ARTIGOS

 

A FESTA DE CORPUS CHRISTI

 

 “Este é o meu corpo… isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim” (Ma 14, 22/24).

 

A Eucaristia é um dos sete sacramentos da Igreja e foi instituído na última ceia, sendo a herança mais preciosa deixada por Jesus Cristo. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na quinta-feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.

 

Corpus Christi é a festa do Corpo de Cristo, adotada pela Igreja para comemorar, contemplar, reverenciar e exaltar a presença real de Jesus Cristo no Sacramento da Eucaristia pela transubstanciação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo.

A solenidade de Corpus Christi remonta ao século XII e deu-se por um fato extraordinário ocorrido com Santa Juliana de Cornillon, então monja agostiniana que sempre teve muita veneração ao Santíssimo Sacramento e começou a ter visões de um astro semelhante à lua, muito brilhante, mas com uma mancha escura. Nessas visões, o próprio Jesus Cristo revelara a Santa Juliana que a lua brilhante representava a Igreja com suas festas e a mancha escura era a falta de uma festa dedicada ao Corpo de Cristo. Santa Juliana levou tal notícia ao bispo local e também a Jacques Pantaleón arquidiácono de Liége que mais tarde se tornaria o Papa Urbano IV.

 

O bispo local algum tempo depois instituiu a festa na Diocese de Liége, festa essa que acabou se estendendo por toda a atual Alemanha e no início a autorização era para uma procissão somente dentro da Igreja e só alguns anos depois é que se realizou a primeira procissão pelas ruas de Liége. Duas décadas depois, o bispo Jacques Pantaleón, agora Papa Urbano IV, estendeu a solenidade a toda a Igreja Universal e um fator que contribuiu muito para isso e que veio a confirmar as visões de Santa Juliana foi o milagre ocorrido logo no segundo ano do pontificado do Papa Urbano IV, em Bolsena – Itália, quando o Padre Pietro de Praga, durante a celebração da Santa Missa, teve dúvidas da presença real de Cristo na Eucaristia e, ao partir a Sagrada Forma, viu brotar dela sangue que empapou o corporal e a pedra da Igreja. Ao saber disso o Papa Urbano IV encarregou o bispo de Orvieto a levar a ele as alfaias embebidas com o Sangue de Cristo.

 

Movido por tal episódio e ante a petição de vários bispos, o Santo Padre estendeu a festa de Corpus Christi a toda a Igreja, por intermédio da bula “Transiturus”de 08 de setembro de 1264, fixando-a para a quinta feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que assistirem à Santa Missa e ao ofício, sendo que este foi escrito por Santo Tomás de Aquino.

 

Logo em seguida o Papa morreu, mas o Papa Clemente V em 1313 confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas no Corpus Iuris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Mais tarde, o Concílio de Trento (1545-1563) fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia, como manifestação pública da fé na presença real de cristo na Eucaristia.

 

Mais recentemente, o Código de Direito Canônico em seu cânon 944 determina que, onde for possível, em testemunho publico de veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, que haja procissão pelas vias publicas.

 

A solenidade também é conhecida na Igreja Grega, nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutinios da Galícia, Calábria e Sicília.

 

Tosos dos católicos têm plena convicção da presença real de Cristo na Eucaristia e também de que, de dia e de noite, em todos os Sacrários do mundo inteiro, Ele nos espera como o maior tesouro que existe sobre a Terra – a Eucaristia que ele nos deixou “de graça”. Como afirmou o Papa João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia vivit!  ou seja, a Igreja vive da Eucaristia e sabe que essa verdade de fé não deve ser vivida apenas no dia da solenidade de Corpus Christi, mas numa experiência quotidiana de fé, perante o Sacrário ou na participação da Ceia Eucarística e por isso, ao aproximarmo-nos do Sacrário devemos reafirmar com confiança “ Meu Senhor e Meu Deus!”, na certeza de que Ele esta ali, Vivo, Real, Verdadeiro, sempre a ouvir nossas preces e pedidos. Não devemos esquecer também de fazer uma oração por todos aqueles que são indiferentes a tão valioso Sacramento e o tratam com descaso. Essa nossa fé é graça que recebemos de Jesus quando ele disse a São Tome: “Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (Jo 21,29).

   

Ana Lucia Simões Salgado Treccalli - Fontes: Catecismo da Igreja Católica, Homilia do Papa João Paulo II de 10.06.2004, Código de Direito Canônico. - www.acidigital.com / www.paginaoriente.com