (=homens de fé): At 5,14; 9,42; 14,1;
15,7; Rm 4,24; 1Cor 1,21; 1Tm 4,12.
o
Sem
fé não podemos agradar a Deus: Rm 2,7-8; Hb 11,6.
o
Tem
poder para cumprir as promessas: Jr 32,17; Mt 19,26; Lc 1,37; 18,27; Rm 4,21;
Hb 6,17; 11,19.
o
Vida
para todos que crêem com fé: Rm 6,8; 10,10; 2Cor 4,13-14; Ef 1,19; Cl 2,12; 1Ts
4,14; 2Tm 1,10; 1Pd 1,5.
·
Esperança
o
A
esperança conduz à santidade: 1Jo 3,3.
o
A
esperança vem de Deus: Rm 15,13; 2Ts 2,16.
o
A
esperança vem do Espírito Santo: At 1,8; 2,33; Rm 5,5; Gl 5,5.
o
Abraão
é modelo de esperança: Rm 4,18.
o
Cristo
é a nossa esperança de glória: Rm 5,1-2; Ef 2,13-17; Cl 1,27; Tt 3,7; 1Pd 1,3.
o
Deus
clamou pela fé de Israel: Sl 130,7; 131,3; Jr 14,8; 17,13; 50,7; At 28,20.
o
Devemos
esperar com paciência: Rm 8,25; 12,12; 15,4; 1Ts 1,3.
o
Devemos
perseverar na esperança: Hb 3,6; 6,11.
o
Israel
procurou uma esperança futura: Is 61,1-11; Jr 29,11; 31,17; Os 2,21-23.
o
Não
há esperança para os incrédulos: 1Cor 15,14.19; Ef 2,12; 1Ts 4,13.
o
Os
cristãos esperam em Deus: 1Tm 5,5; 6,17; 1Pd 1,21; 3,5.
o
Os
cristãos esperam
o
Os
cristãos esperam pela ressurreição: At 2,26; 23,6; 24,15; 26,6; Rm 8,23-24; Hb
11,1.
o
Os
cristãos são salvos pela esperança: Rm 8,24; 1Ts 5,8.
o
Somos
chamados para a esperança: Rm 5,2; Ef 1,18; 4,4; Cl 1,23; Hb 3,1.
·
Caridade (Amor)
o
Amar
Jesus é seguir sua palavra: Dt 11,1; Jo 14,15.21.23; 1Jo 2,5; 3,24; 5,3.
o
Cristo
se ofereceu à morte por amor a nós: Jo 15,13; 2Cor 5,14; Gl 2,20; Ef 5,2.25.
o
Deus
é Amor: 1Jo 4,8.16.
o
Deus
nos amou primeiro: Ef 5,2; 1Jo 3,16; 4,9-10.19.
o
Devemos
amar a Deus de todo o coração: Dt 6,5; Mt 22,37; Mc 12,30.33; Lc 10,27; 1Jo
5,2.
o
Devemos
amar uns aos outros: Lv 19,18.34; Dt 10,19; Mt 19,19.22-39; Mc 12,31.33; Lc
10,27; Jo 13,34-35; At 4,32; Rm 13,9; Gl 5,14; Tg 2,8; 1Jo 4,20-21.
o
Devemos
amar também aos inimigos: Jó 31,29-30; Mt 5,43-47; Lc 6,27-36; 10,29-37; Rm
12,14-21.
o
O
amor de Deus é incomparável: Mt 6,24; Lc 16,13; 1Jo 2,15.
o
O
amor perfeito não sente receio: Rm 8,15; 2Tm 1,7; 1Jo 2,28; 4,18.
o
O
amor é a maior virtude: Rm 13,8-10; 1Cor 13,13; Gl 5,6.
o
O
amor se manifesta na caridade: Dt 15,7.11; Mt 25,34-45; Mc 12,41-44; Lc 21,1-4;
1Cor 13,3; 2Cor 8,1-8; 9,7; Tg 2,16; 1Jo 3,17-18.
o
O
Espírito Santo é canal de amor: Rm 5,5; 8,16; 15,30; Gl 4,6.
o
O
marido e a mulher devem se amar: Ef 5,25; Cl 3,19; 1Pd 3,7.
o
Por
ter nos amado tanto, Deus enviou seu Filho: Zc 12,10; Mt 21,37; Jo 3,16; Rm
8,32; 1Jo 4,9-10.14.
o
Sem
o amor, nenhuma virtude ou dom tem valor: 1Cor 13,1-10; Gl 5,6.
·
A Oração
o
A
oração é a glorificação de Deus: 1Cr 29,13; 2Cr 20,21-22; Sl 21,13; 22,23;
89,5; 113,1; 148; 149; 150; Lc 19,37; Ap 19,5.
o
A
oração desenvolve a vida espiritual: Ef 3,14-19; Fl 1,9-11.
o
A
oração deve ser feita com fé: Lc 11,9; 18,1-8; Jo 14,13; 15,7.
o
A
oração deve ser feita com fé no nome de Jesus: Jo 14,13; 15,7; At 3,16; 1Jo
3,22; 5,14.
o
A
oração deve ser feita com perseverança: Mt 15,22-28; Lc 11,5-8; 18,1-8; Rm
12,12; Ef 6,18; Cl 4,2.
o
A
oração pode ser oferecida por um ministro especial: At 13,3; 14,23.
o
A
oração pode ser rezada de joelhos: 2Cr 6,13; Sl 95,6; Dn 6,10; Lc 22,41; At
9,40; 20,36.
o
A
oração pode ser rezada de pé: 1Cr 23,30; Ne 9,5; Mc 11,25; Lc 18,11.
o
A
oração pode ser rezada
o
A
oração pode ser rezada em particular: 2Rs 4,33; Tb 3,11; Is 26,20; Dn 6,11; Mt
6,6; At 9,11.40; 10,9.
o
Agradecimento
a Deus: Ne 12,8; 46; Tb 13,1ss; Jd 16,1ss; Sl 35,18; 109,30; Eclo 51,1ss; 2Cor
4,15; Fl 4,4-6; Ap 7,12.
o
O
Pai-Nosso (Oração do Senhor): Mt 6,9; Lc 11,2.
o
O
templo é chamado "casa de oração": Is 56,7; Mt 21,13; Mc 11,17.
o
Oração
pelos mortos: 2Mc 12,42-45.
o
Oração
pelos outros: At 12,5; Rm 15,30; 2Cor 1,11; Ef 6,18; Cl 4,3; 1Ts 5,25; 2Ts 3,1;
1Tm 2,1; Hb 13,18.
o
Pedido
a Deus: Ex 32,11-13; 33,17; 34,9; Js 7,6; Mt 7,7-11; Mc 11,24.
SOBRE AS ÚLTIMAS
COISAS
·
Morte
o
A
morte deve ser temida: 2Rs 20,2; Is 38,2; Mc 14,33; Lc 22,44; Jo 11,33.38;
12,27; 13,21; Hb 5,7.
o
A
morte é o destino comum do homem: 2Sm 12,23; 14,14; 1Rs 2,2; Sl 49,8-9; Ecl 3.
o
A
morte encerra a nossa existência mortal: Jó 7,8-9.21; 14,10; Sl 39,13; 88,5;
102,23-24; Ecl 3,19-22; 6,1-12; Lc 12,20.
o
A
morte física é conseqüência do pecado: Gn 3; Sb 1,13; 2,24; Eclo 25-24; Rm
5,12; 1Cor 15,22.
o
A
morte traz sofrimento: Gn 23,2; 50,1; 2Sm 19,1; 2Rs 13,14; Lc 7,12,13; Jo
11,19.35.
o
Cristo
venceu a morte: At 13,34; Rm 6,9; 1Cor 15,25-27; 2Tm 1,10; Hb 2,14; Ap 1,18.
o
Todos
aqueles que morrem em Cristo viverão com Ele: Rm 6,5.8; 8,17; 2Tm 2,11.
·
Purgatório
o
A
oração pode ajudar: 2Mc 12,45.
o
A
purificação é necessária para adentrar ao céu: Hb 12,14; Ap 21,27.
o
Agonia
temporária: 1Cor 3,15; Mt 5,25-26.
o
Cristo
pregou para seres espirituais: 1Pd 3,19.
o
É
um estado intermediário de purificação: Mt 5,26; Lc 12,58-59.
o
É
uma realidade entre o céu e a terra: Mt 18,23-25; Lc 23,42; 2Cor 5,10; Fl 2,10;
Ap 5,2-3.23.
o
Graus
de expiação dos pecados: Lc 12,47-48.
o
Não
será perdoado nem aqui nem no mundo vindouro: Mt 12,32.
o
Nada
de impuro pode entrar no céu: Ap 21,27.
o
Sacrifício
para os mortos: 2Mc 12,43-46.
o
Salvação,
mas como pelo fogo: 1Cor 3,15.
o
Sofrimento
extra: 2Sm 12,14; Cl 1,24.
·
Inferno (Geena)
o
Chamado
de abismo: Jó 26,5-6; Sl 88,6; 2Pd 2,4.
o
Chamado
de prisão: Jó 38,17; Is 24,22.
o
Exclusão
da presença de Deus: Mt 5,20; 7,21-23; Lc 13,24-25; 1Cor 6,9-11; Gl 5,21; 2Ts
1,9.
o
Lugar
de fogo: Mt 5,22; 18,9; 25,41; Mc 9,43; Lc 3,17; Tg 3,6; Jd 1,7; Ap 19,20;
20,10; 21,8.
o
Lugar
de miséria e tormento: Dn 12,2; Mt 8,11-12; 13,42; 22,13; Lc 13,24-28; Rm 2,8;
Ap 14,9-11; 19,20.
o
Lugar
de trevas e silêncio: Sl 88,6; 115,17; Mt 8,12; 22,13; 25,30; 2Pd 2,17; Jd
1,13.
o
Neste
lugar não há chance para arrependimento: Hb 12,17.
o
O
inferno é o salário do pecado: Is 3,11; Rm 2,6; 6,21-23; 1Cor 6,9-10; Gl 6,7;
Tg 1,15; Ap 21,8.
o
Preparado
para o diabo e seus anjos: Mt 25,41; Ap 14,9-11.
o
Punição
para a rejeição voluntária da graça de Deus: Jo 12,48; Rm 2,5; 2Ts 1,8; Hb
2,2-3; 6,4-6; 10,26-29.
·
Céu
o
Cristo
nos levará ao céu: Mt 24,31; Jo 14,2-3; 1Ts 4,16-17; 2Ts 2,1.
o
Devemos
tentar ir para o céu: Cl 3,1; Hb 13,14.
o
É
o local de residência de Deus: Gn 19,24; Dt 10,14; 1Rs 22,19; Sl 11,4; Mt
5,16.45; 6,1.
o
Graus
de alegria no céu: Mt 20,21; Jo 14,1-3.
o
Jesus
ascendeu ao céu: Mc 16,19; Lc 24,50; Jo 20,17; At 1,3-9; Ef 4,10; 1Pd 3,22.
o
Jesus
desceu do céu: Jo 3,13.31; 6.38; 1Cor 15,47.
o
Jesus
voltará do céu: Mt 10,23; 16,27; 19;28; 35,31; At 1,11; 1Ts 4,13-18; 2Ts 1,7;
2Pd 1,16; Ap 1,7; 20,11; 22,20.
o
Não
é fácil entrar no céu: Pr 11,28; Mc 10,23-25; 1Cor 6,9; 1Pd 4,18.
o
Nosso
corpo deve primeiro ser transformado: 1Cor 15,50-51; 1Ts 4,13-17.
o
O
céu é o nosso lar: Mt 5,12; 2Cor 5,1-5; Fl 3,20; Cl 1,5; 1Pd 1,4.
o
O
céu é para todos os homens: 1Tm 2,4.
o
São
Paulo foi levado ao terceiro céu: 2Cor 12,2.
SOBRE AS QUESTÕES
APOLOGÉTICAS
·
Sola Scriptura (Somente a Bíblia)
A idéia fundamental da reforma protestante é a de que apenas a Bíblia é a única
regra de fé. Entretanto, a própria Bíblia não suporta essa crença...
o
Jesus
fala ou revela verdades que não se encontram na Escritura: Mt 2,23; At 20,35;
Tg 4,5.
o
Nem
tudo está na Bíblia: Jo 21,25.
o
O
grande mandamento de Cristo é pregar e não escrever: Mt 28,19-20.
o
Os
cristãos primitivos seguiam a tradição apostólica: At 2,42.
o
São
Paulo reconhece autoridade à tradição oral: 1Ts 2,13; 2Ts 2,15; 2Tm 2,2; 1Cor
11,2.
·
Sola Fide (Somente a Fé)
Martinho Lutero, querendo evitar a importância de se fazer boas obras, promoveu
a idéia de que apenas a fé é responsável pela salvação. A Igreja, porém, sempre
ensinou que a fé, a esperança e o amor (caridade) são necessários para a
salvação. O único lugar em que a expressão "apenas a fé" aparece na
Bíblia está em Tg 2,24, onde o autor declara que Abraão não foi salvo apenas
por sua fé.
o
As
obras têm méritos: Fl 2,12; 2Cor 5,10; Rm 2,6; Mt 25,32-46; Gl 6,6-10.
o
Devemos
evitar o pecado: Hb 10,26.
o
Devemos
fazer o desejo de Deus: Lc 6,46; Mt 7,21; 19,16-21; 1Tm 5,8.
o
Devemos
guardar os mandamentos: 1Jo 2,3-4; 3,24; 5,3.
o
Obtém
o perdão dos pecados: Tg 5,20.
o
Que
proveito tem a fé sem as obras?: Tg 2,14-26.
o
São
Paulo se auto-disciplina para evitar perder a salvação: 1Cor 9,27.
·
Livros Deuterocanônicos (chamados de "Apócrifos" pelos
protestantes)
o
Os
deuterocanônicos foram usados no Novo Testamento: 2Mc 6,18-7,42 : Hb 11,35; Sb
3,5-6 : 1Pd 1,6-7; Sb 13,1-9 : Rm 1,18-32.
o
A
versão da Septuaginta (Antigo Testamento grego com os deuterocanônicos) é
citada em partes onde difere da versão hebraica: Is 7,14 : Mt 1,23; Is 40,3 :
Mt 3,3; Jl 2,30-31 : At 2,19-29; Sl 95,7-9 : Hb 3,7-9.
·
Batismo de Crianças
o
A
Bíblia sugere o batismo de toda uma casa, o que inclui as crianças: At 2,38-39;
16,15.33; 1Cor 1,16.
o
A
circuncisão (normalmente feita em crianças) foi substituída pelo batismo: Cl
2,11-12.
o
O
batismo é necessário para a salvação: Jo 3,5.
·
Papado/Infalibilidade
o
A
cátedra de Moisés como autoridade de ensino: Mt 23,2.
o
A
igreja edificada sobre os apóstolos e profetas: Ef 2,20.
o
As
chaves são símbolo de autoridade: Is 22,22; Ap 1,18.
o
Pedro
é sempre mencionado em primeiro, antes dos dos demais apóstolos: Mt 10,1-4; Mc
3,16-19; Lc 6,14-16; At 1,13; Lc 9,32.
o
Pedro
fala pelos apóstolos: Mt 18,21; Mc 8,29; Lc 12,41; Jo 6,69.
o
Pedro
foi o primeiro a pregar durante o Pentecostes: At 2,14-40.
o
Pedro
realizou a primeira cura: At 3,6-7.
o
Pedro
recebeu a revelação de que os gentios deveriam ser batizados: At 10,46-48.
o
Simão
é chamado de Cefas (aramaico: Kepha = Pedra): Jo 1,42.
o
Vicário
de Cristo: Lc 10,1-2.16; Jo 13,20; 2Cor 5,20; Gl 4,14; At 5,1-5.
o
"Apascenta
as minhas ovelhas": Jo 21,17.
o
"Simão,
confirma os teus irmãos": Lc 22,31-32.
o
"Sobre
esta Pedra edificarei a minha Igreja; [...] Te darei as chaves do céu; [...]
Tudo que ligares e desligares: Mt 16,18-19.
·
Irmãos de Jesus?
O Cristianismo tradicional afirma que Jesus é o único filho de Maria. As
citações aos "irmãos do Senhor" se referem a outros membros da
família e, em alguns casos, aos seus próprios discípulos.
o
Maria,
esposa de Cléofas e irmã da Virgem Maria (Jo 19,25) é a mãe de Tiago e José (Mc
15,47; Mt 27,56), que são chamados de "irmãos do Senhor" (Mc 6,3).
o
Em
At 1,12-15, vemos que os Apóstolos, Maria, algumas mulheres e os irmãos de
Jesus totalizam aproximadamente 120 pessoas, o que é um número muito alto de
irmãos.
o
Gn
14,14: Lot, sobrinho de Abraão (cf. Gn 11,26-28), é chamado de irmão de Abraão.
o
Gn
29,15: Labão, tio de Jacó, chama Jacó de seu irmão.
o
Jo
19-26-27: Jesus entrega Maria aos cuidados de seu discípulo João e não a um de
seus supostos irmãos.
·
Os Santos
o
A
transfiguração - onde está descrita a morte de Moisés e Elias?: Mt 17; Mc 9.
o
Corpo
de Cristo: 1Cor 12,25-27; Rm 12,4-5.
o
Deus
não é o Deus dos mortos, mas dos vivos: Mc 12,26-27.
o
Intercessão
de Moisés e Samuel: Jr 15,1.
o
O
aviso é para não evocar os mortos, mas os santos podem ser invocados pois estão
vivos para Deus: Dt 18,10.
o
Oração
intercessória: Ef 6,18; Rm 15,30; Cl 4,3; 1Ts 1,11.
o
Os
falecidos Onias e Jeremias intercedem pelos judeus: 2Mc 15,11-16.
o
Os
santos estão unidos com Deus: 1Cor 13,12; 1Jo 3,2.
o
Os
santos são reerguidos na ressurreição e circulam por Jerusalém: Mt 27,52; Ef
2,19.
o
Veneração
de anjos unidos com Deus: Js 5,14; Dn 8,17; Tb 12,16; Mt 18,10.
·
As Imagens
o
Deus
ordena a confecção de imagens: Ex 25,18-22; Nm 21,8-9.
o
Salomão
constrói o Templo com estátuas e imagens: 1Rs 6,23-29.35; 7,29.
·
Você já está salvo?
o
1Cor
10,12 - "Assim, pois, aquele que julga estar de pé, tome cuidado para não
cair".
o
Mt
19,16-17 - "Aí alguém se aproximou dele e disse: 'Mestre, que farei de bom
para ter a vida eterna?' Respondeu [Jesus]: 'Por que me perguntas sobre o que é
bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a Vida, guarda os
mandamentos'".
o
Lc
10,25-28 - "E eis que um doutor da lei se levantou e disse para
experimentá-lo: 'Mestre, que farei para herdar a vida eterna?' Ele disse: 'Que
está escrito na Lei? Como lês?'. Ele então respondeu: 'Amarás o Senhor teu
Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e de todo
o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo'. Jesus disse: 'Respondeste
corretamente; faze isso e viverás'".
o
Jo
5,24 - "Em verdade, em verdade vos digo: quem escuta a minha palavra e crê
naquele que me enviou tem a vida eterna e não vem a julgamento, mas passou da
morte à vida".
o
Jo
6,54 - "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e
eu o ressuscitarei no último dia".
o
Mt
10,22 - "E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Aquele, porém,
que perseverar até o fim, esse será salvo".
o
Mc
16,16 - "Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será
condenado".
o
Jo
3,5 - "Respondeu-lhe Jesus: 'Em verdade, em verdade te digo: quem não
nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus".
|
25. SOMENTE A BÍBLIA? – 21 RAZÕES PARA REJEITAR A SOLA
SCRIPTURA |
"Eu não creria no
Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica"
(St. Agostinho - Contr. Epist. Manichaei. v, 6)
Nós cremos somente na Bíblia, e
a Bíblia inteira é a única regra de fé para o cristão.
Talvez você já tenha ouvido esta frase ou algo parecido de um protestante
evangélico. Ela é, em essência, o significado da doutrina da Sola Scriptura, ou Somente a Escritura, que alega que a
Bíblia - interpretada individualmente pelo crente - é a única fonte de
autoridade religiosa e é a única regra ou o único critério em quê o crente deve
acreditar. Por esta doutrina, que é uma das fundamentais doutrinas do
protestantismo, o protestante nega que exista qualquer outra fonte de
autoridade religiosa ou revelação divina à humanidade.
A Igreja Católica, por outro lado, afirma que a regra imediata ou direta de fé
é o ensino da Igreja. Este, por sua vez, tem suas Fontes da Revelação Divina
- A Palavra Escrita, a Sagrada
Escritura, e a Palavra não-Escrita,
conhecida como Tradição. A
autoridade do Magistério da Igreja Católica (chefiado pelo Papa), apesar de não
ser ela própria uma fonte de revelação divina, possui a missão de interpretar e
ensinar tanto a Escritura como a Tradição. Estas duas formas são as fontes da
doutrina cristã, a regra de fé cristã remota ou indireta.
Obviamente, estas duas visões apresentadas são opostas, e aquele que busca
seguir Cristo deve ter a certeza de que está seguindo a verdadeira.
A doutrina da Sola Scriptura se
originou com Martinho Lutero, um monge alemão do século 16 que quebrou sua
união com a Igreja Católica Romana e iniciou a Reforma Protestante [1]. Em resposta a alguns abusos que
ocorriam na Igreja, Lutero tornou-se um grande oponente de certas práticas.
Como tais abusos de fato ocorriam, Lutero estava correto
Crescendo as disputas entre Lutero e a hierarquia da Igreja, ele a acusava de
haver corrompido a doutrina cristã e distorcido as verdades bíblicas, e cada
vez, mais e mais, ele acreditava que a Bíblia, interpretada por cada indivíduo,
era a única regra de fé religiosa para o cristão. Rejeitou a Tradição assim
como a autoridade do ensino da Igreja Católica (com o Papa como sua cabeça)
como tendo legítima autoridade religiosa.
Um observador honesto poderia perguntar, portanto, se a doutrina de Lutero
sobre a Sola Scriptura seria
uma restauração genuína das verdades bíblicas ou a promulgação de uma visão
pessoal acerca da autoridade da Igreja. Lutero era um apaixonado pelas suas
crenças, e foi bem-sucedido em divulgá-las, mas estes fatos por si só não são
garantia alguma de que o que ensinou esteja correto. Pelo fato de o bem-estar,
e mesmo o destino eterno das pessoas, ser uma aposta de confiança, o fiel
cristão precisa estar precisamente seguro neste assunto.
Nos parágrafos seguintes declaramos vinte e uma considerações que ajudarão
você, leitor católico ou protestante, a analisar cuidadosamente a doutrina
luterana da Sola Scriptura de
um ponto de vista bíblico, histórico e lógico, e que mostrará que de fato esta
não é uma doutrina bíblica genuína, mas somente uma doutrina de homens.
NÃO É ENSINADA
Talvez a razão que mais chame a atenção para rejeitar esta
doutrina é que não existe nem mesmo um só versículo onde esta seja ensinada, e
isto, portanto, torna esta doutrina auto-refutada.
Os protestantes comumente citam versículos tais como 2 Tm 3,16-17 ou Ap
22,18-19
Em 2 Tm 3,16-17 lemos: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil
para ensinar, refutar, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de
Deus seja perfeito, qualificado para qualquer boa obra. Existem aqui
cinco considerações que enfraquecem a interpretação protestante desta passagem:
1.
A
palavra grega ophelimus
utilizado no v.16 significa útil
e não suficiente. Um exemplo
desta diferença seria dizer que a água é útil para nossa existência - mesmo
necessária - mas não é suficiente; isto é, ela não é o único componente que nos
manteria vivos. Também precisamos de alimentos, medicamentos, etc. Da mesma
forma, a Escritura é útil na vida do cristão, mas isto nunca quis dizer que ela
é a única fonte de ensino cristão e a única coisa que cada o necessita.
2.
A
palavra grega pasa, que
geralmente é traduzida como toda,
na realidade significa qualquer,
e seu sentido se refere a cada uma ou qualquer uma das classes denotadas pelo
substantivo a que está conectado [2]. Em outras palavras, a forma grega indica
que toda e qualquer Escritura é
útil. Se a doutrina da Sola Scriptura
fosse verdadeira, baseada no verso grego 16, todo e qualquer livro da Bíblia
poderia, isoladamente, ser considerado a única regra de fé, uma posição que é
obviamente absurda.
3.
A
Escritura a que Paulo se refere
é o Antigo Testamento, um fato que é claramente referido pelo fato de as
Escrituras serem conhecidas desde a
tenra infância (v.15) por Timóteo. O Novo Testamento como conhecemos
ainda nem mesmo existia, ou na melhor das hipóteses estava incompleto, então
não poderia estar incluído no que Paulo quis dizer com o termo Escritura. Se aceitarmos as palavras
de Paulo sem analisarmos o que realmente significam, a Sola Scriptura, então, significaria que a única regra de fé do
cristão é o Antigo Testamento. Esta é uma conclusão que todos os cristãos
rejeitariam. Os protestantes responderiam a este argumento dizendo que Paulo
não está tratando do cânon da
Bíblia (os livros inspirados que constituem a Bíblia), mas sim da natureza da Escritura. Ainda que haja
alguma validade nesta afirmação, a questão do cânon também é relevante aqui, pelas seguintes razões: antes que
falemos da natureza das
Escrituras como sendo theopneustos,
ou seja, inspirados
(literalmente "soprados por Deus"), é imperativo que identifiquemos
com segurança os livros que queremos listar como Escritura; de outra forma,
livros errados poderia ser chamados de inspirados.
Obviamente, as palavras de São Paulo aqui tomaram uma nova dimensão quando o
Novo Testamento foi completado, e os cristãos eventualmente as consideravam,
também, como sendo Escritura.
Deve ser dito, então, que o cânon bíblico também entra na questão, pois Paulo - escrevendo sob a
inspiração do Espírito Santo - enfatiza o fato de que toda (e não somente alguma)
Escritura é inspirada. A questão que deve ser discutida, entretanto, é esta: como podemos ter a certeza de que temos todos
os livros corretos? Obviamente, somente poderemos conhecer a resposta se
soubermos qual é o cânon da Bíblia. Tal questão guarda um problema para os
protestantes, mas não para os católicos, pois estes possuem uma autoridade
infalível que pode responder.
4.
A
palavra grega artios, aqui
traduzida como perfeito, à
primeira vista pode fazer crer que a Escritura é de fato tudo o que é
necessário. "Logo", alguém poderia perguntar, "se as Escrituras
tornam o homem de Deus perfeito, que mais seria preciso? Por acaso a palavra
'perfeito' não significa que nada mais é necessário?". Bem, a dificuldade
com esta interpretação é que o texto não diz que somente pelos meios da Escritura o homem de Deus é tornado
perfeito. O texto indica precisamente o oposto, pois é verdadeiro que a
Escritura opera em conjunção com outras coisas. Note que não é qualquer um que
se torna perfeito, mas o homem de Deus - que significa um ministro de Deus (cf.
1 Tm 6,11), um sacerdote. O
fato deste indivíduo ser um ministro de Cristo pressupõe que ele já estava
acompanhando um estudo que o prepararia para exercer tal ofício. Sendo assim, a
Escritura poderia ser mais um instrumento dentro de uma série de outros que
tornam o homem de Deus perfeito. As Escrituras poderiam complementar sua lista
de itens necessários ou poderiam ser o item mais proeminente da lista, mas
seguramente não eram a única
ferramenta de sua lista nem pretendia ser tudo o que necessitaria. Por
analogia, considere um médico. Neste contexto, poderíamos dizer algo como
"O Tratado de Medicina Interna do
Harrison (livro texto de referência na prática médica mundial) torna
nossa prática médica perfeita, logo estamos aptos a qualquer procedimento
médico". Obviamente tal afirmativa não pode significar que tudo o que o
médico precisa seja o TMIH.
Este é um item entre vários outros, ou o mais proeminente. O médico também
necessita de um estetoscópio, um tensiômetro, um otoscópio, um oftalmoscópio,
técnicas cirúrgicas, etc. Estes outros itens são pressupostos pelo fato de
estarmos falando de um médico, e não de um leigo. Logo, seria incorreto
presumir que somente o TMIH
torna o médico perfeito, a única ferramenta necessária.
Além disso, considerar que a palavra perfeito
significa o único item necessário
resulta em contradição bíblica, pois em Tg
1,4 lemos que a paciência
- sem citar as Escrituras - torna os homens perfeitos e íntegros, livres de todo defeito. É verdade que aqui
uma palavra grega diferente - teleios
- é usada para perfeitos, mas permanece o fato de que o entendimento básico é o
mesmo. Então, se alguém certamente entende que a paciência não é a única
ferramenta que o cristão precisa para ser perfeito, um método interpretativo
consistente levaria-nos a reconhecer da mesma forma que as Escrituras não são a
única coisa que o homem de Deus necessita para ser perfeito.
5.
A
palavra grega exartio no v.17,
traduzida por qualificado (outras Bíblias trazem algo como equipado ou plenamente qualificado) é tida como uma prova pelos protestantes
da Sola Scriptura pois esta
palavra - novamente - implica em dizer que nada mais é necessário ao homem de Deus. Contudo, ainda que o
homem de Deus seja qualificado
ou plenamente equipado, este
fato por si mesmo não garante que este homem saiba interpretar e aplicar
corretamente uma passagem bíblica. O sacerdote deve também aprender como usar corretamente as Escrituras,
mesmo que ele já esteja equipado
com elas. Considere de novo a analogia do médico. Pense num estudante de
medicina no início de seu internato. Ele deve dispor de todo seu arsenal
necessário para os procedimentos cirúrgicos, ou seja, ele deve estar qualificado, plenamente equipado para qualquer procedimento de emergência,
mas a menos que ele passe boa parte do tempo junto a médicos mais experientes,
observe suas técnicas, aprenda suas habilidades, e pratique algum procedimento
ele próprio, os instrumentos cirúrgicos que possui são completamente inúteis.
Sem dúvida, se não aprender a usar tais instrumentos apropriadamente, estes mesmos podem se tornar armas perigosas
Da mesma forma ocorre entre o homem de Deus e a Escritura.
Estas, como os instrumentos cirúrgicos, são preciosos apenas quando bem
manipulados. Do contrário, os resultados são o oposto do esperado. Mal usados,
um pode trazer a dor e a morte física, a outra, a dor e a morte espiritual.
Devido a Escritura nos advertir a mantermos a retidão da palavra da verdade (
cf. 2 Tm 2,15), é óbvio, portanto,
que a palavra da verdade pode ser desviada de seu correto caminho - da mesma
forma que um estudante de medicina destreinado que usa incorretamente seu
instrumental.
Com relação ao Ap 22,18-19, há
duas considerações que desqualificam a Sola
Scriptura. A passagem - quase a última da Bíblia - diz: Eu atesto a todo o que ouvir as palavras
proféticas deste livro: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhes
acrescentará as pragas escritas nesse livro. E se alguém tirar qualquer coisa
das palavras deste livro profético, Deus lhe retirará a sua parte da árvore da
vida e da cidade santa, que estão descritas neste livro.
1.
Quando
os versos desta passagem afirmam que nada deve ser acrescentado ou retirado das palavras deste livro profético,
não estão se referindo à Sagrada Tradição sendo acrescentada à Sagrada Escritura. É óbvio pelo contexto que o livro aqui referido é o do Apocalipse, e não a Bíblia inteira.
Sabemos disso porque São João diz que o que for culpado por acrescentar a este livro será penalizado com as
pragas escritas neste livro, as
pragas que ele mesmo descreveu em seu próprio livro, o Apocalipse. Afirmar algo
diverso disso é atentar contra o texto e distorcer seu claro significado,
especialmente devido a Bíblia que conhecemos ainda não existir quando esta
passagem foi escrita, sendo assim não poderia significar o compêndio cristão
[3].
Na defensiva de sua interpretação, os protestantes trarão o argumento de que
Deus vê adiante, vê qual seria o cânon da Bíblia, sendo o Apocalipse o último
livro da Bíblia, e portanto Ele definiu o cânon com as palavras dos vv.18-19.
Mas esta interpretação necessita que busquemos o significado do texto. Além do
mais, se tal afirmação for correta, como o cristão pode saber
inquestionavelmente que Ap 22,18-19
está selando o cânon a menos
que um intérprete infalível lhe confirme que este é, inquestionavelmente, o
único sentido deste verso? Porém, se tal autoridade existe, então a doutrina da
Sola Scriptura - ipso facto - torna-se nula e a ser
evitada.
2.
A
mesma advertência de não acrescentar ou subtrair palavras é vista em Dt 4,2, que diz: Nada acrescentareis às palavras dos
mandamentos que vos dou, e nada tirareis; assim guardareis os mandamentos do
SENHOR, vosso Deus, que eu vos dou. Se aplicarmos uma interpretação paralela
com este verso, logo tudo o que está na Bíblia além dos decretos das leis do
Antigo Testamento deveria ser considerado apócrifo ou não-canônico - incluindo
o Novo Testamento! Mais uma vez, todos os cristãos rejeitam, imediatamente,
esta conclusão. A proibição de Ap
22,18-19 contra a adição, portanto, não pode significar que os cristãos
estão proibidos de buscar algum guia fora da Bíblia.
A BÍBLIA INDICA QUE DEVEMOS
ACEITAR A TRADIÇÃO ORAL
São Paulo recomenda e ordena a manutenção da Tradição
Oral. Em 1 Cor 11,2, por
exemplo, lemos: Eu vos felicito por
vos lembrardes de mim em toda ocasião e conservardes as tradições tais como eu
vo-las transmiti [4]. São Paulo está claramente recomendando que
mantenham a tradição oral, e deve ser notado em particular que ele congratula
os fiéis por fazê-lo (Eu vos
felicito...). Também é explícito no texto o fato de que a integridade
desta Tradição oral apostólica era claramente mantida, da mesma forma como
Nosso Senhor havia prometido, sob o auxílio do Espírito Santo (cf. Jo 16,13).
Talvez o mais claro apoio bíblico para a Tradição oral seja 2 Ts 2,15, onde os cristãos são
enfaticamente advertidos: Assim, pois,
irmãos, ficai inabaláveis e guardai firmemente as tradições que vos ensinamos,
de viva voz ou por carta. Esta passagem é significante porque: a) mostra
uma tradição oral apostólica vivente, b) diz que os cristãos estarão firmemente
fundamentados na fé se aderirem a estas tradições e c) claramente afirma que
estas tradições eram tanto escritas como orais. A Bíblia distintamente mostra
aqui que as tradições orais - autênticas e apostólicas em sua origem - deveriam
ser seguidas como componente válido do Depósito
da Fé, então por quais razões ou desculpas os protestantes a rejeitam?
Com qual autoridade podem rejeitar uma exortação clara de Paulo?
Além do mais, devemos considerar o texto desta passagem. A palavra grega krateite, traduzida aqui como guardar, significa estar firme, forte, prevalecer
[5]. Esta linguagem é enfática, e demonstra a importância da manutenção destas
tradições. Obviamente, devemos diferenciar o que seja Tradição (com T
maiúsculo), que é parte da revelação divina, das tradições da Igreja (com t
minúsculo) que, mesmo que sejam boas, desenvolveram-se tardiamente na Igreja e
não fazem parte do Depósito da Fé. Um exemplo de algo que seja parte da Tradição
seria o batismo infantil; um exemplo de tradições da Igreja seria o
calendário das festas dos santos. Tudo que venha da Sagrada Tradição é
de origem divina e são imutáveis, enquanto que as tradições da Igreja
são cambiáveis pela Igreja. A Sagrada Tradição serve-nos como regra de fé por
mostrar no quê a Igreja tem consistentemente crido através dos séculos e como
ela sempre entendeu uma determinada parte Bíblica. Uma das principais formas
pelo qual a Sagrada Tradição foi transmitida a nós está nas doutrinas dos
textos litúrgicos antigos, o serviço divino da Igreja.
Todos já notaram que os protestantes acusam os católicos de promoverem
doutrinas novas e anti-bíblicas baseadas na Tradição,
por afirmarem que tal Tradição contém doutrinas que são estranhas à Bíblia.
Entretanto, esta acusação é profundamente falsa. A Igreja Católica ensina que a
Tradição Oral não contém nada que seja contrário à Tradição Escrita. Alguns
pensadores católicos afirmam, inclusive, que não há nada na Tradição Oral que
não seja encontrado na Bíblia, mesmo que implicitamente ou
A Sagrada Tradição complementa nossa compreensão da Bíblia ao mesmo tempo que
não constitui uma fonte extra-bíblica de revelação, com doutrinas novas ou
estranhas a ela. Muito pelo contrário: a Sagrada Tradição age como a memória
viva da Igreja, relembrando-a constantemente o que criam os cristãos antigos,
como entendiam e interpretavam as passagens bíblicas [6]. De certa forma, é a
Sagrada Tradição que diz ao leitor da Bíblia: Você está lendo um livro muito importante, que contém a revelação de
Deus aos homens. Agora deixe-me explicá-lo como ela sempre foi entendida e
praticada pelos cristãos desde o início dos tempos.
A BÍBLIA QUALIFICA A IGREJA COLUNA
E FUNDAMENTO DA VERDADE
É muito interessante que em 1 Tm 3,15 vemos não a Bíblia, mas a Igreja - isto é, a
comunidade viva de crentes fundada sob Pedro e os apóstolos e mantida pelos
seus sucessores - sendo chamada de coluna
e fundamento da verdade. Claramente esta passagem de modo algum
significa diminuir a importância da Bíblia, mas sua intenção é de mostrar que Jesus Cristo de fato estabeleceu um
magistério autorizado que foi enviado a ensinar todas as nações (cf. Mt 28,19) Em outro lugar esta mesma Igreja
recebeu de Cristo a promessa de que os portões do inferno não prevaleceriam
contra ela (cf. Mt 16,18), pois Ele sempre estaria presente (cf. Mt 28,20) e
enviaria o Espírito Santo para ensiná-la todas as verdades (cf. Jo 16,13). Ao
chefe visível de sua Igreja, São Pedro, Nosso Senhor disse: Te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo
que ligares na terra será ligado no céu; e tudo que desligares na terra será
desligado no céu (Mt 16,19). É evidente a partir destas passagens que
Nosso Senhor enfatiza a autoridade de Sua Igreja e a norma que deveria seguir
para salvaguardar e definir o Depósito da Fé.
Também é evidente destas passagens que esta mesma Igreja seria infalível, pois
se em algum lugar de sua história a Igreja ensinou o erro em matéria de fé e
moral - ainda que temporariamente - cessaria de ser esta coluna e fundamento da verdade. Pelo
fato de todo fundamento existir para ser firme e permanente, e de que as
passagens acima não permitem a possibilidade da Igreja ensinar algo contrário à
reta fé e moral, a única conclusão plausível é que Nosso Senhor foi muito
preciso em estabelecer a sua infalibilidade quando chamou-a de coluna e fundamento da verdade.
O protestante, entretanto, vê aqui um dilema quando afirma que a Bíblia é a
única regra de fé para seus crentes. Qual a capacidade, então, da Igreja - coluna e fundamento da verdade - se
não deve servir para estabelecer autoridade alguma? Como a Igreja pode ser coluna e fundamento da verdade se não
é palpável, habitualmente prática para servir como autoridade na vida do
cristão? O protestante efetivamente nega que a Igreja seja o fundamento da
verdade por negar que ela possua qualquer autoridade para ensinar.
Além disso, os protestantes entendem o termo Igreja como sendo algo
diferente do que entende a Igreja Católica. Os protestantes vêem a igreja como uma entidade invisível, e para eles ela é a
coletividade de todos os cristãos ao redor do mundo unidos na fé em Cristo,
apesar das grandes variações nas doutrinas e alianças denominacionais. Os
católicos, por outro lado, entendem que não somente os cristãos unidos na fé em
Cristo formam seu corpo místico, mas entendemos simultaneamente que esta seja -
e somente uma - a única organização que possa traçar uma linha ininterrupta até
os próprios apóstolos: a Igreja Católica. É esta Igreja e somente esta Igreja
que foi estabelecida por Cristo e que tem mantido uma consistência absoluta em
doutrina através de sua existência, e, portanto, é somente esta Igreja que pode
requerer ser a coluna e fundamento da
verdade.
O protestantismo, por comparação, tem conhecido história de fortes vacilos e
mudanças doutrinárias, e nem mesmo duas denominações concordam entre si
completamente - mesmo quanto a doutrinas importantes. Tais mudanças e
alterações não permitem que sejam consideradas fundamento da verdade. Quando os fundamentos de uma estrutura
alteram-se ou são dispostos inapropriadamente, este mesmo fundamento é fraco e
sem suporte firme (Mt 7,26-27). Pelo fato de o protestantismo ter experimentado
mudanças tanto intradenominacional quanto entre as diversas denominações que
surgem continuamente, estas crenças são como uma fundação que muda
constantemente. Tais credos então cessam de prover o suporte necessário para
manter a estrutura que sustentam, e a integridade dessa estrutura fica comprometida.
Nosso Senhor claramente não pretendeu que seus discípulos e seguidores
construíssem suas casas espirituais em tal fundamento instável.
CRISTO NOS FALA PARA
SUBMETERMO-NOS À AUTORIDADE DA IGREJA
Em Mt 18,15-18
vemos Cristo orientar seus discípulos em como corrigir um companheiro. É dito
neste exemplo que Nosso Senhor identifica melhor a Igreja que as Escrituras
como sendo a autoridade final a se apelar. Ele mesmo diz que se o irmão pecador
não ouvir a própria Igreja, seja para
ti como o pagão e o coletor de impostos (v.17) - isto é, como um
excluído. Além do mais, Nosso Senhor re-enfatiza solenemente a autoridade
infalível da Igreja no v.18 repetindo Seu pronunciamento anterior sobre o poder
de ligar e desligar (Mt 16,18-19), dirigido desta vez aos apóstolos como um
colégio, um grupo, e não somente a Pedro: Em verdade eu vos declaro: tudo o que ligares na terra será ligado no
céu, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu (Mt 18,18).
Claro que existem exemplos na Bíblia onde Nosso Senhor apela às Escrituras, mas
nestes casos Ele, como aquele que possui a autoridade, estava ensinando as Escrituras; Ele não estava permitindo que as
Escrituras ensinassem a si mesmas.
Por exemplo, Ele preferiu responder aos escribas e fariseus usando as Escrituras
precisamente porque estes tentavam apanhá-lo usando as mesmas Escrituras.
Nestes exemplos, Jesus geralmente demonstra como os escribas e fariseus tinham
más interpretações, então corrigia-os mediante uma melhor interpretação escriturística.
Suas ações não servem de argumento para que a Escritura seja Sola, ou uma autoridade por si mesma
e, de fato, a única autoridade do cristão. Muito pelo contrário: em todo lugar
que Jesus leva seus ouvintes às Escrituras, Ele também fornece o Seu
entendimento infalível, uma interpretação
com autoridade, demonstrando que as Escrituras não podem interpretar a si mesmas.
A Igreja Católica prontamente reconhece a inerrância e autoridade da Escritura.
Porém a doutrina católica diz que a regra imediata de fé dos cristãos é a
autoridade do ensino da Igreja - uma autoridade para ensinar e interpretar a
Escritura e a Tradição, como mostra Mt
18,17-18.
Também deve-se notar que está implícita (ou talvez até explícita) nesta
passagem de Mateus o fato de que a Igreja
deve ser visível, uma entidade palpável estabelecida sob uma linha
hierárquica. De outro modo, como alguém saberia a quem encaminhar o pecador? Se
a definição protestante de igreja
fosse correta, então o pecador deveria escutar todos os cristãos que existem,
desejando que haja uma unanimidade entre eles acerca do objeto da discussão.
Transborda aos olhos o absurdo que esta interpretação causaria. O único modo de
tornar a afirmação de Nosso Senhor plausível é reconhecendo que lá havia uma
organização definida, com ofícios hierárquicos definidos, a quem um apelo
poderia ser feito e de onde um julgamento decisivo poderia ser dado.
A ESCRITURA AFIRMA QUE É
INSUFICIENTE COMO ORIENTADORA
A Bíblia mostra em 2
Tm 3,17 que o homem de Deus é perfeito,
qualificado para qualquer boa obra.
Como percebemos acima, este versículo prova somente que o homem de Deus é
plenamente suprido com as Escrituras; isto não é garantia de que ele
automaticamente saiba como interpretá-la da maneira correta. Este versículo
chama a atenção à suficiência material
das Escrituras, uma opinião que alguns pensadores católicos sustentam
atualmente.
Suficiência material
significaria que a Bíblia de certo modo contém todas as verdades que o cristão
precisa saber; em outras palavras, os materiais
estão todos presentes ou no mínimo implícitos. Suficiência formal, por outro
lado, significaria que a Bíblia não somente contém todas as verdades que são
necessárias, mas que ela também apresenta estas mesmas verdades e um sentido
perfeitamente claro e de pronto entendimento. Em outras palavras, estas
verdades estariam em uma forma prática tamanha que não haveria necessidade de
uma Sagrada Tradição para clarificar e complementar o entendimento da Palavra
de Deus com uma interpretação infalível.
Devido a Igreja Católica afirmar que a Bíblia não é suficiente por si mesma,
naturalmente ensina que esta necessita de um intérprete. São duas as razões
pelas quais a Igreja ensina tal coisa: primeiro,
porque Cristo estabeleceu uma Igreja viva para ensinar com Sua autoridade. Ele
simplesmente não deu uma Bíblia aos seus discípulos, completa e encadernada, e
lhes disse para ir e fazer cópias para a multidão, para distribuir, e deixar
que cada um interprete-a do seu jeito. Segundo,
a própria Bíblia afirma que precisa de um intérprete.
Sobre a segunda assertiva, lemos em 2
Pd 3,16 que São Paulo escreveu passagens
difíceis, cujo sentido pessoas ignorantes e sem formação deturpam, como também
fazem para as demais Escrituras, para a própria condenação.
Neste único versículo podemos ver três pontos muito importantes sobre a Bíblia
e sua interpretação: a) A Bíblia contém passagens que não são facilmente
compreendidas ou suficientemente claras, um fato que demonstra a necessidade de
um orientador infalível e com autoridade suficiente para tornar as passagens
claras e compreensíveis [8], b) não é somente possível que algumas pessoas deturpem o significado da Escritura,
mas isto, de fato, já estava sendo feito desde o começo da era da Igreja, c) distorcer
o significado da Escritura pode resultar na condenação de um indivíduo,
realmente um destino desastroso. É óbvio destas considerações que Pedro não
acredita que a Bíblia deva ser a única regra de fé. Mas há mais.
Em At 8,26-40 lemos o encontro
do diácono Felipe com o eunuco etíope. Neste cenário, o Espírito Santo leva
Felipe a se aproximar do etíope. Quando Felipe percebe que o etíope está lendo
o profeta Isaías, faz uma importante pergunta: será que compreendes verdadeiramente o que está lendo? Mais
importante é a resposta dada pelo eunuco: e como poderia eu compreender, respondeu ele, se não tenho guia?
Mesmo que este Felipe (conhecido como o Evangelista)
não seja um dos apóstolos, ele fora comissionado pelos apóstolos (cf. At 6,6) e pregou o Evangelho com
autoridade (cf. At 8,4-8).
Conseqüentemente, sua pregação refletiria o legítimo ensino dos apóstolos. A
questão aqui é que as declarações do etíope verificam o fato de que a Bíblia
não é suficiente por si mesma como orientadora de doutrina cristã, e as pessoas
que ouvem a Palavra precisam de uma autoridade que as oriente corretamente para
que possam entender o que a Bíblia quer dizer. Se a Bíblia fosse de fato
suficiente por si mesma, então o eunuco compreenderia claramente a passagem de
Isaías.
Também há 2 Pd 1,20, que
afirma: nenhuma profecia da Escritura
é objeto de interpretação pessoal. Aqui vemos a própria Bíblia afirmar
de forma inequívoca que suas profecias não são objeto pelos quais o indivíduo
deva compreender pelos seus próprios meios. Também é de grande importância que
este verso seja precedido por uma seção sobre o testemunho apostólico
(vv.12-18) e seguido por uma seção sobre falsos mestres (2,1-10). Pedro está
contrastando o ensino apostólico genuíno com os falsos profetas e falsos
mestres, e faz a referência à interpretação pessoal como o pivô entre os dois.
A implicação imediata e clara é que a interpretação pessoal é um caminho por
onde o indivíduo perde-se do autêntico ensino dos apóstolos e passa a seguir
falsos mestres.
OS PRIMEIROS CRISTÃOS NÃO TINHAM
UMA BÍBLIA COMPLETA
Estudiosos bíblicos nos revelam que o último livro da
Bíblia não havia sido escrito até o final do primeiro século, isto é, até
meados do ano 100 d.C. [9]. Este fato demonstra um intervalo inexato de cerca
de 65 anos entre a ascensão de Cristo aos céus e o término da redação da Bíblia
como a conhecemos. A pergunta que deve ser feita é a seguinte: Quem ou o quê serviu como autoridade final e
infalível durante este tempo?
Se a doutrina protestante da Sola
Scriptura fosse verdade, então houveram disputas e discussões dentro das
comunidades que não tiveram a oportunidade de ser resolvidas definitivamente,
até que os livros do Novo Testamento fossem escritos, mesmo já existindo uma
Igreja antes que a Bíblia estivesse completa. O barco ficou sem comandante, por
assim dizer, pelo menos por um determinado tempo. Porém isto vai de encontro às
afirmações e promessas que Jesus fez à sua Igreja: Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos tempos (Mt
28,20), sem mencionar que Ele garantiu a seus discípulos: não vos deixarei órfãos (Jo 14,18)
Este é um assunto de particular importância, pois as primeiras décadas da
existência da Igreja foram repletos de tumultos. As perseguições já haviam
começado, cristãos estavam sendo martirizados, a nova fé estava lutando para
crescer, e alguns falsos mestres já haviam aparecido (cf. Gl 1,6-9). Se a
Bíblia fosse a única regra de fé dos cristãos, sendo que ela ainda não havia
tomado forma - muito menos definido seu cânon - durante pelo menos 65 anos
depois da ascenção de Jesus, como a Igreja primitiva poderia resolver questões
doutrinárias sem uma autoridade que a conduzisse?
Neste momento os protestantes buscam oferecer duas possíveis respostas: 1) Os
apóstolos eram temporariamente a última autoridade enquanto o Novo Testamento
estava sendo escrito, e 2) que o Espírito Santo foi dado à Igreja e que a sua
direta orientação foi o que preencheu o lacuna entre a ascenção e a definição
do Novo Testamento.
Sobre a primeira resposta, é verdadeiro que Jesus revestiu aos apóstolos da Sua
autoridade; contudo, a Bíblia em local algum indica que esta autoridade dentro
da Igreja iria cessar com a morte dos apóstolos. Pelo contrário, a Bíblia é
bastante clara quando: 1) em lugar algum diz que uma vez morto o último
apóstolo, a Palavra de Deus escrita tornaria-se a autoridade final e; 2) os
apóstolos claramente escolheram sucessores que, por sua vez, possuíram a mesma
autoridade de ligar e desligar. A substituição de Judas
Iscariotes por Matias (cf. At 1,15-26)
e a transmissão da autoridade apostólica de Paulo a Timóteo e Tito (cf. 2 Tm 1,6; Tt 1,5) são exemplos de sucessão apostólica.
Sobre a segunda resposta - que o auxílio direto do Espírito Santo preencheu a
lacuna - o problema com este entendimento é que o auxílio direto do próprio
Espírito Santo é uma conclusão extra-bíblica. Naturalmente, a Bíblia nos fala
da clara presença do Espírito Santo entre os cristãos e sua missão de ensinar
aos apóstolos toda a verdade,
porém se a direção direta do Espírito Santo foi, de fato, a autoridade final
durante estes 65 anos, então a história da Igreja conheceu duas autoridades
finais sucessivas: primeiro, o Espírito Santo, sendo que esta autoridade foi
substituída pela Escritura, que então tornaria-se sola, ou a única
autoridade final. E se esta situação de uma autoridade final extra-bíblica é
permissiva pelos protestantes, não o é pelos católicos, que afirma que a
autoridade do ensino da Igreja é a autoridade final direta - derivando sua
autoridade de Cristo e seu ensino da Escritura e da Tradição, guiada pelo
Espírito Santo.
O Espírito Santo foi dado à Igreja por Jesus Cristo, e é exatamente este mesmo
Espírito que protege o chefe visível da Igreja, o Papa, e a autoridade do
ensino da Igreja jamais permitindo que ele ou ela caiam em erro. O católico
acredita que Cristo de fato enviou seu Espírito Santo à Igreja e que este
Espírito esteve sempre presente na Igreja, ensinando toda a verdade (Jo 16,13) e continuamente protegendo
sua integridade doutrinal, particularmente pelo ofício do Papa. Com isso o
Evangelho pode continuar sendo pregado - com autoridade e infalivelmente -
mesmo sem um só versículo do Novo Testamento.
A IGREJA PRODUZIU A BÍBLIA, E NÃO
O CONTRÁRIO
A doutrina da Sola
Scriptura não dá importância - ou pelo menos grosseiramente desmerece -
ao fato de que a Igreja surgiu antes da Bíblia, e não o contrário. Foi a
Igreja, com efeito, que escreveu a Bíblia sob a inspiração do Deus
todo-poderoso: os israelitas como a Igreja do Antigo Testamento (ou pré-católicos) e os católicos da
Igreja do Novo Testamento.
Nas passagens do Novo Testamento notamos que Nosso Senhor dá certa primazia à
autoridade do ensino de Sua Igreja e sua proclamação
Então segue que o comando e a autoridade do ensino da Igreja são elementos
indispensáveis como meios pelos quais a mensagem do Evangelho deve alcançar os
confins do mundo. Pelo fato de a Igreja ter escrito a Bíblia, é lógico e
racional dizer que somente a Igreja detém a autoridade para interpretá-la e
aplicá-la. E sendo assim, por causa de sua natureza e origem, a Bíblia não pode
servir como única regra de fé para os fiéis cristãos. Em outras
palavras, por ter produzido a Escritura, a Igreja não elimina a necessidade de
ela mesma servir como mestre e intérprete destas Escrituras.
Além do mais, não é errado dizer que somente por colocar a autoridade
apostólica no papel, a Igreja de alguma forma faz com que esta mesma autoridade
seja superior ao ensino oral? Semelhantemente à organização que Nosso Senhor
estabeleceu, Sua palavra é autoridade, mas porque esta palavra está posta em
uma forma diferente da outra não significa que uma forma seja superior à outra.
Pelo fato de a única Palavra de Deus ser dimórfica
em sua organização, negar a autoridade de uma é negar a autoridade da outra. As
formas da Palavra de Deus são complementares, não excludentes. Portanto, se há
necessidade das Escrituras, também há necessidade da autoridade que a produziu.
É COMPLETAMENTE ESTRANHA À IGREJA
PRIMITIVA
A idéia da autoridade da Escritura existindo separada da
autoridade do ensino da Igreja é completamente estranha à Igreja Primitiva
Se buscarmos os escritos dos Pais da Igreja Primitiva, encontraremos
referências à Sucessão Apostólica [10], aos bispos como guardiões do Depósito
da Fé [11], e ao primado e autoridade de Roma [12]. O precioso valor destas
referências torna claro o fato de que a igreja primitiva entendeu a si própria
como uma hierarquia necessária para proteger a integridade da fé. Em lugar algum
encontramos alguma indicação de que os primeiros fiéis cristãos discordavam da
autoridade da Igreja e a consideravam inválida como regra de fé. Do contrário,
vemos nestes escritos que a Igreja, desde a sua mais longínqua origem, entendeu
sua autoridade para ensinar como uma combinação inseparável entre Escritura e
Tradição Apostólica - sendo ambas ensinados e interpretados com autoridade pelo
Magistério da Igreja, cuja cabeça é o bispo de Roma.
Dizer que a Igreja primitiva acreditava na noção de somente a Bíblia, seria o mesmo que dizer que homens e mulheres
poderiam alegar que as leis civis não necessitam de um Congresso que as
legisle, ou de uma corte que as interprete e de polícia alguma que as execute.
Tudo que seria necessário seria o livro de Direito Civil em todas as casas para
que cada cidadão possa determinar por si mesmo como entender e aplicar as leis.
Tal afirmação, claro, é absurda, pois ninguém esperaria que as leis civis
funcionassem bem deste modo. A conseqüência de tal escândalo inadvertidamente
levaria à anarquia total.
Quão mais absurdo, então, é pretender que a Bíblia pode funcionar por si mesma
sem a Igreja que a organizou? É somente esta Igreja - e não somente qualquer
cristão - que possui a autoridade divinamente transmitida para a interpretar
corretamente, assim como legislar sobre os problemas decorrentes da conduta de
seus membros. Se este não fosse o caso, qualquer nível de situação - local,
regional ou global - rapidamente desenvolver-se-ia em anarquia espiritual, onde
cada cristão pode formular um sistema teológico e desenvolver uma moral
simplesmente baseadas em sua própria interpretação da Bíblia.
E desde a tão chamada Reforma
não é isto que estamos vendo? De fato, um exame do escândalo na Europa que
imediatamente seguiu a gênese da reforma - particularmente na Alemanha - irá
demonstrar que o resultado das doutrinas da reforma são uma desordem tanto
espiritual quanto social [13]. Mesmo Lutero se mostrou desapontado pelo fato de
que infelizmente, é de nossa
costumeira observação que agora sob o Evangelho o povo está mais amargo,
invejoso e avarento que antes sob o papado [14].
OS HERESIARCAS BASEIAM-SE NA
INTERPRETAÇÃO SEM O MAGISTÉRIOOs heresiarcas e os movimentos heréticos baseiam suas
doutrinas na interpretação da Bíblia separada do Magistério e da Tradição.
Ao longo da história da Igreja primitiva, vemos que ela lutou continuamente
contra as heresias e contra quem as promovia. Vários foram os concílios que
responderam aos desafios dos detratores [15] e recorreram à Roma para dar um
fim às disputas doutrinárias e disciplinares. Por exemplo, o Papa Clemente
interveio em uma discussão na comunidade de Corinto no fim do primeiro século e
acabou com um cisma por lá. No segundo século, o Papa Vitor excomungou uma
grande parte da Igreja no Oriente por motivos de divisões sobre quando a páscoa
deveria ser celebrada. No início do século três, o Papa Calixto condenou a
heresia sabeliana.
Nestes casos, quando estas heresias ou conflitos disciplinares ocorrem, as
pessoas envolvidas defendem seus erros através de sua própria interpretação das
Escrituras, excluindo a participação da Tradição e do Magistério da Igreja. Um
bom exemplo disto é o caso de Ário, sacerdote do quarto século que declarou que
o Filho de Deus era uma criatura e não co-substancial ao Pai.
Ário e todos os seus seguidores citavam versículos da Bíblia para provar seus
argumentos [15]. Os debates que chegaram por causa desta doutrina tornaram-se
tão volumosos que foi convocado o primeiro Concílio Ecumênico, em Nicéia, em 325
d.C. O Concílio, sob a autoridade do Papa, declarou serem as doutrinas arianas
heréticas e elaborou declarações definitivas quanto à pessoa de Jesus, e fez
isso baseada no que a Sagrada Tradição tinha a dizer sobre os versículos
bíblicos em questão.
Aqui vemos a autoridade da Igreja sendo utilizada como última e extremamente
importante palavra
A implicação é óbvia. Se você perguntar a algum protestante se Ário estava ou
não correto em sua doutrina de que o Filho fora criado, ele irá, claro,
responder que não. Enfatize,
então, que mesmo que ele tenha utilizado as Escrituras pelas Escrituras, mesmo assim ele chegou a uma
conclusão errada. Se isto foi verdadeiro para Ário, o que garante ao
protestante que este não é o caso acerca de sua interpretação de uma dada passagem bíblica? O fato de os
protestantes reconhecerem que a interpretação de Ário estava errada implica
dizer que de fato houve uma base
bíblica para seus argumentos. Este fato, portanto, transforma-se em um
questionamento acerca do que seja uma verdadeira interpretação bíblica. A única
explicação possível é que deve haver, por necessidade, uma autoridade infalível
que no-la diga. Esta autoridade infalível, a Igreja Católica, declarou Ário um
herege. Se a Igreja Católica jamais foi infalível ou possuiu alguma autoridade
em suas declarações, então os cristãos não teriam razão alguma em rejeitar Ário
e aceitar a autoridade da Igreja, e a maioria do cristianismo atual seria
baseado nos ensinamentos de Ário.
É evidente, portanto, que usar somente a Bíblia não é garantia de se chegar a
uma doutrina verdadeira. O resultado acima descrito é o que acontece quando a
falsa doutrina da Sola Scriptura
é utilizada como princípio guia, e a história da Igreja e das inúmeras heresias
que teve de combater são testemunhas inegáveis deste fato.
O CÂNON DA BÍBLIA NÃO ESTAVA
FORMADO ATÉ O SÉCULO IV
Um dos fatos históricos que é um extremo inconveniente aos
protestantes é o fato de que o cânon da Bíblia - a lista sagrada dos livros que
fazem parte das Escrituras inspiradas - não fora definido até o final do século
4. Até esta data, havia larga discórdia sobre quais seriam os livros
considerados inspirados e de origem apostólica. O cânon bíblico antigo variava
de local a local: algumas listas continham livros que mais tarde foram
reconhecidos como apócrifos, enquanto outras listas não traziam livros que hoje
constam entre os livros canônicos. Por exemplo, existiam livros cristãos que
eram considerados por alguns inspirados e apostólicos e que eram lidos nos
cultos públicos, mas que foram mais tarde omitidos do Novo Testamento, entre
eles, O Pastor de Hermas, Epístola de
Barnabé, Didaché [18].
Somente nos Concílio de Roma (382), Hipona (393) e Cartago (397) podemos
encontrar uma lista definitiva dos livros canônicos sendo descrita, e cada um
destes concílios reconheceu a mesma lista do anterior [19]. A partir de então,
não houveram mais disputas sobre o cânon bíblico, a única exceção ficando a
cargo dos reformadores protestantes,
que entraram em cena em 1517, inacreditáveis 11 séculos depois.
Mais uma vez, mais duas questões fundamentais porque alguém não deve buscar
respostas que sejam consoantes com a Sola
Scriptura: a) Quem ou o quê serviu como autoridade cristão final durante
o tempo
O CÂNON FOI DEFINIDO POR UMA
AUTORIDADE "EXTRA-BÍBLICA"
Devido a Bíblia não vir com um índice inspirado, a
doutrina da Sola Scriptura
criou um outro dilema: como alguém
pode saber quais são os livros que pertencem à Bíblia - principalmente, ao Novo
Testamento? Um fato inquestionável é que ninguém pode saber disso, a
menos que alguma coisa fora da Bíblia mostre a resposta. E sem dúvida, este
detalhe a mais deve ser, por necessidade, infalível, pois a possibilidade haver
erro na definição dos livros inspirados [20] significa que todos os cristãos
estariam correndo o risco de estar lendo livros não-inspirados, uma situação
que tornaria a Sola Scriptura
defeituosa. Porém, se houve tal autoridade "extra-bíblica", a
doutrina da Sola Scriptura
desaba da mesma forma.
Outro fato histórico que dificulta ainda mais a aceitação desta doutrina é que
não houve qualquer outra instituição que tenha identificado e ratificado o
cânon da Bíblia. Os três Concílios mencionados anteriormente, todos, eram
concílios católicos. A Igreja Católica deu a sua definição final do cânon da
Bíblia no Concílio de Trento em 1546 - nomeando os mesmos 73 livros que já
haviam sido incluídos desde o século 4. Se a Igreja Católica é capaz, então, de
conceder uma definição autoritária e infalível de tão importante assunto sobre
quais livros deve conter a Bíblia, logo com que bases alguém pode questionar
sua autoridade em outros assuntos acerca de fé e moral?
Os protestantes, no mínimo, devem, assim como o seu fundador, Martinho Lutero,
reconhecer que a Igreja Católica protegeu e organizou a Bíblia: Somos obrigados a reconhecer muitas coisas
aos católicos - (como por exemplo), que eles possuem a Palavra de Deus, que nós
recebemos deles; de outro modo, não saberíamos nada sobre ela [21].
CRER QUE A BÍBLIA É
"AUTO-AUTENTICÁVEL" NÃO TEM BASES
Procurando uma resposta satisfatória ao problema de como
fora determinado o cânon bíblico, os protestantes costumeiramente apelam para o
fato de que a Bíblia é auto-autenticável,
ou seja, os próprios livros da Bíblia testemunham que eles são inspirados. O
grande problema com esta afirmação é que uma boa excursão pela história da
Igreja demonstra que esta teoria é falha.
Por exemplo, vários livros do Novo Testamento - Tiago, Judas, 2 Pedro, 3 João e Apocalipse - receberam
questionamentos acerca de seu status canônico por algum tempo. Em alguns
lugares eram aceitos, enquanto simultaneamente em outros eram rejeitados. Mesmo
grandes pensadores, como Santo Atanásio (297-373), São Jerônimo (342-420) e
Santo Agostinho (354-430) apresentaram listas de livros do Novo Testamento que
refletiam o que era reconhecido como inspirado em seus tempos e lugares, porém
nenhuma destas listas correspondia ao Novo Testamento que fora identificado
pela Igreja Católica no fim do século 4 e que até hoje corresponde à Bíblia que
os católicos possuem [22].
Se a Bíblia é auto-autenticável,
porque, então, havia tamanha discórdia e incerteza sobre tantos livros? Porque
a disputa? Porque o cânon não foi identificado logo do início, já que os livros
são prontamente discerníveis? A única resposta a estes questionamentos é que o
cristão deve aceitar que a Bíblia não seja
auto-autenticável.
Mais interessante também é o fato de que alguns livros da Bíblia não
identificam seu próprio autor. A idéia de auto-autenticação - se fosse verdade
- seria mais plausível se cada um dos autores bíblicos identificassem a si
mesmos, pois examinaríamos mais facilmente suas credenciais, ou, no mínimo,
quem era que alegava falar
Tome o Evangelho de Mateus como exemplo: não há indicação de que fora Mateus, o
cobrador de impostos, quem o escreveu. Há duas possibilidades, então, para
conhecermos o autor deste livros: 1) através da Tradição; 2) por estudiosos
bíblicos. Em ambos os casos, a fonte da conclusão é "extra-bíblica",
e, portanto, condena a doutrina da Sola
Scriptura à completa incompetência e fracasso.
Mas os protestantes respondem a este argumento dizendo que não é necessário
conhecer se Mateus escreveu ou não este Evangelho, pois a salvação não depende
de conhecer se foi ele ou outro quem o escreveu. Porém, tal ponto de vista
guarda uma dificuldade. O que os protestantes estão dizendo é que, enquanto um
Evangelho autêntico é a Palavra de Deus e é o meio pelo qual o cristão adquire
um conhecimento salvífico de Jesus Cristo, o mesmo cristão não tem como saber
com certeza, no caso do Evangelho de Mateus, se este é de origem apostólica e,
conseqüentemente, não possui meios para saber se este Evangelho é autêntico (ou
seja, a Palavra de Deus) ou não. E se a autenticidade deste Evangelho é
questionável, então porque está incluído na Bíblia? Se sua autenticidade é
certa, como se pôde saber com a ausência do autógrafo de Mateus? A única saída
coerente é admitir que a Bíblia não é auto-autenticável.
O protestante então recorrerá à asserção bíblica de auto-inspiração, citando a
passagem de 2 Tm 3,16 - Toda Escritura é inspirada por Deus, e útil...
- Contudo, a alegação de inspiração não é por si só garantia de inspiração.
Considere o fato de que os escritos de Mary Baker Eddy, a fundadora da seita Ciência Cristã, aleguem ser
inspirados. Os escritos de Joseph Smith, o fundador da seita Mórmon, afirmem
ser inspirados. São apenas dois exemplos, entre muitos, que demonstram que
qualquer escrito particular pode reclamar a autoridade sobre qualquer coisa.
Obviamente, para reconhecermos se um escrito é inspirado de verdade ou não
necessitamos mais do que tal afirmação escrita no papel. A garantia de
inspiração de algum escrito deve vir de fora deste escrito, senão será um
eterno argumento circular. No caso da Bíblia, a garantia deve vir de uma fonte
fora da Bíblia. Porém a autenticação extra-bíblica
é uma possibilidade excluída pela Sola
Scriptura.
NENHUM DOS ESCRITOS BÍBLICOS
ORIGINAIS EXISTE MAIS
Uma importante consideração - talvez uma das mais fatais à
doutrina da Sola Scriptura - é
a de que não possuímos ao menos um manuscrito original de nenhum livro da
Bíblia. Claro que existem milhares de manuscritos que são cópias dos originais - e mais
provável é que sejam cópias das cópias
-, e este fato em nada auxilia a Sola
Scriptura pela simples razão de que sem os originais, ninguém pode
garantir que possuímos atualmente a Bíblia real, completa e sem corrupções
[23]. Os autógrafos originais são inspirados, as cópias não...
Os protestantes argumentam que não há problema em não ter os escritos
originais, pois Deus protegeu a Bíblia protegendo sua duplicação ao longo dos
séculos [24]. Entretanto, existem dois problemas com esta linha de pensamento. Primeiro, que afirmar que a
providência de Deus manteve a integridade das cópias é afirmar algo que não
encontra nem de longe suporte nas Escrituras, logo não pode ser tomada como
regra de fé, pela própria definição de Sola
Scriptura. Em outras palavras, não se encontra versículo algum que
demonstre que Deus protegeria a transmissão dos manuscritos, logo esta
conclusão está excluída. A Bíblia nada diz a respeito.
Segundo, se você afirmar que
Deus protegeu a transmissão da Sua Palavra escrita, então podemos concluir que
também protegeu a transmissão de Sua Palavra oralmente (releia 2 Ts
2,15 e a dimórfica estrutura da Palavra de Deus). Até porque a pregação
do Evangelho começou pela Tradição
Oral (cf. Lc 1,1-4 e Rm 10,17). Somente muito tempo depois
uma parte da Tradição oral fora posta na forma Escrita - tornando-se a Sagrada
Escritura - e somente muito tempo após este mesmo evento os escritos foram
reconhecidos e definidos com canônicos. Uma vez que você possa reconhecer que
Deus protegeu a transmissão oral de Sua mensagem, você automaticamente admite as
bases da Sagrada Tradição e já começou a compreender a posição católica.
OS MANUSCRITOS BÍBLICOS POSSUEM
MILHARES DE VARIAÇÕES
Percebeu-se que, existindo milhares de manuscritos da
Bíblia, estes manuscritos continham milhares de variações textuais; um autor
estima que devam existir mais de 200.000 variações [25]. Apesar de muitas
destas variações referirem-se a temas menores - tais como escrita, ordem das
palavras e etc. - também existem variações das mais importantes naturezas: a)
os manuscritos demonstram que algumas vezes os escribas modificavam o texto
para harmonizar passagens, acomodá-las a fatos históricos, e para estabelecer
uma correta conduta doutrinária [26]; b) existem partes de versículos (isto é,
mais que simples palavras) que possuem leitura diferente em diferentes
manuscritos, como Jo 7,39, At 6,8, Cl
2,2 e 1 Ts 3,2 [27].
Estes fatos levam o protestante a não saber se a Bíblia que possui é a mesma
Bíblia que foi escrita pelo autor inspirado. E se este é o caso, então como o
protestante pode professar a base de sua crença somente na Bíblia quando ele
não consegue determinar com certeza a autenticidade textual desta mesma Bíblia?
[28].
Mais importante, existem muito mais variações entre os manuscritos do Novo
Testamento. Os dois exemplos seguintes ilustrarão este ponto:
Primeiro, de acordo com os
manuscritos que possuímos, existem quatro possíveis finais para o Evangelho de
Marcos: o menor, que inclui os
vv.1-8 do capítulo 16, o longo,
que inclui os vv.1-8 mais os vv.9-20; o intermediário,
que inclui duas ou três linhas entre o v.8 e o final longo, e o final longo
expandido, que inclui vários versículos após o v.14 do final longo [29]. O melhor que podemos
concluir sobre estas diferenças é que não podemos saber, apenas pela Bíblia,
onde termina o Evangelho de Marcos, e, dependendo de qual final está (ou estão)
incluído(s) na Bíblia protestante, o publicador corre o risco de estar
distribuindo Bíblias acrescentando ou omitindo versículos do texto original -
portanto violando a doutrina da Sola
Scriptura, que requer que somente
a Bíblia, e a Bíblia inteira
seja a única regra de fé. Mesmo se uma Bíblia protestante incluir todos os
quatro finais com notas de rodapé e comentários, mesmo assim não terão a
certeza de qual final é o genuíno.
Segundo, há algumas evidências
para leituras alternadas de alguns textos centrais da Bíblia, tal como Jo 1,18, onde ocorrem dois possíveis
significados [30]. Algumas Bíblias (como a King James Version) trazem este versículo como está na Douay-Rheims: Nenhum homem viu a Deus em qualquer tempo, o filho único que está no
seio do Pai o revelou. Outras acompanham a New Internacional Version: Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está à direita do Pai, foi
quem o revelou. Ambas as formas estão sustentadas por manuscritos, e
você encontrará exegetas bíblicos debruçarem seus mais preciosos julgamentos à
que crêem seja a "correta". Uma situação similar ocorre em At 20,28, onde os manuscritos mostram
que Paulo poderia estar se referindo tanto à Igreja do Senhor (gr. Kurion) ou à Igreja de Deus (gr. Theou) [31].
Este assunto pode parecer simplório à primeira vista, mas suponha que você
esteja tentando evangelizar um membro de uma seita que nega a divindade de
Jesus Cristo. Ainda que Jo 1,18
e At 20,28 não sejam as únicas
passagens que possam defender a divindade de Nosso Senhor, você ficará
incapacitado de utilizá-los com esta pessoa, dependendo de qual manuscrito sua
Bíblia foi reproduzida. Isto levaria-o a uma possibilidade reduzida de defender
uma doutrina bíblica fundamental, e este fato tornaria problemática a
perspectiva da doutrina da Sola
Scriptura.
EXISTEM CENTENAS DE VERSÕES
BÍBLICAS
Como mencionado no tópico anterior, existem milhares e milhares
de variações nos manuscritos bíblicos. Acrescentado a isto o fato de histórico
de que existiram centenas de versões bíblicas, variando cada uma tanto em
tradução quanto
É fato que algumas versões são inferiores a outras. Os avanços nos campos
arqueológicos possibilitaram descobertas (como os manuscritos do Mar Morto) que
alteraram nosso conhecimento sobre locais e linguagens bíblicas antigas.
Sabemos mais hoje pelos avanços dos estudos bíblicos que nossos antepassados de
100, 200, 1000 anos atrás. Deste ponto de vista, versões bíblicas
contemporâneas provavelmente possuem certa superioridade em relação às suas
versões mais antigas. Por outro lado, Bíblias transcritas a partir da Vulgata
latina de São Jerônimo (quarto século) - em língua inglesa, a Douay-Rheims -
são baseadas em textos originais que não existem mais, portanto estas versões
passaram por dezesseis séculos de possíveis corrupções.
Isto causa um problema considerável aos protestantes, pois significa que os
protestantes modernos possuem, por assim dizer, uma versão bíblica melhor ou mais acurada que a Bíblia
de seus antecessores, que, portanto, possuíram Bíblias de menor qualidade - que
por sua vez leva a concluir que os protestantes modernos possuem uma bíblia "mais completa" como
autoridade final que a bíblia "menos
completa" que dos antigos protestantes. Só que esta discrepância
entre autoridades começa a
diminuir a doutrina da Sola Scriptura,
pois esta significa que uma bíblia não é mais ou menos autoritária que outra, e
se uma não é autêntica e completa, a probabilidade de produzir doutrinas
erradas é imensa, logo a função particular da bíblia como autoridade final
falha, pois não pode mais ser uma autoridade
final.
Outro ponto a considerar é que traduções bíblicas, como produtos humanos, não
são completamente objetivas e imparciais. Um pode se sentir mais à vontade de
incluir notas a uma passagem de uma maneira que corresponda melhor à doutrina
que deseja transmitir. Um exemplo disto é a ocorrência da palavra grega paradoseis nas bíblias protestantes.
Como negam a existência da Sagrada Tradição, algumas traduções trazem esta
palavra como ensinamentos ou costumes e não tradições, sendo que esta última é
a que mais se encaixa na tradução correta e à posição católica.
Ainda outra consideração é que algumas versões são corrupções bíblicas
notáveis, como é o caso da Bíblia dos Testemunhas de Jeová, a New World Translation. Nela os
"tradutores" manusearam passagens bíblicas para propagar doutrinas
erradas [32]. Agora, a menos que haja uma autoridade fora da Bíblia para
declarar tais traduções como falsas e perigosas, com qual autoridade e
revelação divina os protestantes podem considerar esta ou aquela tradução como
falsa? Com qual autoridade os protestantes podem impedir os Testemunhas de usar
esta tradução para difundir suas doutrinas? Os protestantes responderiam que
este caso pode ser encontrado na Bíblia, através dos estudos de pesquisadores
bíblicos. Contudo isto ignora o fato dos Testemunhas também basearem sua tradução em estudos
"especialistas". Forma-se um jogo de vai-e-volta, colocando as
conclusões de um especialista contra outro, uma autoridade humana contra outra.
Este problema somente pode ser resolvido pela intervenção de um magistério infalível
e com autoridade de falar por Cristo. O católica sabe que esta autoridade é a
Igreja Católica e a autoridade de seu magistério. No exercício desta
autoridade, os bispos católicos conferem o imprimatur ("Imprima-se") que deve constar nas
primeiras páginas de certas versões bíblicas e outros tipos de literatura
religiosa para alertar os leitores que aquele livro não contém nada contrário
ao ensinamento de Cristo ou dos apóstolos [33].
A BÍBLIA NÃO ESTAVA DISPONÍVEL A
TODOS ATÉ O SÉCULO XV
Essencial à doutrina da Sola Scriptura é a idéia de que o Espírito Santo guia cada
crente na interpretação infalível de qualquer passagem bíblica. Esta idéia, no
mínimo, requer que todos possuam Bíblias ou acesso a ela. A dificuldade de tal
pensamento está no fato de que a Bíblia não era um produto de massas disponível
para todo mundo até o advento da imprensa no século 15 [34]. Mesmo depois
disso, custava certo tempo até que um número ideal de Bíblias fosse impressa
para suprir a população.
A difícil situação que esta idéia coloca é que milhões e milhões de cristãos
ficaram sem uma autoridade final até o século 15, na total confusão espiritual,
a menos que eles pudessem possuir uma Bíblia manuscrita. Qualquer um
consideraria Deus um tanto cruel por causa disto, pois teria revelado sua
mensagem de salvação para a humanidade por Cristo, mesmo sabendo que esta
mensagem não estaria disponível a esta mesma humanidade por quinze séculos.
Porém sabemos que Deus não é cruel, mas tem um amor infinito por nós. Por esta
razão não nos deixaria na escuridão. Nos enviou Seu único Filho para nos
mostrar o Reino de Deus, como deveríamos agir e crer, e este Filho estabeleceu
uma Igreja para promover esses ensinos através da pregação aos letrados e
iletrados: assim a fé vem da pregação,
e a pregação é o anuncio da Palavra de Cristo (Rm 10,17). Cristo também
deu à Sua Igreja a garantia de que Ele sempre estaria com ela, nunca permitindo
que ensine o erro. Deus, por essa razão, não abandonou Seu povo e fez com que
antes da invenção da imprensa estes chegassem ao conhecimento de Seu Filho. De
fato, deu-nos um mestre infalível, obra divina, a Igreja Católica, para nos dar
toda a informação necessária sobre a Boa Nova - e da forma certa.
A Sola Scriptura NÃO EXISTIA ANTES DO SÉCULO XIV
É uma realidade dura, mas deve ser encarada pelos
protestantes, o fato de que esta doutrina não surgiu antes do século 14 e não
se difundiu antes do século 16 - um tempo longo, muito longo, desde a era dos
apóstolos e da fundação da Igreja de Cristo. Este fato, claro, é simplesmente
ignorado pelos protestantes, mas sozinho é razão para refutar a Sola Scriptura. Esta doutrina não
existia antes de John Huss
(precursor do protestantismo) no século 14 e somente ganhou difusão quando Martinho Lutero, no século 16, veio
trazer suas "tradições de homens" para por no lugar da autêntica
doutrina cristã. Esta doutrina, portanto, não somente surgiu do nada, mas
também representa uma mudança abrupta e radical no ensino dos apóstolos.
Claro, os protestantes afirmam que a própria Bíblia ensina a Sola Scriptura e por isso esta
doutrina é tão antiga quanto a Igreja. Contudo, como mostramos nos primeiros
tópicos, a Bíblia não ensina esta doutrina
PRODUZ MAUS FRUTOS, COMO DIVISÕES
E DISPUTAS
Se esta doutrina fosse correta e santa, então todos os
protestantes deveriam concordar em todos os pontos doutrinários, pois a Bíblia
não pode ensinar doutrinas contraditórias simultaneamente. Mas a realidade é
que existem milhares [35] de seitas protestantes, cada uma proclamando ser a
Bíblia sua única regra de fé, cada uma garantindo que está pregando a verdade
do Evangelho, embora muitas preguem assuntos totalmente diferentes umas das
outras. Os protestantes, mestres da fuga, dizem que tais doutrinas discordantes
não são essenciais, são secundárias, porém é realidade também que em assuntos,
então, centrais, mesmo estes, os protestantes discordam. A salvação do homem,
os sacramentos e a justificação são somente alguns exemplos.
Exemplificando: algumas seitas pregam que Jesus está simbolicamente presente na
Eucaristia. Outros, como os luteranos, crêem o contrário, que Jesus está realmente
presente na Eucaristia. Algumas denominações pregam que uma vez salvo, o crente
não poderá jamais perder a sua salvação, não importa se faça o bem ou o mal.
Outros pregam que o pecado pode causar a condenação do homem, mesmo após
justificado. Algumas seitas afirmam que o ser justificado é apenas declarado justo, enquanto outras
afirmam que o ser justificado é tornado
justo.
Jesus jamais quis que seus discípulos estivessem divididos, desunidos,
mergulhados num caos doutrinário como está o protestantismo desde a sua origem
[36]. Jesus, pelo contrário, pediu a união de seus seguidores: para que todos sejam um, assim como tu, Pai,
estás em mim e eu em ti, que também eles estejam
NÃO PERMITE A INTERPRETAÇÃO
DEFINITIVA DA BÍBLIA
A doutrina da Sola
Scriptura não permite a interpretação definitiva de nenhuma passagem
bíblica
Como temos visto, a Sola Scriptura
supõe que basta uma Bíblia como regra de fé para se obter a verdadeira
interpretação de qualquer passagem bíblica simplesmente comparando este verso
com o restante da Bíblia. Na prática, contudo, o remendo saiu pior que a
fratura, pois acaba por impedir que o crente possa chegar a uma certa e definitiva interpretação de qualquer
passagem bíblica.
O protestante, na verdade, interpreta a Bíblia mais a partir de uma opinião
subjetiva que de uma verdade objetiva. Por exemplo, digamos que o protestante A
estudou a determinada passagem bíblica e chegou à conclusão X. O
protestante B estudou a mesma passagem, mas concluiu Y. Então, o
protestante C estudou a mesma passagem dos outros dois, mas chegou a uma
interpretação Z [37]. As interpretações X, Y e Z
são contraditórias, entretanto cada um acha que chegou à verdadeira interpretação bíblica
porque cada um estudou e comparou a
Bíblia pela Bíblia.
Existem, agora, somente duas saídas para estes três protestantes: 1) todos
estão errados; 2) somente um está correto. Três interpretações contraditórias
jamais podem estar simultaneamente corretas [38]. O problema aqui é que, sem
haver uma autoridade infalível que diga qual das três interpretações é a
verdadeira (objetivamente verdadeira), não há meios para se saber qual das três
é a correta seguramente. Cada protestante está, portanto, em meio a uma
interpretação pessoal baseada meramente
Na prática o próprio protestantismo nos mostra que este raciocínio é
verdadeiro. Pelo fato de somente a Bíblia não ser suficiente como regra de fé
(se fosse, todos os protestantes concordariam em interpretação), cada
denominação têm que se render e aderir fixamente às suas próprias
interpretações bíblicas. Logo, se existem várias possíveis interpretações da
Bíblia, nenhuma é de fato definitiva. E se
não há interpretação definitiva da Bíblia o protestante não têm como
saber se sua interpretação é verdadeira ou falsa.
Uma boa comparação seria com a lei moral. Se cada um pudesse determinar por sua
própria opinião o que é certo e errado, não restaria nada mais que um
relativismo moral, e cada uma fixaria seus próprio padrões morais. Entretanto,
Deus definiu leis morais absolutas para nós (em adição às que conhecemos pelas
leis naturais), e por isso podemos analisar cada ato e reconhecer se é
moralmente bom ou mal. O mundo seria impraticável sem moral absoluta.
Cada denominação protestante afirma, lógico, que possui a verdadeira
interpretação bíblica. Todas fazem isso. Se não fizessem, perderiam membros.
Entretanto, se afirmam que possuem a verdadeira interpretação bíblica, em
detrimento às demais, então está se auto-proclamando autoridade final. O
problema aqui, se os leitores ainda não notaram, é que este detalhe viola o princípio da Sola Scriptura, que
rejeita qualquer autoridade final que não seja a própria Bíblia.
Cheque-mate.
Por outro lado, se uma denominação reconhece que sua interpretação bíblica não
é mais correta que a de outra, então voltamos ao eterno dilema: qual interpretação está correta? existe
alguma, então, que está correta? e se todas são falsas?. Nosso Senhor disse: Eu
sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). O problema aqui é que cada
denominação, na prática, afirma possuir a única interpretação correta.
Conclusão, milhares de interpretações corretas diferentes, que resultam em uma
total impossibilidade de se conhecer a real e definitiva interpretação a uma
passagem bíblica qualquer. Em outras palavras, nenhum seita protestante pode
dizer a autoridade está aqui em
relação a uma interpretação bíblica.
FALTAM SETE LIVROS NA BÍBLIA
PROTESTANTE
Para sua decepção, os protestantes são culpados de violar
sua própria doutrina. A Sola Scriptura
proíbe que algo seja acrescentado ou subtraído das Escrituras, porém os
protestantes retiraram sete livros das Escrituras do Antigo Testamento, assim
como porões de outros dois. Estes são erroneamente chamados de Apócrifos (não-autênticos) pelos
protestantes, e de deuterocanônicos
(segundo cânon) pelos católicos: Tobias,
Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, partes de Daniel e Ester.
Defendendo seu cânon incompleto, os protestantes apresentam alguns argumentos,
tais como: 1) O cânon menor, chamado cânon
farisaico ou palestinense do Antigo Testamento, foi aceito por Jesus e
seus apóstolos, pois eles nunca citaram nenhuma fonte dos livros
deuterocanônicos; 2) O Antigo Testamento foi fechado no tempo de Jesus, e este
era composto pelo cânon menor; 3) Os próprios judeus aceitaram o cânon menor no
sínodo de Jâmnia (ou Javneh) em 90 d.C.; 4) Os livros deuterocanônicos contém
doutrinas anti-bíblicas.
Vejamos cada um destes argumentos:
1) Sobre este, que Jesus e seus apóstolos aceitaram o cânon menor, um exame das
citações neotestamentárias do Antigo Testamento demonstrará a falácia. O Novo
Testamento cita o Antigo cerca de 350 vezes, e em aproximadamente 300 destas
(86%!) foram retiradas da septuaginta,
a tradução grega do Antigo Testamento, largamente usada no tempo de Cristo.
Esta versão, a septuaginta, continha os deuterocanônicos. Não há razão para
dizer que Jesus e os seus discípulos aceitaram o cânon menor, quando na maioria
das vezes utilizaram fontes do Antigo Testamento que continham os deuterocanônicos.
Tomemos o exemplo de Paulo, cujas cartas missionárias eram dirigidas a regiões
fora da palestina. Deve-se notar, por exemplo, que seu sermão
Além do mais, é errado dizer que estes livros não foram citados no Novo
Testamento [41] e que tal citação deve ser pré-requisito para a canonicidade de
um livro bíblico. Algumas fontes dizem que os deuterocanônicos são citados no
Novo Testamento, no mínimo, 150 vezes [42]. Acrescido a isto, livros do cânon
menor, como Eclesiastes, Abdias e
Ester não são citados por Jesus ou seus apóstolos, e nem por isso os
protestantes retiraram-nos do seu cânon. Obviamente este argumento não serve
para determinar a canonicidade de um livro.
2) A evidência histórica mostrará que o argumento protestante de que o cânon do
Antigo Testamento foi fechado no tempo de Jesus é falso. Primeiro que não havia
nenhum cânon palestino oficial, pois existia neste tempo três cânons em
circulação [43], além da Septuaginta. Segundo, as evidências mostram que o judaísmo durante os últimos dois séculos
antes de Cristo e o primeiro século depois de Cristo não era uniforme em seu
entendimento sobre quais livros deveriam ser considerados sagrados. Existiam
muitas opiniões dentro e fora de Israel sobre esta questão [44].
3) Usar o sínodo de Jâmnia para justificar o cânon menor é problemático por
algumas razões: a) tal decisão, tomada cerca de 50 anos após a morte de Cristo,
não tem relação alguma com o cânon dos livros cristãos, pois os rituais
veterotestamentários (como não comer carne de porco) não têm relação com o
cristianismo; b) é questionável se de fato este sínodo possuiu uma visão
definitiva e autoritária sobre o cânon do Antigo Testamento das Escrituras,
pois a lista continuou a variar dentro
judaísmo até o século 4 d.C. [45]; c) o sínodo foi, de certo modo,
formado devido a polêmica contra a seita dos cristãos, portanto em total
oposição ao cristianismo. Estes judeus aceitaram o cânon menor porque os
cristãos aceitavam o cânon maior da Septuaginta; d) as decisões deste sínodo
representaram a decisão de apenas um ramo do judaísmo farisaico, o da
palestina, e não do judaísmo como um todo.
4) Por fim, para os protestantes afirmarem que os deuterocanônicos possuem
doutrinas anti-bíblicas é decididamente um caso de insegurança dogmática. Esta
conclusão foi tomada porque os reformadores, claramente em antagonismo com a
Igreja Católica, tomavam a Bíblia a
priori como um livro de doutrinas protestantes. Descartaram os
deuterocanônicos porque continham doutrinas católicas, como 2 Mac 12,42-46, que claramente baseia
a oração pelas almas do purgatório: santo
foi e piedoso o seu pensamento, e foi essa a razão por que mandou que se
celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem absolvidos de
seus pecados. Lutero, claramente, quis retirar também do Novo Testamento
livros como Apocalipse, Hebreus e
Tiago, este merecendo o nome de epístola
de palha, onde nada de
evangélico é encontrado [46], isso devido, sem dúvidas, o fato de que
Tiago afirmava que somos salvos pela
fé e pelas boas obras (Tg 2,14-26), refutando a doutrina recém-criada
por Lutero de que somos salvos somente
pela fé, sem participação das obras. Lutero foi convencido por seus
correligionários a não retirar mais este livro da Bíblia.
Além deste fato acima, existe o testemunho histórico da continuidade do cânon
bíblico. enquanto vimos que existiam disputas em relação ao cânon bíblico, duas
considerações são evidentemente verdadeiras: a) com certeza os deuterocanônicos
eram usados pelos cristãos do primeiro século, a começar por Jesus e seus
apóstolos; b) desde que foi definido o cânon no século 4, não vemos mudança
alguma em relação ao conteúdo da Bíblia. Na prática, a única disputa que surgiu
após este evento veio com a reforma protestante, somente no século 16, que
decidiram que poderiam simplesmente lançar no lixo a continuidade de 11 séculos
do cânon bíblico em sua existência formal, e 15 séculos de existência prática.
O fato de que qualquer pessoa
possa vir e simplesmente alterar a continuidade de um tema tão central como o
conteúdo dos livros da Escritura deveria levar o cristão a pensar seriamente
sobre um detalhe. Este cristão deveria se perguntar: com que autoridade esta pessoa pôde fazer esta alteração? Tanto
a história como os próprios escritos de Lutero mostram que suas ações foram
baseadas em nada mais que sua opinião pessoal. Certamente, tal "autoridade
final" falha grosseiramente no que se requer para que alguma alteração
canônica seja feita, especialmente quando se considera que o processo de
identificar o cânon bíblico envolveu um processo guiado pelo Espírito Santo,
levou séculos, e envolveu algumas das maiores mentes do cristianismo assim como
alguns Concílios da Igreja. Mais interessante é o fato de que outros chamados
reformadores - e desde então todos os protestantes - aceitaram a alteração do
cânon de Lutero, mesmo que todos dissessem que eram fiéis à Bíblia e insistiam
que nada deveria ser acrescentado ou retirado de suas páginas.
SE ORIGINOU DOS PROBLEMAS
EMOCIONAIS DE LUTERO
Se algo deve ser dito com relação a Martinho Lutero é o
fato de que ele era cronicamente assolado por uma combinação de dúvidas e
inseguranças quanto a sua própria salvação e uma sensação de extrema impotência
em face as tentações do pecado. Ele próprio escreveu: meu espírito está completamente partido e estou em eterno estado de
melancolia; pois, faça o que fizer, minha retidão e minhas boas obras não me trazem
ajuda ou consolação alguma [47].
À luz desta realidade, pode-se acessar o perfil emocional e psicológico do
pensamento de Lutero e seu impacto na origem de sua Sola Scriptura. Uma pequena análise pode mostrar que esta
doutrina nasceu da necessidade que Lutero tinha de se ver livre de seus
sentimentos de culpa, insegurança e tentação que o "torturavam".
Considerando que o próprio Lutero admite uma tendência obsessiva ao pecado,
assim como uma inabilidade de resistir a ele, fica claro que ele sofreu de
"escrupulosidade", e todos os estudiosos luteranos admitem isso [48].
Escrupulosidade significa que uma pessoa fica extremamente ansiosa quanto a ter
cometido um pecado quando na verdade não há razão para tal, e uma pessoa
escrupulosa é aquela que geralmente supervaloriza seu pecado, com uma
correspondente confiança em Deus. Também é relevante notar que a
escrupulosidade parece ser baseada em
alguma disfunção psicológica [49].
Em outras palavras, Lutero provavelmente nunca desfrutou de paz espiritual e psicológica,
pois a voz de sua "consciência" sempre o alcançava sobre qualquer
assunto, real ou imaginário. É natural que alguém tão atordoado busque refúgio
nesta voz, e para Lutero este refúgio foi encontrado na doutrina da Sola Fide, ou a salvação somente pela fé.
Mas desde que resistir ao pecado e praticar boas obras são componentes
essenciais para nossa salvação, e desde que estes fatos são satisfatoriamente
componentes e defendidos pela Igreja Católica, Lutero se encontrou
diametricamente oposto à doutrina da Igreja. Pelo fato de a Igreja ensinar a
necessidade de algo que ele exatamente não podia fazer, tomou uma decisão
drástica - uma que "resolveria" sua escrupulosidade: rejeitou a
autoridade da Igreja, contida no seu Magistério cujo Papa é o chefe, e afirmou
que era algo contrário à Bíblia. Em outras palavras, por dizer que a Sola Scriptura deveria ser a
verdadeira doutrina cristã, Lutero repugnou a autoridade que o fazia reconhecer
que sua própria espiritualidade era disfuncional.
Por todas estas razões, então, é evidente que a doutrina
protestante da Sola Scriptura é
uma extremamente anti-bíblica, humana e errônea crença que deve ser
desacreditada e rejeitada completamente. Todos os que são genuinamente cristãos
e seguem as verdades que Jesus ensinou - mesmo que contradiga o seu sistema
religioso atual - devem reconhecer a falha desta doutrina, falha esta óbvia
pelas Escrituras, pela história e pela lógica.
A plenitude da verdade cristã, sem erro, é encontrada somente na Igreja Católica,
a mesma Igreja que o próprio Cristo estabeleceu sobre a terra. De acordo com
esta Igreja, a Sola Scriptura é
uma distorção da autoridade cristã. Na realidade, a verdadeira e direta regra
de fé do cristão é a Igreja, que por sua vez absorve o que ensina da Revelação
Divina - a Tradição Escrita e a Tradição Oral, que juntas formam a regra
indireta de fé.
A Escritura e a Tradição são as fontes inspiradas da doutrina cristã, enquanto
que a Igreja - entidade histórica e visível em sucessão ininterrupta desde
Pedro e os demais apóstolos - é a intérprete
infalível da doutrina cristã. Somente aceitando completamente esta regra
de fé que os seguidores de Cristo podem aderir a todas as coisas que Ele
ordenou aos seus apóstolos ensinar (Mt 28,20). Somente aceitando completamente esta regra de fé o
cristão pode conhecer a verdadeira doutrina pregada por Cristo, e nada além da
verdade.
Nota: entre as referências
estão citados alguns autores protestantes. Seus trabalhos não são obras
recomendadas, porém mostram que os pontos apresentados neste trabalho são
verdadeiros e válidos mesmo entre os protestantes.
1.
A
reforma protestante não foi uma reforma no sentido verdadeiro da palavra, mas
sim uma revolução - uma alteração violenta da legítima religiosidade e ordem
civil.
2.
W.E. Vine [protestante], Vine's
Expository Dictionary of New Testament Words (
3.
Apesar
de todos os livros do Novo Testamento já terem sido escritos enquanto João
finalizava o Apocalipse, ainda não estavam organizados como Sagrada Escritura.
4.
A
palavra traduzida como ordenança é também traduzida como ensinamento ou
tradição, por exemplo, a NIV traz ensinamento com uma nota dizendo: "ou
tradição".
5.
Vine,
op. cit., p. 564
6.
Um
exemplo desta forma interpretativa envolve Ap 12. Os Padres da Igreja
entenderam a mulher vestida de sol como referência à Assunção da Virgem Maria.
Alguém afirmar que esta doutrina não existia até 1950 (o ano
7.
A
Igreja Católica afirma que "o corpo dos bispos", os sucessores dos
apóstolos, também goza de infalibilidade, quando, em união com o Papa,
"exerce seu magistério supremo, sobretudo
8.
A
afirmação protestante de que a Bíblia interpreta a si mesma nada mais é do que
uma futilidade. Afirmam que cada pessoa pode chegar a uma correta interpretação
bíblica comparando seus versículos com outros da Bíblia. O problema com este
argumento pode ser assim demonstrado: peça a dez pessoas para darem sua
interpretação sobre um certo versículo bíblico, e é provável que encontre dez
interpretações diferentes. Se a Bíblia pudesse interpretar a si mesma, sempre
se chegaria à mesma conclusão, independente da época em que se estuda, mesmo
pelas mais diferentes pessoas. E se tal diferença de interpretações pode ser
verdadeira para apenas dez pessoas, imagine então o resultado quando se
multiplica este número por milhares ou milhões? A história já demonstrou tal
resultado, e seu nome é Protestantismo.
9.
Existem
alguns estudiosos que afirmam que 2 Pd foi o último livro escrito do Novo
Testamento, datando do início do século dois. Pelo fato de não haver consenso
entre os especialistas sobre a data acurada, é suficiente para nosso propósito
aceitar a visão geral de que ao fim do século um todos os livros do Novo
Testamento já haviam sido escritos.
10. Veja, por exemplo, Santo Irineu,
Contra as Heresias 3,3; Tertuliano, Prescrição contra os hereges 32, Orígenes,
Primeiros princípios, 1, prefácio.
11. Veja, por exemplo, Santo Inácio, Carta
aos Esmirnenses 8-9; Carta aos Filadélfos, introdução e cap.1-4; Carta aos
Magnésios, 7.
12. Veja, por exemplo, 1 Clemente
1,56,58,59; Santo Inácio, Carta aos Romanos, introdução e cap.3; Santo Irineu,
Contra as Heresias 3,3; Tertuliano, Prescrição contra os hereges 22; Eusébio,
História Eclesiástica 5,24,9.
13. Msr.
Patrick F. O'Hare, LL.D, The Facts about Luther (Cincinnati: Pustet, 1916;
Rockford, IL; TAN, 1987), pp. 215-255.
14. Walch,
XIII, 2195, citado em The Facts about Luther, p. 15.
15. É relevante que os decretos de um
Concílio Ecumênico não porta autoridade a menos que seja ratificados pelo Papa.
16. Dois versículos favoritos dos
arianos para respaldar sua crença são Pv 8,22 e Jo 14,28.
17. John Henry Newman, Os arianos do
quarto século.
18. Henry
G. Graham, Where we got the Bible: our debt to the Catholic Church (St Louis:
B. Herder, 1911; Rockford, IL: TAN, 1977, 17th edição), pp. 34-35.
19. É a mesma lista dada pela
declaração final, explícita e infalível da Igreja sobre quais os livros a serem
incluídos na Bíblia, feita pelo Concílio de Trento, na sessão IV, em 1546.
Listas iniciais dos livros canônicos eram as listas do "Decreto
Gelasiano", dado pela autoridade do Papa Dâmaso em 382, e o cânon do Papa
Inocêncio I, enviada a um bispo franco em 405. Nenhum dos dois documentos
pretendia compor uma afirmação infalível a toda a Igreja, mas ambos incluíam os
mesmos 73 livros da lista de Trento 11 séculos antes. (The
Catholic Encyclopedia [New York: The Encyclopedia Press, 1913], vol. 3, p.
272).
20. O leitor deve notar que a Igreja
Católica não afirma que a identificação dos livros da Bíblia não os tornaram
canônicos. Deus é quem é o autor da canonicidade. A Igreja Católica afirma,
isto sim, que somente ela detém a autoridade e responsabilidade por identificar
infalivelmente quais são os livros canonizados por Deus que devem compor a
Bíblia cristã.
21. Commentary
on John, cap. 16,
22. Graham, op. cit, p. 31.
23. Nem as primeiras cópias da Bíblia,
o Codex Vaticanus e o Codex Sinaiticus, ambos datados do quarto século d.C.,
nem qualquer outra cópia contém a Bíblia inteira, pois partes dos manuscritos
foram perdidos ou destruídos. A grande maioria dos manuscritos que existem
atualmente são apenas fragmentos da Bíblia.
24. A ironia é que foi pelos esforços
incansáveis e laboriosos dos monges católicos em suas clausuras que a Palavra
de Deus escrita sobreviveu através dos séculos. A acusação de que os católicos
fizeram de tudo para suprimir a Bíblia é uma das mais perniciosas falsidades, e
é facilmente refutada pelo atento exame nas pesquisas da história da Igreja.
Muito pelo contrário, a Igreja Católica, cuja única função é ser a guardiã do
Depósito da Fé, protegeu a Bíblia das traduções falsas e espúrias, e foram
estas versões que foram destruídas ou queimadas para evitar que falsos
evangelhos circulasse.
25. Raymond
F. Collins, Introduction to the New Testament (Garden City, NY: Doubleday &
Company, Inc., 1983), p. 77.
26. Ibid., pp. 100-102.
27. Bruce
M. Matzger [protestante], The Text of the New Testament: its transmission,
corruption and restoration (Oxford University Press, 1992), pp. 221-225,
234-242.
28. Os protestantes argumentam que
mesmo com as variações nos manuscritos bíblicos, nenhum aborda as doutrinas
principais. Mesmo que fosse verdadeira esta afirmação, não altera o fato de que
os protestantes estão verdadeiramente admitindo, ao menos indiretamente, que
aceitam algumas doutrinas que são diferentes da Bíblia "real". E se
isto é verdadeiro, então o próprio protestante começa a desmerecer a Sola Scriptura.
29. Metzger, op. cit., pp. 226-228.
30. Collins, op. cit., p. 102.
31. Metzger, op. cit., p. 234.
32. Entre os vários exemplos que
poderiam ser citados, por motivos de espaço, vamos considerar somente algumas
ilustrações sobre este assunto. Em Jo 1,1, a NWT traz, "...e a Palavra era
um deus" e não "e a Palavra era Deus", isto porque os
Testemunhas rejeitam a divindade de Cristo. Em Cl 1,15-
33. Além do mais, a versão latina
Vulgata recebeu uma aprovação particular pelo Concílio de Trento entre todas as
demais versões latinas existentes na época. O Concílio declarou: ...esse mesmo
sacrossanto Concílio determina e declara: que nas preleções públicas, nas
discussões, pregações e exposições seja tida por legítima a antiga edição da
Vulgata, que pelo longo uso de tantos séculos se comprovou na Igreja; e que
ninguém, sob qualquer pretexto, se atreva ou presuma rejeitá-la. (Sessão IV
[8-4-1546], A edição da Vulgata da Bíblia e o modo de interpretação, 785).
Desde então, como afirmou o Papa Pio XII na Carta Encíclica Divino Afflante
Spiritu ("Sobre a promoção dos estudos bíblicos"), a Vulgata,
"quando interpretada no sentido que a Igreja sempre entendeu" é
" livre de erro em matéria de fé e moral". Em 1970 o Papa Pio IX
(1903-1914) iniciou a revisão da Vulgata para uma maior acurácia textual. Após
sua morte, este enorme projeto está sendo continuado por outros. Em 1979 João
Paulo II promulgou a "Nova Vulgata" como Editio typica ou
"edição normativa".
34. Notemos que o inventor da imprensa
- Johannes Gutenberg - era católico, e que o primeiro livro impresso foi a
Bíblia (circa 1455). Também deve ser notado que esta primeira Bíblia continha
os 73 livros que até hoje compõem a Bíblia católica. Portanto, os protestantes
retiraram os 7 livros da Bíblia quando esta já existia em formato impresso.
35. Alguns estimam que existam cerca
de 25 mil denominações protestantes diferentes. Contando-se a partir de 500
anos de história protestante, desde Lutero (1517), este número significa uma
média de uma nova denominação protestante nova por dia! Sabemos, contudo, que
estes dados são desatualizados, e existem muito mais de 25 mil
denominações/seitas protestantes diferentes.
36. Mesmo os primeiros reformadores -
Martinho Lutero, João Calvino e Ulrich Zwingli - não concordavam em assuntos
doutrinários e classificaram as doutrinas uns dos outros como heréticas.
37. Três aqui é usado apenas como
ilustração. A quantidade histórica (isto é, o número das variações nas
interpretações de várias passagens) é imensamente maior.
38. Não é negado que uma passagem da
Escritura possa ter diferentes níveis de interpretação ou que possa ter
diferentes níveis de significado em termos de sua aplicação na vida do cristão.
O que é negado aqui, contudo, é o fato de uma passagem possuir mais de um
significado doutrinário ou teológico oposto a outro. Por exemplo, se duas
pessoas afirmam, respectivamente, "X" e "não-X" para uma
determinada interpretação, ambos não podem estar corretos. Tome a doutrina da
Real Presença na Eucaristia. Se o primeiro afirma que Jesus está presente no
pão e no vinho, mas a segunda pessoa afirma que Cristo não está presente no pão
e no vinho, é impossível que ambas as doutrinas estejam corretas ao mesmo
tempo.
39. O cânon farisaico, usado pelos
judeus da Palestina, não continha os livros deuterocanônicos. O cânon
alexandrino ou Septuaginta, usado largamente pelos judeus da diáspora (regiões
helenísticas fora da Palestina), continha os livros deuterocanônicos.
40. W.H.C.
Frend [protestante], The Rise of the Christianity (Philadelphia, PA: Fortress
Press, 1984), pp. 99-100.
41. Para alguns exemplos, compare as
seguintes passagens: Mt 6,14-15 e Eclo 28,2; Mt 6,7 e Eclo 7,15; Mt 7,12 e Tb
4,15-16; Lc 12,18-20 e Eclo 11,19; At 10,34 e Eclo 35,15; At 10,26 e Sb 7,1; Mt
8,11 e Br 4,37.
42. Lee
Martin McDonald [protestante], The Formation of the Biblical Canon, Apêndice A
(Nashville, TN: The Parthenon Press, 1988) (Lista entitulada "New
Testament citations and allusions to apocryphal and pseudoeptgraphal writtings",
adaptado de The Text of the New Testament, de Kurt Aland e Barbara Aland, dois
famosos biblistas).
43. Incluem a) o cânon de Qumram,
conhecido pelos Manuscritos do Mar Morto; b) o cânon farisaico e c) o cânon
saduceu/samaritano, que inclui somente o Torah (os primeiros livros do Antigo
Testamento).
44. McDonald, op. cit., p. 53.
45. Ibid, p. 60.
46. Hartmann
Grisar, SJ, Marthin Luther: His life and work (B. Herder, 1930: Westminster,
MD: The Newman Press, 1961), p. 426.
47. Jansen, Vol III, p. 84, como
citado em O'Hare, op. cit., p. 51.
48. Cf. Fr William Most, "Somos
salvos somente pela fé?" fita cassete da Catholic Answers, PO Box 174900,
San Diego, CA 92177.
49. Fr.
Peter Stravinskas, ed., Catholic Encyclopedia (Huntington, Indiana: Our Sunday
Visitor, Inc. 1991), p. 873.)
|
26. VINTE E SETE LIVROS PERDIDOS CITADOS PELA BÍBLIA |
No Antigo Testamento:
1.
Livro
das Guerras de Javé: "Por isso se diz no Livro das Guerras de Javé: 'Assim
como fez no Mar Vermelho, assim fará nas torrentes do Arnon. Os rochedos das torrentes
se inclinaram, para descansar em Ar, e repousarem sobre os confins dos
moabitas" (Num. 21,14-15) .
2.
Livro
do Justo: "Foi então que Josué falou ao Senhor, no dia
"E (Davi) ordenou que ensinassem aos filhos de Judá o (cântico chamado do)
arco, conforme está escrito no Livro do Justo. E disse: 'Considera, ó Israel,
os que morreram sobre os teus altos, cobertos de feridas'" (2Sam. 1,18).
3.
Provérbios
e Cânticos de Salomão: "Proferiu ele (Salomão) três mil provérbios, e
foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu acerca das plantas, desde o cedro
que está no Líbano até o hissopo que brota da parede. Também falou dos animais
e das aves, e dos répteis, e dos peixes" (1Rs. 4,32-33).
4.
Livro
dos Atos de Salomão: "Quanto aos demais atos de Salomão, e a tudo quanto
fez, e à sua sabedoria, porventura não está escrito no Livro dos Atos de
Salomão?" (1Rs. 11,41).
5.
Livro
das Crônicas dos Reis de Israel: "Quanto ao restante dos atos de Jeroboão,
como guerreou e como reinou, está escrito no Livro das Crônicas dos Reis de
Israel" (1Rs. 14,19).
6.
Livro
das Crônicas dos Reis de Judá: "Quanto ao restante dos atos de Roboão, e a
tudo quanto fez, porventura não está escrito no Livro das Crônicas dos Reis de
Judá?" (1Rs. 14,29).
7.
Livro
do Profeta Natã: "Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os
últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o
profeta, e no Livro de Gade, o vidente" (1Cr. 29,29). "Quanto ao
resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura não estão
escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o
silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?"
(2Cr. 9,29).
8.
Livro
de Samuel, o Vidente: "Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os
últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o
profeta, e no Livro de Gade, o vidente" (1Cr. 29,29).
9.
Livro
de Aías, o Silonita: "Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros
aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o
profeta, e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente,
acerca de Jeroboão, filho de Nebate?" (2Cr. 9,29).
10. Livro de Ado, o Vidente:
"Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos,
porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos
livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão,
filho de Nebate?" (2Cr. 9,29).
"Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos primeiros aos últimos, está
escrito nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o vidente, e diligentemente
registrado: 'houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante todos os seus
dias'" (2Cr. 12,15).
"Quanto ao resto dos atos de Abias, seu caráter e obras, está
diligentemente escrito no Livro de Ado, o profeta" (2Cr. 13,22).
11. Livros de Semaias, o profeta:
"Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos primeiros aos últimos, está
escrito nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o vidente, e diligentemente
registrado: 'houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante todos os seus
dias'" (2Cr. 12,15).
12. Livro dos Reis de Judá e Israel:
"Mas os feitos de Asa, dos primeiros aos últimos, estão escritos no Livro
dos Reis de Judá e Israel" (2Cr. 16,11).
13. Livro dos Reis de Israel e Judá:
"Quanto ao resto dos atos de Joatão, e todas as suas guerras e obras,
estão escritos no Livro dos Reis de Israel e Judá" (2Cr. 27,7).
14. Livro dos Reis: "O relato dos
seus filhos, as muitas sentenças proferidas contra ele e o registro da
restauração da casa de Deus, estão escritos diligentemente no Livro dos Reis. E
Amasias, seu filho, reinou em seu lugar" (2Cr. 24,27).
15. Anais dos Reis de Israel:
"Mas o resto dos atos de Manassés, sua oração ao seu Deus e as palavras
dos videntes que falaram-lhe
16. Comentários de Jeú, filho de
Hanani: "Mas o resto dos atos de Josafá, dos primeiros aos últimos, estão
escritos nos comentários de Jeú, filho de Hanani, que observou nos Livros dos
Reis de Israel" (2Cr. 20,34).
17. A História de Osias, por Isaías,
filho de Amós, o profeta: "Mas o resto dos atos de Ozias, dos primeiros aos
últimos, foi escrito por Isaías, filho de Amós, o profeta" (2Cr. 26,22).
18. Palavras de Hozai: "A oração
que ele (Manassés) fez, como foi ouvido, todos os seus pecados e o desprezo (de
Deus), os lugares também em que mandou edificar altos, em que mandou plantar
bosques, e colocar estátuas, antes de fazer penitência, encontra-se tudo
escrito no Livro de Hozai" (2Cr. 33,19).
19. Livros dos Medos e dos Persas:
"Ora, o rei Assuero tinha imposto tributo a toda terra e todas ilhas do
mar. Nos Livros dos Medos e dos Persas se acha escrito qual foi o seu podere o
seu domínio, a dignidade e a grandeza a que ele exaltou Mardoqueu" (Est.
10,1-2).
20. Anais do Pontificado de João:
"O resto dos atos de João, das suas guerras, das empresas que
valorosamente se portou, da reedificação dos muros que construiu e de todas as
suas ações, tudo está escrito no Livro dos Anais do seu pontificado, começando
desde o tempo em que foi constituído sumo-pontífice em lugar de seu pai"
(1Mac. 16,23-24).
21. Descrições de Jeremias, o profeta:
"Nos documentos referentes ao profeta Jeremias, lê-se que ele ordenou aos
que eram levados para o cativeiro que tomassem o fogo, como já foi referido, e
que lhe faz recomendações (...) Lia-se também nos mesmos escritos, que este
profeta, por uma ordem particular recebida de Deus, mandou que se levassem com
ele o tabernáculo e a arca, quando escalou o monte a que Moisés tinha subido
para ver a herança de Deus. Tendo ali chegado, Jeremias achou uma caverna; pôs
nela o tabernáculo, a arca e o altar dos perfumes, e tapou a entrada. Alguns
dos que o seguiam voltaram de novo para marcar o caminho com sinais, mas não
puderam encontrá-lo" (2Mac. 2,1.4-6).
22. Memórias e Comentários de Neemias:
"Estas mesmas coisas se achavam nos comentários e memórias de Neemias,
onde se lia que ele formou uma biblioteca, recolhendo os livros referentes aos
reis e profetas, os de Davi e as cartas dos reis respeitantes às
oferendas" (2Mac. 2,13).
23. Os Cinco Livros de Jasão de
Cirene: "A história de Judas Macabeu e seus irmãos, a purificação do
grande templo e a dedicação do altar, as guerras contra Antíoco Epífanes e seu
filho Êupator, as manifestações do céu a favor dos que pelejaram pelo judaísmo
com valentia e zelo, os quais, sendo poucos, se tornaram senhores de todo o
país e puseram em fuga um grande número de bárbaros, recobraram o templo famoso
em todo o mundo, livraram a cidade da escravidão, restabeleceram as leis que
iam ser abolidas, graças ao Senhor que lhes foi propício com evidentes provas
da sua bondade, tudo isto, que Jasão de Cirene escreveu em cinco livros,
procuramos nós resumir num só volume".
No Novo Testamento:
1.
A
Epístola Prévia de Paulo aos Coríntios: "Por carta vos escrevi que não
tivésseis comunicação com os fornicadores; não certamente com os fornicadores
deste mundo, ou com os avarentos, ou ladrões, ou com os idólatras; doutra sorte
deveríeis sair deste mundo." (1Cor. 5,9-10).
2.
Epístola
de Paulo aos Laodicenses: "Saudai os irmãos que estão em Laodicéia, e
Ninfas e a igreja que se reúne
3.
A
Profecia de Enoque: "Também Enoque, o sétimo patriarca depois de Adão,
profetizou destes, dizendo: 'Eis que vem o Senhor, entre milhares dos seus
santos, a fazer juízo contra todos, e a argüir todos os ímpios de todas as
obras da sua impiedade, que impiamente fizeram, e de todas as palavras
injuriosas, que os pecadores ímpios têm proferido contra Deus'" (Jd.
1,14-15).
4.
A
Disputa pelo Corpo de Moisés: "Quando o arcanjo Miguel, disputando com o
demônio, altercava sobre o corpo de Moisés, não se atreveu a proferir contra
ele a sentença da maldição, mas disse somente: 'Reprima-te o Senhor'" (Jd.
1,9)].
|
|
A tarefa dos exegetas católicos comporta vários aspectos.
É uma tarefa de Igreja, pois ela consiste em estudar e explicar a Sagrada
Escritura, de maneira a colocar todas as riquezas à disposição dos pastores e
dos fiéis. Mas é ao mesmo tempo uma tarefa científica que coloca o exegeta
católico em relação com seus colegas não-católicos e com vários setores da
pesquisa científica. De outro lado, esta tarefa compreende ao mesmo tempo o
trabalho de pesquisa e o de ensino. Tanto um como outro concluem-se normalmente
1. ORIENTAÇÕES PRINCIPAIS
Aplicando-se às suas tarefas, os exegetas católicos devem levar em séria
consideração o caráter histórico da revelação bíblica. Pois os dois Testamentos
exprimem em palavras humanas, que levam a marca do tempo delas, a revelação
histórica que Deus fez, por diversos meios, dele mesmo e de seu plano de
salvação. Conseqüentemente, os exegetas devem se servir do método
histórico-crítico. Eles não podem, no entanto, atribuir-lhe a exclusividade.
Todos os métodos pertinentes de interpretação dos textos são habilitados a dar
sua contribuição à exegese da Bíblia.
No trabalho de interpretação que fazem, os exegetas católicos não devem nunca
esquecer que o que eles interpretam é a Palavra de Deus. A tarefa comum que têm
não está terminada após terem distinguido as fontes, definido as formas ou
explicado os procedimentos literários. A finalidade do trabalho deles só é
atingida quando tiverem esclarecido o sentido do texto bíblico como palavra
atual de Deus. A esse efeito devem levar em consideração as diversas
perspectivas hermenêuticas que ajudam a perceber a atualidade da mensagem
bíblica e lhes permitem responder às necessidades dos leitores modernos das
Escrituras.
Os exegetas têm também de explicar o alcance cristológico, canônico e eclesial
dos escritos bíblicos.
O alcance cristológico dos textos bíblicos não é sempre evidente; deve ser
posto em evidência cada vez que seja possível. Se bem que o Cristo tenha
estabelecido a Nova Aliança em seu sangue, os livros da Primeira Aliança não
perderam seu valor. Assumidos na proclamação do Evangelho, adquirem e
manifestam seu pleno significado no "mistério do Cristo" Ef 3,4), do
qual eles iluminam os múltiplos aspectos ao mesmo tempo que são iluminados por
ele. Esses livros, efetivamente, preparavam o povo de Deus para sua vinda (cf.
Dei Verbum, 14-16).
Se bem que cada livro da Bíblia tenha sido escrito com uma finalidade distinta
e que tenha o seu significado específico, ele se manifesta portador de um
sentido ulterior quando se torna uma parte do conjunto canônico. A tarefa dos
exegetas inclui, então, a explicação da afirmação agostiniana: "Novum
Testamentum in Vetere latet, et in Novo Vestus patet" (cf. S. Agostinho,
Quaest in Hept., 2, 73: CSEL 28, III, 3, p. 141).
Os exegetas devem explicar também a relação que existe entre a Bíblia e a
Igreja. A Bíblia veio à luz em comunidades de fiéis. Ela exprime a fé de Israel
e a das comunidades cristãs primitivas. Unida à Tradição viva que a precedeu, a
acompanha e da qual se alimenta (cf. Dei Verbum, 21), ela é o meio privilegiado
do qual Deus se serve para guiar, ainda hoje, a construção e o crescimento da
Igreja enquanto Povo de Deus. Inseparável da dimensão eclesial está a abertura
ecumênica.
Pelo fato de que a Bíblia exprime uma oferta de salvação apresentada por Deus a
todos os homens, a tarefa dos exegetas comporta uma dimensão universal, que
requer uma atenção às outras religiões e aos anseios do mundo atual.
2. PESQUISA
A tarefa exegética é vasta demais para poder ser bem conduzida por um único
indivíduo. Impõe-se uma divisão de trabalho, especialmente para a pesquisa, que
requer especialistas
É muito importante para o bem da Igreja inteira e para sua irradiação no mundo
moderno que um número suficiente de pessoas bem formadas consagrem-se à
pesquisa em diferentes setores da ciência exegética. Preocupados com as
necessidades mais imediatas do ministério, os bispos e os superiores religiosos
são muitas vezes tentados a não levar suficientemente a sério a
responsabilidade que lhes incumbe de prover a esta necessidade fundamental. Mas
uma carência neste ponto expõe a Igreja a graves inconvenientes, pois pastores
e fiéis arriscam-se a ficar à mercê de uma ciência exegética estranha à Igreja
e privada de relações com a vida da fé. Declarando que "o estudo da
Sagrada Escritura" deve ser "como a alma da teologia" (Dei
Verbum 24), o II Concílio do Vaticano mostrou toda a importância da pesquisa
exegética. Ao mesmo tempo também lembrou implicitamente aos exegetas católicos
que suas pesquisas têm uma relação essencial com a teologia, da qual eles devem
se mostrar conscientes.
3. ENSINAMENTO
A declaração do Concílio faz igualmente compreender o papel fundamental que é
dado ao ensinamento da exegese nas Faculdades de Teologia, Seminários e
Escolasticados. É evidente que o nível dos estudos não será uniforme nestes
diferentes casos. É desejável que o ensinamento da exegese seja dado por homens
e por mulheres. Mais técnico nas Faculdades, esse ensinamento terá uma
orientação mais diretamente pastoral nos Seminários. Mas ele não poderá nunca
esquecer uma dimensão intelectual séria. Proceder de outra maneira seria falta de
respeito com a Palavra de Deus.
Os professores de exegese devem comunicar aos estudantes uma profunda estima
pela Sagrada Escritura, mostrando o quanto ela merece um estudo atento e
objetivo que permita apreciar melhor seu valor literário, histórico, social e
teológico. Eles não podem se contentar em transmitir uma série de conhecimentos
a ser registrados passivamente, mas devem dar iniciação aos métodos exegéticos,
explicando suas principais operações para tornar os estudantes capazes de
julgamento pessoal. Visto o tempo limitado de que se dispõe, convém utilizar
alternativamente duas maneiras de ensinar: de um lado, por meio de exposições
sintéticas, que introduzem o estudo de livros bíblicos inteiros e não deixam de
lado nenhum setor importante do Antigo Testamento nem do Novo; de outro lado,
por meio de análises aprofundadas de alguns textos bem escolhidos, que sejam ao
mesmo tempo uma iniciação à prática da exegese. Tanto em um como em outro caso
é preciso cuidar para não ser unilateral, isto é, não se limitar nem a um
comentário espiritual desprovido de base histórico-crítica nem a um comentário
histórico-crítico desprovido de conteúdo doutrinal e espiritual (cf. Divino
Afflante Spiritu; E.B., 551-552; PC, De Sacra Scriptura recte docenda, E.B., 598).
O ensinamento deve mostrar ao mesmo tempo as raízes históricas dos escritos
bíblicos, o aspecto deles enquanto palavra pessoal do Pai celeste que se dirige
com amor a seus filhos (cf. Dei Verbum, 21) e o papel indispensável que tem no
ministério pastoral (cf. 2Tm 3,16).
4. PUBLICAÇÕES
Como fruto da pesquisa e complemento do ensino, as publicações tem uma função
de grande importância para o progresso e a difusão da exegese. Em nossos dias,
a publicação não se realiza mais somente pelos textos impressos, mas também por
outros meios, mais rápidos e mais potentes (rádio, televisão, técnicas
eletrônicas), dos quais convém aprender a se servir.
As publicaçôes de alto nível científico são o instrumento principal de diálogo,
de discussão e de cooperação entre os pesquisadores. Graças a elas a exegese
católica pode se manter em relação recíproca com outros ambientes da pesquisa
exegética e também com o mundo dos estudiosos em geral.
A curto prazo, são as outras publicações que prestam grandes serviço pois se
adaptam a diversas categorias de leitores, desde o público cultivado até as
crianças dos catecismos, passando pelos grupos bíblicos, os movimentos
apostólicos e as congregações religiosas. Os exegetas dotados para a divulgação
fazem uma obra extremamente útil e fecunda, indispensável para assegurar aos
estudos exegéticos a irradiação que devem ter. Neste setor, a necessidade de
atualização da mensagem bíblica faz-se sentir de maneira mais premente. Isso
significa que os exegetas levem em consideração as legítimas exigências das
pessoas instruídas e cultas de nosso tempo e distingam claramente, para o bem
delas, o que deve ser olhado como detalhe secundário condicionado pela época, o
que é preciso interpretar como linguagem mítica e o que é preciso apreciar como
sentido próprio, histórico e inspirado. Os escritos bíblicos não foram
compostos em linguagem moderna nem em estilo do século XX. As formas de
expressão e os gêneros literários que eles utilizam no texto hebraico, aramaico
ou grego devem ser tornados inteligíveis aos homens e mulheres de hoje que, de
outra maneira, seriam tentados ou a perder o interesse pela Bíblia ou a
interpretá-la de maneira simplista: literalista ou fantasiosa.
Em toda a diversidade de suas tarefas, o exegeta católico não tem outra finalidade
senão o serviço da Palavra de Deus. Sua ambição não é substituir aos textos
bíblicos os resultados de seu trabalho, quer se trate de reconstituição de
documentos antigos utilizados pelos autores inspirados ou de uma apresentação
moderna das últimas conclusões da ciência exegética. Sua ambição é, ao
contrário, pôr em maior evidência os próprios textos bíblicos, ajudando a
apreciá-los melhor e a compreende-los com sempre mais exatidão histórica e
profundidade espiritual.