ARTIGOS
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OS ANJOS
MAUS O PODER DE
SATANÁS NÃO É INFINITO |
A Igreja ensina que os anjos,
como já vimos, foram criados bons (Deus não pode criar nada intrinsecamente
mau).
"Com efeito, o Diabo e outros demônios foram por Deus
criados bons em sua natureza, mas se tornaram maus por sua própria
iniciativa" (IV Concílio de Latrão, em 1215;
DS 800).
E São Pedro fala do pecado desses anjos: "Pois, se Deus não poupou os
anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os
reserva para o julgamento (...)"(2 Pe2, 4).
O pecado dos anjos não pode ser perdoado. O Catecismo da Igreja Católica (CIC)
nos ensina que: "É o caráter irrevogável da sua opção, e não uma
deficiência da infinita misericórdia divina, que faz com que o pecado dos anjos
não possa ser perdoado" (§ 393).
São João Damasceno (650-749), doutor da Igreja, afirma que: "Não existe
arrependimento para eles depois da queda, como não existe arrependimento para
os homens após a morte" (Patrologia Grega, 94,
Os últimos Papas têm chamado a atenção dos católicos para a importância de
estarem conscientes da existência, natureza e ação dos demônios. É lamentável
que algum teólogo ainda afirme que o demônio não existe ou não age. Na verdade,
esta atitude é tudo o que o maligno quer. Dois erros devem ser evitados:
negar a existência dos demônios ou pensar que todo o mal é obra deles.
O Papa Paulo VI disse na Alocução "Livrai-nos do Mal":
"Quais são hoje as maiores necessidades da
Igreja? Não deixem que a minha resposta os surpreenda como sendo simplista e,
ao mesmo tempo, supersticiosa e fora da realidade. Uma das maiores necessidades
da Igreja é a defesa contra este mal chamado Satanás. O diabo é uma força
atuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade
misteriosa e amedrontadora." (L'Osservatore Romano, 24/11/1972).
O Catecismo nos lembra que devido à ação do demônio, a vida espiritual se
tornou um duro combate:
"Pelo pecado original o Diabo adquiriu certa dominação sobre o homem,
embora este continue livre. O pecado original causa a ‘servidão debaixo do
poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo'" (Concílio
de Trento, DS1511; Hb 2, 4) (§407). "Esta
situação dramática do mundo, que o 'o mundo inteiro está sob o poder do
Maligno' (cf. 1Jo 5,19; 1 Pe
5, 8), faz da vida do homem um combate".
“Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da
humanidade. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até o último dia,
segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar
sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com
grandes labutas e o auxílio da graça de Deus" (GS 37, §2) (§ 409).
Mas Deus não nos abandonou ao poder da morte e de Satanás; ao contrário,
chamou o homem (cf. Gen 3,9) e lhe anunciou de modo
misterioso a vitória sobre o mal. "Então o Senhor disse à serpente:
"Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar"
(Gen 3, 15).
Jesus veio para tirar a humanidade das garras do demônio; e este teme o nome do
Senhor. “Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio.
Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as
obras do demônio” (1Jo 3, 8).
"A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a partir
de agora é o nome de Jesus que manifesta totalmente o poder supremo do nome
acima de todo nome. Os espíritos maus temem seu nome"
(At 16, 16-18; 19,13-16) / (Catecismo §434).
O Catecismo ensina que pela Sua Paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do
pecado. (§1708). Não há o que temer.
Cristo hoje vence o poder dos anjos maus sobre os homens, especialmente por
meio dos Sacramentos, a começar do Batismo. O Catecismo nos ensina que:
"Visto que o Batismo significa a libertação do pecado e do seu instigador,
o Diabo pronuncia um (ou vários) exorcismo(s) sobre o candidato. Este é ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante
impõe-lhe a mão, e o candidato renuncia explicitamente a Satanás”
(§1237).
Quando o Catecismo ensina sobre o conteúdo da oração do Pai-nosso
com relação ao último pedido que fazemos a Deus: "(...) mas, livrai-nos do
Mal", afirma: "Neste pedido da oração do Pai-Nosso, o Mal não é
uma abstração (uma idéia, uma força, uma atitude), mas designa uma pessoa:
Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O Diabo (diabolos) é aquele que "se atravessa no meio" do
plano de Deus e de sua "obra de salvação" realizada em Cristo"
(§2851).
"Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira" (Jo 8, 44), "Satanás, sedutor de toda a terra
habitada" (Ap 12, 9), pois foi por ele que o
pecado e a morte entraram no mundo e é pela derrota dele definitiva que a
criação inteira será "liberta da corrupção do pecado e da morte"
(Oração Eucarística, IV). "Nós sabemos que todo aquele que nasceu de Deus
não peca; o gerado por Deus se preserva e o Maligno não o pode atingir. Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o
poder do Maligno" (1 Jo 5,18-19) e (CIC
§2852).
"Ao pedir que nos livre do Maligno, pedimos igualmente que nos liberte de
todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou
instigador" (CIC §2854).
O livro da Sabedoria mostra toda a maldade do diabo: "Ora, Deus criou o
homem para a imortalidade, e o fez imagem da sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que
pertencem ao demônio prová-la-ão" (Sb 2,
23-24).
Jesus se referiu ao maligno como homicida e mentiroso: "Ele era homicida
desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso
e pai da mentira" (Jo 8,44).
É importante este ensinamento do Catecismo sobre o poder do demônio:
"Contudo, o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma
criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é
capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás atue no
mundo por ódio contra Deus e o seu Reino em Jesus Cristo, e embora a sua ação
cause graves danos – de natureza espiritual e, indiretamente, até de natureza
física – para cada homem e para a sociedade, esta ação é permitida pela Divina
Providência, que com vigor e doçura dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas
‘nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam’” (Rom 8, 28) e (CIC § 395).