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O ESPÍRITO SANTO É ...

O Espírito Santo é apresentado à luz da Bíblia segundo nove características que distinguem sua atuação na história da humanidade em busca de Deus. O Espírito Santo é:

·        vida, porque é a força criadora de Deus (Gênesis), o sopro que dá alento ao homem e a todas as criaturas (salmo 104), a energia que ressuscita o povo de Deus (como na grande visão dos ossos ressequidos que retomam carne - Ez 37), aquele que põe no homem um coração novo, de carne e não de pedra (Ez 36);

·        luz, porque ilumina a mente humana para compreender o pensamento de Deus e transforma os seres humanos em profetas, como os 70 auxiliares de Moisés (em Nm 11,24-30), como Elias e Eliseu (2 Rs 2), como o Messias que receberá os sete dons (Is 11) e será enviado evangelizar os pobres (Is 61);

·        amor, que se revela em Jesus, manifestação plena do amor de Deus para a humanidade, o Messias prometido, que conduzido pelo Espírito realiza sua missão e entrega aos discípulos o mesmo Espírito, para continuar a mesma missão de amor e perdão;

·        comunhão, porque, descendo sobre os discípulos de Jesus em Pentecostes (At 2), cria a comunhão eclesial, comunhão aberta a todos os povos e a todas as línguas, que inverte a dispersão da humanidade, nascida do orgulho de Babel (Gn 11);

·        serviço, porque os dons do Espírito a cada um dos discípulos (os "carismas") não estão voltados para vantagens pessoais, mas para a partilha e a edificação da comunidade fraterna, onde cada cristão se dispõe ao serviço dos outros (1 Cor 12), como os diversos membros contribuem para o bem do mesmo corpo;

·        comunicação, porque o Espírito permite compreender a revelação de Deus (1 Cor 14) e comunicá-la aos outros (dom da "profecia"), fazendo que os cristãos possam compreender a vontade do Pai e que também os não-cristãos se ponham em busca do Deus único (cf. At 10);

·        caminho, porque ajuda a comunidade cristã a discernir o caminho que Deus quer quando ela se encontra numa encruzilhada e deve tomar uma decisão, que afetará seu futuro (como em At 15); ajuda que não dispensa a reflexão da comunidade e seu esforço para escutar a todos, nem limita a liberdade da pessoa, mas lhe oferece indicações para fazer sua escolha (como fez com Paulo - cf. At 21,11);

·        misericórdia, porque Ele é o "Pai dos pobres", o que tem um coração voltado para eles e alimenta a esperança daqueles que são os "pobres do Senhor (Javé)", porque tudo esperam dele, especialmente aguardam o Messias (cf. Lc 1-2); por isso "felizes os pobres" (Lc 6,20) e felizes os que têm coração de pobre (Mt 5,3) e são misericordiosos (Mt 5,7), porque "o que tiverem feito ao menor de meus irmãos, é a mim (Cristo) que o fizeste" (Mt 25,40);

·        impulso para o bem, porque tudo o que é bom vem de Deus e o Espírito age também fora do povo cristão para conduzir à salvação e à paz todos os seres humanos.

 

Quando as palavras não bastam

Certo mestre de espiritualidade tinha discípulos que lhe cobravam definições precisas de Deus, da paz, da graça ... e de muitas outras realidades presentes no discurso religioso. O mestre levou-os a um jardim, com grande variedade de flores perfumadas. Pediu que cada um escolhesse uma flor e apreciasse o seu aroma. Depois, foram convidados a descrever com palavras exatas o perfume da flor escolhida. Ao falharem na tarefa, o mestre observou: Vocês não conseguem descrever o que seus sentidos experimentaram como querem exatidão no que vai além dos sentidos?

Palavras para falar de Deus serão sempre aproximações limitadas, que não dão conta do mistério para o qual apontam. No entanto, precisamos de palavras para comunicar, pensar, partilhar experiências. O próprio Deus se serve de linguagem humana para se revelar. Sabendo que estaremos sempre tentando expressar algo maior do que nossas palavras permitem, propomos refletir sobre a presença do Espírito Santo na vida, na Igreja, no mundo.

A Bíblia e a Liturgia da Igreja nos falam muitas vezes do Espírito de Deus ou do Espírito Santo, mas não o representam de forma acessível para nós. Parece até que Ele se esconde atrás do Pai e do Filho. Ele é sempre mencionado junto com eles:

"Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", nós começamos nossas preces.

"A Vós, Deus Pai, por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo", concluímos as orações litúrgicas.

Algumas comparações podem ajudar a refletir sobre essa realidade invisível.

Uma primeira comparação: PALAVRA e ESPÍRITO

De fato, se pensarmos um pouco, relembrando nossa experiência humana, pode perceber a diferença entre a palavra e o espírito. A palavra expressa uma mensagem, um significado. Quer nos dizer alguma coisa. Mas para entendê-la, não basta escutá-la. Não basta ouvir o som. É preciso compreender a mensagem, entender o significado. Podemos ouvir palavras numa língua estranha e não entendermos nada porque não captamos a mensagem. A capacidade de compreender a mensagem é o que nós chamamos "espírito".

Uma segunda comparação: CORPO e VIDA

Podemos também refletir sobre a diferença entre o corpo e a vida. Pois um corpo sem vida é apenas um cadáver. Um corpo sem vida não vale mais nada; está destinado a se corromper. Mas como reconhecer que um corpo humano está vivo? Antes de tudo, porque ele respira. É desse respiro, desse "sopro" de vida, que vêm as palavras com que a Bíblia designa o "espírito". O "espírito" é a vida do corpo.

De algum modo, podemos pensar em Deus a partir dessas comparações, não esquecendo que elas são sempre deficientes. Um dos primeiros grandes santos e teólogos da Igreja, Irineu, diz que o Filho Jesus e o Espírito Santo são as "mãos de Deus". Queria dizer: Deus realiza sua obra - a criação e, sobretudo a redenção e glorificação do ser humano - através do Filho e do Espírito. Um só é o Autor e Criador de tudo: o Pai. Uma só é a obra que Ele realiza: a criação e santificação da humanidade. Duas, porém, são as "mãos" de Deus, que conjuntamente realizam a sua obra: o Filho e o Espírito.

O Filho se torna para nós mais visível: porque é Palavra e porque toma forma humana, assumindo o nosso corpo. O Espírito é invisível, mas é ele que dá sentido à Palavra e vida ao Corpo.

Como, então, reconhecer o Espírito? A partir daquilo que ele realiza, daquilo que ele faz.

 

Pe. OSWALDO GEROLIN FILHO

 

O ESPÍRITO SANTO

É para Jesus como Jesus é para o Pai. O Espírito Santo é enviado por Jesus tal como Jesus é enviado pelo Pai; o Espírito Santo dá testemunho de Jesus tal como Jesus dá testemunho do Pai; o Espírito Santo glorifica a Jesus assim como Jesus glorifica ao Pai.

Jesus fala em nome do Pai e o Espírito Santo falará, recordará e explicará toda a verdade aos discípulos em nome de Jesus.

Assim se estabelece essa continuidade bendita da presença de Deus no mundo e no homem e a Trindade fica definida.

Jesus sai hoje ao nosso encontro no Espírito Santo tal como o Pai saiu ao encontro nos homens em Jesus.

Podemos dizer que o Espírito Santo é a maneira de Jesus existir entre os homens depois de sua despedida corporal, do mesmo modo como Jesus foi, por trinta e três anos privilegiados, a maneira de existir do Pai na terra. É uma continuação indivisível de uma mesma e única presença divina. Vemos o Filho através do Espírito Santo tal como vemos o Pai através do Filho.

Podemos dizer que Deus se aproxima de nós em seu Espírito e que através deste entramos no mistério que é vida e promessa para sempre. E é o mesmo Espírito que opera em nós a cada momento.

Essa realidade trinitária garante a unidade do único Deus que se comunica e torna sensível a diferença pessoal da comunicação em cada caso, em cada estilo, em cada época.

Estamos na era do Espírito, somos a Igreja de Pentecostes, Jesus teve que ir para junto do Pai, para que o Espírito Santo pudesse vir. Ele queria dar lugar a uma presença mais sutil e mais íntima, mais próxima, justamente por ser menos externa, que ultrapassasse, que transcendesse seu rosto e sua voz tão familiares aos discípulos.

Agora, juntamente com o Pai, envia-nos o Espírito que é agora nosso contato. Jesus era o Pai feito presença corporal, o Espírito Santo é Jesus feito presença experiencial.

Deus se aproximou subitamente de seu povo e o Pai se deixou ver no rosto de seu filho. E, agora, a partida do Filho não interrompe mas amplia a aproximação.

Deus já não anda apenas por nossos campos e visita as nossas cidades; ele penetra em nossa alma, ilumina a nossa mente e faz bater com força o nosso coração.

É o Espírito Santo em plenitude de atividades trinitária entre nós.

A terceira etapa do mundo – criação, encarnação, Pentecostes – pertence a atividade especial da terceira pessoa em Deus, o Espírito que protagoniza a presença de Deus no mundo, tal como o Pai o fez na criação e o Filho na redenção. Esse é o período histórico em que vivemos guiados pelo Espírito até o fim dos tempos, viverem a Trindade com toda a realidade possível na terra para o encontro definitivo. Por isso Jesus condenou radicalmente a “blasfêmia contra o Espírito Santo”, que repudia a presença de Deus mais próximo.

É hora de descobrir que a comunicação mais profunda transcende o rosto e a linguagem, transmitindo-se diretamente de coração a coração, à margem de todos os códigos.

Para aprofundarmo-nos em Deus precisamos do Espírito, isto é, dos seus dons, graças, luz e ação.

Portanto, não há oposição entre as pessoas divinas. Viu três e adorou um.

Ir descobrindo a ação do Espírito Santo na alma é abrir-se a Trindade. Por isso Jesus pôde partir tranqüilo, se deixar “órfãos” os seus discípulos, porque seu Espírito ficava com eles, isto é, Ele próprio em seu Espírito continuava ao lado de todos os homens até o fim dos tempos.

Se Jesus é o caminho que nos leva ao Pai, o Espírito Santo é agora o caminho atual, prático, diário que nos leva a Jesus.

Essa é a importância insubstituível do Espírito Santo em nossa vida.

 

Cláudia